Mohamed Wadi

Presidente da Uniavantis

Nome completo: Mohamad Hussein Abou Wadi
Idade: 42 anos
Local de Nascimento: Lages/SC
Estado civil: Casado
Filhos: Uma
Formação: Graduação em Odontologia, especialização em Prótese Dentária, especialização em Implantodontia, mestrado em Ortodontia e Ortopedia Facial e é doutorando em odontologia.
Experiências profissionais e de gestão: Iniciou a carreira como cirurgião-dentista em uma clínica própria em Lages/SC, implantou um instituto de pós-graduação na mesma área, sendo um dos professores e foi coordenador do curso de Ortodontia da Uniplac, também em Lages. Atualmente é presidente do Centro Universitário Avantis – Uniavan, CEO do Grupo Harmonique & Rede IOA e membro do Conselho de Turismo de Santa Catarina.

A maior instituição universitária particular de Santa Catarina, sem contar as fundações, fica em Balneário Camboriú. E não só isso. A Uniavan é também a com maior presença no país considerando as instituições privadas catarinenses, com atividades em todos os estados brasileiros. É, também, referência mundial em ensino e tecnologia na área odontológica e costuma frequentar os conceitos do MEC com nota máxima. Nesta entrevista ao DIARINHO, Mohamed Wadi, presidente da Uniavan, conta como a empresa atingiu esse patamar de excelência. Ele faz críticas aos que depreciam a produção científica e acadêmica e defende a democratização do acesso aos mestrados e doutorados no Brasil. Os cliques são de Fabrício Pitella.

DIARINHO – A Uniavan, até pouco tempo Avantis, é uma instituição relativamente nova, se comparada com outras instituições universitárias de ensino de Santa Catarina. Mas já conquistou o título de melhor faculdade paga do estado, inclusive levando a nota máxima no conceito do MEC. O que diferencia a Uniavan das tradicionais instituições de ensino pagas de Santa Catarina?
Mohamed Wadi – Resumidamente é você fazer o staff acreditar que ele pode chegar longe e vocacionar para isso. […] Você inspira as pessoas, cria a inspiração dentro das pessoas para que elas tenham um objetivo. Esse foi o nosso desafio desde o primeiro dia em que assumi a empresa. Falei: “Eu só aceito ser presidente dessa empresa se ela for a melhor universidade do sul do país nos próximos 10 anos”. Isso foi condicionado no primeiro dia. Reuni todo o staff da Avantis e falei isso. Todo mundo abraçou esse compromisso, a ideia de construir um objetivo e todos os planos baseados nisso. E fomos conquistando as metas. No terceiro ano, sim, a gente teve a surpresa de que todos os indicadores do MEC, do Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira], todos nos indicaram como a melhor faculdade privada de Santa Catarina. E não são poucas, né? São 77 hoje. [Incluindo as fundações?] Não. Não estou contando as fundações.

DIARINHO – No passado, a instituição deixou de ser uma faculdade e passou a ser um centro universitário, credenciado também com nota máxima do MEC. O que diferencia uma faculdade de um centro universitário? A Uniavan passa a ter, por exemplo, departamentos de pesquisa e departamentos de extensão universitária, por exemplo?
Mohamed– Bem, categoricamente é dividido assim: a faculdade está preocupada só com o ensino, tecnicamente; o centro universitário é pesquisa e extensão; quando vira universidade é ensino, extensão e pesquisa, a universidade fica mais vocacionada para a parte de pesquisa. Bom, esse é um conceito que o MEC construiu. Existem algumas atribuições, algumas obrigações que o centro universitário e a universidade têm e que uma faculdade não tem. Mas ao mesmo tempo o centro universitário já tem uma autonomia, já pode implantar cursos sem precisar pedir autorização do MEC. Nem todos eles, né? Mas o MEC pode vir apenas para uma visita de reconhecimento. Existe uma relação de confiança, que é dada depois de um certo tempo. Para virar um centro universitário tem que ter conquistado alguns passos. Existe um rol de pré-requisitos que você tem que cumprir para conseguir pleitear esse título.

