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Itajaí de Quincas a Dete Peixera

PERSONAGENS

Raiz: Quincas

Quem mora na Fazenda com certeza já cruzou com o “Quincas” em umas das suas idas e vindas pelo bairro. Calado, misterioso e com um olhar que revela ingenuidade, ele passa o dia percorrendo as ruas do bairro, sempre carregando balas,  pirulitos  e laranjas nos bolsos.  Não é raro ele oferecer, timidamente, uma bala se qualquer criança se aproxima. As laranjas que pede diariamente nos restaurantes da Beira Rio,  dizem, Quincas leva para famílias carentes que moram perto da sua casa.

Quincas é o apelido dado pela família a Joaquim Cornélio da Luz, 63 anos. Filho de dona Maria Dalila, 82, ele vive sob os cuidados da mãe e dos irmãos. Segundo a irmã, Lete Cabral, 60, Quincas falava normalmente até uns dois anos  de idade quando teve meningite e acabou perdendo a fala. Sobre o jeito dócil de ser, Lete confirma que o irmão é da paz e que curte passar os dias caminhando peas ruas do bairro onde sempre viveu.

Conhecido pelos moradores do bairro, ele não tem nenhum histórico que o desabone. A secretária de uma imobiliária que fica na rua Lauro Muller, local por onde Quincas passa diariamente, Nariana Pereira, 22 anos, conta que conhece Quincas desde pequena. “Ele passa por aqui, esconde uns pirulitos atrás de uma das árvores, umas frutas que ganha atrás de outra e noutro cantinho do prédio coloca s balas, depois vem buscar. Aí nos faz um sinal de que quer um copo de água e vai embora”, narra a jovem.

• Raiz: Personagem anônimo, mas conhecido pela vizinhança
• Raiz: Faz parte da memória afetiva das pessoas
• Raiz: Todo mundo conhece, mas não sabe o nome e nem conhece sua família

Nutella: Dete Pexera

Quem nunca identificou uma tia ou amiga com a Déte Peixeira está mentindo! A Déte, personagem nascido em setembro de 2015, é a cara da cidade. Divulgada por meio da internet, nos canais do Youtube e redes sociais, a Déte ganhou o mundo. Os vídeos da personagem, interpretada pelo ator Claudio Pereira Junior, 24 anos, que prefere ser chamado simplesmente de Rizzih, ganhou milhares de seguidores na internet, com histórias que retratam a mulher de Itajaí, sua linguagem e trejeitos. “Me inspirei em todas as mulheres itajaienses que passaram por minha vida. Mãe, tias, professoras, amigas”, conta o ator. O sucesso da personagem se deve ao fato de ela ser quase real. Segundo Rizzih, a Déte não existiria se ele não fosse itajaiense. “Ela nasceu do meu amor profundo por esta cidade. Sempre fui obcecado por nossa cultura, história, geografia e personalidade. Desse amor, nasceu a personagem e hoje saber que ela é um símbolo de orgulho itajaiense, me deixa sem palavras”. Na personalidade de Déte tem uma mulher que ama as filhas acima de tudo, adora peixe, músicas dos anos 80 (flashback), usa roupas floridas que refletem a sua alegria, consome produtos de beleza, é muito vaidosa, assiste TV, ouve rádio e está aprendendo a usar a internet. Um de seus passeios favoritos é dar uma voltinha em Cabeçudas numa noite de verão e comer um milho e camarão soltinho, ou seja, mais peixeiro impossível. O sucesso da Déte é tão grande fora da cidade que o Rizzih já fez uma turnê interestadual com mais de 200 shows, todos lotados, levando o jeitinho dos cidadãos de Itajaí para o Brasil.

