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Victória Schauffert

Professora aposentada

Nome: Victória Tharcila da India Büchele Fernandes Schauffert
Natural: Florianópolis
Idade: 89 anos
Estado civil: viúva
Filhos: Dois
Formação: bacharel em História pela Fepevi, bacharel em Direito pela Fepevi e pós-Graduada em Antropologia Cultural
Trajetória profissional: professora de ensino fundamental nas Escolas Gaspar da Costa Moraes, Victor Meirelles, Salesiano e São José. Diretora do colégio Gaspar da Costa Moraes por 15 anos. Diretora Administrativa da extinta UCRE por cinco anos. Professora da Univali na faculdade de Ciências Sociais. Supervisora da Socila nos anos 70, em Blumenau. Cerimonialista de Bailes de Debutantes, Casamentos, Eventos e da Univali até sua aposentadoria em 2005.

Eu sempre fui uma comunicadora; até muda. Porque eu olho no olho”

A professora aposentada Victória Schauffert está prestes a completar 90 anos. Ela é considerada uma referência na área do magistério. Começou a trabalhar aos 16 anos, em uma época em que era raro ver mulheres fora da lida de cuidar da casa, do marido e dos filhos. Victória casou aos 25 anos, cursou o ensino superior, foi mãe, professora de crianças e depois de universitários. Também foi diretora de escola, cerimonialista e colunista social. Victória tem carisma, educação e brilho que transcendem qualquer explicação. Muito do que ela é se explica pelas escolhas que fez e pelo que decidiu viver. Nesse Entrevistão à jornalista Franciele Marcon, Victória conta um pouco de sua história na universidade, na vida em sociedade e até dá dicas sobre viver bem. As fotos são de Fabrício Pitella

DIARINHO – A escola Victor Meirelles, de Itajaí, foi inaugurada em 1913, e foi um marco à educação no município. Era tradição até a década de 40, meados de 50, os filhos de itajaienses irem estudar em Florianópolis, Santos ou Curitiba para prosseguirem os estudos até à faculdade. Qual a sua participação na fundação do ensino superior de Itajaí?
Victória: Me aliei, como diretora de escola que eu já era aqui na Fazenda, no Gaspar da Costa Moraes, me aliei ao movimento que foi de baixo pra cima. Juízes, promotores, prefeito, educadores tinham isso como meta. Porque tinha saído para Blumenau. Então a gente também queria ter ensino superior em Itajaí. E foi junto, fizemos campanha, fizemos petições e, graças a Deus, conseguimos. Conseguimos! [O movimento foi aqui na cidade, com Brasília, com Florianópolis?] Não, não. Nós em Itajaí e, lógico, com o governo federal, porque precisávamos disso. Só que aí tinha Florianópolis, que já era universidade e, enfim, a massa, vamos dizer assim, de levedura, foi exatamente Blumenau. E a gente achou bom… estar aqui pertinho. Porque antes só Florianópolis, Curitiba, como você mesma disse. Mas em seguida já conseguimos. Acho que foi uma época muito boa, levantamos a bandeira da Univali.

DIARINHO – A senhora sempre foi considerada uma mulher de vanguarda. Foi muito reconhecida pela sua atuação profissional. Sofreu alguma discriminação ou pressão social por ser diferente das mulheres da sua época?
Victória: Não, eu nunca fui diferente em si. A minha diferença era que na época não era muito comum as mulheres casadas trabalharem. E eu comecei a trabalhar com 16 anos. Então, pra mim não teve modificação nenhuma. Eu tive sempre ótimas amigas, lanches e participei de todos. Sempre fui muito respeitada, não posso reclamar. Aliás, eu era professora até dos filhos das minhas amigas. Então, a gente tinha uma amizade muito boa. O tempo que vivi em Itajaí, quase 40 anos, só tenho boas recordações. De pessoas, nunca fui maltratada, nem vamos dizer assim: “ah, não, porque ela faz isso”. [E a senhora era uma inspiração para outras mulheres que queriam entrar no mercado e por conta daquela década acabavam não indo?] Olha, se eu tive isso não notei. Porque a minha passagem foi sempre assim. Trabalhei muito. Eu trabalhava três períodos, de manhã, à tarde e à noite. Então eu acho que fui muito feliz na minha vida, na minha família, com meu marido. Não tive nenhum desconforto de ser como eu era, eu estou achando graça. Era tão normal a minha vida…

Hoje em dia é difícil você sentar num lugar que não tenha um com o dedinho no celular”

DIARINHO – A senhora foi casada com um artista plástico. Isso facilitou que a senhora tivesse mais liberdade?

