Home Notícias Especial 40 ANOS | DIARINHO sempre esteve na linha de frente para garantir o direito à igualdade

40 ANOS | DIARINHO sempre esteve na linha de frente para garantir o direito à igualdade

“Traveco é o fim da picada! Só usam esse termo para nos diminuir, nos humilhar, sempre em tom de deboche. Somos cidadãs e apenas queremos ser respeitadas”, declarou Ana Paula Barreto, 35 anos, uma das vozes mais atuantes da população LGBT. Sua entidade fica em Balneário Camboriú, mas ela atende toda a região, pois poucos municípios possuem uma liderança para tratar de um tema que ainda é tabu: a cidadania das profissionais do sexo.

A profissão mais antiga do mundo tem uma demanda que nem a crise econômica afeta, mas não são os clientes que sustentam este mercado que sofre violência e perseguição. E por serem marginalizadas, estas profissionais estão vulneráveis e tem em Ana Paula uma espécie de fada madrinha ou SOS. Durante a entrevista ao DIARINHO, seu telefone não parava de tocar de pessoas pedindo sua proteção ou ajuda em questões legais ou de saúde.

“Elas dizem que não fosse eu, não teriam a quem apelar. Como faço esse trabalho voluntário há mais de 10 anos, tenho um respaldo que me faz ter um bom relacionamento com órgãos de justiça e segurança pública, assim como a imprensa”, relata. Ela disse que um dos momentos mais difíceis foi ter que reconhecer o corpo da colega Jenifer, 24 anos, morta por estrangulamento por um caminhoneiro, que foi condenado e preso.

“Foi um baque pra mim, pois dias antes ela estava aqui em casa tomando café e porque a família mora no Rio Grande. Eu era a única que podia ir ao IML e também avisar os familiares”, relata. Para que isso fosse possível, ela tem o cadastro de todas profissionais que atuam na cidade, até como forma de garantir que os clientes não sejam enganados por golpistas. “Já teve casos de travestis menores de idade que vieram com documentação falsa e denunciei na polícia. É uma via de mão dupla”, acrescenta.

Direito ao espaço público

Ana Paula diz que as reportagens do DIARINHO para que a comunidade LGBT tenha o mesmo direito de outros grupos no uso do espaço público, cobrando das autoridades e denunciando preconceitos é essencial para que a discussão não seja jogada para baixo do tapete. “Não fosse o jornal e a juíza Adriana Lisboa, sensível à causa, continuaríamos na marginalidade porque todo ano a prefeitura nos nega este direito. Se ‘Encontro dos Amigos’ pode, ‘Marcha por Jesus’ pode, ‘Cãominhada’ pode, porque a gente não pode?!”, questiona.

A luta de Ana Paula por melhores condições de vida para travestis e transexuais ultrapassa as fronteiras do estado. No ano passado, ela foi a representante catarinense num congwresso sobre a violência contra a comunidade LGBT em Brasília, e no ano anterior, em Caxias do Sul (RS). “Já fui até de pijama acudir uma das nossas, toda quebrada no hospital, porque mexeu com elas, mexeu comigo. E já aviso: não vão conseguir nos calar!”, conclui.

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