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Itajaí tem desde escola-modelo até as que chovem dentro

O contraste entre as unidades da rede estadual de ensino é grande. Estado diz que vai resolver problemas

Mais de 500 mil alunos da rede estadual de ensino voltam às aulas nesta quinta-feira em Santa Catarina. São 11 mil estudantes matriculados no ensino fundamental I e II, ensino médio e EJA em 19 unidades de Itajaí. Para verificar como anda a situação, a reportagem visitou seis escolas da cidade fazendo os registros em foto e vídeo.
São cenários bem diferentes. Os casos mais graves são os das escolas Nilton Kucker, no bairro São João e Elizabeth Konder Reis, em Cordeiros. Ambas com problemas sérios no telhado e infiltrações que apresentam perigos à saúde dos alunos e funcionários. Apesar de soluções paliativas como as pinturas e os consertos emergenciais feitos durantes as férias, alguns problemas escancaram a necessidade de manutenção e reformas nos imóveis.

Elfrida Cristino da Silva – Cordeiros

Salas com ar condicionado, laboratórios, biblioteca e regime integral: contraste

Inaugurada em 2017, a escola de educação básica Elfrida Cristino da Silva é a mais nova da rede estadual em Itajaí. No ato da inauguração o espaço tinha problemas de abastecimento de água, não tinha mobiliário e havia problemas estruturais. O diretor Leandro Zeferino diz que esses problemas já foram sanados.
O colégio atende cerca de 200 alunos de ensino médio em regime integral. Os alunos entram na escola às 7h30 e saem às 17h15. No prédio vistoso e bem conservado há laboratórios de matemática, linguagem, física, química, biologia e informática – todos equipados. A biblioteca acaba de receber 600 novos títulos. Todas as salas de aula possuem ar condicionado e internet para uso pedagógico. Atualmente, são 20 professores no quadro docente.
Leandro elogia o trabalho da coordenadoria regional de educação e diz entender que, por ser uma escola muito nova e equipada, o Elfrida é um ambiente privilegiado de trabalho.

Deputado Nilton Kucker – Vila Operária

Infiltrações, risco de curto-circuito, pisos quebrados e lâmpadas queimadas são alguns dos problemas do Nilton Kucker

A unidade tem graves problemas de infiltração. Em dias de chuva a água invade o auditório, gerando risco de curto- circuito em fiações. Há paredes e pisos quebrados e a necessidade de pintura. Essa é a realidade do colégio Deputado Nilton Kucker, que aguarda uma reforma geral de cerca de R$ 1 milhão há mais de dois anos. O projeto chegou a ser elaborado, mas não saiu do papel. As soluções são sempre emergenciais.
O prédio é antigo, as infiltrações causam a queima de lâmpadas, há demanda de pintura e o problema recorrente do estufamento de pisos. As manutenções pontuais acontecem graças à boa vontade de voluntários, mas não são suficientes para sanar o problema.
Outra questão é o corpo de funcionários reduzido. São cerca de 1300 alunos, 60 professores, na maioria ACTs, e apenas cinco funcionários para o administrativo. Faltam profissionais na área pedagógica para os cargos de supervisor, orientador e algumas outras funções.

Contraponto do estado:
A coordenadora regional de educação, Cleonice Wehmuth Monteiro Berejuk, diz que o Nilton Kucker é a prioridade número um na cidade. Ela reconhece os problemas da unidade. Já existe o levantamento estrutural da escola, feito pelo setor de engenharia, e a reforma estaria em fase de licitação para execução ainda em 2020.
Segundo a coordenadora o processo está na diretoria de Obras da secretaria de Estado da Infraestrutura para providências/licitação. A obra faz parte do programa de governo “nova escola”, que começou no ano passado, com R$ 1,2 bilhão investidos na educação do estado. A promessa do governo é de que todas as 1071 escolas da rede estadual recebam alguma melhoria: seja em equipamentos de tecnologia, infraestrutura, gestão total, qualificação permanente ou transporte.

Henrique da Silva 
Fontes – São João

Alunos esperam uma sala de informática

Com quase mil alunos e 36 professores, a escola de ensino médio Henrique da Silva Fontes atende alunos nos três turnos. O colégio recebeu recentemente uma reforma estrutural que resolveu os problemas do telhado, mas ainda aguarda a finalização deste serviço. Faltam a pintura e os acabamentos.
Há sala de internet para uso dos professores, refeitório coberto e uma biblioteca, mas ainda não há sala com computadores para os alunos, o que é um desejo da comunidade escolar, mas sem data para acontecer.

