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Aprendizagem segue fraca nos últimos anos do fundamental e no ensino médio

Entre as principais cidades da região da Amfri, apenas Porto Belo cumpriu metas nas séries finais do ensino fundamental

Escola básica Antônio Ramos, no bairro Cordeiros, alcançou a maior nota: 7,4

POR JOÃO BATISTA

melhoria da aprendizagem nas séries finais do ensino fundamental e no ensino médio continua sendo o o principal desafio para as escolas da região da Amfri, conforme dados do índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados na semana passada. A região segue o cenário do estado e do país, com a maior parte das escolas atingindo as metas nos anos iniciais (1º ao 5º), mas ainda fracas nos anos finais (6º ao 9º) e longe das metas no ensino médio.

O Ideb mede a qualidade dos ensinos fundamental e médio no país com base no aprendizado dos alunos em português e matemática, e nas taxas de reprovação e abandono escolar. A avaliação vai de zero a dez, válida pra escolas públicas e particulares, sendo feita a cada dois anos, com metas projetadas nas três etapas da educação.

Entre as nove principais cidades da região da Amfri, cinco bateram as metas até o 5º ano, entre Itajaí, Bombinhas, Itapema, Navegantes, Balneário Piçarras e Penha. Ficaram abaixo das metas as escolas de Balneário Camboriú, Camboriú e Porto Belo. Nas séries finais (até 9º ano), Porto Belo surpreendeu e foi a única cidade da região a atingir o objetivo. O município alcançou a nota 4,8. A meta era 4,4.

No ensino médio, apenas duas cidades cumpriram o resultado, com evolução em relação ao Ideb de 2017, quando o desempenho da categoria passou a ser avaliado pelo ministério da Educação. Balneário Camboriú cravou a meta de 3,7, mesma nota de Penha, que tinha meta de 3,5. Destaque no fundamental, Itajaí também aumentou a nota no ensino médio, mas não chegou a alcançar a meta prevista. 

As escolas com as melhores notas na região são de Itajaí, a maior parte da rede municipal de educação. Entre as 10 mais bem avaliadas nos anos iniciais, seis são da cidade. A escola básica Antônio Ramos, no bairro Cordeiros, alcançou a maior nota (7,4), seguida do grupo escolar Guilhermina Buchele Muller, na Fazenda, e da escola estadual Paulo Bauer, no São João.

Nos anos finais, Itajaí tem cinco escolas municipais entre as 10 melhores da região. A maior nota da cidade foi com a escola Yolanda Laurindo Ardigó, na praia Brava. A lista é liderada pelo centro Educacional Municipal Geovania de Almeida, no Estaleirinho, em Balneário Camboriú, que também se destacou com o centro educacional de Taquaras. Duas escolas de Itapema e uma de Balneário Piçarras completam o ranking.

As escolas com maiores notas no estado estão na região Oeste, com destaque para a cidade de Iporã do Oeste, com média 8,4 nas séries iniciais. Mantendo tradição histórica, Santa Catarina cumpriu a meta na primeira fase do fundamental, mas sem registrar crescimento da nota, estagnada em 6,5. Quase 70% das cidades atingiram o resultado, deixando o estado com a segunda melhor nota do país, atrás de São Paulo.

Nos anos finais, no entanto, Santa Catarina teve queda no desempenho, interrompendo uma recuperação que vinha desde 2015. O estado teve nota 5,1, mas apesar de ficar abaixo da meta (6), a avaliação ficou entre as mais altas do país, o que revela que a aprendizagem é bem mais crítica em outros estados. A última vez que Santa Catarina atingiu a meta nas séries finais do fundamental foi em 2011.

O estado também tenta se recuperar no ensino médio. As escolas melhoraram nos últimos anos, mas o desempenho está longe do ideal, seguindo a realidade do país. A nota de 2019 ficou em 4,2, diante da meta de 5,4.

 

Itajaí supera médias estaduais no fundamental

Escola Edith Willecke puxou bom desempenho

A rede municipal de Itajaí manteve o crescimento consecutivo das séries iniciais e cumpriu as metas que vem sendo batidas desde 2013. Entre 38 escolas da prefeitura, 25 alcançaram ou passaram as metas da primeira fase do fundamental. Nos anos finais, a cidade quebrou a sequência histórica de desempenho dentro das metas desde 2007. O município igualou a média de 2017 (5,5), ficando abaixo dos 5,7 previstos pra 2019.

