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Cerveja para todos os gostos

1º Itajaí Craft Beer reuniu 18 cervejarias artesanais que apresentaram receitas próprias com muitas novidades

Mariana Feitosa

Especial para o DIARINHO

Dezoito cervejarias artesanais e mais de 100 opções de cervejas foram as atrações de três dias de festa no Centreventos, em Itajaí, de quinta-feira ao sábado da última semana. O 1º Itajaí Craft Beer reuniu apreciadores de chope e de comidas ao estilo food truck. Das 18 cervejarias inscritas, apenas duas não eram catarinenses. Oito são pratas da casa, ou seja, aqui de Itajaí: Alzira, BeerBro, Faroeste, Green Coast, Itajahy, Notorious, Samurai e Sarcástica.

Segundo o organizador, Kleiton Hames, o evento nasceu em Joinville, em 2017, e também já aconteceu em Florianópolis. Ele conta que Itajaí estava no radar para receber uma edição própria, até porque a cidade é um polo cervejeiro. “Itajaí abraçou o Craft Beer. O público superou a expectativa. Foi gratificante ver o Centreventos lotado nos três dias do evento. Tivemos uma grande participação de moradores e uma alta presença de turistas”, enfatiza.

No universo das cervejas artesanais existem diversos estilos que se diferenciam pelo tempo de fermentação, amargor, tonalidade, presença de frutas e/ou aromas, quantidade de álcool e etc. Todos os estilos mais conhecido são inspirados em cervejas já fabricadas no exterior, como as Pilsen, IPA, APA, Pale Ale, Lager. Foi em 2018 que a expansão do mercado cervejeiro no Brasil trouxe a novidade de um estilo próprio brasileiro reconhecido mundialmente: o Catharina Sour, um estilo de cerveja que mistura alguma fruta à composição original. Versões com pitaya, morango, uva e jabuticaba já apareceram no mercado.

Novidades chamam a atenção

Cerveja em tonel de frutas chamou atenção do público

O público apreciador do universo cervejeiro é ávido por novidades, como conta Jacqueline Kátia da Silva, diretora financeira da pioneira Cervejaria Itajahy, que já soma 13 anos de história no mercado. A Itajahy trouxe para o festival sua própria versão Catharina Sour, com polpa de maracujá na composição, uma cerveja refrescante e de sabor marcante. “Tentamos sempre vincular nossos rótulos a algo da cidade, então temos cervejas engarrafadas com os nomes de Geremias, Atalaia, Praia Brava… É mais um diferencial para cativar o público”, comenta.

Outra novidade que chamou atenção dos presentes foi um tonel cheio de frutas coloridas acoplado  à máquina: uma cerveja fruit beer criada especialmente para o festival pelo mestre cervejeiro Marcelo Mateve, da cervejaria Surto, de Orleans. O infusor, com tecnologia importada, mas feito 100% em Itajaí, fica cheio de uma combinação de carambola, morango, mirtilo, amora e pitaya, e, ao entrar em contato com as frutas, a cerveja adquire as características da mistura no sabor e na coloração. “Além do visual muito bonito, a fruit beer fica com um sabor muito refrescante que tem agradado ao público, principalmente o feminino”, conta o cervejeiro Alexandro Frison. A fruit beer da Surto foi uma das cervejas mais vendidas no festival.

Daniela de Faria, 24 anos, e Tiago Wippel, de 33 anos, se encantaram com a variedade. Daniela é gerente financeira mas, em meados de 2019, formou-se sommelier e vai neste ano começar a trabalhar com essa paixão. “Estamos encontrando aqui estilos de cerveja que vão além dos fermentados tradicionais. Já experimentei o chope de oito cervejarias e todos têm muita qualidade e são muito diferentes entre si,” diz a sommelier de cervejas.

Mercado em expansão

Artesanais já caíram no gosto dos catarinenses

Estima-se que atualmente existam mais de 1000 marcas de cervejas artesanais no Brasil. Neste cenário, o sul do país é um polo de fábricas e rótulos. Segundo dados da Abracerva – Associação Brasileira de Cerveja Artesanal -, entre 2018 e 2019 quatro novas cervejarias foram criadas por semana no Brasil.

A expansão se explica com  a criação de cervejarias artesanais independentes, que movimentavam de 352 a 380 milhões de litros por ano, um número que, apesar de expressivo, ainda movimenta apenas 2,7% do potencial do mercado nacional.

