Home Notícias Especial ITAJAÍ 159 ANOS | Cultura de boteco chegou para ficar nos arredores do Mercado Público

ITAJAÍ 159 ANOS | Cultura de boteco chegou para ficar nos arredores do Mercado Público

Inspirado nos modelos paulistano e carioca, estabelecimentos caíram no gosto do público boêmio

No mês que vem, o boteco Infarta Madalena completa dois anos de sucesso de público e crítica para alegria dos proprietários Juliano e Géssica Wengrzen. Com casa cheia quase todas as noites e o reconhecimento conquistado como melhor comida de boteco do litoral norte catarina, o bar chamou a atenção de outros investidores para a demanda reprimida de vida boêmia da cidade, para além dos restaurantes da Beira Rio e poucos bares da Praia Brava. Havia apenas o Mercado Público, sempre lotado. E foi justamente em seu entorno que os novos estabelecimentos se instalaram, cada um com a sua pegada.

O Kalabar foi o primeiro a chegar, na esquina em frente ao Mercado, local de excelência para um boteco, seja em Minas Gerais, São Paulo ou Rio de Janeiro. Não é à toa que o movimento musical liderado pelo mineiro Milton Nascimento se chamava “clube da esquina”, o melhor lugar pra galera se reunir pra tocar viola e trocar ideia. E que, em frente ao Kalabar, na esquina do Mercado Público, fica o Café Democrático, uma alusão ao histórico bar itajaiense, entre as ruas Lauro Müller e Hercílio Luz, local de boemia e discussões políticas.

“O bar foi aberto em dezembro de 2017 e já começou com casa lotada. E mesmo no inverno, se não chegar antes das 21h nas sextas e sábado, é difícil pegar mesa”, comemora o gerente David Mike, 22 anos. Ele conta que o proprietário do Kalabar é o mesmo do bar Engenho do Mar, dentro do Mercado de Peixe, que percebeu a forte tendência da comida de boteco em suas viagens. E também porque nos dias de movimento no Mercado Público tem público de sobra, afinal, a população cresceu e a necessidade de lazer também.

David revela que nesses dois anos o cardápio mudou várias vezes para se adequar ao paladar local. Formas variadas de servir a ostra e um petisco com linguiça Blumenau não foram bem aceitos, enquanto as porções de carne nobre na chapa com fritas vendiam igual água no deserto. Quem gosta de frutos do mar também vai encontrar uma boa variedade de opções a milanesa e a tradicional ostra gratinada, servida na cama de sal grosso. Lá também tem o icônico dadinho de tapioca, criação do chef Rodrigo Oliveira, do restaurante Mocotó (SP).

Para abrir os trabalhos no inverno, entrou no menu o caldinho de feijão com torradas (R$ 10). Já as carnes na chapa custam entre R$ 44 (frango e calabresa) e R$ 68 (filé mignon). A promoção atual é o balde com quatro cervejas de 600ml por R$ 32. A cerveja artesanal da casa é o Atlântico Beer. O local funciona de segunda a sábado, das 18h à 1h e de quarta a sábado tem música ao vivo, com levada roqueira, pop e reggae.

 

SERVIÇO

Selarón – Praça Felix Busso Assemburg, 20 – Centro. Fone: 2122-7004.

Sardinhas – Ministro Victor Konder (Beira-Rio), 84 – Centro. Fone: 99965-4637.

 


 

Para ninguém sentir falta da baladeira Vila Madalena 

A vinda do proprietário do Infarta Madalena, Juliano Wengrzen, não foi por acaso. Com quase 20 anos atuando na área de bares e restaurantes, dentro e fora do Brasil, ele apostou em Itajaí para abrir o boteco dos sonhos depois de amargar forte prejuízo com a crise econômica de 2015, que atingiu em cheio Jaraguá do Sul, onde tinha montado o Boteco do Bixiga.