Victória: Sim, sim. O meu marido é um homem que eu me lembro quando eu casei. A primeira coisa que ele disse: “nós somos nós, a nossa família, não temos nada com os outros”. Como quem diz “ah, se falam isso, falam aquilo, nada disso”. Ele foi uma grande inspiração pra mim. Porque a minha educação de infância e de adolescente foi em colégio de freira. Então eu tinha uma certa dificuldade para sair dali e ir pra sociedade. Mas com ele foi tudo fácil.

DIARINHO – A senhora manteve durante anos uma coluna sobre etiqueta social no jornal da Jackie. Como iniciou sua atuação em jornal?
Victória: Eu adorava fazer essa coluna. O pai da Jackie que entrou em contato. Eu já fazia baile de debutantes, fazia cerimonial de casamento, então eles sabiam que eu tinha um jeito pra coisa. E ele me disse assim: “não queres fazer uma colunazinha pro jornal?”. Eu disse: “meu Deus, eu nunca pensei nisso, não sou jornalista, não sou nada”. E ele disse: “não, não, faz assim, com tuas palavras, a tua abordagem”. E fui muito feliz. Olha, fiz anos, não me lembro quantos. Eu já peguei no computador, que antes era só assim, escrevia e mandava pra ela. Mas fui muito feliz, foi uma época muito boa. E acho que assim, agora entra minha influência, porque muitas pessoas passaram a ligar para saber “ah, que roupa eu uso nessa época? Qual o prato que eu início o jantar? Que copos eu coloco?” Isso foi muito interessante. [E esse trato, essa etiqueta, a senhora trouxe de onde?] Quando menina pequena, meu pai tinha uma irmã que não tinha filhos. Então como ele separou da minha mãe, ele me levou pra essa irmã. E ela era casada com um inglês. Então é daí que vem tudo isso que eu tenho, toda essa… Vamos dizer assim, não sou metida a boba, nem nada disso. É uma coisa da minha personalidade.

DIARINHO – A senhora foi professora de figuras ilustres da cidade e depois foi aluna de muitos deles no curso de Direito. Chegou a atuar na carreira jurídica?
Victória: Não, eu trabalhei num escritório de advocacia algum tempo, com uma amiga que já era formada, a Reti Jane Popelier. Eu gosto muito dela. Ela disse: “Victória, fica lá no meu escritório, tu vai aprendendo muito na prática”. Fui. Eu ia todo dia da semana. Voltava pra dar aula à noite, dava aula no curso de História e isso me fez ter vontade de trabalhar no Direito. Trabalhei no Direito só assim, e depois eu lecionei no Direito ainda. [Qual cadeira?] Pois é, quando me perguntasse minha cabecinha fez assim: ai, ai, ai, ai. [Se não lembrar não tem problema…]Às vezes, nos 90 anos que a gente vai fazer, dá esses branquinhos. Mas foi muito gratificante, tanto a minha atuação no escritório como dar aula na faculdade de Direito. [E das figuras ilustres que foram seus alunos, a senhora lembra de algum?] Nossa, o Atahualpa Mascarenhas Passos, juiz em Balneário Camboriú, uma carreira belíssima. Ele foi meu aluno. Então tem uma história que é muito engraçada. Ele dava aula, quando entrava e tal, fazia chamada, meu nome ele não chamava. Aí um dia um aluno perguntou: “Professor, porque o senhor não chama a dona Victória?” E ele disse: “A dona Victória, ou a professora Victória, vai estar presente nas minhas aulas sempre”. Como quem diz, vindo ou não, eu vou dar presença pra ela. [E a senhora lembra de mais algum?] Delfim de Pádua Peixoto também foi meu aluno. Tem muitos. Eu não lembro assim de todos, mas esses dois, assim, marcaram bem a minha vida. Também teve o Frederico Olíndio de Souza, que foi prefeito de Itajaí; Décio Lima, ex-prefeito de Blumenau e ex-deputado federal, e José Roberto Provesi, ex-reitor da Univali.