O prefeito Volnei Morastoni (MDB) destacou que o ensino municipal superou as médias gerais do estado, o que para ele comprova a qualidade da educação na cidade. A média de Itajaí foi de 6,6, contra 6,3 do estado nos anos iniciais. A comparação considera só as unidades da rede pública. Se incluídas as escolas privadas, estado e município empatam com a média 6,5.

Nas séries finais, Itajaí alcançou nota 5,5, contra 4,9 da média estadual. Itajaí fica abaixo no ensino médio, com nota de 3,7, contra a de 3,8 do estado, ambas abaixo das metas. A maior nota por cidade nos anos iniciais na região ficou com Bombinhas (6,6), seguida de Itajaí (6,5) e Itapema (6,4). O bom resultado foi puxado pelo desempenho da escola municipal Edith Willecke, que superou a meta com nota 7,1.

 

Evolução interrompida em Balneário

A próxima avaliação do Ideb será feita em 2021

As séries iniciais das escolas públicas de Balneário Camboriú, entre redes municipal e estadual, quebraram um ritmo de crescimento com metas que vinham sendo batidas desde 2007 consecutivamente, segundo dados do Ideb. A cidade sofreu uma queda de 6,4 (2017) pra 6,1 em 2019, ficando abaixo da meta de 6,5 na categoria.

Na rede municipal, cinco de 16 escolas cumpriram a meta dos anos iniciais. A melhor nota (6,7) foi alcançada pelo centro educacional Ivo Silveira, que desde 2009 bate os resultados, e o centro educacional Taquaras, que bateu a meta pela segunda vez seguida. Os colégios Vereador Santa e Jardim Iate Clube, que bateram os índices nas últimas avaliações do Ideb, tiveram queda nas notas e não alcançaram as metas.

No ensino médio, Balneário se destacou na região por chegar à meta numa categoria onde os municípios têm maior dificuldade em avançar. O mesmo feito foi conquistado nas escolas estaduais de Penha. As notas por escola ainda não foram divulgadas. Vale lembrar que só a partir de 2017 todas as escolas são avaliadas pelo Ideb no ensino médio. Antes, era por amostragem.

Apesar de abaixo da meta, Camboriú aparece com nota 4 no desempenho do ensino médio, nota maior que as de Balneário, Penha e Itajaí. A maior nota da região da Amfri é de Luiz Alves – 4,1 –, acima da meta projetada. Para Itapema, Balneário Piçarras e Porto Belo não há dados disponíveis em razão do número insuficiente de participantes nas provas pra divulgação de resultados.

Camboriú e Navegantes em baixa

Na avaliação por cidade, Camboriú e Navegantes tiveram as notas mais baixas na região no ensino fundamental. Nos anos iniciais, Navegantes bateu a meta com média 6, enquanto Camboriú, com 5,5, foi insuficiente pra chegar ao previsto.

Em Navegantes, 10 de 19 escolas da rede municipal conquistaram a meta dos anos iniciais. Destaque para a escola Maria Tereza Leal, que superou a previsão e ficou com nota 7, a mais alta do município. Em Camboriú, a melhor nota até o 5º ano foi a da escola Marlene Pereira Zuchi (6,3).

 

Reflexos da pandemia e plano de retomada

Aulas presenciais estão suspensas na rede pública e privada até pelo menos outubro

O ministério da Educação ainda avalia como medir os efeitos da pandemia na qualidade do ensino, considerando o fechamento das escolas e a suspensão de aulas presenciais na quarentena. De acordo com educadores e entidades do setor, há risco de os avanços apontados pelo Ideb 2019 serem perdidos nos próximos anos devido à paralisação das aulas.

A principal conquista destacada pelo governo federal foi o crescimento inédito nas escolas estaduais de ensino médio, que estavam estagnadas nos últimos quatro anos, e as melhores taxas no ensino fundamental, apesar de abaixo das metas nos anos finais.

A próxima avaliação do Ideb será feita em 2021, quando o próprio sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), de onde saem as notas das escolas, passará por reformulação. A previsão é que o monitoramento seja anual e sejam avaliadas outras áreas do conhecimento, não apenas português e matemática. As notas do Saeb também poderão ser usadas para os alunos entrarem no ensino superior.

