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Ciclone provocou apagão histórico

Nove mortes e dois desaparecidos. Quase 400 mil casas estavam há mais de 24 horas sem luz na noite de quarta

Árvore tombou em cima do muro da escola Anibal César, no bairro São Vicente

Nove pessoas perderam a vida, duas estão desaparecidas, 50 famílias desabrigadas, há um rastro de destruição em 122 cidades e um apagão histórico que afetou cerca 1,5 milhão de casas em Santa Catarina. Esse foi o saldo, até  a  noite de ontem, do ciclone extratropical que atingiu o estado entre terça e quarta-feira com ventos que chegaram até a 126 km/h. A região da foz do rio Itajaí foi uma das mais afetadas, com danos espalhados nas 11 cidades.

Uma das mortes foi em Ilhota, onde o caminhoneiro Sérgio Idalgo, 59 anos, ficou preso entre os escombros de um muro que caiu sobre o caminhão. Mais mortes foram  registradas em Rio dos Cedros, Itaiópolis, Santo Amaro da Imperatriz, Governador Celso Ramos, Chapecó e Tijucas –  só a cidade teve três mortes. Em Brusque, Alacir Fusinato Júnior, 28 anos, desapareceu após cair de moto no rio Itajaí-mirim ao passar sobre ima ponte pênsil que se rompeu. Em Canelinha, Vilson Saramento, 53, caiu no rio Tijucas e também desapareceu.

A Celesc informou que o ciclone provocou o maior dano da história da rede elétrica catarinense. A queda de árvores, postes, placas e materiais de construção sobre a fiação causaram problemas graves na rede de distribuição. Na noite de terça-feira, quase 1,5 milhão de unidades consumidoras ficaram às escuras, o que representava 42,71% do total de clientes. O próprio sistema de telecomunicação da Celesc foi atingido, com o rompimento do cabo de fibra ótica da Oi.

Desde terça-feira à noite, mais de 1,3 mil profissionais trabalham para tentar recuperar o sistema. Até o início da noite de ontem, um milhão de casas já estavam com a energia restabelecida. Em cidades do interior, a volta da luz poderá demorar até três dias. Na região, até ontem à noite 21 mil unidades ainda continuavam às escuras. Eram cerca de 4 mil em Balneário Camboriú, 3,5 mil em Itajaí, 3 mil em Itapema e 2,8 mil em Navegantes. Nas unidades afetadas em Itajaí, o apagão persistia principalmente em casas nos bairros Brilhante, Espinheiros, São Vicente, Praia Brava e Salseiros.

Prejuízos milionários

Conforme relatório da Defesa Civil estadual, o ciclone provocou prejuízos em 122 cidades, danificando 1105 casas e ao menos 20 prédios e instalações públicas, incluindo escolas e postos de saúde. Além das mortes, seis pessoas ficaram feridas, entre elas moradores de Camboriú, Penha e Itapema. O órgão ainda contabilizava até ontem 24 desabrigados e 26 desalojados.

Na região da Amfri, a coordenadoria regional de defesa Civil ainda vai levantar os prejuízos. Ontem, a prioridade foi atender as demandas dos municípios, mas pela falta de energia, a comunicação ficou comprometida. Das 11 cidades da região, houve relatos de danos pontuais em Bombinhas e em Porto Belo, com estragos maiores nos demais municípios, sem registro oficial de desabrigados.

Em Itajaí, a Defesa Civil atendeu mais de 130 ocorrências relacionadas ao vendaval. Os bairros São Vicente e Cordeiros foram muito prejudicados. Segundo o coordenador Raphael Catarina, famílias desalojadas em razão de destelhamentos foram se abrigar na  casa de parentes. Já em Balneário Camboriú, foram 165 ocorrências. Houve danos em cinco prédios públicos e 38 árvores ou galhos que caíram foram retirados das ruas pela secretaria de Obras.