Estamos montando um hospital veterinário, da mais alta relevância, para atender todo o estado de Santa Catarina. Um hospital veterinário linkado à nossa instituição”

DIARINHO – Hoje, que serviços de extensão a Uniavan tem realizado e que acabam, de alguma maneira beneficiando a população?
Mohamed– São vários, no geral. A gente já fez muitos programas de esportes, com personalidades importantes do vôlei, do próprio futebol. Na área do direito a gente atende aqui no nosso fórum. Na área da saúde… Nós somos muito vocacionados para a área da saúde. A gente atende toda a população em geral através de estágios, estágios supervisionados. Já fizemos programa de extensão definido para a Apae. Uma vez para a Apae de Camboriú e agora adotamos uma creche que precisa lá em Itapema. Então são infinitos projetos que linkam a nossa universidade com a comunidade. Hoje, a nossa prestação de serviços na área da saúde e, me arrisco a dizer, que a nossa odontologia atende mais que a própria prefeitura de Balneário Camboriú. Nós temos 100 cadeiras odontológicas, atendendo full time todas as especialidades de odontologia. [Sem custos?] Sem custos. Claro, às vezes quando tem alguma coisa terceirizada o paciente acaba pagando. Quando a gente terceiriza, por exemplo, uma prótese num laboratório, ele paga só o serviço do laboratório. Mas aqui dentro não é cobrado praticamente nada. Nos serviços também da fisioterapia, nos serviços da enfermagem. Então, existe, sim um atendimento. Nosso link com a população, com a comunidade local é muito forte.

DIARINHO – A Uniavan tem produzido pesquisas? Se têm, em quais áreas? Pode citar alguns exemplos de pesquisas já feitas ou em andamento?
Mohamed– A gente é muito vocacionado para área das novas tecnologias, que estão gerando a quarta revolução industrial. Acho que por isso a gente lidera. No ranking das inovações entre as universidades nós somos, também, a número 1. A gente cria softwares aqui de dentro de anatomias em 3D, de realidade virtual. Estamos desenvolvendo um carro elétrico. Qual é a universidade que desenvolve um carro elétrico? Nas nossas engenharias temos braços mecânicos, próteses automatizadas, com comando de mão. A gente faz impressão 3D de fratura de crânio para auxiliar nas cirurgias. Então existe muita pesquisa, muita inovação e hoje a gente está linkando os vários cursos. Onde, por exemplo, a engenharia mecânica pode estar estudando os implantes desenvolvidos pela odontologia? Existe um cruzamento entre os nossos cursos. Hoje os cursos trabalham quase que integrados para desenvolvermos os melhores materiais e o aluno descobrir, de fato, qual é a sua melhor vocação. Não é porque ele é formado em odontologia que ele não pode trabalhar desenvolvendo implantes numa indústria de engenharia mecânica, por exemplo.

A nossa odontologia atende mais que a própria prefeitura de Balneário Camboriú”

DIARINHO – Falando em odontologia, esse curso da Uniavan tem se destacado com a utilização de tecnologias de ponta. É, por exemplo, o primeiro do país a implantar um laboratório digital. Esse carinho especial por essa área tem a ver com sua formação como dentista? A faculdade de Odontologia é a menina dos olhos da Uniavan?
Mohamed– Tem sim. Porque a minha formação é essa. Não falo para me gabar, mas eu tenho três especializações na área, fiz mestrado, cursei o doutorado. De fato é uma área que estudei muito. Então é uma área que acabo aplicando com muito mais facilidade, com muito mais propriedade do que, naturalmente, as outras que não conheço tão a fundo, com tanta propriedade assim. E eu já venho de escolas de pós-graduação há muito tempo. Então, antes de eu entrar na própria Uniavan eu já tinha experiências em escolas de pós-graduação. Atuo nesse mercado privado do ensino da odontologia desde quando foi quebrada a reserva de mercado educacional, quando poucas pessoas podiam fazer especialização e mestrado e começamos a democratizar o ensino da odontologia. Eu tive que viajar, muitas vezes, 18, 20 horas para conseguir fazer um curso de especialização, pagar caríssimo, ficar longe da minha família, passar por três ou quatro rodoviárias. Na época morava no interior de Santa Catarina. Não quero isso para a população em geral. Foi onde a gente trouxe isso para perto das pessoas. Hoje é uma educação de ponta. Hoje, sim, somos uma referência mundial em odontologia. Não é mais apenas nacional. Somos reconhecidos no mundo inteiro. Temos o maior número de alunos de pós-graduação do Brasil. Temos capilaridade no Brasil inteiro. Estamos em todos os estados, com 76 unidades implantadas da Uniavan em odontologia. Somos, com certeza, a instituição que mais publica artigos, que mais desenvolve trabalhos científicos. (…) Toda a indústria nos respeita, de A a Z, de qualquer mercado tecnológico quando se trata de odontologia. [Desses produtos que nasceram das pesquisas na Odontologia a Uniavan, alguma já foi absorvida pelo mercado?] Muitas, muitas, muitas. Têm várias pesquisas, têm várias patentes desenvolvidas por professores do nosso grupo. Várias técnicas inovadas pelo nosso grupo. Hoje temos professores nos Estados Unidos fazendo publicações de estruturas anatômicas que lá nunca ouviram falar antes. Então, o nosso grupo de odontologia é referenciado, graças a Deus, no mundo inteiro. É um trabalho que parece de hoje, mas é um trabalho que foi plantado há 20 anos e foi encontrar no meio do caminho a Uniavan e acabamos vocacionando a empresa de maneira vertical e aprofundando muito nesse sentido. Por isso, vem gente de longe, hoje. Nos nossos cursos de especialização nós temos gente do exterior. Outro dia, fui ali no estacionamento da Uniavan e tinha carro da Argentina, da Colômbia. Vem gente dos Estados Unidos, professores da Espanha. Aluno do mundo inteiro fazer especialização com a gente.

