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dos Santos

Reitor Mário Cesar 
dos Santos

 

Às vésperas de uma eleição que se anuncia concorrida para Reitor, a Univali virou o centro das atenções. Denúncias sobre os altos salários dos gestores, queixas sobre a falta de transparência, reclamações de alunos sobre a defasagem de laboratórios ou sobre o valor das mensalidades têm chegado à imprensa e à Câmara de Vereadores de Itajaí. Poucas vezes, durante os 53 anos das operações da universidade em Itajaí, os vereadores se mostraram tão atentos com o que se passa nos bastidores da universidade. Para falar desse delicado momento, a jornalista Franciele Marcon entrevistou o Reitor Mário César dos Santos. Sem fugir de nenhuma resposta, Mário falou sobre a suposta crise financeira, os candidatos a sucessão e outros assuntos que têm mobilizado a sua gestão na Univali . As fotos são de Lalo Bocchino.

Nome: Mário Cesar dos Santos
Idade: 68 anos
Natural: Itajaí
Estado civil: Casado
Filhos: quatro filhos
Formação: Direito pela fundação de Ensino do Pólo Geo-Educacional do Vale do Itajaí (Fepevi), especialista em Direito Tributário, Direito Processual Civil, Direito Processual do Trabalho, Direito Civil, e mestre e doutor em Ciência Jurídica
Trajetória profissional: professor, advogado, presidente da Fundação Univali e reitor da Univali desde fevereiro 2010. Presidente da associação Empresarial de Itajaí (ACII). Foi vice-diretor da Faculdade de Direito, diretor do Centro de Ciências Jurídicas, Políticas e Sociais, chefe do Departamento de Direito Público da Univali e integrante dos Conselhos de Administração Superior e Universitário da Fundação Univali. Antes de tornar-se reitor, foi procurador geral da Univali de 2002 a 2006 e vice-reitor entre 2006 e 2010; também foi presidente da ACAFE (2011/2013) compondo seu Conselho Deliberativo e foi vice-presidente da Associação Brasileira das Universidades Comunitárias (Abruc) e vice-presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), até outubro de 2017.

“Você não pode comparar universidade com faculdade. Universidade tem um critério que atua no ensino, na pesquisa e na extensão”

“A nossa cor partidária são as cores institucionais. Nós trabalhamos independente das razões políticas, partidárias”

“Próximo da sucessão, surgem falas que tentam denegrir um passado, uma conjuntura, um histórico da universidade”

DIARINHO – Ano que vem há eleição para a escolha do novo reitor da universidade. Quem é o seu candidato a sucessor?
Mário César: Não há ainda um processo eleitoral aberto. Ainda não há candidatos inscritos. O processo deve se efetivar possivelmente com a complementação da comissão eleitoral no próximo dia 15 [ontem]. No mês de fevereiro, abre-se o processo de inscrição. Portanto, há apenas alguns pretensos candidatos. Assim que eles formalizem, vamos verificar aquele que tem melhor proposta institucional, e não pessoal, para que possamos aderir a quem se candidatar.

DIARINHO – Valdir Cechinel, Vilson Sandrini ou Cássia Ferri? Quem o senhor acredita que seja o melhor nome para administrar a universidade?
Mário César: De pronto temos que destacar que o professor Sandrini, regimentalmente, não pode ser candidato. Para ser candidato tem que estar oito anos em atividade ininterrupta na Univali. O professor Sandrini teve um período de afastamento em que atuou junto ao município. Dos três apontados, ficariam dois: a professora Cássia e o professor Valdir. Ambos são legítimos aspirantes, têm uma atuação muito grande na vida institucional. A professora Cássia à frente da vice-reitoria de Graduação que é, sem dúvida, uma parcela maior das atividades institucionais. O professor doutor Valdir Cechinel está à frente da vice-reitoria de Pós-graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura que representa outro segmento de importância dentro da vida institucional. Polarizando nesses dois nomes, eu creio que a universidade tenha uma boa perspectiva do ponto de vista de sucessão.

