Oscar Iza

Geógrafo e biólogo da Univali

Nome: Oscar Benigno Iza
Idade: 69 anos
Natural: Formosa, Argentina
Estado civil: Casado
Filhos: Dois
Formação: Graduação em Geografia e Biologia; mestrado em Ecologia Florestal Tropical
Experiências profissionais: Consultor sócio ambiental, professor dos cursos de Biologia e Engenharia Ambiental e Sanitária da Univali, curador do herbário Lyman Bradford Smith e Coordenador da Horta Experimental Orgânica “Ibyporã” da Escola do Mar, Ciência e Tecnologia da Univali

Quando o assunto é relacionado a plantas, florestas e seus biomas, chame o professor Oscar Iza, da Univali. Geógrafo e biólogo, já atuou no herbário Barbosa Rodrigues e atualmente é curador do herbário Lyman Smith, da Univali, onde são realizadas importantes pesquisas na área botânica. Ele próprio já vivenciou biomas de diferenças extremas: nasceu no noroeste da Argentina, nas planícies do Chaco, às margens do grande rio Paraguay, morou na Patagônia e há mais de 30 anos está no Brasil, num namoro incondicional com as florestas tupiniquins. A convite do DIARINHO, Oscar Iza veio falar sobre os incêndios florestais que o país enfrenta e o perigo do descontrole das queimadas, que deveriam ser um importante e controlado instrumento de manejo da agricultura mas que acabaram virando uma arma de destruição das nossas matas por parte de fazendeiros inescrupulosos. A entrevista foi concedida ao jornalista Sandro Silva e os cliques são de Fabrício Pitella.

DIARINHO – As queimadas que têm atingido as florestas brasileiras e os cerrados teriam aumentado 60% este ano em relação aos últimos três anos. O que provoca as queimadas e por que elas vêm aumentando? Elas são provocadas por causas naturais, são resultado de um acidente provocado de alguma maneira pela intervenção humana ou são provocadas intencional e de forma criminosa?
Oscar Iza – Bom, de fato existe o manejo antigo pela queimada, por parte dos aborígenes. Isso faz parte de uma ferramenta antiga, extremamente eficiente, mas para uma escala pequena. Então, se queimava de fato, porque a resultante da combustão é a cinza e na cinza você tem potássio e outros minerais que são nutritivos para as plantas. Mas eles faziam um sistema não intensivo: derrubavam, queimavam e depois de 10, 12 anos, voltavam. E isso deu origem ao solo chamado terra preta de índio. É um sistema que se repete nas culturas antigas. Na China e na Índia é comum. Na África também é comum. Isso não é uma forma errada de se fazer uso dos recursos naturais. (…). Aqui no Brasil a queimada dá 45 mil quilômetros quadrados. É metade de Santa Catarina, somando tudo. Isso equivale, mais ou menos, a 80 mil focos de queimadas no país. Agora, a questão é você diferenciar as queimadas controladas, permitidas pela legislação, daquelas queimadas clandestinas, criminosas. (…) Por que é que acontecem as queimadas? As queimadas acontecem, às vezes, resultantes do desmatamento, pode ser legal ou ilegal. Então aquele arbusto, aquela erva, tem certo grau de óleo, resina, e é altamente inflamável. E ao invés de pagar a mão de obra e um trator para fazer a retirada daquele material, colocam fogo e a natureza faz o serviço. A resultante disso é uma camada de cinzas que, num primeiro momento, um ano, dois aninhos, fertiliza o solo. Aí colocam, depois, capim para o gado. Só que depois disso, esse fertilizante não existe mais. Aí começa a ficar caro você manter o gado lá. E aí derrubam novamente a mata e vão avançando de forma mal controlada e de forma ilegal. [O nutriente que havia no solo com a queimada ele é destruído?] Claro, também. (…) O mais comum é a queimada de chão. É a serapilheira, aquelas folhas, frutos, tudo seco, que têm resina e óleo. Então, se ela atingir determinada temperatura é um gatilho para começar um incêndio. Aquilo se propaga muito rapidamente. Esse tipo de incêndio, de serapilheira, de chão, é muito mais difícil de controlar, porque ele é mais rápido, do que a queimada de copa de floresta. No caso do Brasil a questão é que houve, já nos últimos 20 anos, um desmantelamento da estrutura de fiscalização do Ibama e dos outros órgãos estaduais que torna difícil numa área tão grande, tão extensa, de fazer o controle. Então, as pessoas se valem dessa fragilidade do poder público e executam esse tipo de incêndio florestal, que é clandestino, é muito danoso realmente. Mas, repito, as queimadas fazem parte naturalmente de uma cultura dos povos, porque eles precisam para sua agricultura, para sua pecuária. Agora, pra dizer que o Brasil apresenta o maior índice de queimadas do mundo neste ano isso não é correto. O Brasil está no quarto lugar em queimadas. Primeiro você tem a Rússia, na Sibéria. Por lá são mais de 10 milhões de hectares. Você tem depois na bacia do Congo, em Angola. Depois você tem na Indonésia, muito seriamente. Depois vem o Brasil realmente com esse índice. (…).