DIARINHO – Há um grupo de pessoas, inclusive com cargos políticos e administrativos, que tem depreciado a produção acadêmica e científica no Brasil. O senhor acha que esse tipo de pensamento pode acabar afastando as pessoas da pós-graduação, que é onde se produz pesquisa e ciência no meio acadêmico?
Mohamed– O próximo stricto sensu [Pós graduação em mestrado e doutorado], né, hoje ele é muito fechado, regulado pela Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, vinculada ao Ministério da Educação]. O stricto sensu ainda continua sendo uma panelinha para poucos. É difícil fazer um mestrado, um doutorado. Primeiro, temos que democratizar. Tornar um passo viável para a maioria das pessoas. Por exemplo, hoje, se você for fazer um mestrado na nossa área [Odontologia], você tem que viajar, porque só tem dois, três no país, e pagar uma fortuna. Isso não pode. A abertura que aconteceu nas especializações tem que acontecer no stricto sensu, porque é o que rege a pesquisa em si. Esse pensamento de alguns políticos, eu acho um tanto quanto infeliz. Eu não acredito no desenvolvimento, mesmo que seja inovador, mesmo que seja da rápida mutação, sem um mínimo de comprovação, sem um mínimo de estudo científico. Eu acho que as duas coisas andam juntas. Temos profissionais sérios trabalhando na pesquisa. Precisamos deles. E nós temos mentores que precisam empreender, precisam aplicar. Essa relação tem que ser muito próxima. Não tem como ser diferente. Vencendo, é claro, muitas vezes, as burocracias. Às vezes você leva dois, três, quatro anos para conseguir lançar um produto, principalmente na área médica. Enquanto isso, quanto de população você deixou de beneficiar sabendo que o produto é bom…

DIARINHO – Ainda nessa onda de depreciação do ensino universitário, o governo federal tem tirado dinheiro das universidades federais e afirmado que pouco se produz academicamente naquelas instituições. Isso pode acabar beneficiando as instituições particulares de ensino universitário?
Mohamed– Sinceramente, minha opinião é muito particular nesse sentido. Até muitas pessoas não gostam dessa minha opinião. (…) Se você tem uma universidade pública que com o custo operacional você mantém 10 vezes o número de alunos ou 11 vezes o número de alunos em universidades privadas de ponta, então você realmente começa a se questionar se vale a pena. Eu tive a oportunidade de visitar algumas federais. A maioria delas sucateadas. Fui lá para aprender como se monta um laboratório para trazer pra cá e foi lá que desaprendi; vi como não se monta um laboratório. Eu aprendi de fato com as privadas, viajando para o exterior. Infelizmente, isso aconteceu e não sei quem é o culpado. Mas com certeza boa parte da culpa é da nossa política. Só que hoje eu acredito muito mais no ensino privado, que consegue fazer uma entrega racional, muito mais rápida, sem aquela burocracia, entregando o que o mercado precisa. (…)

