Marina Silva

“A reforma trabalhista também é necessária, mas não para promover injustiças. Como, por exemplo, uma mulher grávida trabalhar em situação de risco, uma pessoa não ter sequer uma hora para se alimentar”
Candidata à presidência
“Toda vez que tem uma eleição, o centrão acaba tomando conta para tirar a população do jogo”
Marina Silva quer disputar pela terceira vez a eleição presidencial. A mulher que já foi ícone dos ambientalistas e dos movimentos sociais, foi duas vezes senadora, ministra do Meio Ambiente e hoje tem apoio de parte da bancada evangélica, continua a disparar críticas a grandes partidos e a velhas raposas políticas. Ao passar por Itajaí, para cumprir uma agenda de pré-campanha com evangélicos, Marina conversou com o jornalista Sandro Silva sobre política e eleições presidenciais e não se furtou em falar sobre temas polêmicos, como aborto e o que acha da prisão de Lula, seu ex-companheiro de partido. Os cliques são de Fabrício Pitella.

DIARINHO – A senhora vem pela terceira vez para a disputa à presidência da República. Hoje, concretamente, quem está aliado a Rede, seu partido?
Marina Silva – A Rede fez uma escolha programática. E nós decidimos que, até aprendendo com aqueles que já estiveram no poder e juntaram alhos e bugalhos e levaram o Brasil para o fundo do poço, não devemos fazer alianças incoerentes. E vamos buscar fazer alianças com quem tem compromisso programático semelhante ao nosso e se isso não for possível, nós vamos fazer aliança com a sociedade. Eu tô vendo que, toda vez que tem uma eleição, tanto a dita esquerda quanto a dita direita, o centrão acaba tomando conta de um deles para tirar a população do jogo. Dessa vez eles já arranjaram um candidato para chamar de seu. Estou já em alianças com os movimentos da sociedade de renovação política, o Agora, o Eu Acredito, o Brasil 21, o Frente Favela e, se Deus quiser, vamos chegar ao dia 4 de agosto [data para os registros de candidaturas] com uma aliança prioritária, que é fazer aliança com 200 milhões de brasileiros para mostrar que aqueles que criaram o problema não tem como resolvê-lo. Ainda que eles criaram uma situação para evitar que a sociedade possa mudar de verdade, porque se juntou o PT, o PMDB, o DEM e seus satélites para fazer uma mini reforma política que me deixou com apenas oito segundos de televisão, pouquíssimos recursos [campanha política]. Mas eu sempre digo que a consciência da população será maior que esses segundos que eles estão me dando.

DIARINHO – Solidariedade e PSB estão nessa possibilidade de alianças com o Rede?
Marina Silva – O PSB já decidiu que, enfim, ou vai ficar independente ou pode aliar-se com uma outra candidatura. E nós respeitamos a decisão democrática dos partidos. Porque numa eleição em dois turnos é natural que as pessoas possam tomar determinadas decisões naquilo que acham que é estrategicamente mais importante para a sua visão, naquele momento. Em relação ao Solidariedade, nunca tivemos nenhuma conversação com eles. Estamos dialogando com setores do PV, do PHS, do Pros. Não necessariamente que isso vire alianças nacionais. Mas em alguns estados é possível que possamos caminhar juntos.