Mar revolto

Após a passagem do ciclone, uma onda de frio intenso passa a atuar em Santa Catarina, derrubando as temperaturas até sábado. A mínima fica em 8ºC e a máxima não passa dos 18ºC hoje. Os ventos fortes não devem voltar a aparecer neste finalzinho de semana.

Já o mar fica agitado ao longo da costa, principalmente no litoral sul e região de Floripa, com ondas de até quatro metros. Pra nossa região, as ondas podem chegar a dois metros nas praias.

Itajaí atende 130 ocorrências

A Defesa Civil informou que atendeu 130 ocorrências em Itajaí até a manhã de ontem. A maioria destelhamentos de casas e quedas de árvores e postes. Os bairros Cordeiros, São Vicente e Cidade Nova são os mais atingidos.

A secretaria de Educação teve 30 escolas atingidas pelo ciclone. Já a secretaria de Saúde tem relato de 12 postos de saúde que tiveram estragos com os ventões, como as lonas do atendimento do Covid no CIS, no São Vicente, que caíram. Várias sinaleiras da cidade caíram ou ficaram penduradas pela força dos ventos.

Até às 21h30 de ontem, mais de três mil unidades consumidoras ainda estavam sem energia. Por conta da falta de energia, o município ficou sem serviços de internet e telefone. Também foram registrados casos de falta de água. 

A entrada pro complexo portuário de Itajaí e Navegantes está fechada pela Marinha do Brasil desde às 17h de terça-feira. Dois navios estão parados esperando para acessar os portos.

A superintendência do porto de Itajaí monitora e acompanha as condições do tempo. A expectativa é que nesta quinta-feira de manhã as manobras sejam liberadas no complexo.

Foram 90 árvores caídas, 35 destelhamentos e 40 registros de quedas de placas, muros, janelas e postes em Balneário

Prédios públicos atingidos

Entre terça-feira e ontem, a defesa Civil de Balneário atendeu 165 ocorrências ligadas aos estragos do vendaval. Foram 90 árvores, 35 destelhamentos e 40 registros de quedas de placas, janelas, postes e materiais de construção. Equipes da secretaria de Obras trabalharam na limpeza e liberação das ruas afetadas. Seis prédios públicos sofreram danos.

No PA da Barra, o atendimento foi suspenso após o teto ceder, com os pacientes transferidos pra outras unidades de saúde. Após reparos, o serviço foi retomado ainda na manhã de ontem. No hospital Ruth Cardoso, houve danos em tendas na parte externa e um gerador teve problemas na noite de terça. No Ariribá, o toldo do postinho se soltou, motivando a suspensão do atendimento ontem pela manhã.

Também houve estragos no entro educacional Tomaz Francisco Garcia, no bairro dos Mu-nicípios, onde o muro caiu e atingiu parte do telhado, e no prédio da secretaria de Segurança, que teve o telhado danificado. Na passarela da Barra, os vidros foram quebrados e o acesso chegou a ser interditado preventivamente, sendo liberado ontem.

Estragos em cinco bairros de Camboriú

Cerca de cem ocorrências foram registradas pela defesa Civil de Camboriú. Os bairros mais atingidos foram Monte Alegre, Conde Vila Verde, Taboleiro, centro e Santa Regina. Duas pessoas se feriram e foram levadas ao hospital. Houve destelhamentos de casas e 12 árvores foram arrancadas pelos ventos, além de quedas de postes, placas e galhos que afetaram a fiação e deixaram 80% da cidade sem luz, telefonia e internet. Até ontem à noite, duas mil pessoas ainda estavam às escuras.

A paróquia Divino Espírito Santo, no centro, e o quartel dos bombeiros também sofreram com destelhamentos. Cerca de 30 postes caíram ou foram danificados.  No bairro do Braço, um morador ficou ferido após o desabamento de um galpão. Na marginal Oeste da BR-101, um motoqueiro bateu e ficou preso num painel publicitário que trancou a via. Ele sofreu ferimentos leves.