A vontade de empreender rolou depois que o empresário passou cinco anos em Portugal, atuando como gerente de treinamento. Mas sua relação com balcão de bar vem da juventude, quando começou a trabalhar em restaurantes de hotel, e atuando como barman em Curitiba. “Eu nunca trabalhei com outra coisa. Desde os 14 anos que acumulo experiência neste ramo até que decidi abrir meu próprio negócio”, revela.

Mas nem tudo foram flores, pois a crise que abalou o primeiro mundo em 2008, chegou com força ao Brasil de 2015. “Gastei R$ 3,5 milhões para montar um bar como nenhum outro. No começo foi bem, mas a medida que a crise agravava, o público foi sumindo. Aí eu pensei nas cidades com bom desenvolvimento e oferta de serviços, como aeroporto e hotéis. Deu Itajaí e não me arrependo. Esta casa é uma bênção”, descreve. A outra cidade que estava na mira era Chapecó, mas por conta da distância, preferiu o litoral.

Inspiração em Sampa

Para montar o boteco, que se inspira na vida noturna da Vila Madalena de Sampa, o local, onde já funcionou padaria e lanchonete, teve que passar por uma reforma radical. A decoração retrô se inspira no artesanato brasileiro e conta com relíquias de família. No cardápio, muitas criações para quem gosta de tomar uns gorós caprichados e petiscos para fazer aquela base e prolongar a noite.  A cerveja oficial é a Devassa.

Entre as famosas caipirinhas servidas no vidro de conserva estão a Piroca de Sorocaba (limão siciliano, manjericão e alecrim, servido com um picolé de abacaxi) e a Delegada da Zona Leste (tangerina, pimenta dedo de moça, limão cravo e picolé de maçã verde). Para o inverno, Juliano criou a Caipirosca de Pinhão (com mel e vodca artesanal) e o Beco do Batman (gengibre, pimenta, abacaxi e hortelã), que faz referência ao famoso point de grafite da Vila Madá. Tem ainda uma criação em homenagem a cidade chamada Porto de Itajaí, com vinho tinto e menta. Todas as caipiras custam R$ 27,90.

Entre os petiscos, ficou famoso o bolinho de carne ao molho de gorgonzola (R$ 28,90) e a torradinha de pão sírio com linguiça Blumenau, petisco vencedor de um concurso gastronômico regional na categoria comida de boteco. Outra pedida é a porção de pastel de rabada com catupiry (R$ 31,90). A casa abre de segunda a segunda das 18h à 1h, e das 11h às 14h (bufê livre) ao custo de R$ 14,90 por cabeça. Aos sábados, rola feijoada acompanhada de sambinha. “Quero deixar registrada minha gratidão a esta cidade que nos acolheu de braços abertos. O boteco caiu no gosto do público e mantém uma vibração tão positiva que já estamos querendo abrir um novo empreendimento, mas ainda é segredo”, despista.

 


 

Empreendedorismo tá no sangue da família Wengrzen 

Rodrigo Wegrzan, 29, sempre trabalhou com o irmão Juliano, desde que moravam em Jaraguá do Sul, onde a família tinha três estabelecimentos. Empolgado com o sucesso do Infarta Madalena, abriu em abril de 2018 o Selarón, um boteco inspirado na notória boemia carioca, cujo nome presta homenagem ao arquiteto Jorge Selarón, responsável pela revitalização da escadaria entre os bairros da Lapa e Santa Teresa.

“A cultura de boteco também tem a ver com os marinheiros e a zona portuária, por isso quis abrir a casa perto do rio Itajaí”, afirmou. Outra paixão é o futebol, por isso a decoração remete aos campeonatos, boleiros famosos e um telão pra deixar os torcedores à vontade para assistir aos jogos do campeonato brasileiro. Música também não pode faltar e, assim como na Cidade Maravilhosa, a trilha-sonora aposta na bossa nova, samba e pagode.