DIARINHO – Estas eleições serão marcadas fortemente por dois conteúdos. Um deles está ligado às reformas trabalhista, já efetivada, e a Previdenciária. Como a senhora se posiciona sobre esses dois assuntos?
Marina Silva – Olha, nós temos mais do que essas duas reformas. Nós temos várias reformas que estão em discussão. No caso da reforma da Previdência, todos tentaram. O Fernando Henrique, a Dilma e agora o Temer. Sendo que o Temer apresentou uma proposta draconiana de reforma da Previdência e não discutiu com a socidade brasileira. Obviamente que ouvindo apenas os empresários, os trabalhadores ficam com o prejuízo. É necessário, sim, uma reforma da Previdência. Mas não para tirar direitos dos trabalhadores. Mas sim para resolver o problema da reestruturação produtiva, para resolver o problema do envelhecimento da população. Mas não para que uma pessoa venha se aposentar depois de 49 anos. Não para que a gente tire direitos que são dos trabalhadores a duras penas conquistados. Então, a reforma da Previdência é importante, mas não da forma que esse governo, sem credibilidade, sem legitimidade, tentou fazer. A reforma trabalhista também é necessária, mas não para promover injustiças. Como, por exemplo, uma mulher grávida trabalhar em situação de risco, uma pessoa não ter sequer uma hora para se alimentar. E ainda querer equiparar trabalhador rural com trabalhador urbano. Há uma série de injustiças que vêm com essa reforma. São injustiças que o governo depois teve que fazer uma medida provisória para corrigir atrocidades. Só que a medida provisória caiu. Então, o que nós vamos fazer, enfim, é recorrer do mecanismo democrático do debate para rever todos os pontos de injustiça que estão sendo praticados na reforma que foi aprovada. Inclusive a limitação de acesso à justiça para os mais frágeis. Porque a mudança que tivemos estabelece que se você perde a causa, você tem que pagar os honorários advocatícios e as custas do processo. E uma pessoa pobre, que ganha um salário mínimo, hoje, tem medo de entrar na justiça para reivindicar seus direitos em função do medo de perder a causa. É preciso que se estabeleça um mecanismo de que pessoas nessa situação não tenham que ser obrigadas a pagar as custas. Outras reformas a que me referi é a reforma, por exemplo, tributária, que terá que ser feita também. Não para que se crie novos tributos, mas para que se possa fazer a simplificação dos tributos, para que se possa evitar essa injustiça tributária onde os que ganham menos são obrigados a pagar mais. E também onde a gente tenha um processo de descentralização, porque hoje o dinheiro fica na mão da União. Por isso que sucessivos governos conseguem manipular bancadas, conseguem artificialmente obrigar a prefeitos e governadores a estarem sempre com o pires na mão dependendo deles. Nós vamos fazer uma reforma tributária para descentralizar os recursos. Vamos também trabalhar pelo princípio da impessoalidade e agregar alguns tributos. Estamos em contato com o centro de Cidadania Fisca, do Bernard Appy, e estamos adotando a proposta deles como a base para o debate da reforma tributária. [Há quem fale na tributação das grandes fortunas como maneira de minimizar o impacto dos tributos em pequenos e médios empresários e no conjunto da população. O que a senhora acha dessa proposta?] É uma alternativa para diminuir essas injustiças. Mas têm mecanismos que talvez sejam talvez até mais eficientes. Esses podem ser feitos, mas o mais importante é que a gente evite com que os pobres tenham que pagar mais tributos quando vai comprar o feijão, o arroz, a carne e o leite. Isso, sim, é uma grande injustiça. Países desenvolvidos que inclusive conseguem tributar grandes fortunas, hoje, já têm uma avaliação de que isso não está sendo muito eficiente, como é o caso da França, porque começa uma evasão fiscal. Mas estamos estudando todas as possibilidades para diminuir as injustiças tributárias. E vamos fazer a reforma política. A reforma política é muito importante porque, hoje, com a reeleição, os governos de esquerda ou da direita não fazem o que é necessário para o país. Fazem o que é necessário para se reeleger. Se para se reeleger tem que roubar a Petrobras, roubam. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica… Fazem a contabilidade criativa? Eles fazem, porque a lógica é do poder pelo poder. Então, numa democracia a gente tem que pensar numa alternância de poder. E isso quem decide é o povo, por isso um mandato de apenas cinco anos, sem reeleição e a partir de 2022, porque eu terei apenas quatro anos, se ganhar.

DIARINHO – A senhora teria outra proposta na reforma política além do fim da reeleição?
Marina Silva – A manutenção do financiamento público de campanha, sem financiamento privado. Mas não essa montanha de dinheiro, onde eles legalizaram o roubo do caixa 2 de 2014: PT, PMDB, PSDB e DEM, que se envolveram em graves casos de corrupção, fizeram um fundo eleitoral que equivale a soma do caixa 2 com o que eles declararam. O contribuinte não tem porque ver o seu dinheiro sair da educação, da saúde, da segurança, para campanhas astronômicas como foi o caso do João Santana, que custou mais de R$ 70 milhões com o dinheiro do contribuinte brasileiro. [O que antes saía das grandes empreiteiras sai agora do dinheiro público, é isso?] Infelizmente sai da saúde, da educação, da segurança, da creche, do financimento para o produtor rural, da estrada que você gostaria de ter para escoar sua produção. Mas é melhor que seja um financiamento público do que um financiamento de empresas, porque é de forma transparente e mais equilibrada. Por exemplo, agora eles vão ter quase meio bilhão, quando soma o fundo partidário com o fundo eleitoral e eu vou ter quase nada. Eles [outros candidatos] vão ter muito tempo de televisão e eu vou ter apenas oito segundos. [Como ficaria esse equilíbrio entre as grandes siglas partidárias e as pequenas?] Nós poderíamos aumentar a base sobre a qual o dinheiro é dividido entre todos os partidos. Anteriormente, era em torno de 11%. Depois, em 2015, teve uma outra reforma que levou para 5% e agora, para 2018, essa base comum caiu para 2%. Exatamente para que o dinheiro fique com os grandes partidos: PT, PMDB, DEM e PSDB. Porque isso é uma estratégia para que a sociedade não consiga fazer mudança.