DIARINHO – O DIARIoticiou esta semana que as cidades da região da foz do rio Itajaí tem um grande número de vagas em aberto para trabalhadores da área de tecnologia da informação e comunicação. Como está a formação dessa mão de obra na região? Essa formação está dando conta do que o mercado precisa?
Mohamed– Não, não está dando conta do que o mercado precisa. Nós temos cursos de sistema de informação e praticamente todos os alunos que se formam nossos, até antes da formação na graduação já estão empregados e são absorvidos pelo mercado. Existe uma distância gigante entre educação e indústria. Educação continua aplicando aquele programa que foi “copie e cole” da USP, a Unicamp, de 50 anos atrás. É um modelo ainda arcaico de gestão. Pega um curso que precisa de tecnologia, mas aquele programa não evoluiu. Aquilo é feito pra agradar só o MEC. Sem pensar que existe mercado. Tanto é que existem pesquisas que falam que apenas 3% da população que sai das universidades consegue emprego. Estamos falando de um número baixíssimo. Então, de fato, essa distância educacional tá onde? Tá na parte tecnológica, pois se forma um aluno na graduação que não tá preparado para usar um equipamento que a indústria construiu. E o problema não é da indústria, porque a indústria de fato construiu um equipamento de ponta e que funciona. O que não funciona são as universidades, que deixaram de criar um aluno tecnológico pra trabalhar com esse equipamento. Tem que vir da base, tem que vir lá do colégio. Nosso aluno já tem que começar a pensar de maneira digital. Hoje, o que acontece? Professores analógicos dando aulas para uma sala de geração digital. Então é um conversando em grego, outro respondendo em japonês. Não existe a interação que precisa pra encher essa lacuna que tem no mercado, entre educação e o que a indústria precisa pra trabalhar. Aí entra um técnico ou outros pra tentar suprir algo que deveria ser do ensino superior. Mas para o ensino superior poder cumprir, ele tem que atualizar o seu programa quase que anualmente. Antigamente era a cada 10 anos. Hoje, anualmente, você precisa atualizar o seu programa. [Essa leitura já foi feita institucionalmente pela Uniavan?] Sim! Hoje a atualização dos nossos programas, eu exijo que em todos os cursos seja a cada seis meses, um ano, que seja repaginado o nosso curso. Entrou uma tecnologia nova no mercado, que se ensine aos nossos alunos a trabalhar com ela. Nos cursos da saúde, por exemplo, implantamos comunicação, marketing, gestão. São coisas que o recém-formado, há 20 anos, não precisava aprender. Era só se formar, montar seu consultoriozinho de veterinária, de odonto e tinha gente lá na porta. Hoje, se ele não for um aluno completo, ele não vai pra frente, não adianta.

DIARINHO – A Uniavan tem feito parcerias com empresas privadas visando facilitar o acesso de alunos e recém formados ao mercado de trabalho. Como estão os números dessa iniciativa?
Mohamed– A gente fez alguns convênios, já faz algum tempo, em algumas áreas, como na engenharia, na contabilidade, na odontologia, onde a gente tem linkado com os nossos alunos a garantia do emprego logo depois que se forma na graduação. Felizmente, a nossa região não é uma região carente de empregos. Quer dizer, as pessoas estão empregadas, né? Então tem vindo muito poucos profissionais que se formam com a gente pedindo auxílio para o primeiro emprego, o segundo emprego. De fato a gente construiu essa ponte com a iniciativa privada. A maioria que precisa a gente faz essa indicação, só que a gente está numa região que ainda é uma região felizarda, que não passa tanta dificuldade em relação ao desemprego. Inclusive, pode exportar para outros estados muitos profissionais. Algumas dessas empresas que a gente fez convênio são empresas nacionais.

DIARINHO – Teremos alguma novidade da Uniavam nesses próximos dois?
Mohamed– (…) Já que você perguntou… Era segredo, mas agora deixa de ser segredo, que são dois institutos que a gente tá montando agora. O primeiro estamos montando um hospital veterinário, da mais alta relevância para atender todo o estado de Santa Catarina. Um hospital veterinário linkado à nossa instituição. Entre Balneário Camboriú e Itajaí, numa localização maravilhosa. Vai atender desde animais pequenos até animais silvestres. Com uma consultoria externa, tanto do exterior, quanto do estado de São Paulo, dos melhores hospitais. Então a gente vai ter logo, logo, nos próximos seis meses, um dos melhores hospitais veterinários de Santa Catarina. E, para ser uma referência, a gente tem a pretensão de ser um dos melhores do Brasil. [A obra deve começar quando e terminar quando?] O projeto ficou pronto esta semana e a obra começa ainda este mês, no mês de agosto. Estamos pensando em seis meses para inaugurar a primeira fase do hospital. São três etapas, até a parte de imagiologia, que serão ressonâncias e tomografias, por exemplo, para pequenos e grandes animais. Já temos também um convênio para o hospital-escola para grandes animais. A outra novidade que também é pão-quente no Brasil, é que nós estamos desenvolvendo o primeiro instituto educacional da face, de estética da face. Vindo da parte estética da dermatologia, da parte biomédica, da parte odontológica, trabalhando na parte a harmonização, na parte do rejuvenescimento das pessoas com preenchedores, com botox, lipoaspiração de papadas, com revitalização da pele. Nós estamos montando o primeiro instituto da face educacional, em se tratando de pós-graduação, no Brasil. Será inaugurado até o final deste ano aqui em Balneário Camboriú dentro do bloco 3. Será no quinto andar. [Estará linkado com quais cursos que têm na Uniavan?] Vai estar linkado com a biomedicina, com a odontologia, com a pós-graduação e até com um nível acima a pós-graduação, que são os cursos de imersão, onde se ensinam técnicas precisas. E também para a área de dermatologia, na parte de pós-graduação em medicina. A gente já tem pós-graduação em medicina. Não tem a graduação em medicina, mas hoje já tem a pós na área médica. (…)