• Nutella:  Ficou famoso através da internet
• Nutella: Mensura o sucesso pela quantidade de “likes” nas redes sociais 
• Nutella: Todo mundo tem orgulho de dizer que o personagem é da sua cidade

PASSEIO

Raiz: Praia de Cabeçudas

A praia de Cabeçudas é um dos passeios certos para  os avessos à badalação. Ao contrário da Brava, Cabeçudas não é uma referência quando o assunto é gastronomia variada ou mesmo entretenimento. Cabeçudas se destaca pelas belezas naturais e a tranquilidade.

Mesmo sem muito investimento em infraestrutura, o local é cercado por casarões que disputam a melhor vista do mar. À beira da praia, o mercado imobiliário se aquece pela oferta de mansões que custam alguns milhões.  No ano passado, o caminho que leva a Cabeçudas foi reurbanizado com largas calçadas e ciclovias.

Os visitantes da praia podem andar por um trapiche natural, formado por pedras, que fica no meio da praia, dentro do mar, onde tem o famoso trampolim. Outra opção é se exercitar no calçadão, pescar ou ainda curtir a vista panorâmica da praia no alto da escadaria da Capela Santa Terezinha. Basta ver um pôr do sol em Cabeçudas para se apaixonar por ela.

• Raiz: O cidadão vai à vontade
• Raiz: Não tem wi-fi, mas o sucesso da selfie é garantida pela beleza natural
• Raiz: Pode levar isopor com a bebida de casa para economizar

Nutella: Itajaí Shopping

Os itajaienses se rendem a um bom passeio no Itajaí Shopping.  E não é para menos, desde outubro de 2000 que o complexo vem se reinventando. Em 2014, o empreendimento ampliou a sua área para 49 mil metros quadrados e abriu espaço para novas lojas de referência nacional.  A expansão ainda permitiu a ampliação do cinema, com quatro modernas salas incluindo uma 3D. Nesse processo de ampliação ganhou destaque o Mirante Panorâmico com vista para o canal dos portos de Itajaí e Navegantes. Esse local é a “cereja do bolo”, do shopping. É do alto que se pode ter vistas incríveis, especialmente do porto de Itajaí. O lugar se tornou parada obrigatória desde sua inauguração. Quem passa por ali, não deixa de aproveitar o cenário natural para fazer aquele selfie. Cerca de duas mil pessoas visitam o Terraço Panorâmico nos fins de semana.

O Itajaí Shopping se orgulha tanto do município que leva no nome que a logo é uma concha do mar. A proposta do Itajaí Shopping é unir compras, serviços e entretenimento em único lugar com 120 lojas, além de 17 na Praça de Alimentação. Para facilitar a vida dos itajaienses, o empreendimento oferece serviços de lotérica e casa de câmbio. Na parte de cuidados e bem-estar, o cliente possui à disposição salão de beleza e ainda pet shop. O Itajaí Shopping possui um Posto da Polícia Federal que é considerado o 8° posto de emissão de passaporte mais produtivo do Brasil, atendendo cerca de 500 pessoas por dia.

• Nutella:Põe aquela roupinha top pra passear
• Nutella: Tem wi-fi o tempo todo para aquela selfie
•Nutella: Compras ou cineminha são a pedida do fim de semana

RESTAURANTE

Raiz: Arapuca do Airton

Há 40 anos na ativa, a Churrascaria Arapuca do Airton, na Vila Operária, tem uma freguesia cativa. De acordo com a esposa do seu Airton, dona Benta Silva, o restaurante teve origem com um bar que oferecia petiscos e bebidas. Num final de semana, ainda na década de 70, o casal Benta e Airton recebeu a visita de um amigo que pediu que fosse assada uma carne numa churrasqueirinha improvisada com tijolos. Não deu outra, os clientes do bar, vendo a moda lançada pelo casal, começaram a fazer encomendas de carne assada. Foi então que os empresários do barzinho tornaram-se donos de uma churrascaria. “Ganhou um movimento que não foi planejado, quando a gente viu tinha um monte de gente pedindo churrasco todo final de semana”, relembra dona Benta.

