Johnny Coelho

Secretário de Segurança de Navegantes

Nome: Johnny Eurico Coelho
Naturalidade: Itajaí 
Idade: 46 anos
Estado Civil: casado
Filhos: dois 
Formação: graduado em Gestão Ambiental e em Direito, também tem formação técnica em Administração de Empresas, em Edificações Colapsadas e em Defesa Civil. Em 1998, concluiu a formação como bombeiro e, em 2005, o curso de comando de operações. 
Trajetória profissional: presidente da associação comercial e industrial de Penha (1998-2000); comandante do corpo de bombeiros voluntários de Penha e Piçarras (1997- 2017); comandante regional norte e sul dos bombeiros voluntários de SC (2006-2009); comandante regional norte dos bombeiros voluntários de SC (2013 -2017); membro da comissão Nacional da Defesa Civil (2009 -2012); coordenador da Defesa Civil de Penha (2009 a 2014); relator da 1º Carta da Defesa Civil do Brasil (2010); presidente do colegiado de Defesa Civil da Amfri (2011); comandante e fundador do Corpo de Bombeiros Voluntários de Ilhota (2006-2007); fundador do Corpo de Bombeiros Voluntários de Navegantes; secretário Municipal de Segurança Pública de Navegantes desde 2017; superintendente de trânsito de Navegantes desde 2017, e coordenador da Defesa Civil de Navegantes desde 2018. 

O binário do aeroporto é um exemplo de obra de mobilidade urbana que vai ser um diferencial em todo o entorno do aeroporto de Navegantes.”

Johnny Coelho ficou mais de 20 anos à frente dos bombeiros Voluntários de Penha, Piçarras e Ilhota. Nativo de Navegantes, Johnny faz parte de um das famílias que fundaram a cidade e hoje ele está à frente da secretaria Municipal de Segurança Pública. À jornalista Franciele Marcon, Johnny falou sobre os problemas do trânsito da cidade, em especial dos enroscos nas proximidades do aeroporto e do ferry boat, e da negativa do município à empresa NGI Sul para a liberação da terceira rampa de acesso à travessia. Ele ainda contou sobre a licitação do transporte público que deve sair do papel ainda no primeiro semestre e seu trabalho à frente dos bombeiros voluntários. As fotos são de Fabrício Pitella.

DIARINHO – Você esteve à frente dos bombeiros voluntários de Penha e aceitou ocupar um cargo na prefeitura de Navegantes. O que mudou ao ocupar um cargo público comissionado?
Johnny – Primeiramente, eu comandei, fundei a corporação de Bombeiros Voluntários de Penha e Piçarras, como eu fundei também a corporação de Bombeiros Voluntários em Ilhota e também fundei, há quase 20 anos, a corporação de Bombeiros Voluntários de Navegantes. Na verdade, eu tenho raízes em Navegantes, sou neto de fundador da cidade, senhor João Honorato Coelho, tenho um vínculo muito grande. A primeira professora efetiva da cidade de Navegantes é minha mãe, ela é viva até hoje, graças a Deus. O meu vínculo com a cidade é mesmo muito grande. Eu nasci, sou nativo de Navegantes, tive um trabalho por cerca de quase 25 anos na corporação de Bombeiros Voluntários de Penha e Piçarras, onde na verdade eu fiz um serviço por toda região. Quando tinha eventos a gente sempre esteva à disposição para ajudar. A gente não pode ter fronteiras para fazer o trabalho voluntário. [Os bombeiros ganharam destaque nacional na época do desaparecimento do padre Adelir, o padre dos Balões…] O padre Adelir Carli foi uma história triste e bonita ao mesmo tempo. O padre, para muitos, não passava de um aventureiro, um louco. Mas, na verdade, foi ele que apresentou um projeto comunitário, um dos projetos mais bonitos que já vi, onde ele construiu 10 galpões fazendo voos nos balões, galpões para atender famílias de caminhoneiros. Famílias sofridas, principalmente nos arredores do porto de Paranaguá. Os motoristas ficavam ali com crianças, com esposas, cinco, seis dias esperando a liberação dos contêineres. Ele criou esses galpões para que as famílias pudessem se alimentar, tomar banho por preços irrisórios. Na época era R$ 1, R$ 2 por prato de comida. Foi uma história muito bonita. E houve a queda dos balões. Quando ele caiu, apareceu na Praia Vermelha, foram achados todos os equipamentos. Nós fizemos cerca de 30 dias de buscas, saiu em rede nacional, internacional, BBC de Londres, New York Times. Ficamos durante 30 dias fazendo essa busca. [Nunca foi encontrado o corpo?] O corpo foi encontrado seis meses depois, como nós prevíamos. Normalmente todos os corpos, quando há afogamento, coisas parecida, navegam ao norte. Depois que boia ele vai pro norte. Então ele foi achado no litoral de Macaé, já no Rio de Janeiro, seis, sete meses depois. Foi encontrado o corpo da cintura pra baixo. Foi feito DNA e confirmado. Até porque estava com a roupa, tudo certinho, quando ele caiu. Na época o próprio pessoal do IML do Rio de Janeiro entrou em contato e nós ajudamos dentro das nossas possibilidades. A história ficou marcada em nossos corações porque foi uma história muito linda.