Os dados apontam que ainda há muito o que crescer no mercado. O público tem demonstrando aceitação e interesse em conhecer e aprender sobre o universo da cerveja: fazendo cursos e visitação em fábricas. Jacqueline, da cervejaria Itajahy, conta que nos últimos dois anos aumentou o interesse do público em consumir o produto local. Os apreciadores que antes buscavam o Paraná e o Rio Grande do Sul para o turismo da cerveja agora aproveitam esse lazer em Itajaí, com as diferentes fábricas na cidade.

Além dos rótulos próprios, as fábricas peixeiras ainda recebem os chamados “ciganos”, que são pessoas que possuem uma receita própria de cerveja mas não tem equipamento, então procuram uma fábrica com espaço ocioso e produzem sua própria receita. “Das cervejarias aqui presentes, quatro são artesanais que trabalham nesse modelo cigano, que produzem suas receitas personalizadas em outras fábricas com tiragens de poucos litros”, conta o cervejeiro Ronaldo Dutra, 46 anos, proprietário da Bruxa do Bosque, que tem mais de 10 anos de mercado.

Evento bem avaliado

Sueli foi com a famíllia curtir o festival

A estrutura, variedade e as inovações trazidas pelas marcas presentes no evento tiveram a aprovação do público, como a administradora Sueli de Andrade, 47 anos, que trouxe toda a família. De Balneário Camboriú, ela e o marido Jeferson Rodrigues de Lima, 45 anos, são apreciadores de cerveja e elogiaram as IPA servidas ali, bem como a comida. “Tudo muito limpo, organizado, e várias opções de bebida e comida. Viemos prestigiar as cervejarias de Balneário e de Itajaí;  gostamos muito”.

O 1º Itajaí Craft Beer reuniu apreciadores de boas cervejas

 Volta às origens

Cervejaria Bruxa do Bosque produz duas cervejas novas toda semana

O sucesso das cervejarias artesanais e de pequena produção mostra um retorno às origens da produção cervejeira, aquela feita em casa e com muita liberdade de produção. O desejo dos produtores e consumidores não é mais de ter grandes tiragens de rótulos engarrafados e tornar-se assim uma multinacional, mas sim de ter a possibilidade de produzir sabores diferentes, experimentar e poder servir algo realmente único e personalizado.

O cervejeiro Ronaldo Dutra conta que a tendência aponta para cervejarias menores, focadas na subsistência, não no business. “Nós, por exemplo, somos uma fábrica que produz menos de seis mil litros por mês e que sai do molde tradicional de uma cerveja clara, uma escura e uma de trigo, mas sim que busca criar algo diferente. A gente foca em atender bem e em fazer parte de todo o processo”.

A Bruxa do Bosque, de Florianópolis, por exemplo, produz apenas para alimentar os seus três bares e o truck que viaja nos eventos. O público vai poder experimentar sempre algo novo nos bares, já que o cardápio nunca é o mesmo, e é isso que, segundo Ronaldo, faz com que as pessoas retornem e estejam sempre abertas a experimentar o novo. Ele produz duas cervejas novas toda semana. “Mas queremos tomar sempre o cuidado de não tornar a cerveja elitista, que foi o erro que o vinho cometeu. Cerveja tem que ser algo popular”, afirma.

Faltou sustentabilidade, lamenta frequentadora

Leitora acha que festival precisa de mais sustentabilidade

Uma leitora do DIARINHO achou que faltou sustentabilidade ao evento que se pretendia inovador. Segundo ela, as cervejas eram entregues em copos acrilícos, o que gerou muito lixo. “Infelizmente, uma festa nada ecologicamente correta! Será que todo o plástico que vi jogado nas mesas e nas mãos das pessoas foram ao menos pra um descarte correto? O plástico demora anos e anos pra se decompor”, lamentou.

A leitora deixou ainda uma sugestão para que a festa adotasse ações como a Marejada, onde são utilizados somente copos reutilizáveis. “Sigam o exemplo das festas que se preocupam com a situação do nosso planeta”, afirmou.

Outras críticas ao evento ficaram por conta do calor, pois não havia climatização,  e sobre o estacionamento caro. Com poucas vagas para estacionar nas ruas, a Marina Itajaí cobrou R$ 20 por carro para estacionar, assunto trazido como negativo por vários participantes. Já cerveja para refrescar foi a única alternativa contra o calorão no evento fechado.

 

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