O nome do restaurante foi em função do formato do prédio que parecia uma arapuca. Do início da história pra cá muita coisa mudou. O restaurante ganhou investimentos e melhorias na infraestrutura. O ambiente recebe até 150 pessoas.  Em dias de mais movimento, a casa chega a receber até 200 clientes, alternadamente.

A Arapuca do Airton atende todos os dias, ao meio-dia e à noite, com exceção de sábado e domingo à noite, oferece bufê, mas o queridinho da casa é o churrasco de alcatra e maminha. Dona Benta destaca ainda que,  apesar da carne assada ter impulsionado o movimento da empresa, a feijoada de sábado e a dobradinha de terça à noite, também, são bem disputadas. “Já recebemos muita gente conhecida aqui, entre eles o seu Dalmo Vieira [fundador do DIARINHO], que trazia os netos para comer no nosso restaurante. A nossa empresa é a continuação da nossa casa, nossos clientes são nossos amigos”,  resume a empresária.

Com o casal, trabalha o filho Ricardo Silva, que ajuda a administrar a churrascaria. Dona Benta hoje já não cuida mais pessoalmente da cozinha, mas garante que dá as pitadas dela no tempero. “Fico sempre de olho para que tudo seja bem saboroso. Esse é o segredo”, conta.

• Raiz: cliente chama os proprietários pelo nome
• Raiz: nem precisa de cardápio, cliente sabe o que vai pedir
• Raiz: Clientes são as mesmas famílias, de geração em geração
• Raiz: donos do restaurante assinam o cardápio

Nutella: Santo Grill

No mercado gastronômico de Itajaí desde 2010, o Santo Grill, destaca-se pelo investimento numa arquitetura diferenciada, no atendimento caprichado e é claro, pela oferta de pratos que valorizam a boa comida, que utilizam bacalhau, polvo e salmão na brasa, além das tradicionais carnes. Segundo o proprietário, Marcelo Fronza, o segredo para se manter no mercado e preservar o padrão de qualidade é o atendimento personalizado e sempre atencioso dos colaboradores da empresa.

Marcelo destaca que aliado a investimentos no atendimento e conforto do cliente estão as buscas por diferenciais. “Estamos constantemente em busca do aperfeiçoamento e com isso surgem as novidades. O mais novo projeto é a Risotteria do Santo. Um cardápio com seis tipos de risotos assinados pelo renomado Chef Rossano Flores. Agora as noites do Santo Grill ganham um toque de aroma, textura e combinações de muito sabores”, explica o empresário.

O Santo Grill conta com um ambiente climatizado com capacidade para 150 pessoas sentadas confortavelmente e dispõe de uma área em destaque com uma vista para o Saco da Fazenda para atender com exclusividade 30 pessoas. Entre os campeões de pedidos estão a Picanha e Entrecot e cortes nobres e de raças europeias.

• Nutella: cliente nem sabe quem são os proprietários
• Nutella: garçom tem que explicar os pratos do cardápio
• Nutella: um chef famoso assina os pratos
• Nutella: clientes chegam motivados pela foto de um prato no Instagram

