Home Notícias Especial DIARINHO 39 ANOS: Expansão das cidades ultrapassou os limites da BR 101

DIARINHO 39 ANOS: Expansão das cidades ultrapassou os limites da BR 101

Aumento da imigração e o crescimento da atividade imobiliária provocaram a abertura de novos loteamentos para acomodar tanta gente

Pouco depois do advogado Dalmo Vieira criar o DIARINHO, nascia em Curitiba (PR) Evelise Moraes, que veio para Itajaí ainda na adolescência, se formou em História, e hoje é diretora do principal museu de Itajaí. Mas, até chegar aqui, muita água passou por baixo da ponte. Evelise se sente testemunha de um novo processo de expansão da cidade, ao trocar a vida nas áreas centrais pelo loteamento Santa Regina, na rodovia Jorge Lacerda, a poucos quilômetros de Ilhota.

“Eu me mudei em 2011 depois de viver sete anos de aluguel e, no começo, os poucos vizinhos eram casais e havia pouca infraestrutura. Hoje vejo crianças nascendo e crescendo aqui, e o bairro começando a ter vida própria, com posto de saúde, escola e comércio”, descreve. Evelise já morou na Vila, São João, São Vicente e centro e arriscou todas as suas economias na casa, mesmo depois da enchente de 2008. “Elevei o terreno em 1,20m, que foi onde a água chegou. Escolhi esse bairro porque não tinha condições financeiras de comprar uma casa nas áreas centrais. Depois que minhas duas irmãs vieram pra cá, me empolguei. Os pioneiros vieram em 2001”, conta.

Como pesquisadora da história de Itajaí, Evelise conta que o prefeito que modernizou a cidade foi Marcos Konder (1915 a 1930). “Foi ele que substituiu o Mercado Público de madeira pelo de alvenaria e se preocupou com o saneamento das carnes vendidas. Fez o cabeamento elétrico e as fossas sépticas que, até 1920, era praticamente uma vila. Aliás, onde é a Igreja Matriz era mato, a cidade terminava no final da Hercílio Luz, onde é hoje o Museu Histórico. Onde fica o Angeloni era uma propriedade rural”, revela.

Outra curiosidade é sobre as ruas Brusque e Blumenau. “Itajaí tem três entradas porque duas eram picadas que o pessoal de Brusque e Blumenau abriu para chegar a Itajaí. Apenas a avenida Adolfo Konder não tem saída para outra cidade, já reparou?”

Evelise tem a mesma idade do DIARINHO, 39 anos, e também é testemunha do crescimento da região

Memórias do Sertão e do Matadouro

Outra testemunha da história de Itajaí é Dulceclea Marcolino da Silva, 66. Natural de Sertão do Trombudo, em Porto Belo, dona Dulce veio para Itajaí em 1972 depois de trabalhar como doméstica e babá em casas de famílias em Florianópolis e Blumenau. Quando seus pais vieram para a comunidade de N.S. das Graças para tratar um filho doente, ela viu a chance de mudar de vida. Dulce trabalhou na maioria das empresas de peixe fazendo filé, e o leitor acha que ela reclamava? “Que nada, eu gostava! Era um trabalho que a gente ia, fazia e acabava. O salário vinha certinho, tinha férias e tudo”, diz, animada.

Mas o grande salto na vida de dona Dulce, que teve 12 filhos, foi fazer o concurso pra ser funcionária pública. Ela trabalhou em diversas escolas do munícipio até 2005, quando pediu para ser transferida para o Arquivo Histórico. “Lá, eu fiquei encantada com os estudantes fazendo pesquisa e os livros com fotos antigas, peguei gosto pela leitura, apesar de só ter o curso primário”, revela.

O encantamento foi tamanho que ela até se animou a escrever um livro, lançado ano passado, através da lei de incentivo municipal. Ela queria deixar para as novas gerações as histórias vividas na infância e mocidade, o modo de vida no campo, a vinda para a cidade e a trajetória no Matadouro, quando a avenida Contorno Sul não existia. “Naquele tempo, a gente vivia bem isolada porque em vez da rua, tinha a estrada de ferro, mas eu nunca andei de trem”, revela. Hoje, depois dos filhos criados e dos 10 netos, Dulce mora na Murta com o marido caminhoneiro, depois de passar por duas enchentes.

Dona Dulce já escreveu um livro

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