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Associação de Moradores frisa que verticalização da Brava é grave

A ACBrava critica estudo de arquiteta, publicado no DIARINHO de segunda-feira, que projeta a sombra dos prédios na orla

Adiscussão a respeito do sombreamento da Praia Brava esquentou, esta semana, depois que o DIARINHO publicou reportagem alertando para os problemas que as sombras, geradas pela tendência de “adensar a cidade” podem criar.
A presidente da Associação Comunitária de Moradores da Praia Brava, Daniela Occhialini, enviou uma carta, para o jornal, para “contestar a matéria ‘Os riscos do sombreamento excessivo’ e discordar e repudiar as informações repassadas pela arquiteta Carolina Rocha Carvalho”.
E, no texto, além de reforçar a ideia, também expressa na matéria, de que as sombras podem causar problemas, diz que, “pelas imagens publicadas, é possível inferir que trata-se de uma metodologia questionável, pois simula o sombreamento de um único trecho da Praia Brava através de uma maquete, com prédios de isopor”.
Naturalmente, as fotos, feitas a pedido do jornal para ilustrar os cálculos matemáticos e demonstrar o equipamento disponível no laboratório da Univali, não mostram toda a extensão e simulam apenas algumas alturas de prédios na área central da praia. No quadro ao lado, a professora explica sua metodologia (veja).
A Associação de Moradores, na sua carta, quer comprovar o que chama de “falsidade desta informação, resultado de um trabalho e metodologia totalmente questionáveis”, e afirma que as “informações técnicas atualizadas são aquelas publicadas no ‘Plano de Manejo – Área de Proteção Ambiental Orla de Itajaí – Encarte IV (OUT/2018)’, estudo financiado pela prefeitura municipal de Itajaí”.
A professora citada pela associação diz que não existem discrepâncias entre o resultado obtido por ela e os resultados de outros estudos. O que ocorre, em vários casos, é que os leigos, sem avaliarem corretamente os detalhes de cada análise, consideram semelhantes estudos sobre objetos, áreas e enfoques diferentes. “Um laudo que tenha sido feito, por exemplo, para avaliar o efeito da sombra sobre a vegetação da restinga, num determinado ponto da orla, pode ter algumas diferenças do estudo feito para avaliar o efeito da sombra em humanos, em outra área e mesmo assim estarem metodologicamente corretos”, afirma Carolina Carvalho.
Para efeito de comparação, publicamos os dados principais de uma das tabelas enviadas pela associação e o resultado obtido pelo Laca da Univali, para casos semelhantes (sombreamento causado por edificações de dois pavimentos) em áreas próximas.
Além da acusação genérica à metodologia do laboratório, a associação enumera diversos problemas que o adensamento daquele balneário pode trazer, não só quanto à insolação.

Praia Brava está ameaçada, diz associação

“Atualmente a mobilidade urbana na Brava caracteriza-se por vias mal estruturadas, ciclovias ineficientes, deficiência de transporte público e congestionamento de veículos em horários de pico”, afirma a presidente.
E informa que a associação “tem lutado arduamente junto à comunidade, para alertar os nossos gestores públicos, bem como os representantes do povo (nossos vereadores) sobre o risco e ameaça que o nosso bem mais precioso, a Praia Brava, patrimônio público, paraíso natural urbano, refúgio da população, grande atrativo turístico da região, praia mais cobiçada e badalada da região, local, abençoado e privilegiado nos quesitos de qualidade de água, meio ambiente e natureza, sobre o risco e ameaça deste processo de desenvolvimento, que envolve uma série de interesses especulativos, políticos e econômicos, especialmente a agressiva especulação imobiliária, que privatiza os lucros para poucos e, certamente irá socializar os prejuízos para as atuais e futuras gerações”.
A reportagem publicada segunda-feira pelo DIARINHO também alerta para o fato de que o sombreamento produz efeitos que precisam ser analisados com cuidado.
A professora Carolina Carvalho frisa que o sombreamento não causa problemas apenas na praia. “O bloqueio solar provocado por uma edificação em outra (considerando os afastamentos atuais) é também uma grande questão, assim como o excessivo sombreamento das calçadas, praças e demais áreas públicas. Unidades habitacionais com qualidade ambiental restrita (com pouco ou sem acesso ao sol e vento) comprometem, com certeza, a saúde dos usuários. A influência de elevadas taxas de ocupação no embasamento vai prejudicar drasticamente o fluxo e velocidade dos ventos”, afirma a arquiteta.
A metodologia do LACA da Univali
O Solarscópio do Laboratório de Conforto Ambiental (LACA) da Univali é um equipamento que simula a trajetória solar e sua análise é realizada com maquetes físicas. “Ele possui lâmpadas posicionadas na altura solar e azimute específico a cada hora diária, com abertura angular pequena de forma a proporcionar o feixe de luz mais próximo ao comportamento solar”, explica a arquiteta Carolina Carvalho. Este equipamento é utilizado também em outras instituições de ensino e pesquisa. O da Univali tem grandes dimensões, “o que garante um grau elevado de confiabilidade”. A maquete executada, para as fotos, seguiu escala 1/125, onde a espessura do material utilizado representava 9m, ou três pavimentos. A cada placa utilizada aumentava em três pavimentos o volume. Os prédios foram elaborados considerando recuo lateral de 1,5m (mínimo) e frontal de 4m. O material utilizado para elaborar os volumes (isopor), segundo a professora Carolina Carvalho, “não influencia na análise, que é baseada no volume, independente do material escolhido”. Para a análise foi considerada apenas a parte central da praia.
Diz a professora que “nenhuma conclusão foi definida apenas com maquete física, nem digital, mas a partir de cálculos matemáticos considerando a altura solar”.
Todas as análises de insolação são realizadas levando em conta o Solstício de Verão (21/12), Solstício de Inverno (21/06) e Equinócios de Primavera e Outono (21/09 e 21/03), que apresentam trajetórias solares aparentes similares.
Outra ferramenta que pode ser utilizada é a modelagem digital e o software SketchUp, que é um dos programas disponíveis e usa como base o mesmo princípio matemático.
Tanto na maquete física como na digital, as informações são obtidas para uma data e horário específicos. Mas há outra metodologia, diz a arquiteta, “que permite realizar análise de mascaramento, obtendo informações sobre a influência da sombra das edificações durante todos os dias do ano em apenas um desenho, que é o diagrama solar, utilizado como base para os exemplos abaixo.

Além da faixa de horário com presença de radiação solar direta, a altura solar influencia na intensidade energética da mesma, sendo que menor que 20 graus esta encontra-se com no máximo com 35% da intensidade total. Isto significa dizer que às 17:30h no Solstício de Verão a Energia do Sol só terá 35% de intensidade, ou seja, baixa intensidade.

Considerando edificações de 6 pavimentos (altura de 18m), ao utilizar como ponto de análise a linha limítrofe entre a restinga e início da praia teríamos presença de Sol até às 17h no Solstício de Verão, até às 15h no Solstício de Inverno e até quase 16h nos Equinócios. Entretanto, considerando o meio da faixa de areia,

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