POLÍTICO

Raiz:  Amílcar Gazaniga

Formado como engenheiro eletricista, a história política de Amílcar Gazaniga começou por acaso, mas sua trajetória revelou-se num exemplo de vida pública longa. Em 1995, morava em Lages,  trabalhava na Celesc e por conta da enfermidade da sogra pediu transferência para a região para poder acompanhar a esposa nos cuidados com a mãe. Por intermédio de um amigo no senado o governador permitiu a transferência de Amilcar para Celesc daqui. Logo em seguida, veio o pedido do próprio governador da época, Antônio Carlos Konder Reis, para ser o candidato a prefeito de Itajaí, em 1977. Amílcar não era político, tampouco conhecido na cidade,  masaceitou o desafio e mergulhou numa campanha silenciosa. De maio a outubro de 1977, ele visitou mais de 10 mil famílias, batendo palma no portão, entrando nas casas e contando que era um técnico disposto a ser prefeito. Fugindo do padrão tradicional, a campanha dele não era a dos grandes comícios, mas tinha o apoio do governador. O slogan da época foi “Itajaí precisa de um técnico”. Sagrou-se prefeito e por duas vezes administrou a city peixeira. Montou uma equipe formada principalmente por jovens, entre eles o arquiteto, na época secretário de Urbanismo Dalmo Vieira Filho. Equipe que desenvolveu ações arrojadas para a época. “Tínhamos uma equipe de jovens na faixa dos 28 anos, 30, e fizemos coisas audaciosas”, relembra Amílcar. Com uma trajetória de sucesso, baseada no olho no olho com o cidadão, galgou outras posições como deputado estadual, candidato a governador, presidente da Eletrosul, Secretário de Tecnologia e Meio Ambiente do Governo de Santa Catarina, Secretário de Transportes do Estado, fundou a SC Gás, foi presidente dos Correios e em 2008 foi assessor especial para reconstrução da cidade, uma atividade voluntária, que norteou ações de todas as secretarias do governo. Em 2012, foi coordenador da primeira Volvo Ocean Race e um dos responsáveis pela vinda da regata Jacques Fabre em 2013. Recebeu o título de professor honorário da Univali. Atualmente, aos 70 anos, Amilcar está afastado da vida pública, mas todos sabem que ele continua atuando como conselheiro e estrategista de aliados políticos. “A política se tornou num grande balcão de negócios. As pessoas deixaram de se guiar pelas suas crenças e  o político virou um produto da mídia. Ele fala o que o marqueteiro manda, o que vai agradar o ouvido dos eleitores e não tem mais compromissos com as suas convicções”, critica.

• Raiz: prefere o antigo “corpo a corpo” na hora de conquistar o eleitor
• Raiz: atua no mesmo grupo político há décadas
• Raiz: fala o que pensa, sem ouvir marqueteiros

Nutella: Thiago Morastoni

Thiago Morastoni, 35 anos, é um jovem político contemporâneo. O vereador começou na vida pública por meio do Grêmio estudantil do Colégio Salesiano de Itajaí, e posteriormente do Diretório Acadêmico de Direito e do Diretório Central de Estudantes da Univali. Em 2005, foi coordenador adjunto da Coordenadoria da Juventude, vinculada à secretaria de Governo, na prefeitura peixeira. De 2005 a 2009, atuou como assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. De 2009 a 2010, foi secretário Parlamentar da Câmara dos Deputados, em Brasília. Em 2010, coordenou a campanha do pai, Volnei Morastoni, a deputado estadual. Durante esse período, também tinha atividades empresariais e advocatícias, além da militância política. Em 2012 foi candidato pela primeira vez a vereador, pelo PMDB, e foi eleito com 2448 votos. Em 2016 se reelegeu com 2340 votos sendo o mais votado e acabou presidindo a sessão de posse do pai, Volnei Morastoni, eleito novamente prefeito. Thiago é simpático e costuma ser acessível. Dispensa muita atenção às redes sociais, meio no qual sempre esteve bastante presente, especialmente no Facebook e Instagram. Nas redes sociais compartilha projetos, publica opiniões, projetos e conquistas. E garante que sempre que pode, responde as mensagens que recebe. Outra característica forte do trabalho de Thiago é a inovação. “Não tenho medo de inovar. Mantenho a responsabilidade e estudo muito antes de sugerir a implantação de um projeto”, diz Thiago quando questionado sobre sua atuação na câmara.

• Nutella: aposta nas redes sociais 
• Nutella: muda de partido com facilidade
• Nutella: faz pesquisas de audiência para medir sua rejeição

Elaine Mafra
Jornalista formada pela Univali em 2006. elaine@diarinho.com.br
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