Um dos sandubas mais pedidos é o Pão de Bêbado, um pão francês com fatias de alcatra flambada no conhaque e cebola gratinada (R$ 12,90). Para acompanhar, que tal tomar a maior caipirinha de Itajaí, com 1,7 litro (R$ 55)? Aliás, como o dono da casa gosta, tudo é superlativo. A tábua de carne assada com fritas, farofa e pão chega a pesar mais de 1kg e serve três pessoas (R$ 58). O carro-chefe é o Bondinho de Santa Teresa, um mix de carnes, com fritas e farofa ao custo de R$ 68. Quem prefere peixe frito, a porção de lambari custa R$ 33.

O Selarón abre de terça a domingo, das 18h à 1h e conta com uma promoção pra lá de vantajosa para os fãs de happy hour. Das 18h às 20h, vários petiscos estão com 50% de desconto, como o frango a passarinho, a calabresa acebolada e as fritas (R$ 26). A porção de frango pesa 1kg e as fritas, meio quilo.

Rodrigo abriu na rua  15 de Novembro o Nápoli Pizzas e Massas, e mais um bar na Beira Rio, especializado em cachaça.


 

Sotaque peixeiro é a marca registrada do Sardinhas Bar

Se os demais bodegueiros se inspiraram nos botecos do sudeste para montar o seu negócio, a produtora cultural Mirian Arins, 45 anos, não precisou ir muito longe. Como frequentadora assídua do Mercado Público, e moradora de Itajaí desde que fez a faculdade de jornalismo, ela conhecia muito bem a preferência da clientela da cena gastronômica e cultural local. Junto a parceira de noitadas e quituteira Fátima Vanzuita, que já havia trabalhado no Zeppelin, a dupla montou o Sardinhas Bar & Bistro há cinco meses, com forte pegada cultural.

“Eu não queria que fosse apenas um bar, mas que também servisse de ponto de encontro dos artistas daqui e de fora. Já fizemos três exposições do César da Hora, além de lançamento de livro, sarau, roda de samba”, enumera. A experiência em produção cultural fez com que Mirian se tornasse uma referência quando rola um evento na cidade. Foi assim durante o Festival de Teatro Toni Cunha, em janeiro, e o Projeto Cais, que rolou na Casa da Cultura, cujos artistas se reuniram no Sardinha após o trampo para continuar fazendo arte em torno da mesa de bar.

No cardápio musical, já teve lançamento do DVD Caçador de Poesias, de Chico Preto, apresentação do Brasiliana Trio e do contrabaixista e ex-diretor do Conservatório de Música de Itajaí, Arnou de Melo, cujo palco do bar leva o seu nome. A banda de blues Headcutters também já marcou presença, assim como o show Som da Palavra + Sarau. Quem curte um sambinha, tem Quintal da Su com samba de raiz.

Na área da literatura, recentemente as editoras Ipê Amarelo e Traços & Capturas lançaram a coletânea “Verso, prosa e outros labirintos”, com 17 artistas locais. E no próximo dia 24 de junho acontece o 1º Sarau do Sardinhas, que vai entrar para o calendário de eventos mensal, sempre às segundas-feiras.

Mas e o rango? Nas segundas rola o tradicional Pirão d’água com Linguiça (R$15), nas terças, a pedida são as sopas (caldo verde, abóbora com gengibre, etc), e nas quartas, dobradinha (R$ 18). O peixe que dá nome ao bar é servido frito inteira, espalmada e como antepasto. Para os vegetarianos e veganos dá para saborear a torre de Ratatouile (prato francês com berinjela, abobrinha e pimentão) e o espaguete de palmito pupunha ao molho fungui.

“Na verdade eu só mudei de lado do balcão, foi uma coisa natural. Eu senti falta de um espaço que servisse a gastronomia local e abrisse as portas para novos artistas. Para mim é um imenso prazer ver o público se divertindo, apreciando música e comida de qualidade”, declarou. O Sardinhas abre de segunda a sábado, das 17h à meia-noite.

SERVIÇO

Kalabar – Rua Olímpio Miranda Junior, 13 – Centro. Fone: 3311-4958.

Infarta Madalena – Rua Lauro Muller, 53 – Centro. Fone: 55 47 996214655.

 

 

 

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