Houve, nos últimos 20 anos, um desmantelamento da estrutura de fiscalização do Ibama e dos outros órgãos estaduais que torna difícil numa área extensa, de fazer o controle. Então, as pessoas se valem dessa fragilidade do poder público e executam esse tipo de incêndio florestal, que é clandestino, muito danoso”

DIARINHO – Tanto a polícia Federal quanto o ministério Público Federal tentam identificar os fazendeiros que, em 10 de agosto, iniciaram no Pará a ação criminosa conhecida como Dia do Fogo, que teve a intenção de destruir parte da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia. Mensagens de whatsapp interceptadas pelas autoridades mostram que os fazendeiros queriam mostrar ao presidente Jair Bolsonaro que somente queimando a mata poderiam produzir mais. Que consequências a destruição da floresta amazônica têm no dia a dia das pessoas, inclusive para nós, aqui no sul?
Oscar Iza – Primeiramente pr’aquele pessoal de lá. Geralmente essas queimadas de grande escala são feitas por fazendeiros que já tem um poder político, econômico, financeiro naquela área. Então, geralmente, os órgãos fiscalizadores nem sempre conseguem que esses fazendeiros sejam punidos. Eles identificam os focos de queimadas, mas também sabem que dificilmente os responsáveis serão punidos. Isso serve e sinaliza para esses fazendeiros que eles de fato podem continuar com esse manejo, porque provavelmente não serão punidos. Outra coisa é que uma boa parte da extensa área de fazenda da Amazônia não está regularizada agrariamente. Então tem muitos grileiros. Ninguém sabe quem é o dono. E eles também se valem disso. Pegam pessoas que trazem de outros estados e levam para trabalhar, muitas vezes, num regime de escravidão. E essas pessoas executam essas obras e não percebem que estão fazendo uma ação errada. E os órgãos prendem essas pessoas mais humildes, que nem sabem que estão fazendo de forma errada. (…). E o que é que acontece quando há uma queimada? Você compromete todo o banco de plantas, de sementes, porque o fogo mata os embriões, são os “bebezinhos” que estão ali no solo. Aí você perde isso. [Ou seja, a recomposição da floresta vai ficar mais difícil?] Vai acontecer a recomposição da floresta desde que existam manchas de florestas e matrizes num raio de dois, três, cinco, 10 quilômetros. E isso se dá com as aves, com os morcegos, que regurgitam ou defecam e reiniciam a regeneração. Mas quando se fala em grandes queimadas e a matriz fica muito longe, é mais difícil que haja essa recomposição em tempo curto. E nesse tempo curto, enquanto não tiver regeneração, o que é que acontece? Você vai ter a época da chuva e começa a erosão laminar, porque a vegetação já não está ali. Então esse material, essa fina camada superficial onde estão os nutrientes e que iriam alimentar as plantas, vai ser carregado para algum córrego, para algum rio. Você assoreia o rio e deixa mais pobre aquele solo. (…). Numa queimada dessas, o que é que tem? Tem monóxido de carbono, tem dióxido de carbono, você tem enxofre, tem ácidos nitrosos, que são partículas que as pessoas respiram, inspiram aquilo e começam a ter problemas pulmonares, com consequências graves. Muitas vezes essas pessoas estão longe de um centro médico, longe de um atendimento, e sofrem também com isso. Há perdas de todos os lados com as queimadas descontroladas: no solo, na qualidade da água, na qualidade do ar, na fauna que está ali, nas próprias plantas que estão no seu processo de regeneração natural e, claro, logicamente, o mais caro, que são as pessoas, que ali têm suas casas, têm seus empreendimentos e têm que conviver e enfrentar esse tipo de situação dramática.

