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DIARINHO 39 ANOS

Trajetória do DIARINHO acompanhou período de maior desenvolvimento da região; Fundado em 1979, o jornal registrou diariamente a transformação de províncias em cidades médias

Renata Rosa, especial para o DIARINHO

Em 1979, ano de criação do DIARINHO, o Brasil vivia o fim de uma era, durante o último mandato do regime militar, sob o comando do presidente Figueiredo, e a lenta volta da democracia, com a lei da Anistia e o retorno dos exilados políticos. Por essas bandas, uma transformação radical também estava em curso. Tanto Itajaí quanto Balneário Camboriú e Navegantes concentravam as atividades no centro, especialmente Itajaí, que vivia os últimos tempos de hegemonia política, econômica e social da região. A cidade tinha cerca de 85 mil habitantes, sendo que agora passa dos 212 mil.

No ano em que o advogado Dalmo Vieira fundou o jornal Diário, em sua casa, na rua Gil Stein Ferreira, as maiores preocupações eram a criação do ferry boat, pois naquele tempo os pedestres passavam de lancha e os carros na precária balsa da Barra do Rio, as obras da avenida Beira-Rio, a construção do novo hospital Marieta, o convênio com a cidade japonesa de Sodegaura, e a volta das novelas por causa do fim da TV Coligadas de Blumenau. Sim, na época em que se colocava uma esponja de aço na antena pra melhorar o sinal, só havia dois canais de televisão, o rádio era AM e Itajaí testemunhou algo improvável: um periódico diário que cobrisse os eventos locais com uma linguagem acessível e com uso de gírias, palavrões e pegadinhas, sempre na defesa do povão. Como quando começou a ‘entisicar’ com os políticos por causa do uso de carros oficiais para uso particular.

“Quando o Dalmo criou o jornal, ninguém imaginava que fosse durar. Ele era de outra área [advogado] e até tinha sido colunista de outros jornais, mas bancar os custos de um jornal diário não era brincadeira, muito menos com o estilo ‘dedo na ferida’, que virou a marca do DIARINHO”, relata o jornalista e historiador Magru Floriano, 61. Ele foi da primeira equipe de repórteres do jornal, depois de atuar no jornal A Nação, que tinha filiais em Blumenau e Brusque. “O jornal A Nação era dos diários associados de Assis Chateaubriand, portanto tinha infraestrutura, mas o Dalmo não estava nem aí. Ele comprou uma offset para imprimir os jornais e nunca deu pra trás. Ele era como bambu, podia envergar, mas nunca quebrava”, relembra.

Naquela época, o porto se chamava Portobrás, e ainda não era notícia. Ninguém imaginava que seria responsável pelo forte desenvolvimento nas décadas seguintes. A atividade econômica principal era o comércio, e o ciclo da madeira dava seus últimos suspiros, quando passou a exigir árvores de reflorestamento. A pesca ainda era forte, mas já dava sinais de desgaste. A inflação chegava a 20% ao mês em maio de 79. “Em 1982, fui comprar um eletrodoméstico na loja da Hercílio e o vendedor falou que só poderia segurar o preço por uma hora. No dia seguinte, poderia custar o dobro”, conta Magru.

O centro das discussões políticas era a “Cocada”, banco circular em frente a Igreja Imaculada Conceição, na Hercílio Luz, que foi por muito tempo uma seção do jornal. E 1979 também foi o ano em que caiu a ponte de arame que dividia os bairros de São João e São Vicente, provocando mortes e isolando o bairro que hoje é o mais populoso da cidade. E a Cohab planejava construir um conjunto habitacional onde hoje é o Bambuzal. IML não havia e a maior preocupação ambiental era com a poluição da fábrica de farinha de peixe. O álcool era a novidade em termos de combustível e o prédio mais alto era o Francisco Eduardo, na rua 15 de Novembro, com 16 andares. Já o da galeria Rio do Ouro, um dos mais confortáveis da cidade. Tinha seis andares, e lá foi feito o registro fotográfico que ilustra o abre desta reportagem, cortesia do blog Clube dos Enta.

Mariana Reibnitz Vieira
Formada em Jornalismo pela Univali mariana@diarinho.com.br
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