DIARINHO – A senhora foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula. Este ano, o congresso aprovou nas comissões a proposta que flexibiliza a legislação sobre o uso de agrotóxicos no país, o que gerou críticas e revoltas de especialistas e ambientalistas. A senhora, que veio do meio ambientalista, como vê a proposta?
Marina Silva – Eu vejo como parte dos grandes retrocessos que passamos a ver na agenda ambiental depois de 2012. Depois de 2012 nós temos terríveis retrocessos, tanto no que concerne a processos de licenciamento, a diminuição de unidades de conservação, não se criou novas unidades, não se demarcou mais terras indígenas pelos governos Dilma e Temer. É ínfimo o que eles fizeram. E ainda patrocinam esse tipo de coisa, que é de querer tirar a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] o regramento para o uso de agrotóxicos. Usando variedades de agrotóxicos que são proibidas em vários países do mundo. Agora, é engraçado: o que faz mal para a saúde dos europeus e dos americanos não faz mal para a nossa saúde? Então isso faz parte desse retrocesso, de pessoas que trocam a vida, a saúde das pessoas, o cuidado com o meio ambiente, por voto dentro do congresso Nacional. É o toma lá-dá cá, da forma, eu diria, mais sórdida.

DIARINHO – O projeto de Emenda Constitucional 181/2011, que ainda está em avaliação pelo congresso Nacional, proíbe o aborto no Brasil. Para juristas e militantes do movimento feminista, esse projeto vai proibir o aborto até mesmo em casos de risco para mulheres, em casos de estupro e em casos de crianças que nascem sem cérebro, atualmente permitidos no país. A senhora é evangélica e tem o apoio de parte desse público que, em geral, se mostra favorável à proibição de todos os tipos de aborto. Durante sua campanha, o que defenderá sobre esse assunto polêmico?
Marina Silva – Em primeiro lugar é bom que essa pergunta seja feita para todos os candidatos. Nós temos candidatos que são católicos ou que se dizem católicos, mas eu sinto que geralmente essa pergunta é feita apenas a mim. Talvez por uma espécie de, enfim, preconceito, pelo fato de eu ser evangélica. Mas é um tema de fato polêmico. A sociedade precisa debater e ser esclarecida. É uma decisão que diz respeito ao congresso e não ao Executivo, porque quem pode aprovar as leis é o congresso. O que não nos impede de ter uma posição. Eu sou contra o aborto e não apenas por ser uma pessoa de fé, mas por convicções religiosas, por convicções éticas e por convicções até mesmo de pensar na defesa da vida. A gente precisa debater o tema com profundidade. Porque as pessoas que são contra, já são rotuladas de atrasadas, de fundamentalistas. E as pessoas que são favoráveis já recebem outros rótulos. Eu não gosto de trabalhar com rótulo porque o rótulo empobrece o debate. Aqueles casos que já estão previstos por lei são uma situação complexa e já está decidido por lei, enfim. Se for para ampliar, para outras possibilidade, a minha posição é de que o melhor a fazer é um plebiscito, porque 513 deputados e 81 senadores não podem substituir 200 milhões de brasileiros em um tema tão complexo. Na maioria das democracias esse tema é debatido através de plebiscito. Eu sou contra o aborto, mas eu sou a favor de que se possa debater com profundidade. O que se quer é evitar uma gravidez indesejada. Não imagino que nenhuma mulher deseja o aborto como um método contraceptivo. Isso não é bom para a saúde, não é bom sob o ponto de vista psicológico, não é bom em nenhum aspecto. Então vamos trabalhar para evitar aquilo que ninguém quer, que é a gravidez indesejada. E, obviamente, aprofundar o tema de forma saudável e sem os fundamentalismos de ambas as partes.

DIARINHO – Quando a senhora esteve no governo Lula, o país registrou seus maiores e melhores índices econômicos, incluindo resultados como o pleno emprego e retirada de uma massa de brasileiros da pobreza. A senhora acha que, durante a campanha, o fato de ter estado no governo Lula vai ajudar ou atrapalhar na hora de pedir e receber votos?
Marina Silva – Eu já venho de uma trajetória independente desde 2010. Em 2010 eu tive 19 milhões de votos, quando muitos achavam que eu não ia fazer um terço. Em 2014, mesmo enfrentando as máquinas poderosas do PT, do PSDB, do DEM, de todos que estavam naquele condomínio do dinheiro da Lava Jato, do Petrolão, enfim, dos fundos de pensão, eu tive 22 milhões de votos. Eu acredito é na consciência dos brasileiros. As pessoas aprenderam a ter discernimento. Eu costumo dizer que nessas eleições nós temos uma diferença muito grande. Agora as pessoas sabem a verdade, as pessoas sabem quem é quem. E ainda bem que, em diferentes partidos, nem todos se corromperam. Eu sei separar as coisas. Eu sei que tem muita gente boa no PT, no PMDB, no PSDB e em vários partidos. Mas, infelizmente, as cúpulas desses partidos, os seus dirigentes, de fato se perderam na lógica do poder pelo poder. E o que eu tenho apresentado é uma alternativa desde 2010. Queremos uma mudança que preserve conquistas, mas que seja capaz de corrigir erros. E um erro grave é transformar a corrupção em um processo sistêmico e institucional dentro do próprio governo, inclusive chegando ao ponto de vender medidas provisórias.