DIARINHO – O senhor teme que uma disputa acirrada possa causar discórdia entre os mais de 2500 funcionários?
Mário César: Entre os dois candidatos eu não temo isso. Eu acredito que poderá ter, talvez, algum acirramento por força de “torcidas” . Quem aderir a uma ou outra candidatura. Mas eu não acredito que a vida institucional, especialmente tudo o que se pregou, tudo que convivemos aqui, todo o clima organizacional, institucional que temos, possa ampliar ou criar rupturas entre os dois que polarizarem a eleição. Eu acredito, torço e trabalho, e toda a nossa equipe tem feito isso, para que nós tenhamos uma sucessão, uma eleição, harmônica, sem que haja infiltrações externas, especialmente capazes de fazer que crie-se alguma dissidência dentro do nosso grupo, que ao longo de tanto tempo tem vivido de maneira harmônica. [Uma chapa consensual seria o melhor caminho ou essa disputa é salutar para a universidade?] Essa perspectiva não está afastada. Evidente que a proposta institucional a ser apresentada por um ou por outro, talvez, tenha a possibilidade de fazê-los convergir a uma única candidatura ou crie, exatamente pelas propostas, a dissidência entre as propostas capaz de impossibilitar a junção. Com isso, o processo eleitoral sairia fortalecido.

DIARINHO – Antes de concluir o seu mandato na Univali o senhor topou assumir a ACII. Dá para conciliar as duas funções?
Mário César: Sem dúvida. Na Fundação Univali, na própria universidade, nós temos uma atividade full time: de manhã, à tarde e à noite. Já na ACII, o volume de atividades e representações, ainda que seja intenso, não é com a mesma intensidade da universidade. Nós assumimos a associação empresarial, dia 8, mas as atividades da ACII entram em regime de férias agora e voltam somente em fevereiro. Vai haver uma concomitância de fevereiro a março, com relação à ocupação das duas funções, mas são absolutamente compatíveis, porque as nossas assessorias, tanto aqui como lá, poderiam dinamizar atividades e facilitar a vida da diretoria, especialmente da presidência.

DIARINHO – Fala-se numa suposta crise financeira na Univali e que houve a necessidade de um empréstimo junto a bancos no valor de R$ 50 milhões. Por que o orçamento da universidade não está fechando?
Mário César: A crise financeira decorre de uma conjuntura, que não é local, é uma conjuntura nacional. Temos um volume considerável de recursos para receber dos governos Federal e Estadual, e isto fez com que houvesse um pequeno desequilíbrio de caixa. Historicamente, na vida das instituições de educação, especialmente do sistema comunitário de Santa Catarina, têm sido assim. Ao longo dos anos, ao término de cada exercício, se acorre ao meio bancário, exatamente porque a falta de recursos públicos impossibilita que o caixa tenha um volume suficiente para fazer frente às despesas de fim de ano. Não há nenhuma crise. Somos uma instituição extremante sólida. Auditoria feita pela Price Waterhouse Cooper, que é uma empresa de auditoria presente em 157 países do mundo, constatou que, em Santa Catarina, o 27º balanço com o melhor patrimônio líquido é o da Univali. [A Univali está gastando mais do que recebe?] Nós temos um orçamento que é grande. Somos o 37º orçamento do estado, entre as 500 maiores empresas do sul do Brasil, nós somos a empresa 171 do sul do país. Nós temos um orçamento aberto e há um desequilíbrio apenas do fluxo de caixa em face dos atrasos dos governos federal e estadual. Nós temos para receber R$ 39 milhões dos governos federal e estadual. E R$ 39 milhões, no fim de ano, fazem falta. Por uma conjuntura do ponto de vista de gestão, nós aproveitamos e ampliamos a necessidade de recursos para fazer uma ampliação das dívidas de curto prazo, para fazer de longo prazo, para deixar a gestão e a administração futura em condição de melhorar a gestão.