Eu não acredito no desenvolvimento, mesmo que inovador, sem um mínimo de estudo científico. Eu acho que as duas coisas andam juntas”

DIARINHO – A Uniavan, até pouco tempo Avantis, é uma instituição relativamente nova, se comparada com outras instituições universitárias de ensino de Santa Catarina. Mas já conquistou o título de melhor faculdade paga do estado, inclusive levando a nota máxima no conceito do MEC. O que diferencia a Uniavan das tradicionais instituições de ensino pagas de Santa Catarina?
Mohamed Wadi – Resumidamente é você fazer o staff acreditar que ele pode chegar longe e vocacionar para isso. […] Você inspira as pessoas, cria a inspiração dentro das pessoas para que elas tenham um objetivo. Esse foi o nosso desafio desde o primeiro dia em que assumi a empresa. Falei: “Eu só aceito ser presidente dessa empresa se ela for a melhor universidade do sul do país nos próximos 10 anos”. Isso foi condicionado no primeiro dia. Reuni todo o staff da Avantis e falei isso. Todo mundo abraçou esse compromisso, a ideia de construir um objetivo e todos os planos baseados nisso. E fomos conquistando as metas. No terceiro ano, sim, a gente teve a surpresa de que todos os indicadores do MEC, do Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira], todos nos indicaram como a melhor faculdade privada de Santa Catarina. E não são poucas, né? São 77 hoje. [Incluindo as fundações?] Não. Não estou contando as fundações.

DIARINHO – No passado, a instituição deixou de ser uma faculdade e passou a ser um centro universitário, credenciado também com nota máxima do MEC. O que diferencia uma faculdade de um centro universitário? A Uniavan passa a ter, por exemplo, departamentos de pesquisa e departamentos de extensão universitária, por exemplo?
Mohamed– Bem, categoricamente é dividido assim: a faculdade está preocupada só com o ensino, tecnicamente; o centro universitário é pesquisa e extensão; quando vira universidade é ensino, extensão e pesquisa, a universidade fica mais vocacionada para a parte de pesquisa. Bom, esse é um conceito que o MEC construiu. Existem algumas atribuições, algumas obrigações que o centro universitário e a universidade têm e que uma faculdade não tem. Mas ao mesmo tempo o centro universitário já tem uma autonomia, já pode implantar cursos sem precisar pedir autorização do MEC. Nem todos eles, né? Mas o MEC pode vir apenas para uma visita de reconhecimento. Existe uma relação de confiança, que é dada depois de um certo tempo. Para virar um centro universitário tem que ter conquistado alguns passos. Existe um rol de pré-requisitos que você tem que cumprir para conseguir pleitear esse título.

DIARINHO – Hoje, que serviços de extensão a Uniavan tem realizado e que acabam, de alguma maneira beneficiando a população?
Mohamed– São vários, no geral. A gente já fez muitos programas de esportes, com personalidades importantes do vôlei, do próprio futebol. Na área do direito a gente atende aqui no nosso fórum. Na área da saúde… Nós somos muito vocacionados para a área da saúde. A gente atende toda a população em geral através de estágios, estágios supervisionados. Já fizemos programa de extensão definido para a Apae. Uma vez para a Apae de Camboriú e agora adotamos uma creche que precisa lá em Itapema. Então são infinitos projetos que linkam a nossa universidade com a comunidade. Hoje, a nossa prestação de serviços na área da saúde e, me arrisco a dizer, que a nossa odontologia atende mais que a própria prefeitura de Balneário Camboriú. Nós temos 100 cadeiras odontológicas, atendendo full time todas as especialidades de odontologia. [Sem custos?] Sem custos. Claro, às vezes quando tem alguma coisa terceirizada o paciente acaba pagando. Quando a gente terceiriza, por exemplo, uma prótese num laboratório, ele paga só o serviço do laboratório. Mas aqui dentro não é cobrado praticamente nada. Nos serviços também da fisioterapia, nos serviços da enfermagem. Então, existe, sim um atendimento. Nosso link com a população, com a comunidade local é muito forte.