DIARINHO – A senhora viveu a ditadura em Itajaí. Como foi essa época? Mudou algo na sua vida quando iniciou o regime militar e depois quando houve a transição democrática?
Victória: Essa época foi terrível. Mas, assim, eu dava aula no curso de história. Então, a gente falava em política, né. Então falávamos sobre democracia e sobre ditadura. Não tinha como sair disso. Os alunos perguntavam também. E aí nessa época alguém me dedurou dizendo que eu fazia campanha contra a ditadura e tal. Eu fui chamada na delegacia. [Chegou a depor então…] Sim, eu tinha um amigo, seu Jucílio, que tinha sido do Exército, pracinha na Segunda Guerra Mundial, e ele disse: “não, eu vou contigo”. E aí ele foi comigo e disse: “Não tem nada disso. Professora Victória, minha amiga, não tem nada disso”. Foi desagradável, mas não tive nada, não manchou a minha ficha. [Mas a senhora foi chamada simplesmente pelo fato de dar aula?] Sim, alguém disse que na aula de História eu falava contra a ditadura. [E a senhora como professora de História como analisa o fato de algumas pessoas, hoje em dia, dizerem que a ditadura militar nunca existiu no Brasil?] Jesus, Maria e José! Então eram cegas, surdas e mudas. Não, não… Existiu sim, e não era muito fácil. É que assim, hoje em dia a política é completamente diferente. Política ou você se envolve ou não se envolve. Mas naquela época você como professora, professora de História, você era obrigada a ter uma postura. Não tem como sair. Então, a minha postura era trazer os dois lados, e vocês aí analisam. Eu sabia como era difícil. Eu tinha alunos que eram completamente contra a ditadura. Se expunham. Um eu não posso nem falar o nome porque ele é conhecido até hoje, não posso dizer. Mas ele eu tive que, vamos dizer assim, arrumar alguém que ajudasse pra tirá-lo. Porque eles queriam até prender. Ele fazia frente, viu? Era corajoso. Ah, eu esqueci de falar num aluno importante meu que foi o Leonel Pavan. Prefeito Leonel Pavan. Agora lembrei dele.

DIARINHO – Quais foram as evoluções que a senhora presenciou nos 30 anos que lecionou na universidade?
Victória: Bom, eu acho que a tecnologia. A tecnologia influenciou tudo. Por exemplo, pra mim que aprendi a escrever com lápis e quando foi mais adiante caneta, tinteiro, pena. Colocar no tinteiro, escrever. Às vezes, o tinteiro virava e ia em cima de tudo, era uma tristeza. De repente, você pega uma maquinazinha, um celular. Hoje em dia é difícil você sentar num lugar que não tenha um com o dedinho no celular. Nisso eu tive uma coisa muito boa, uma que eu ainda trabalhava nessa época. Então eu aprendi sobre computadores, essa coisa toda. E outra que eu tenho uma equipe de netos que me valorizam, me estimulam, me ensinam. Então não tive dificuldade. [Hoje a gente vê que nem mais os cadernos de caligrafia são usados…] Eu fiz caligrafia, todo mundo diz “ai, que letra bonita que a senhora tem”, eu acho uma graça. É da minha caligrafia. [E isso não existe mais, né, vai se perder o hábito de escrever?] Não acredito, não acredito. Eu gostaria que não, porque escrever é uma coisa muito boa. Eu escrevo muito, eu gosto de escrever. Eu tenho uma agenda, todo o dia eu escrevo de manhã à noite o que eu fiz. [Escreve texto aleatórios? É como um diário? O que a senhora gosta de escrever?] Escrevo com caneta esferográfica. Começa de manhã, o que eu fiz, o que não fiz. Hoje já está anotado, tinha a entrevista. Quando eu chego, já digo, se gostei, se não gostei, o que eu fiz, o que eu não fiz. [Então pode virar um livro de memórias…] Aqui, [apontando pra neta Bel], quem anda atrás de mim.

