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Navegantes comemora 57 anos em busca da sonhada autonomia

Atuação de empresários e poder público para consolidar setores produtivos e reforçar infraestrutura favorece os investimentos

A dependência dos moradores de Navegantes de Itajaí tem diminuído gradativamente graças ao desenvolvimento que a cidade apresentou na última década. Há pouco tempo, era preciso cruzar o rio Itajaí-Açu para quase tudo: comprar um eletrodoméstico, tirar uma certidão no cartório, abrir uma conta no banco, sair para jantar ou procurar um emprego. A instalação de um porto privado em 2007 deu aquele empurrãozinho e a cidade viu os negócios se multiplicarem, diversificando a economia, antes concentrada na construção naval e pesca.
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Receita, Rodrigo Leonardo Vargas Silveira, 30 anos, confirma que o forte do município é o comércio exterior em decorrência da Portonave, e cabe ao poder público melhorar a infraestrutura para que toda cadeia produtiva seja otimizada. Para isso há projetos em fase de licitação e outros sendo finalizados para melhorar o fluxo do trânsito e reurbanizar locais estratégicos para o turismo, como o Gravatá.
Um projeto de R$ 19 milhões para revitalizar 5 km que passam pelos bairros dos Machados e São Domingos já foi aprovado pela Caixa Econômica Federal e a abertura da licitação será no próximo dia 28. As ruas José Francisco Laurindo, João Gazaniga e Orlando Ferreira vão receber obras de drenagem, pavimentação asfáltica, ciclovias e calçadas com rampas de acessibilidade e sinalização. A previsão de conclusão das obras é 18 meses.
Outra obra importante é o Binário do Aeroporto, que tem 3 km de extensão, nas ruas Osmar Gaya e Nereu Liberato Nunes, que terão mão única e ligam a Via Portuária a BR-101. O projeto está sendo feito com recursos próprios de R$ 4,7 milhões através de parceria com o banco Santander. A previsão para o início das obras é 2020. O centro também receberá melhoria da estrutura viária com a pavimentação asfáltica das ruas do entorno do ferry-boat. As obras devem custar R$ 16 milhões e está em fase de aprovação de financiamento junto a CEF.
Para o bairro Gravatá, o projeto de reurbanização da orla, destruída por sucessivas ressacas, só deve ser colocado em prática em 2020. O deque será reconstruído e a ciclovia terá continuidade para que toda a praia seja coberta pela faixa exclusiva para ciclistas. Desassorear o rio Gravatá é outro desafio para melhorar a balneabilidade da praia.

Desburocratizar para descomplicar a vida
Outra meta da prefeitura é incentivar os pequenos empreendedores a sair da informalidade através da reforma do código tributário. A medida visa facilitar a vida de quem encontra entraves para cumprir a legislação. “Dependendo do negócio, por exemplo, um escritório de advocacia ou clínica de fisioterapia, estamos revendo a necessidade de habite-se, já que são atividades de baixo impacto”, justificou o secretário Rodrigo.
Também está começando a ser discutido o plano diretor dentro do conselho formado 50% por representantes da sociedade civil e 50% por órgãos governamentais. Uma das questões é rever a Lei de Uso do Solo e o número de pavimentos das construções. O conselho conta com representantes da OAB, CDL e Associação Comercial (Acin).
Outra novidade é que a partir deste mês começou a funcionar 106ª Zona Eleitoral e do Cartório Eleitoral de Navegantes, que vai atender cerca de 60 mil eleitores das cidades de Navegantes e Luiz Alves, que vão poder tirar o título de eleitor, transferir o título, fazer o cadastramento biométrico, etc. O cartório fica na Rua Anibal Gaya, 525, próximo a Portonave.

Aeroporto Victor Konder terá cara nova em 2021

A superintendência da Infraero assinou no dia 30 de maio a ordem de serviço para o início das obras de ampliação e modernização do aeroporto Victor Konder, que serão realizadas pela Construtora Porto Beton, com previsão de entrega em 18 meses. O investimento é de R$ 47,5 milhões e vai ampliar a área dos atuais 5,2 mil m² para 13,6 mil m².
A maior novidade é a criação de uma sala para embarque internacional com 567m². A sala de embarque, que tem atualmente 483m², ficará com 2.857m². O desembarque, hoje com 428m², passará a ter 1.458m². O saguão passará de 1.244m² para 2.735m², e a área comercial, atualmente com cerca de 1 mil m², vai dobrar de tamanho.
Também estão previstas a ampliação e reforma das áreas de check-in, órgãos públicos, climatização e instalação de novas esteiras, elevadores e escadas rolantes, além de um belo tapa no visual dos banheiros, que terá um aumento de 257,22% em sua área física.