DIARINHO – A Uniavan tem produzido pesquisas? Se têm, em quais áreas? Pode citar alguns exemplos de pesquisas já feitas ou em andamento?
Mohamed– A gente é muito vocacionado para área das novas tecnologias, que estão gerando a quarta revolução industrial. Acho que por isso a gente lidera. No ranking das inovações entre as universidades nós somos, também, a número 1. A gente cria softwares aqui de dentro de anatomias em 3D, de realidade virtual. Estamos desenvolvendo um carro elétrico. Qual é a universidade que desenvolve um carro elétrico? Nas nossas engenharias temos braços mecânicos, próteses automatizadas, com comando de mão. A gente faz impressão 3D de fratura de crânio para auxiliar nas cirurgias. Então existe muita pesquisa, muita inovação e hoje a gente está linkando os vários cursos. Onde, por exemplo, a engenharia mecânica pode estar estudando os implantes desenvolvidos pela odontologia? Existe um cruzamento entre os nossos cursos. Hoje os cursos trabalham quase que integrados para desenvolvermos os melhores materiais e o aluno descobrir, de fato, qual é a sua melhor vocação. Não é porque ele é formado em odontologia que ele não pode trabalhar desenvolvendo implantes numa indústria de engenharia mecânica, por exemplo.

DIARINHO – Falando em odontologia, esse curso da Uniavan tem se destacado com a utilização de tecnologias de ponta. É, por exemplo, o primeiro do país a implantar um laboratório digital. Esse carinho especial por essa área tem a ver com sua formação como dentista? A faculdade de Odontologia é a menina dos olhos da Uniavan?
Mohamed– Tem sim. Porque a minha formação é essa. Não falo para me gabar, mas eu tenho três especializações na área, fiz mestrado, cursei o doutorado. De fato é uma área que estudei muito. Então é uma área que acabo aplicando com muito mais facilidade, com muito mais propriedade do que, naturalmente, as outras que não conheço tão a fundo, com tanta propriedade assim. E eu já venho de escolas de pós-graduação há muito tempo. Então, antes de eu entrar na própria Uniavan eu já tinha experiências em escolas de pós-graduação. Atuo nesse mercado privado do ensino da odontologia desde quando foi quebrada a reserva de mercado educacional, quando poucas pessoas podiam fazer especialização e mestrado e começamos a democratizar o ensino da odontologia. Eu tive que viajar, muitas vezes, 18, 20 horas para conseguir fazer um curso de especialização, pagar caríssimo, ficar longe da minha família, passar por três ou quatro rodoviárias. Na época morava no interior de Santa Catarina. Não quero isso para a população em geral. Foi onde a gente trouxe isso para perto das pessoas. Hoje é uma educação de ponta. Hoje, sim, somos uma referência mundial em odontologia. Não é mais apenas nacional. Somos reconhecidos no mundo inteiro. Temos o maior número de alunos de pós-graduação do Brasil. Temos capilaridade no Brasil inteiro. Estamos em todos os estados, com 76 unidades implantadas da Uniavan em odontologia. Somos, com certeza, a instituição que mais publica artigos, que mais desenvolve trabalhos científicos. (…) Toda a indústria nos respeita, de A a Z, de qualquer mercado tecnológico quando se trata de odontologia. [Desses produtos que nasceram das pesquisas na Odontologia a Uniavan, alguma já foi absorvida pelo mercado?] Muitas, muitas, muitas. Têm várias pesquisas, têm várias patentes desenvolvidas por professores do nosso grupo. Várias técnicas inovadas pelo nosso grupo. Hoje temos professores nos Estados Unidos fazendo publicações de estruturas anatômicas que lá nunca ouviram falar antes. Então, o nosso grupo de odontologia é referenciado, graças a Deus, no mundo inteiro. É um trabalho que parece de hoje, mas é um trabalho que foi plantado há 20 anos e foi encontrar no meio do caminho a Uniavan e acabamos vocacionando a empresa de maneira vertical e aprofundando muito nesse sentido. Por isso, vem gente de longe, hoje. Nos nossos cursos de especialização nós temos gente do exterior. Outro dia, fui ali no estacionamento da Uniavan e tinha carro da Argentina, da Colômbia. Vem gente dos Estados Unidos, professores da Espanha. Aluno do mundo inteiro fazer especialização com a gente.