Elizabeth Konder Reis – Cordeiros


Com quase 900 alunos em uma das avenidas mais movimentadas do bairro Cordeiros, a escola básica Elizabeth Konder Reis tem sérios problemas. O pedido de reforma foi feito pela primeira vez em 2015 e, recentemente, atualizado junto à coordenadoria regional. O colégio aguarda desde então um retorno que nunca veio. O telhado e as paredes da escola apresentam infiltrações que, em alguns pontos, chegam a virar rupturas na cobertura. Há ainda o problema de infestação de cupins em algumas das vigas de madeira que dão sustentação ao telhado, o que é uma grande preocupação da comunidade.
Pinturas e soluções paliativas não são eficazes. Com quase 60 pessoas no quadro total de funcionários, o colégio atende alunos nos três turnos entre ensino fundamental I e médio e busca solucionar sozinho o que é possível dentro das demandas.
Quanto ao recebimento de materiais didáticos pelo estado não há nenhuma queixa. A única questão é um repasse de livros de literatura que deveria ter sido feito pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) em 2019 e até agora não aconteceu.

Contraponto do estado:
A coordenadora regional Cleonice Berejuk, confirma que recebeu o ofício e que as obras estão confirmadas e devem acontecer em duas etapas: a primeira através de contrato de melhorias que já está licitado e deve contemplar o conserto dos pilares, forro e demais coisas urgentes. Essas obras devem começar nos próximos dias. “Essas obras são de caráter imediato para que a escola funcione e os alunos não corram riscos,” comenta.
Em um segundo momento, em um contrato mais complexo, serão feitas melhorias maiores na estrutura, possíveis ampliações e outros detalhes. Cleonice diz que não é possível precisar um prazo, mas que trabalha para que a segunda etapa ocorra ainda este ano.

Victor Meirelles – Centro


Bem no centro de Itajaí, na rua Gil Stein Ferreira, está o colégio Victor Meirelles, a escola estadual mais antiga da cidade, com 107 anos de existência. Após uma crise em 2017, a escola recebeu uma grande reforma no ano seguinte que contemplou a troca do telhado, consertos elétricos e hidráulicos, esgoto, além de pintura e solução para as infiltrações.
O prédio está organizado e conservado. No segundo e terceiro andares, onde ficam as salas de aula, a pintura ainda está em andamento. Há biblioteca e um recém-inaugurado laboratório de informática na unidade. Uma quadra coberta deve ser construída ainda este ano.
Cerca de mil alunos devem estudar no colégio em 2020. No corpo docente são 60 professores, a maioria efetivos.

XV de Junho – Cidade Nova

Quadra coberta é necessidade para a prática esportiva

Localizada na avenida Ministro Luiz Galotti, no bairro Cidade Nova, a escola de educação básica XV de Junho esgotou as vagas para o ensino fundamental em 2020. São cerca de 1100 alunos e 40 professores atuando nos turnos da manhã, tarde e noite do ensino fundamental ao médio.
Apesar de bem conservada quanto à pintura, a escola não tem quadra esportiva ou refeitórios cobertos. São apenas seis salas com ar condicionado. Os alunos acabam expostos ao calor ou ao frio e à chuva. A promessa de construção de um ginásio de esportes data de 2015 e até hoje não avançou. Os funcionários apontam o sistema elétrico como o principal problema estrutural, que impede, por exemplo, que a escola busque recursos financeiros para instalar mais aparelhos de ar condicionado no prédio. Muito mobilizada, a equipe da direção resolve algumas dificuldades internamente para não esbarrar na burocracia estatal, fazendo reformas pontuais, por exemplo, ou o corte de grama.
Para a volta às aulas, materiais de uso comum e livros já estão disponíveis e organizados. O novo mobiliário para substituição de mesas e cadeiras já foi confirmado pelo estado, mas não se sabe ainda a data de entrega.
Contraponto do estado:
A secretaria de estado da Educação confirma o recebimento da solicitação do ginásio ou quadra coberta por parte da escola.
Segundo Cleonice Berejuk, coordenadora Regional de Educação, há questões a serem resolvidas quanto à regularização do imóvel para, posteriormente, ser feita a quadra.

O que vem por aí
O estado lançou uma novidade para os diretores agilizarem o processo de pequenas obras. Agora é possível que os responsáveis registrem dentro do Sistema Integrado de Obras (o SICOP – que registra qualquer obra pública no estado) solicitações de pequenas melhorias ou consertos. O diretor acessa seu login, faz ali o registro do reparo, adiciona fotos e a coordenação da região automaticamente recebe a solicitação. A coordenadoria pode encaminhar para execução. Segundo Cleonice, o novo processo pode acelerar a resolução dos pedidos, que antes demoravam meses, para cerca de 30 dias.
Na segunda-feira, dia 3, 115 profissionais tomaram posse e passam a integrar o quadro efetivo da região, entre professores e especialistas em educação.

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