Home Notícias Especial ASSOCIAÇÃO DOS BARNABÉS DE ITAJAÍ | Quarta-feira tem futebol e amizade

ASSOCIAÇÃO DOS BARNABÉS DE ITAJAÍ | Quarta-feira tem futebol e amizade

Quarta-feirinos da Aspm não torcem pelo mesmo time, mas rivalidade não é algo que se crie por aqui

Muita coisa mudou no nosso modo de vida desde o início da revolução digital, mas se teve uma tradição que não foi afetada pelo excesso de vida virtual em Itajaí foi a formação de grupos com interesses afins, que fortalecem os laços de amizade através de encontros. Separados por sexo, ou de forma mista, esses grupos elegem um dia da semana para tomar umas e outras, dar risada, colocar em dia as novidades e, se possível, mexer o corpinho encarangado por este inverno rigoroso. Esta é a receita dos ferinos, que o DIARINHO conheceu numa noite gelada de junho, quando a galera se reuniu na sede social e esportiva da Associação dos Servidores Públicos Municipais de Itajaí (ASPM), no bairro Cidade Nova.

Quem guiou a reportagem foi o professor de Educação Física, Jackson Pereira, 40 anos. Ele conta que o local é utilizado por 40 grupos de ferinos, que podem usar um dos quiosques e duas horas nas quadras para jogar futebol, vôlei ou futivôlei. São cerca de 300 pessoas que se revezam nas quadras, que estão abertas de segunda a segunda. Todo ano, os grupos que jogam futebol (que são a maioria), fazem um campeonato nos meses de abril e setembro. Mas não pense que são apenas os homens que apreciam o esporte bretão. Também há dois times de futebol feminino. Olha aí a Marta fazendo escola!

No dia em que o DIARINHO acompanhou a jornada dos quarta-feirinos da ASPM, 16 amigos das mais variadas profissões deixaram a preguiça de lado para jogar bola e em seguida, se refestelar com um banquete a base de peixe. Tinha policial, pedreiro, eletricista, funcionário público, estudante, torneiro mecânico, todos unidos pelo mesmo ideal: extravasar o estresse de um duro dia de labuta praticando seus dois esportes prediletos: o futebol e o levantamento de copo e garfo.

Para alimentar essa galera, que não tem só fome de bola, foi convocado Claudemir Slama, 49 anos, que teve o auxílio da companheira, a professora Gilmara, 46, para transformar 10 kg de corvina num suculento caldo de peixe com pirão, e muitas e muitas porções de peixe frito empanado na farinha de mandioca. “A cada semana, a gente se reveza nas panelas. Tem dia que sai churrasco, carreteiro, entrevero. Cada um tem a sua especialidade”, conta Jackson. Os quarta-feirinos também guardam para graninha para fazer uma confraternização em grande estilo no fim do ano, de preferência, na beira do mar. “Para este verão queremos alugar uma casa ou uma pousada, mas já fizemos trilhas, piquenique, o que importa é reunir as famílias e se divertir”, arremata.

Tradição festeira e futebolística

No grupo dos quarta-feirinos da APSM, uma dupla se destaca: Erik Costa, 24, e seu pai Rudinei, 47. Ambos trabalham na Aspm, mas naquele dia, nenhum jogou. Erik estava trabalhando como vigia, e seu pai veio fiscalizar os trabalhos. “Sou eu que fecho o portão à meia-noite porque antes, não tinha hora para terminar e isso dava margem a brigas”, justifica.  Erik disse que começou a jogar na ASPM ainda moleque, quando o pai o trouxe para a escolinha de futebol. Desde então, a relação de amor com a casa e o futebol só aumentou.

É Erik também que explica por que, cargas d’água, o nome do time se chama ½ boca, assim mesmo, com a fração. “É que, por não sermos profissionais, nosso time é amador, não é grande coisa, é meia boca”, explica, dando risada. A mesma atitude de não se levar tão a sério que leva os caras a não implicar com a cor da camiseta: cor de rosa choque. “Ah, é por causa do time Camarões, do presidente do clube. A gente recebe muita provocação dos outros times, nos chamam de abelhinha, rosinha, mas ninguém liga, a gente só quer se divertir”.

O pai faz questão de enfatizar que o ambiente é família. “No final do jogo, as esposas aparecem com os filhos para confraternizar. Para muitos, é o melhor dia da semana”, revela. Que o diga o policial Marcos Machado, 30. Depois de um dia de muita investigação, apreensão de drogas e aperreio na delegacia, tudo o que ele quer é colocar a camisa de goleiro. “Aqui, a gente esquece os problemas, encontra com os amigos, toma uma gelada e ainda come um rango gostoso”, elogia.

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