DIARINHO – Os críticos falam que falta transparência à sua gestão. Citam, inclusive, que o senhor teria se negado a entregar um relatório produzido por uma comissão interna que demonstra a real situação econômica da Univali. Por que o senhor não entregou esse documento?
Mário César: Não há que se falar em falta de transparência. A comissão foi constituída apenas para acompanhar as negociações bancárias. A comissão fez o seu trabalho, acompanhou as negociações bancárias, cumpriu o requisito, extrapolou na tomada de informações para além do que era objetivo da comissão e, exatamente por partir de premissas falsas, premissas que não são corretas do ponto de vista orçamentário e de gestão, por não ter a “macro visão” de gestão, é que nós entendemos que aquele relatório é privativo do conselho, por falar de coisas estratégicas institucionais, que não devem ser levadas ao público. [Que tipo de premissas falsas?] Por exemplo, o próprio conselho aprovou o reajuste das mensalidades em 4,79%, e as premissas da evolução da receita para o próximo ano estão em 3%. Nós somos uma instituição comunitária, temos hoje um volume de mais de cinco mil e quatrocentas bolsas no ProUni e há uma crítica do relatório com as bolsas. A função da instituição comunitária é exatamente fazer com que haja o acesso das pessoas que não têm possibilidade socioeconômica de ter o ensino superior. A comissão não considerou que essa concessão de bolsa é uma concessão que nos dá isenção da cota patronal do INSS. Por outro lado, hoje temos um plano de gestão, em que cada gestor, coordenador de curso, gerente, diretor de centro, vice-reitoria, tem nas pontas dos seus dedos todas as informações de orçamento. Então, dizer que falta transparência é falácia de quem não conhece a vida institucional. [Um relatório interno que não considera todos os aspectos que o senhor está pontuando parece que queria um resultado direcionado. O senhor avaliou assim?] Com certeza. Muito direcionado e, inclusive, politicamente direcionado. Razão pela qual nós conversarmos com a comissão na perspectiva de que pudéssemos apresentar o relatório naquilo que fosse útil ao que a comissão se propôs. Em face de a comissão entender que o relatório deveria se apresentar inteiro, mesmo dentro de premissas que não são verdadeiras, nós entendemos de não fazê-lo para, de certa forma, dar uma melhor estabilidade para a vida institucional. Seria como apagar incêndio com gasolina.

DIARINHO – A Univali perdeu na última década cerca de cinco mil alunos. Na nossa região há faculdades conceituadas e bem posicionadas em rankings de qualidade e que são fortes concorrentes da Univali. A universidade está preparada para enfrentar a concorrência?
Mário César: Estamos falando de duas situações completamente diferentes. Você não pode comparar universidade com faculdade. Universidade tem um critério que atua no ensino, na pesquisa e na extensão. Faculdades vêm nas localidades para obter recursos financeiros das famílias, das pessoas, das cidades. Não tem como fazer comparação. Evidente que sofre-se uma concorrência grande, nem sempre leal, do ponto de vista até mercadológico e até de qualidade, especialmente. Mas a universidade está preparada para isso. Ao longo dos 53 anos da vida institucional, em outros momentos, já vivemos também concorrências em diferentes momentos e a universidade se sobrepôs. Quanto a perda de alunos, basta verificar que isso é um dado que para nós é forte, mas não tão forte. O Censo da Educação superior nos anos de 2015 para 2016, e de 2016 para 2017, aponta na região sul um decréscimo de matrículas em todas as instituições, da ordem de 12% em um ano, e 12,5% no outro. A nossa perda de alunos nos dois anos foi de 2,3%.

DIARINHO – A comunidade, de modo geral, consegue entender a diferença de uma faculdade para uma universidade? Ou o fator determinante é o preço da mensalidade que se pode pagar?
Mário César: Aí tem outra adição que a gente faz: há os que procuram diploma e há os que procuram conhecimento. Aos que procuram diploma, não interessa quem certifica. Não interessa se vai ter aula, se vai ter prova, se vai ter nota, se vai ter avaliação. Os que procuram conhecimento têm que saber que há regras para obter o conhecimento. Formas de aferição, e isso é o que nós fizemos com qualidade ao longo do tempo, reconhecidas por todos os rankings que avaliam e mensuram qualidade.