DIARINHO – A senhora sempre foi uma referência sobre boas maneiras e etiqueta. Essas regras no trato social continuam valendo hoje?
Victória: Deveriam, pelo menos, no contato com as pessoas. O respeito! Hoje em dia você dizer assim, olha, não pode fazer isso… Não existe mais não pode. Você não atende. É a evolução. Quando eu falo pra você que a dificuldade nossa, dos mais velhos, a gente sente, por exemplo, eu sempre digo assim: eu agora estou fazendo faculdade de velhice, de terceira idade. Claro. Quando nasce, os primeiros anos, todo mundo diz o que você pode fazer, pode e não pode. Na adolescência você começa a procurar os teus caminhos e quem te atrapalha tu botas pra trás. Na idade adulta você já tá forte, então você vai batalhar pela tua vida, pelo teu trabalho, pela tua família. Na velhice, você tem que aprender o teu lugar. Por isso eu sou feliz, com a graça de Deus. Eu sempre digo pros meus netos: o dia de hoje é o dia da felicidade, você tem que ser feliz. Ninguém faz a tua felicidade. Só você. Pode até te atrapalhar, mas se você tiver forte, tu botas pra fora. [E dessas fases, qual a senhora prefere???] Eu adoro estar viva. Acho ótimo estar viva. Tenho saúde, graças a Deus, tenho respeito, tenho dinheirinho, tenho tudo que precisa pra ser feliz. Se eu não sou feliz é de burra. Mas a melhor fase é a fase do adulto; você sabe o que quer e luta por aquilo. Eu fui muito feliz. Fui muito feliz no casamento, com os filhos, sempre. Eu não tenho do que reclamar da vida. [A senhora fala que o idoso não é valorizado…] De certa maneira é que a gente está acostumada a ser paparicada. De certo é essa a diferença.

DIARINHO – A senhora aderiu aos avanços tecnológicos? Faz uso de redes sociais? Como avalia a forma de se comunicar hoje?
Victória: Eu sempre fui uma comunicadora, até muda. Porque quando falo com as pessoas, eu olho no olho. Pode ver que eu não tirei o olho de ti. Por que? Porque pelo olho você sabe o que você está falando, se está agradando ou não. A voz é uma coisa. E eu quando aqui comecei a entrevista e tive colocar isso aqui [microfone], uma das coisas que eu não gosto em mim é a voz… Então não sei te dizer se a velhice é um tempo ruim. A gente tem mais dificuldades. Hoje em dia, por exemplo, às vezes, riem de mim. Eu digo: “ah, meus tempos”. Agora pra levantar tem que arranjar alguém que me puxe ou alguma coisa. Mas eu acho que você tem que saber que tem o seu tempo em tempos diferentes. [Mas a senhora é ativa, na fala, na lembrança, nos gestos. Como é chegar aos 90 assim bem?]É, eu vou te dar o meu dia. Eu acordo cedo, porque meu relógio biológico acostumou a vida inteira a acordar cedo. Então, 7h, 6h30 eu já estou de olhinho aceso. Primeira coisa: eu agradeço a Deus por estar viva. Me arrumo e tal. Das 8h30 até às 10h30 eu faço as minhas orações. Novena na rede Vida que eu gosto. Me protejo. E dali em diante eu tenho tempo livre, então eu adoro ler. Eu estou lendo novamente os meus livros. Eu tenho uma biblioteca. E uma coisa que é importante, que é interessante. O livro que eu li há quase 20 anos, eu estou lendo e a minha mente agora não reage como reagiu lá. Então isso pra mim é uma descoberta maravilhosa. Eu gosto. Vou pro computador. Gosto de jogar no computador. Uso pra outras coisas, mas hoje com o WhatsApp é só no WhatsApp, é mais fácil. Netflix é um vício. Também gosto. E assim, tenho uma turminha de jogo, segundas-feiras a gente joga, brinca, conversa, troca ideias. Duas vezes por semana tenho uma personal. Faço drenagem linfática também. Cabeça e corpo bem cuidados.