Setor da construção civil ganha fôlego com a queda de juros
A crise econômica e a instabilidade política atingem em cheio os empresários que precisam de aportes maiores de recursos para a concretização de seus projetos, como é o caso da construção civil. Felizmente, a recente queda na taxa de juros voltou a tonar mais atraente a compra de imóveis, garante o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Navegantes (Acin), Verner Dietterle, 56 anos. “Uma queda de 0,6% já faz o investidor achar mais vantajoso adquirir imóveis do que deixar o dinheiro parado”, exemplifica.
Verner é gaúcho de Ijuí e veio para Navegantes em 1993, acompanhar o pai que sofria de Parkinson e quis passar o resto da vida na praia em que vereneava com a família, o Gravatá. “Quando soube que só havia uma construtora na cidade, percebi o potencial e me mudei para cá, onde já lancei 26 empreendimentos, além de três em construção”, revela. Em Ijuí, Verner fazia casas, mas as intempéries do clima na cidade, que vivia da agricultura, trazia instabilidade ao seu negócio. “Dependendo do sol, chuva, safra, o negócio poderia prosperar ou não. E como eu conhecia Navegantes desde sempre, resolvi apostar na cidade”.
O empresário disse que a situação precária da praia em que passou a infância, e onde construiu seus empreendimentos, tem dificultado a venda de imóveis. “Eu até deixei de ir a feiras porque está sendo difícil vender uma imagem boa da praia, que sofre com as constantes ressacas. Enquanto não tiver praia, prefiro investir na área central”, admitiu.
Verner faz parte do grupo de empresários, profissionais liberais e pessoas da comunidade que criou no ano passado o Instituto Renova Navegantes, uma associação pretende encontrar soluções para o Gravatá, como o engordamento da praia. “A associação já ouviu técnicos com conhecimento no assunto e aguarda ajustes na legislação para contratar estudos e doar o projeto ao poder público para buscar recursos e executar a obra”, garantiu.
O construtor disse que Navegantes não tem o seu próprio Sinduscon porque a classe ainda é desunida. “Temos um núcleo setorial na Acin com 10 construtores, sendo que a cidade tem centenas de construtores. É uma dificuldade conscientizar pessoas com interesses em comum para sentar e encontrar soluções conjuntas”, lamenta. Verner também disse que muitas dessas construtoras não seguem as normas de segurança, botando em risco a vida de funcionários e da comunidade, e nem as normas que asseguram a qualidade da obra.
“Quando o prédio é entregue pintado e cheiroso ninguém percebe, só com o passar do tempo que o morador vai sentir as consequências se não for seguida a norma que impede o barulho de um apartamento para outro ou a dosagem correta de cimento no concreto. Além de ser concorrência desleal porque cobram preços mais baixos e desrespeitam o cliente”, compara.

Criar um polo de desenvolvimento tecnológico é uma das metas da Acin
A revolução digital e das telecomunicações está mexendo com a economia do planeta, provocando a obsolescência de algumas atividades e criando novas funções com conhecimento especializado. Mas entre a necessidade de buscar capacitação para as profissões do futuro e a realidade de um município tradicional como Navegantes, há um descompasso que o presidente da Associação Comercial e Industrial de Navegantes (Acin), Liba Fronza, 48 anos, pretende ajustar.
“Em pouco tempo, muitas atividades serão feitas por robôs, como nas agências bancárias ou caixas de supermercado, por isso é preciso abrir novas frentes ainda inexploradas, como uma incubadora para empreendedores de start-ups, que Florianópolis já é uma referência”, argumenta. Luba é proprietário, junto com dois irmãos, da Top Haus, um empreendimento que oferece vários serviços, como padaria, mercado, lanchonete e pizzaria. “Eu mesmo gostaria de ter um aplicativo para vender as pizzas ao gosto do freguês e não tem ninguém por aqui para desenvolver”, exemplificou.
Liba veio com a família de Pouso Redondo há 25 anos e seu pai deixou para os filhos o supermercado Top, que chegou a ter seis filiais. Hoje, ele se dedica a ajudar o município a desenvolver outras áreas potenciais. “O turismo sustentável ainda é pouco explorado. Temos um parque em Pedreiras, onde poderiam fazer trilhas, mas que só está no papel”, lamenta.
Um dos setores que tem crescido é o de atacarejos, uma mistura de atacado e varejo, que oferece preço mais baixo a quem comprar um número maior do mesmo produto. No início, a modalidade foi criada para pequenos comerciantes, depois virou um fenômeno de vendas e se multiplicou. Em Navegantes, deve abrir em dezembro um atacarejo do grupo Fort Atacadista. Uma loja de 20 mil m² na rua Nereu Nunes Liberato com geração de quase 200 empregos.

Febre das cervejas artesanais chega a Navegantes
Nos dias 27, 28 e 29 de setembro, Navega entrará na rota do chope artesanal graças ao empenho de gente que batalha para vencer o desafio da baixa temporada, como Valmir Bezerra de Lima Nascimento, 41. Ele é natural de São Paulo e veio para Navegantes há 17 anos, onde montou uma bem sucedida empresa de fornecimento de refeições para eventos, a Gran Chef Buffet. O Primeiro Festival de Cervejas vai rolar no clube Navemar e contará com quatro marcas de brejas, seis estandes de comida de boteco e três bandas de rock e blues, como a peixeira The Headcutters.
Valmir também é o presidente da Associação de bares, Hotéis e Restaurantes de Navegantes (Abrhon), outra entidade que veio para promover a autonomia da cidade. Ele é dono da hamburgueria Goods, uma das participantes do Festival Sabores de Navegantes, que este ano está na quinta edição e será realizada em novembro. O evento rola durante o mês todo em 20 estabelecimentos, que elaboram um prato exclusivo e com preço promocional para incentivar a galera a curtir a noite dengo dengo.
“No ano passado, meu hambúrguer de 180gr com salame foi o mais vendido – 221 itens, e passou a figurar no cardápio”, conta o orgulhoso chef, que só usa matéria prima de primeira, como picanha, filé mignon e linguiça Blumenau. Ele ainda não sabe qual será a sua criação para este ano, já que a sua cabeça está focada no festival da cerveja. “Desta vez, a maioria das cervejarias vem de Itajaí, espero que o evento sirva de incentivo para desenvolver o segmento na cidade”, acredita.

franciele
Formada em Jornalismo pela Univali, com MBA em Gestão Editorial. fran@diarinho.com.br
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