Em Santa Catarina, as aulas nas redes públicas e privadas estão suspensas ao menos até 12 de outubro. Um plano de contingência pra retomada das aulas presenciais foi elaborado pelo governo estadual, mas as datas de implantação ainda serão divulgadas. O retorno vai depender da situação da doença no estado,

Está previsto que alunos do 3º ano do ensino médio e estudantes com maior dificuldade de aprendizagem devem retornar primeiro às atividades, com aulas de reforço. Também haverá limitação de alunos por sala de aula. O planejamento prevê medidas específicas para cada escola, com apoio da comunidade e gestores da educação.

O plano estadual foi duramente criticado pelo sindicato das escolas particulares de Santa Catarina (Sinepe-SC). Em nota divulgada na semana passada, o presidente da entidade, Marcelo Batista de Sousa, avaliou que o plano de contingência é “inútil”, elaborado a partir da “ótica histérica” da Organização Mundial da Saúde e vai contra o desejo das famílias pelo imediato retorno das escolas, especialmente das creches.

Em Itajaí, a prefeitura tentou reabrir neste mês as creches particulares para atividades recreativas, mas a justiça barrou a medida. Segundo o dirigente sindical, metas de manter o distanciamento mínimo das crianças no recreio ou limitar em 30% o comparecimento nas turmas são impossíveis de serem cumpridas. Já para entidades como a confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) a volta às aulas presenciais ainda é arriscada, defendendo a continuidade das medidas de isolamento.

CONFIRA O DESEMPENHO

NOTAS IDEB

*valor entre parênteses era a meta

BRASIL

Anos iniciais (1º ao 5º) – 5,9 (5,7)

Anos finais (6º ao 9º) – 4,9 (5,2)

Ensino médio (1º ao 3º) – 4,2 (5)

SANTA CATARINA

Anos iniciais (1º ao 5º) – 6,5 (6,3)     

Anos finais (6º ao 9º) – 5,1 (6)         

Ensino médio (1º ao 3º) – 4,2 (5,4)

REGIÃO

Itajaí

Anos iniciais – 6,5 (6,2)

Anos finais – 5,2 (5,6)

Ensino médio – 3,7 (3,8)

Balneário Camboriú

Anos iniciais – 6,1 (6,5)

Anos finais – 5,1 (5,6)

Ensino médio – 3,7 (3,7)

Camboriú

Anos iniciais  – 5,5 (5,7)

Anos finais – 4,1 (5,2)

Ensino médio – 4 (4,3)

Balneário Piçarras

Anos iniciais – 6,3 (5,7)

Anos finais  – 5,3 (5,7)

Ensino médio – sem dados

Itapema

Anos iniciais – 6,4 (6,1)

Anos finais (6º ao 9º) – 5,6 (6)

Ensino médio – sem dados

Navegantes

Anos iniciais – 6,0 (5,7)

Anos finais – 4,8 (5,7)

Ensino médio – 3,6 (4,0)

Penha

Anos iniciais – 6,1 (5,9)

Anos finais – 4,6 (5,9)

Ensino médio – 3,7 (3,5)

Porto Belo

Anos iniciais – 6 (6,3)

Anos finais – 4,8 (4,4)

Ensino médio – sem dados

 

Bombinhas

Anos iniciais – 6,6 (6,4)

Anos finais – 5,2 (5,8)

Ensino médio – 3,6 (4,2)

Escolas com melhores notas na região

Anos iniciais:

EB Antônio Ramos (Itajaí): 7,4

GE Guilhermina Buchele Muller (Itajaí): 7,3

EEB Paulo Bauer (Itajaí): 7,3

EMEB Educar (Itapema): 7,3

EEB João Batista Paiva (Penha): 7,3

Escola Municipal Celeste Scola (Luiz Alves): 7,3

EB Alberto Werner (Itajaí): 7,2

EB Avelino Werner (Itajaí): 7,2

EB Padre José de Anchieta (Itajaí): 7,2

EMEB Joaquim Vicente de Oliveira (Itapema): 7,2

Anos finais:

CEM Geovania de Almeida (Balneário Camboriú): 6,7

EB Yolanda Laurindo Ardigó (Itajaí): 6,6

EB João Duarte (Itajaí): 6,3

CEM Taquaras (Balneário Camboriú): 6,2

EB Francisco Celso Mafra (Itajaí): 6,2

EB João Paulo II (Itajaí): 6,1

EMEB Joaquim Vicente de Oliveira (Itapema): 6,1

EMEB Maria de Lourdes Cardoso Mallmann (Itapema): 6,1

Escola Municipal Monteiro Lobato (Balneário Piçarras): 6,1

EB Alberto Werner (Itajaí): 6

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