DIARINHO – Os bailes inesquecíveis de Itajaí tiveram a sua participação como cerimonialista ou organizadora. Porque essa tradição caiu em desuso?
Victória: Minha maior, digamos assim… não é infelicidade. Mas eu sempre digo pras minhas netas. Fiz tanto baile de debutante, não tenho uma neta que debutou. E eu tenho quatro netas. São as transformações da sociedade. Assim como o que eu comecei falando sobre a velhice, que já não há aquele respeito. Isso também mudou. As meninas adoravam, eu lembro, era um dia maravilhoso. Hoje se tu pegar uma menina de 15 anos e tu falar pra ela sobre um baile de debutante, ela diz: “que bicho é esse”. [Um baile memorável?] Eu tive vários, lindos bailes de debutantes. Mas um que me chamou muita atenção foi pela patronesse. Foi dona Lurdes Catão, que na época o Ibrahim Sued trazia na revista, aquelas mulheres maravilhosas do Rio de Janeiro, que a gente olhava e caía os olhos. Mas ela foi de uma simplicidade, uma pessoa amável. Ela estava feliz de estar ali. Eu me lembro que a banda acabou, a cerimônia chegou ao fim, ela veio na minha direção. Veio me abraçar e dizer que eu tinha sido maravilhosa. E o baile foi lindo, lindo, lindo. [A senhora chegou a fazer casamentos também?] Fiz muitos casamentos, meu Deus do céu. Não posso dizer nenhum em especial porque são tantos… Acho que pela minha agenda, eu tenho mais de 50 feitos. Eu fazia às vezes na sexta e sábado. Porque eu não fazia só em Itajaí, fazia em Florianópolis, Blumenau, Joinville, Brusque.

DIARINHO – A senhora teve um episódio pitoresco com o fundador do DIARINHO, Dalmo Vieira, e saiu até no jornal. Pode contar pra gente?
Victória: Qual? Aquela que eu contei no começo? Que safadeza… [risos]. Na Univali a gente, ainda hoje, naquela parte da reitoria, a janela dá pra rua. E eu saí da minha sala, deixei minha bolsa como sempre fazia e fui fazer outros serviços. Quando eu voltava vi que um garoto tinha pegado minha bolsa e saído correndo. E eu não tive dúvida: saí correndo atrás dele, claro. E segurei e peguei a minha bolsa de volta. O Dalmo Vieira soube, fez uma charge e colocou no jornal. Eu correndo como se eu tivesse pulando um muro, uma cerca e botou: “Victória foi atrás de ladrão de bolsa” ou alguma coisa assim parecida. E eu lembro que algumas pessoas da Univali, amigos meus que tinham cargos elevados, acharam que não devia ter noticiado isso. Tinha sido, vamos dizer assim, um demérito pra minha pessoa. Eu digo, pelo amor de Deus, isso o Dalmo deve ter feito jocosamente pra brincar. Eu me dava muito bem com o Dalmo. Mas até pouco tempo eu tinha esse jornal guardado. Depois eu acho que nas minhas mudanças o jornal desapareceu.

DIARINHO – Qual a dica para as pessoas chegarem aos 90 anos, de bem com a vida, como a senhora?
Victória: Bom, eu tenho uma dica boa: eu sou feliz. E faço os outros felizes. Isso é um lema que é pra qualquer idade. Ser feliz e fazer os outros felizes. Não me diga que não tem tristeza, pois tem. E vai ter sempre. Mas você tem que ter força e coragem pra vencer as tristezas da vida. Tenho uma família muito linda, muito boa. Uma família querida, neta que vem trazer a avó, são assim uns amores, sabes? E eu estou me mudando. Vou voltar pra Itajaí, vou morar em Cabeçudas. Tô fazendo uma casa aos 89 anos, tô fazendo uma casa pra morar, vou morar no terreno da minha filha, e aí fico pertinho deles, pois moram em Cabeçudas. Tomara que a gente tenha outros encontros. Eu que agradeço a gentileza e a graça de vocês de estarem aqui comigo. Porque a gente precisa disso; viver e ser lembrada. Obrigada a vocês. Um beijo grande.

Nessa época alguém me dedurou que eu fazia campanha contra a ditadura e tal. Eu fui chamada à delegacia”

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