DIARINHO – Há um grupo de pessoas, inclusive com cargos políticos e administrativos, que tem depreciado a produção acadêmica e científica no Brasil. O senhor acha que esse tipo de pensamento pode acabar afastando as pessoas da pós-graduação, que é onde se produz pesquisa e ciência no meio acadêmico?
Mohamed– O próximo stricto sensu [Pós graduação em mestrado e doutorado], né, hoje ele é muito fechado, regulado pela Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, vinculada ao Ministério da Educação]. O stricto sensu ainda continua sendo uma panelinha para poucos. É difícil fazer um mestrado, um doutorado. Primeiro, temos que democratizar. Tornar um passo viável para a maioria das pessoas. Por exemplo, hoje, se você for fazer um mestrado na nossa área [Odontologia], você tem que viajar, porque só tem dois, três no país, e pagar uma fortuna. Isso não pode. A abertura que aconteceu nas especializações tem que acontecer no stricto sensu, porque é o que rege a pesquisa em si. Esse pensamento de alguns políticos, eu acho um tanto quanto infeliz. Eu não acredito no desenvolvimento, mesmo que seja inovador, mesmo que seja da rápida mutação, sem um mínimo de comprovação, sem um mínimo de estudo científico. Eu acho que as duas coisas andam juntas. Temos profissionais sérios trabalhando na pesquisa. Precisamos deles. E nós temos mentores que precisam empreender, precisam aplicar. Essa relação tem que ser muito próxima. Não tem como ser diferente. Vencendo, é claro, muitas vezes, as burocracias. Às vezes você leva dois, três, quatro anos para conseguir lançar um produto, principalmente na área médica. Enquanto isso, quanto de população você deixou de beneficiar sabendo que o produto é bom…

DIARINHO – Ainda nessa onda de depreciação do ensino universitário, o governo federal tem tirado dinheiro das universidades federais e afirmado que pouco se produz academicamente naquelas instituições. Isso pode acabar beneficiando as instituições particulares de ensino universitário?
Mohamed– Sinceramente, minha opinião é muito particular nesse sentido. Até muitas pessoas não gostam dessa minha opinião. (…) Se você tem uma universidade pública que com o custo operacional você mantém 10 vezes o número de alunos ou 11 vezes o número de alunos em universidades privadas de ponta, então você realmente começa a se questionar se vale a pena. Eu tive a oportunidade de visitar algumas federais. A maioria delas sucateadas. Fui lá para aprender como se monta um laboratório para trazer pra cá e foi lá que desaprendi; vi como não se monta um laboratório. Eu aprendi de fato com as privadas, viajando para o exterior. Infelizmente, isso aconteceu e não sei quem é o culpado. Mas com certeza boa parte da culpa é da nossa política. Só que hoje eu acredito muito mais no ensino privado, que consegue fazer uma entrega racional, muito mais rápida, sem aquela burocracia, entregando o que o mercado precisa. (…)

DIARINHO – O DIARIoticiou esta semana que as cidades da região da foz do rio Itajaí tem um grande número de vagas em aberto para trabalhadores da área de tecnologia da informação e comunicação. Como está a formação dessa mão de obra na região? Essa formação está dando conta do que o mercado precisa?
Mohamed– Não, não está dando conta do que o mercado precisa. Nós temos cursos de sistema de informação e praticamente todos os alunos que se formam nossos, até antes da formação na graduação já estão empregados e são absorvidos pelo mercado. Existe uma distância gigante entre educação e indústria. Educação continua aplicando aquele programa que foi “copie e cole” da USP, a Unicamp, de 50 anos atrás. É um modelo ainda arcaico de gestão. Pega um curso que precisa de tecnologia, mas aquele programa não evoluiu. Aquilo é feito pra agradar só o MEC. Sem pensar que existe mercado. Tanto é que existem pesquisas que falam que apenas 3% da população que sai das universidades consegue emprego. Estamos falando de um número baixíssimo. Então, de fato, essa distância educacional tá onde? Tá na parte tecnológica, pois se forma um aluno na graduação que não tá preparado para usar um equipamento que a indústria construiu. E o problema não é da indústria, porque a indústria de fato construiu um equipamento de ponta e que funciona. O que não funciona são as universidades, que deixaram de criar um aluno tecnológico pra trabalhar com esse equipamento. Tem que vir da base, tem que vir lá do colégio. Nosso aluno já tem que começar a pensar de maneira digital. Hoje, o que acontece? Professores analógicos dando aulas para uma sala de geração digital. Então é um conversando em grego, outro respondendo em japonês. Não existe a interação que precisa pra encher essa lacuna que tem no mercado, entre educação e o que a indústria precisa pra trabalhar. Aí entra um técnico ou outros pra tentar suprir algo que deveria ser do ensino superior. Mas para o ensino superior poder cumprir, ele tem que atualizar o seu programa quase que anualmente. Antigamente era a cada 10 anos. Hoje, anualmente, você precisa atualizar o seu programa. [Essa leitura já foi feita institucionalmente pela Uniavan?] Sim! Hoje a atualização dos nossos programas, eu exijo que em todos os cursos seja a cada seis meses, um ano, que seja repaginado o nosso curso. Entrou uma tecnologia nova no mercado, que se ensine aos nossos alunos a trabalhar com ela. Nos cursos da saúde, por exemplo, implantamos comunicação, marketing, gestão. São coisas que o recém-formado, há 20 anos, não precisava aprender. Era só se formar, montar seu consultoriozinho de veterinária, de odonto e tinha gente lá na porta. Hoje, se ele não for um aluno completo, ele não vai pra frente, não adianta.