DIARINHO – Há queixas sobre uma suposta defasagem de laboratórios da Univali e também sobre o valor da mensalidade, que estaria mais alto do que o da concorrência. A Univali, como universidade comunitária, não deveria ter preços mais atrativos?
Mário César: Nós temos uma análise de custos muito criteriosa para aferir o quanto deve ser o valor das nossas mensalidades. Aliás, anualmente, nós fizemos a reanálise. Quanto aos laboratórios, aos investimentos, nós fomos avaliados por 71 comissões de especialistas do esses dois últimos anos. A análise que eles fizeram deu à universidade, em todos os cursos, conceitos 4 e 5 – na escala de 1 a 5. Portanto, não fomos avaliados por quem acha que a coisa está defasada. Fomos avaliados por quem conhece, por quem tem expertise, e foi preparado para fazer essa avaliação em todo o Brasil. Há uma falácia sobre defasagem, mas as nossas estruturas são todas de ponta, capazes de dar à nossa comunidade acadêmica todo o ensino, toda a condição de prover com qualidade as suas respectivas titulações. [A quem interessa manchar a imagem da universidade?] Isso é uma constatação que é ruim fazer. Porque ao longo da vida institucional, as gestões anteriores, a nossa gestão, toda a nossa comunidade, sempre se pautou em fazer com que a universidade tivesse sempre os melhores ranqueamentos, as melhores informações, as mais positivas. De repente, próximo a um momento de sucessão eleitoral, surgem falas que tentam denegrir um passado, uma conjuntura, um histórico, uma vida recente de várias premiações. Evidentemente, a gente não pode dar crédito a issol. Não acredito que nenhum dos dois candidatos possa estar aliado a isso. Talvez, outros pretensos candidatos pudessem estar pensando em coisas dessa natureza.

DIARINHO – O senhor tem um salário que se compara ao de executivos de grandes empresas. Muita gente critica que o senhor receba cerca de R$ 60 mil por mês. Altos salários sempre foram uma realidade na Univali?
Mário César: Nós temos um plano de carreira, cargos e sucessões. Esse plano está aprovado pelo Ministério do Trabalho, foi aprovado pelos nossos colegiados. A minha remuneração é uma remuneração de professor, doutor, com dedicação exclusiva, 40 horas. Igual a minha titulação, ao meu plano, existem outros 101 professores – eu sou o 101º portanto. O Plano de Carreira, Salários e Sucessões da universidade é um plano que implantamos desde 2009, portanto, implantamos ainda na gestão do professor Provesi. Esse plano, se nós compararmos com as demais instituições do sistema Acafe, e vamos compará-lo, porque essa é a nossa referência no sistema comunitário, temos inegavelmente, o melhor plano de carreira do sistema. O nosso professor-doutor tem uma situação um pouco melhor do que o professor-doutor nas demais instituições do sistema Acafe. Nós fizemos isso de maneira deliberada. Pensando exatamente em fazer cursos com qualidade. Isso se faz com plano de carreira. O nosso plano de carreira é um plano que, de fato, provê a possibilidade do professor, do técnico administrativo, criar uma carreira profissional.

DIARINHO – O ProUni é um programa importante para garantir o acesso dos alunos carentes à universidade. Ele também ajudou injetando dinheiro na universidade? Quanto o ProUni representa na receita da Univali?
Mário César: Se nós pensarmos que nos cursos de graduação nós temos hoje em torno de 20 mil alunos. Nós temos 5400 alunos prounistas. Nós teríamos uma quarta parte de alunos com bolsa. Quando nós aderimos ao ProUni, em 2004, quando foi criado o programa, nós tínhamos que ter uma proporção que era mensurada através de um percentual: nós tínhamos que dar bolsa equivalente a 20% da receita institucional. Essa era a lei da Filantropia. Anos depois, em 2008, 2009, o critério mudou. A cada cinco alunos pagantes, um aluno entra pela bolsa do ProUni integral. Essa proporção fez com que nós cumpríssemos a nossa missão como instituição comunitária e com isso conseguíssemos fazer com que muitas famílias, que por certo não poderiam ter os seus filhos no ensino superior, tivessem a possibilidade de tê-los através dessa bolsa do ProUni. O ProUni, por outro lado, não é que o governo federal injete dinheiro. Ele nos dá uma isenção, que tem uma correlação econômica assemelhada. Pelo fato de cumprirmos o ProUni, sermos uma instituição certificada como entidade beneficente de assistência social, nós ganhamos a isenção da cota patronal que incide sobre a folha de pagamento. A parte da empresa, da fundação Univali, ela é isenta em face de nós cumprirmos os relatórios e comprovarmos a quantidade de bolsas que nos concedemos no ProUni. De 2016 até outubro de 2017, foi uma isenção na ordem de R$ 60 milhões mais ou menos.