DIARINHO – Se a senhora for eleita presidente da República, quais seriam suas primeiras e mais impactantes medidas?
Marina Silva – A primeira delas é ter uma relação de autonomia em relação a todos os esquemas do toma lá-dá cá que vem sendo praticados em sucessivos governos do dito presidencialismo de coalização. PSDB, PT, todos eles fizeram um governo com base no toma lá-dá cá. Ter uma relação republicana com o congresso. A maioria no congresso vai ser com base no programa, vai ser com base no convencimento das ideias e das propostas. A composição do governo vai ser com base no programa. E vamos ter, sim, as melhores pessoas dos partidos, mas não só deles. Por quê? Temos uma sociedade com 200 milhões de habitantes e hoje os partidos acham que a democracia é para eles, o estado é para eles e, nessa lógica, a composição de governo é só com pessoas de partidos. Eu vou buscar pessoas na academia, nos movimentos sociais, nos empresários comprometidos com o Brasil e também junto àqueles segmentos dos trabalhadores que podem contribuir e do próprio funcionalismo público. Tem muito gente boa no serviço público que pode, sim, ser recrutada para os cargos de direção do executivo.

DIARINHO – A senhora já se posicionou anteriormente favorável ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). E quanto à prisão de Lula, qual sua opinião?
Marina Silva – A minha opinião é a de que se erros são cometidos, devem ser reparados e punidos. Nós não podemos ter dois pesos e duas medidas. Numa democracia, se você faz uma adaptação da Justiça às pessoas, deixa de ser justiça e deixa de ser democracia. Eu não fico feliz com lideranças políticas de diferentes partidos que se corromperam, que cometeram erros. No entanto, não se pode ter uma atitude de que se alguém é rico demais, poderoso demais, popular demais então esse não está sujeito à lei. A lei da Ficha Limpa diz que quem é condenado em segunda instância não pode ser candidato. Então, nesse sentido, infelizmente, aqueles que teriam que estar contribuindo com a sociedade, terão que pagar por seus erros. E, obviamente, temos que encarar de frente o problema do foro privilegiado. Porque hoje tem uma preocupação com quem está preso, mas eu estou preocupada é com aqueles que ainda estão soltos no palácio do Planalto, dentro do congresso Nacional: Renan Calheiros [MDB], Aécio Neves [PSDB], Romero Jucá [MDB] e tantos outros. São quase 200 dentro do Congresso Nacional.

DIARINHO – Seus críticos dizem que já na campanha passada a senhora foi financiada por grandes empresários e, por isso, numa eventual vitória sua, estaria atrelada a interesses do grande capital. Como responde a isso?
Marina Silva – Esses aí são aqueles que fizeram a campanha da desconstrução, da mentira, da fake news. Lembra daquele filme que o João Santana fez dizendo que se eu ganhasse eu ia dar o dinheiro para os banqueiros? Ele estava projetando em mim aquilo que ele, junto com a Dilma, o PT, o PMDB, o PSDB estavam fazendo. Porque alguns dias depois das eleições a Dilma fez tudo aquilo que ela me acusou. Eu tenho uma posição de 33 anos de vida pública, 16 anos senadora, dois anos vereadora, quatro anos deputada federal, cinco anos, cinco meses e 13 dias no governo federal e não tenho um processo. Absolutamente nada. Nada que possa atestar acusações levianas, fake news, que até hoje são reproduzidas numa tentativa de me desconstruir. Mas, graças a Deus e ao povo brasileiro, eu acredito naquela ideia de que ‘conhecereis a verdade e ela vos libertará’.

Nome completo: Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima
Idade: 60 anos
Natural: Rio Branco/AC
Estado Civil: Casada.
Filhos: 4
Formação: Graduação em história, especializações em psicanálise e psicopedagogia
Experiências profissionais, políticas e de gestão pública: Professora do ensino médio, dirigente da o Acre, Vereadora, deputada federal, duas vezes senadora, ministra do Meio Ambiente e duas vezes candidata a presidente da República.

“O Temer apresentou uma proposta draconiana de reforma da Previdência e não discutiu com a sociedade brasileira. Obviamente que ouvindo apenas os empresários, os trabalhadores ficam com prejuízo”

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