A nossa odontologia atende mais que a própria prefeitura de Balneário Camboriú”

DIARINHO – A Uniavan tem feito parcerias com empresas privadas visando facilitar o acesso de alunos e recém formados ao mercado de trabalho. Como estão os números dessa iniciativa?
Mohamed– A gente fez alguns convênios, já faz algum tempo, em algumas áreas, como na engenharia, na contabilidade, na odontologia, onde a gente tem linkado com os nossos alunos a garantia do emprego logo depois que se forma na graduação. Felizmente, a nossa região não é uma região carente de empregos. Quer dizer, as pessoas estão empregadas, né? Então tem vindo muito poucos profissionais que se formam com a gente pedindo auxílio para o primeiro emprego, o segundo emprego. De fato a gente construiu essa ponte com a iniciativa privada. A maioria que precisa a gente faz essa indicação, só que a gente está numa região que ainda é uma região felizarda, que não passa tanta dificuldade em relação ao desemprego. Inclusive, pode exportar para outros estados muitos profissionais. Algumas dessas empresas que a gente fez convênio são empresas nacionais.

DIARINHO – Teremos alguma novidade da Uniavam nesses próximos dois?
Mohamed– (…) Já que você perguntou… Era segredo, mas agora deixa de ser segredo, que são dois institutos que a gente tá montando agora. O primeiro estamos montando um hospital veterinário, da mais alta relevância para atender todo o estado de Santa Catarina. Um hospital veterinário linkado à nossa instituição. Entre Balneário Camboriú e Itajaí, numa localização maravilhosa. Vai atender desde animais pequenos até animais silvestres. Com uma consultoria externa, tanto do exterior, quanto do estado de São Paulo, dos melhores hospitais. Então a gente vai ter logo, logo, nos próximos seis meses, um dos melhores hospitais veterinários de Santa Catarina. E, para ser uma referência, a gente tem a pretensão de ser um dos melhores do Brasil. [A obra deve começar quando e terminar quando?] O projeto ficou pronto esta semana e a obra começa ainda este mês, no mês de agosto. Estamos pensando em seis meses para inaugurar a primeira fase do hospital. São três etapas, até a parte de imagiologia, que serão ressonâncias e tomografias, por exemplo, para pequenos e grandes animais. Já temos também um convênio para o hospital-escola para grandes animais. A outra novidade que também é pão-quente no Brasil, é que nós estamos desenvolvendo o primeiro instituto educacional da face, de estética da face. Vindo da parte estética da dermatologia, da parte biomédica, da parte odontológica, trabalhando na parte a harmonização, na parte do rejuvenescimento das pessoas com preenchedores, com botox, lipoaspiração de papadas, com revitalização da pele. Nós estamos montando o primeiro instituto da face educacional, em se tratando de pós-graduação, no Brasil. Será inaugurado até o final deste ano aqui em Balneário Camboriú dentro do bloco 3. Será no quinto andar. [Estará linkado com quais cursos que têm na Uniavan?] Vai estar linkado com a biomedicina, com a odontologia, com a pós-graduação e até com um nível acima a pós-graduação, que são os cursos de imersão, onde se ensinam técnicas precisas. E também para a área de dermatologia, na parte de pós-graduação em medicina. A gente já tem pós-graduação em medicina. Não tem a graduação em medicina, mas hoje já tem a pós na área médica. (…)

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