Na avenida Santa Catarina, uma mulher ficou com o carro preso embaixo de uma cobertura arrancada pelo vento. Uma ponta da estrutura chegou a atravessar o para-brisa, mas a mulher não se feriu.

Estrutura de posto pendeu no Monte Alegre

Itapema registrou 100 ocorrências

Itapema registrou ventos de mais de 100 km/h por conta do ciclone extratropical que passou na região entre terça e quarta-feira.

A força do vento provocou mais de 100 ocorrências, segundo a Defesa Civil, entre quedas de árvores em residências e na rede elétrica, destelhamento de casas, além de outdoors, placas, janelas e desprendimento de telas e madeiras de construções que despencaram.

Entre os prédios públicos que apresentaram avarias estão os depósitos da secretaria de Educação e do departamento de Iluminação, creche Rita Maria de Jesus Rebelo, creche Alto São Bento, CTG, Módulo Esportivo Morretes, ginásio de Artes Marciais, entre outros

A cidade foi a mais afetada pela falta de energia e até às 18h de quarta-feira 19 mil unidades seguiam sem energia. Com isso alguns postos de saúde tiveram o atendimento comprometido.

Árvores sofreram com a força do vento

Vigas desabam sobre carro de diretor

O vendaval também fez graves estragos em Penha. As vigas de uma loja de material de construção caíram em cima de dois carros, no estacionamento da escola estadual Edith Prates Gonçalves, no bairro Santa Lídia. O professor e diretor Eduardo Leite estava no carro e foi atingido pela estrutura.

Edu foi socorrido pelos bombeiros e levado ao PA. Como teve um TCE leve, foi levado para o hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, onde ficou em observação até às quatro horas da manhã de quarta-feira.

O ferimento foi leve. Ele se recupera em casa. Edu é carnavalesco e há 20 anos faz letras para o Bloco dos Sujos da cidade. No carro tinha outra pessoa de carona e que não se machucou.

Ainda em Penha, o galpão da empresa RZA Pré Moldados, às margens da BR 101, caiu com o vendaval. A cobertura do posto de gasolina, ao lado da empresa, também despencou com os ventos de mais de 80 km/h que atingiram a região.

A creche Simone Reis de Souza, da Praia Alegre, foi atingida, assim como a creche João Batista da Cruz, no Mariscal, sofreu danos no telhado, e a escola Antônio Joaquim Tavares, do São Cristóvão, foi destelhada e teve boa parte do muro destruído.

Na escola Horacina Soares Francisco, da Cohab, o vento arrancou a grama sintética da quadra. O ginásio de Esportes Sebastião João de Souza, no centro, também sofreu avarias, segundo informou Carlos Cezar de Souza, da Fundação Municipal de Esportes (FME).

A estrutura de uma escola caiu em cima do carro do diretor e de outro veículo do estacionamento. O diretor estava no carro e foi socorrido pelos bombeiros.

O prefeito Aquiles da Costa (MDB) montou uma força-tarefa d pra avaliar os prejuízos. Não há desalojados ou desabrigados na cidade, mas as ruas ficaram obstruídas por galhos, postes e placas que caíram. A limpeza foi feita nas ruas durante toda a quarta-feira.

Carro de diretor foi atingido por vigas

Vendaval danifica telhados e galpões em Bombinhas

O ciclone também deixou estragos em Bombinhas. Muitos galhos e árvores caíram, assim como placas que danificaram a fiação elétrica.

Foram cerca de 10 casas que sofreram destelhamento.  O teto de uma academia foi danificado pela força dos ventos. Uma marquise caiu, mas por sorte os escombros não acertaram ninguém.

Um galpão da secretaria de Obras e outro da secretaria de Pesca também tiveram os telhados detonados. Os bairros mais atingidos foram Bombas e Mariscal.

Segundo a Celesc, quase cinco mil moradias seguiam sem luz em Bombinhas ontem.

Marquise caiu, mas não feriu ninguém

 
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