DIARINHO – Na décadas de 80/90 a Univali não tinha muros e havia inclusive aos finais de semana muitos movimentos artísticos e políticos dentro da universidade. Hoje pouco se vê desses movimentos que sempre caracterizaram as universidades como um espaço de fomento à arte, cultura e política. Por que a Univali ficou mais parecida a uma empresa privada do que com uma universidade comunitária?
Mário César: Essa é uma visão, me parece, ruim, se dita dessa forma. A nossa atividade na área cultural é intensa. Nós temos vários festivais, várias atividades. Uma coisa é você associar as atividades culturais, todo o envolvimento que nós temos com a nossa comunidade. Infelizmente, esse medo da insegurança nos fez criar mecanismos que pudessem dar à instituição e a todos que convivem aqui, segurança. O sentido de sentir-se seguro. Esses são dois movimentos que não se confundem. Uma coisa é a vida cultural institucional, fomentada, que tem vários eventos, diariamente, aqui e fora daqui. Basta ver que ontem [segunda-feira], na Casa da Cultura, houve um recital promovido pelo Curso de Música. Hoje [terça-feira] na Casa da Cultura há outro recital. Quer dizer, o fomento das atividades culturais passa pela Univali fortemente.

DIARINHO – Qual a contrapartida social que a Univali oferece às cidades onde mantém campi?
Mário César: Vocês não fazem ideia. Nós temos na Univali, por exemplo, na área de assistência social, quatro equipes de estratégia de Saúde da Família que promovem o acompanhamento das famílias de toda a região oeste da cidade. Nós temos um trabalho de contraturno no nosso instituto, através do curso de Fonoaudiologia, somos alta complexidade para fazer o implante de aparelhos auditivos pelo Ministério da Saúde. Nós somos alta complexidade para 53 municípios – vai até o Alto Vale do Itajaí. Se você passar agora no campus, você vai ver ambulâncias de várias cidades, trazendo pessoas para fazerem os trabalhos de recuperação de saúde, de fisioterapia, enfim, os mais variados. Nós temos um fórum, o antigo fórum da cidade, é um Fórum Universitário, que atende a comunidade. Nós temos na polícia Federal, no shopping, que faz o passaporte, que atende os imigrantes, uma comunidade de estudantes do curso de Relações Internacionais atuando. Nós temos um laboratório de análises clínicas que atende grande parte da comunidade, inclusive, a comunidade que é atendida pelas quatro equipes da Estratégia da Família. Esquecemos do hospital Pequeno Anjo. Quem toca? Quem paga o hospital? Aí, eu lhe pergunto: qual outra instituição faz o que a Univali faz? Nós temos hoje um projeto de monitoramento do litoral, que é o maior do mundo. Não existe um projeto ambiental, de monitoramento de praias, como o que desenvolvemos: desde Ubatuba, São Paulo, até Laguna, Santa Catarina, para ver se a ampliação da exploração de petróleo e gás da Bacia de Santos do Pré-sal trouxe algum problema para a vida marinha.

DIARINHO – Os atuais vereadores estão bastante atentos nos atos da sua gestão. Há alguma questão política nesse interesse repentino pela universidade?
Mário César: A fundação Univali tem uma vida institucional pautada, inclusive, por ter, ao longo da sua trajetória, inúmeras pessoas, inúmeros acadêmicos, que hoje ocupam posições destacadas e inclusive como vereadores. Em uma análise que eu fiz rapidamente da atual câmara dos 21 vereadores, 11 são egressos da instituição. Os egressos têm conhecimento pelo menos em relação aos cursos e aos centros nos quais fizeram a sua graduação. Isso limita um pouco o conhecimento desse todo institucional. Eu tenho tido contato com a Câmara, com alguns vereadores, e tenho feito com que esses vereadores possam compreender um pouco mais a vida institucional e com isso tentar persuadi-los de que a política tem um vasto espaço e campo, mas a gestão acadêmica não tem muito a ver com a política partidária. Essa compreensão precisamos ter. A instituição tem ao longo do tempo transitado tranquilamente em todas as gestões, entre todos os partidos. A nossa cor partidária são as cores institucionais. Nós trabalhamos independente das razões políticas, partidárias. Nós atendemos a toda a comunidade independente de ser A, B ou C.

 

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