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BC 55 anos | Perspectivas: Como será o amanhã? Responda quem puder!

A Balneário Camboriú do futuro vai precisar equacionar crescimento econômico com preservação ambiental e responsabilidade social

Balneário Camboriú tem poucas décadas de vida, mas cresceu num ritmo vertiginoso, e muito de seu sucesso se deve a atuação de governantes que pensaram fora da caixinha e deixaram sua marca na cidade. Após uma safra de pioneiros, que forneceram infraestrutura mínima à cidade, a safra de prefeitos que emergiu com a redemocratização política, no final dos anos 80, deu liberdade para inovar e estabelecer critérios para onde a cidade viria s ser no século 21.
Leonel Pavan, 63 anos, foi prefeito duas vezes, nos anos 1980 e 1990. Antes disso ele tinha sido vereador, e entre um mandato e outro, deputado federal. Depois ocupou quase todos os cargos eletivos possíveis: deputado estadual, senador, vice-governador e governador. No ano passado, sobreviveu a um AVC, e apesar de recuperado, encerrou a vida política para se voltar à militância através de um programa na TV Panorama, resgatando as origens como líder estudantil, época em que se inspirava em Brizola, seu conterrâneo e xará.
Em seu primeiro mandato, o bairro que mais mereceu atenção foi o dos Municípios, onde a vida urbana ainda era um sonho distante. “Apenas a rua Biguaçu era calçada e o local era tão perigoso que foi comparado a baixada fluminense”, conta Pavan. Para integrar o bairro ao centro, foi aberta a Quinta avenida até a avenida Santa Catarina, e desapropriado um imenso terreno onde seria instalada a primeira filial da Univali, o Caic, e posteriormente, o hospital Ruth Cardoso, entre outros serviços públicos, como o Núcleo de Atendimento ao Idoso (NAI) e o Programa de Atenção Infantil (PAI).
Mas até o campus da Univali ser construído, Pavan conta que a primeira turma do curso de Turismo teve aulas numa escola pública do bairro das Nações. De dia funcionava a escola, e à noite, a faculdade. Ele revela que o curso ganhou a denominação Turismo e Hotelaria por iniciativa dele e se tornou o primeiro do gênero na América Latina. “Hoje o bairro que inspirava medo se tornou universitário, fornece know-how turístico, além de ser sede de várias instituições, como a Federação Catarinense de Futebol, o Sebrae e o Sinduscon”, completa.

De vendedor de picolé a prefeito

Depois das administrações de Rubens Spernau, que revitalizou a Quarta avenida, e Edson Periquito, que ampliou o fluxo do trânsito ao abrir a avenida Martin Luther no meio do bairro das Nações, chegou a vez de Fabrício Oliveira, 43 anos, mostrar a que veio. Ele mora em Balneário Camboriú há 32 anos e disse que, além de preparar melhor a cidade para os desafios de um crescimento sustentável, pretende dar mais atenção a questões sociais.
“Eu já trabalhei com muita coisa, mas o que realmente me entusiasma é trabalhar com criança. Já fui conselheiro tutelar e sei do desafio que é dar perspectiva de vida a famílias com poucas condições de se manterem”, declarou. Fabrício conta que teve uma origem humilde. Sua família chegou a Balneário quando tinha 11 anos e se instalaram na Quarta avenida, onde seu pai montou uma verdureira. A família morava atrás.
Depois, ele foi vendedor de picolé, garçom e por quase 15 anos trabalhou na boate Baturité, onde se tornou conhecido. Sua educação sempre foi em escola pública: primeiro na Armando César Ghislandi, na Vila Real, e depois na escola estadual João Gourlart, na rua 1500. A faculdade de Direito foi na Univali.
Dentre os projetos socias, ele destaca o de oficinas, que é realizado no contraturno escolar, e oferece aulas de artes e esportes a cerca de duas mil crianças de escolas públicas, em 10 polos distribuídos pela cidade. Em 2018, o projeto ganhou uma sede de 800m², na rua Canelinha.
Também no bairro dos Municípios, Fabrício tem a intenção de abrir uma nova avenida entre a Quinta e Sexta para ampliar o comércio, além de expandir a rede de proteção social com mais escolas, creches, posto de saúde e equipamento de lazer. Para reduzir o desemprego, o prefeito investe em oficinas profissionalizantes. Para o público feminino, há 160 vagas em 10 cursos, no Centro de Convivência da família, na rua Itália. Para os homens são oferecidos cursos como manutenção de ar-condicionado e eletricista.

Investimento em sustentabilidade tem retorno garantido

O prefeito Fabrício também está colocando em prática um projeto de mobilidade urbana para melhorar o fluxo de veículos, que não para de aumentar, principalmente no verão, quando a cidade de 138 mil habitantes recebe cerca de 4 milhões de turistas. “E depois de entrar na rota dos navios transatlânticos, ganhamos mais 124 mil turistas no ano passado”, revela.
O projeto Binário Sul já começou a ser implantado com o prolongamento da rua 3100 até 3700. No ano passado, foi feito o prolongamento da Quarta avenida até a rua 2650, e para este ano, ele promete entregar a obra até a rua 3300, e até a 3700 no ano que vem. Também está previsto projeto de uma avenida que vai ligar a Martin Luther à avenida das Flores, além do Anel Viário Norte, que ligará a avenida do Estado Dalmo Vieira à BR-101.
Para a Barra, está em processo de licitação um Mercado Público com ênfase em gastronomia. É uma parceria público-privada no valor de R$ 8 milhões. Outro projeto que saiu do papel é o Molhe do Pontal Norte no Canal do Marambaia. O prefeito garante que o problema de poluição do local está sendo combatido com multas mais severas e lacre de esgotos clandestinos, além de uma nova rede de esgoto e a instalação de um emissário no Pontal Norte. Já o alargamento da faixa de areia deve iniciar após a temporada de verão.
A menina dos olhos do prefeito, contudo, fica longe do burburinho, nas praias de Estaleiro e Estaleirinho, que conquistaram a prestigiada Bandeira Azul por atender a vários requisitos de proteção ambiental. Em Santa Catarina, apenas seis praias conquistaram o selo internacional. “Em Taquarinhas pretendo implantar o turismo ecológico, pois há uma demanda crescente por locais preservados, que investem em educação ambiental”, conclui.

 

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