Essas queimadas de grande escala são feitas por fazendeiros que já têm um poder político, econômico, financeiro naquela área. Os órgãos fiscalizadores nem sempre conseguem que esses fazendeiros sejam punidos”

DIARINHO – Com base em dados do instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a defesa Civil de Santa Catarina divulgou que em agosto foram nada menos que 939 queimadas no estado. Um aumento de quase 13% em relação ao mesmo mês do ano passado, que já era alto demais. Santa Catarina, por ser territorialmente pequena, entra para as estatísticas nacionais como um dos estados com maior número de queimadas florestais? Ou o número, apesar de grande, não é o pior cenário nacional?
Oscar Iza– Santa Catarina tem 1% do território brasileiro. São 96 mil quilômetros quadrados. Mas, independente da escala e da proporção, o que acontece é que as consequências das queimadas descontroladas sempre são trágicas porque você sacrifica a fauna, a flora. Mas o que é que acontece? Como nós temos bastante unidades de conservação e essas unidades, sejam elas na área federal, estadual ou municipal, elas realmente protegem os recursos hídricos, os mananciais. Então, o microambiente e o macroambiente dessas áreas são mais úmidos e isso também serve como barreira para as queimadas. O caso particular, agora, do parque Estadual da Serra do Tabuleiro, no litoral da grande Florianópolis, em Palhoça, o que é que queimou ali? Foram os campos. E é comum nos campos os capins. Tem muito capim que tem vida curta. Então, as queimadas são recorrentes e são sazonais e é esperado que seja assim. Mas é bom identificar como acontece, se de forma natural ou forma antrópica [Provocada por seres humanos]. Muito provavelmente foi de forma antrópica. Por quê? Porque a gente não teve chuva, não teve queda de raios, que é uma das condições que mais propicia uma queimada de origem natural. Claro que pode haver uma combustão espontânea, desde que a temperatura seja bastante elevada. Estou falando 50, 60, 70 graus mais ou menos, que ali não seria o caso. E isso termina sendo preocupante, na realidade. Agora, a infraestrutura para você atacar uma situação dessa, é tão precária, tão pequena, que muitas vezes os voluntários, as pessoas que moram em volta do parque, terminam fazendo o trabalho para tentar segurar que esse fogo não se espalhe e não coloque as suas próprias residências e lavouras em cheque. (…). O que está acontecendo é que o período de estiagem se estica demais, fica o tempo seco e, naturalmente, o incêndio vem. Algumas pessoas ou grupos de empresários, se valendo dessa situação, podem detonar antropicamente o incêndio. Aí fica muito difícil identificar. Agora, se tu me disseres que o Brasil está preparado para fazer esse mapeamento, não há dúvidas! O Brasil tem o melhor sistema de levantamento por satélites, por radar. O instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) é um excelente mecanismo de controle e de detecção desses focos de queimada. Mas, uma coisa é você fazer o monitoramento à distância, por sensores, e outra coisa é você ter a infraestrutura necessária, o equipamento necessário, a resposta rápida de pessoas em terra para tentar apagar essas queimadas, esse fogo. E aí é que nós estamos numa situação bastante deficitária, infelizmente.

DIARINHO – Muitas cidades de Santa Catarina já começaram a enfrentar falta de água, principalmente na temporada de verão. Inclusive na nossa região. A diminuição da floresta amazônica e das florestas da Mata Atlântica no Estado, podem ajudar a piorar ainda mais esse quadro de escassez de água e uma possível crise no abastecimento? O que tem a ver a destruição das florestas com os chamados “rios voadores” da Amazônia e os gigantescos aquíferos subterrâneos?
Oscar Iza– Tem sim uma relação de fato com a conservação. A gente deve usar esse recurso precioso de forma manejada, fazendo pesquisas, para que não possa ficar em determinada época, sazonalmente, com falta de água. Existe uma relação, de fato, com os “rios voadores”, que nada mais são do que a própria transpiração da floresta amazônica, que é um movimento de massa e que parte dessa massa, desse vapor de água, ela se precipita no cerrado e na parte sudeste e sul do Brasil. E isso é de suma importância para a agricultura. Em Santa Catarina, uma boa parte do PIB… aliás, não só em Santa Catarina, também no Paraná e no Rio Grande do Sul, depende dessa água de fato. Então, se você desmatar lá na Amazônia, provavelmente teremos problemas com uma estiagem maior ou talvez uma precipitação um pouco mais reduzida aqui. Existem modelos matemáticos e computacionais que mostram que isso pode acontecer. Por enquanto, são modelos, são tendências. Mas a gente não percebe, ainda que a consequência das estiagens seja em função de que os “rios voadores” tenham diminuído a sua contribuição de vapor de água ou de precipitação por aqui. Agora, o fato de faltar água em Camboriú, Balneário Camboriú, Navegantes e outros municípios está muito mais relacionado ao desmatamento nosso, pois não há um plano de manejo por bacias para a gente poder proteger nossos recursos hídricos. E também porque há uma migração muito grande do interior para o litoral. Então a demanda não para de aumentar. Por exemplo, Camboriú tem uma bacia pequenininha. Se somar a população de Balneário Camboriú, de 120 mil habitantes, com a população de Camboriú, são 200 mil pessoas. Isso, sem contar a temporada. Você tem uma bacia extremamente pequena. Então não é o problema somente de dizer que está chovendo menos. Não. É que as pessoas migram, se estabelece e a demanda é muito grande. Se tu falas em 160, 180 litros por dia por pessoa, já imaginastes quantas bacias de rio Camboriú são necessárias para abastecer só a população residente permanente? Imagina num pico de temporada? [Que pode chegar a 800 mil, 1 milhão de pessoas…] Exatamente. Esse rio, a nossa bacia não vai dar conta para atender esse grande número de pessoas. Então a gente vai ter que rever o nosso consumo ou apelar para outras técnicas, como dessalinizar a água, por exemplo. Porque da maneira como a bacia hidrográfica, no caso de Camboriú, se encontra, dificilmente você vai aumentar a vazão. Existe o programa Produtor de Água, que gera uma recomposição da mata ciliar, mas isso não é suficiente a tal ponto de aumentar a vazão, a qualidade da água e continuar abastecendo esse grupo de 200 mil pessoas. Esse é um grande desafio.

 

Aqui no Brasil a queimada dá 45 mil quilômetros quadrados. É metade de Santa Catarina. Isso equivale, mais ou menos, a 80 mil focos de queimadas no país”

DIARINHO – Santa Catarina é o estado considerado com a maior proporção, em relação à sua dimensão geográfica, de mata Atlântica preservada no país. Essa preservação é resultado de quê? É consequência de algum fator geográfico, econômico ou político, por exemplo?
Oscar Iza– Segundo dados da ONG SOS Mata Atlântica, Santa Catarina se apresenta como o estado que tem a maior área de conservação da sua flora nativa. Na realidade, Santa Catarina é o estado brasileiro que tem o maior acidente geográfico de todo o Brasil. O que significa isso? Que tem muitas montanhas. Então tem, também, muito fundo de vales e encostas. Isso impede o uso para grandes atividades agrícolas, principalmente a agricultura e a pecuária. Então, naturalmente essas áreas ficam menos alvos de atividades econômicas do setor primário. Por outro lado, como Santa Catarina também tem na sua agricultura a indústria, que precisa do uso gigantesco de água, se sabe que, desmatando a floresta, vai faltar o elemento mais vital para essa atividade econômica, que é a água. Então, aprenderam. Por isso, essas unidades de conservação que estão espalhadas no estado de Santa Catarina, você pode notar, sempre há uma grande bacia. Exatamente para garantir a água para as atividades econômicas e para o consumo humano nas áreas urbanas também. Nós sempre devemos ser a favor de criar condições de fazer um bom manejo das nossas unidades de conservação. Porque não é só cuidar da flora e da fauna. É da água que se tem que cuidar. Se você tem floresta, você garante água. Agora, voltando ao aquífero subterrâneo, não há dúvidas de que metade do estado de Santa Catarina, desde mais ou menos ali Curitibanos até o extremo Oeste, nós temos um tecido gigantesco que é o arenito, uma rocha porosa carregada de água. Nós temos águas superficiais e temos água subterrânea. Nós estamos muito bem abastecidos de água. O que nós devemos fazer, baseados na pesquisa e como consumidores conscientes, é cuidar desses recursos. Usarmos só o necessário para podermos garantir para nossos filhos e nossos netos esse elemento tão fundamental para o desenvolvimento e nossa qualidade de vida que é a água.

DIARINHO – O cerrado é outro bioma que tem sido vítima das queimadas. Quem já andou pelo interior do Centro-oeste e do Norte do Brasil já percebeu que logo depois das queimadas nos cerrados vêm as grandes monoculturas naquelas regiões planas, como soja e algodão, por exemplo. Que relação têm os cerrados conosco, aqui no sul do Brasil?
Oscar Iza– (…) No caso do cerrado, o relevo, como você colocou muito bem, ele é plano, levemente ondulado. Então, para um processo de mecanização da agricultura, é muito mais fácil você fazê-lo em grande escala. Sempre se viu o cerrado como a grande área a ser conquistada pelo agronegócio brasileiro. (…) As maiores fazendas estão lá. Não é na Amazônia, não é na mata atlântica, não é nos pampas. É no cerrado que elas estão. Grande parte da riqueza da agricultura e da pecuária brasileira sai desse bioma em função da natureza desse relevo. E outra coisa, no cerrado você tem muita água subterrânea. Isso garante também os recursos. Se você tem insolação ao longo do ano, se você tem bastante água subterrânea e você tem um relevo plano, então você mecaniza a agricultura e você tem uma produção e uma produtividade gigantesca. Logicamente para os grandes fazendeiros, né!? (…) Agora, quanto tu falas no uso daquela área para produção , que muitas vezes se vale de maneira pouco sustentável, de você retirar toda a vegetação nativa para colocar algodão, milho, soja, bem, aí já está além do que dizem as pesquisas de como deve ser o manejo (…). Mas não precisa sacrificar o que por lei já está dito o que pode ser conservado e o que pode ser utilizado. O Brasil, hoje, tem, mais ou menos 40 milhões de hectares degradados. Você não precisa desmatar mais nada. Se você recuperar isso, você tem como produzir toneladas e toneladas de alimentos. A Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, ligada ao ministério da Agricultura] já apontou: que é possível você recuperar essas áreas degradadas. Em relação o que pode acontecer se você continuar desmatando parte do cerrado, principalmente onde estão as cabeceiras dos rio Paraguai, Paraná e os rios que são, depois, afluentes desses grandes rios, é que isso vai dar um problema político e econômico muito grande. Parte do Sudeste, todo o Sul do Brasil, toda a região oriental do Paraguai, uma boa parte da Argentina precisam dessa água para sua agricultura. Isso vai ser um problema regional, até internacional. Então devem ser preservadas essas unidades de conservação para que a gente possa garantir os recursos hídricos necessários para qualquer atividade econômica.

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