DIARINHO – Você sempre lutou para que os bombeiros voluntários trabalhassem em parceria com os militares. Cada vez mais é difícil harmonia na relação. Os bombeiros voluntários estão fadados ao fim?
Johnny – Eu acho que muito pelo contrário. Nem o voluntário e nem o militar estão perto do fim. Eu acho que agora está perto de um começo. As corporações estão buscando harmonia, os comandos que têm entrado cada vez mais têm buscando conversações. Hoje eu, como secretário de Segurança Pública, ajudo muito o bombeiro militar, eu ajudo muito o bombeiro voluntário, dentro das nossas possibilidades, dentro da legalidade e moralidade. E eu vejo que as cabeças novas pararam um pouco com essa divergência de porque é voluntário, porque é militar. Todos eles convergem para um fim, e o fim é o bem comum da população. Então todos caminham pro mesmo lado. E é dessa forma que nós temos que tratar, foi sempre isso que busquei. Parceria e harmonia. Tivemos alguns problemas no passado? Tivemos sim, é notório isso. E não é só aqui, em várias regiões de Santa Catarina, até porque Santa Catarina é um modelo pro Brasil. O bombeiro mais antigo do Brasil é o bombeiro Voluntário de Joinville. Então nós temos que ter essa parceria. O bombeiro Militar é muito importante pra sociedade e o bombeiro Voluntário é muito importante. E eu vejo que agora, de uns dois anos pra cá, a harmonia está muito maior que 10 anos atrás. Se eu falasse que há 10 anos as coisas estavam bem, não estavam. Mas a cada dia se caminha mais para o bem comum.

DIARINHO – Qual o principal problema do trânsito de Navegantes?
Johnny – O trânsito de Navegantes é o principal problema como em várias cidades do litoral, açorianas: elas não foram planejadas. Elas foram feitas com vias estreitas, não foram deixados recuos necessários, as casas, os comércios invadiam. Se nós tivéssemos uma cidade projetada como hoje nós estamos tentando fazer, um trânsito projetado para 20, 30 anos, ficaria muito melhor. Hoje já é difícil de nós conseguirmos resolver todos os problemas. A cada loteamento que sai, a cada via, nós precisamos fazer com que tenham condições de viabilidade pensando daqui a 20 anos. Se nós cada vez pensarmos num trânsito para daqui a um ano, dois anos, nós não vamos pensar no futuro e cada vez mais vamos ter problemas. Eu vou dar um exemplo. Em Navegantes, 20 anos atrás, nós tínhamos uma frota com menos de 18 mil veículos. Hoje, Navegantes tem uma frota de aproximadamente 50 mil veículos cadastrados e emplacados na cidade. Se nós temos 50 mil da cidade, temos pelo menos oito, nove mil de fora lotados na cidade, ainda não transferidos. Então são quase 60 mil veículos. É uma frota muito grande. E as pessoas que nos visitam acabam acumulando esse problema no trânsito, na mobilidade urbana. O que nós estamos tentando também agora, provavelmente nos próximos dois, três meses, é a licitação do transporte público municipal. Vamos incentivar para que as empresas venham, participem e que as pessoas possam utilizar mais os meios de transporte público para deixar um pouco os automóveis, as motos em casa. Então nós vamos tentar favorecer cada vez mais para que isso aconteça. O prefeito Emílio tem batido muito nessa tecla. Ele quer a mobilidade urbana, ele quer incentivar cada vez mais os meios de transportes públicos para que nós possamos desafogar esse trânsito que hoje não é problema de Navegantes, é um problema de Itajaí, de Penha, de Piçarras. E se a gente não pensar em projetos que possam harmonizar o crescimento da cidade, nós só vamos ter problemas daqui pra frente.

O trânsito é o principal problema de várias cidades: elas não foram planejadas”

DIARINHO – A prefeitura de Navegantes anunciou o pedido de empréstimo de R$ 21 milhões para obras de infraestrutura. Acompanhamos a lista de obras e percebemos que ela trata mais de adequações viárias, com implantação de ciclofaixas, passeios públicos e acessibilidade, além de drenagem. As obras não contemplam mudanças viárias para resolver gargalos da cidade. Não seria mais interessante associar os dois tipos de obras para resolver o trânsito de Navegantes?
Johnny – Estão sendo feitas, sim. Inclusive uma deles, eu vou dar um exemplo claro, é o binário do aeroporto. É uma mudança radical. Onde vai se entrar por uma via e sair por outra. Hoje, todo o acesso ao aeroporto de Navegantes, é um exemplo, se concentra na rua Manoel Leopoldo Rocha, que é a rua do atual fórum de Navegantes, entra e sai por ali. A partir da construção desse binário, que vai iniciar nas próximas semanas, acreditamos que vai facilitar muito. Até porque o crescimento do aeroporto de Navegantes, para a internacionalização de fato, que hoje só existe no papel, nós precisamos ter acessos decentes. Hoje o acesso é ruim, é muito antigo, de 30, 40 anos atrás. Nós estamos mexendo sim no sistema viário de Navegantes, mas é importante salientar que Navegantes também vem sofrendo muito nos últimos 15, 20 anos com o problema da drenagem pluvial. Em épocas de cheias as ruas sofrem com tubulações antigas e quem sofre junto é a população. Nós precisamos dar qualidade à drenagem pluvial da cidade, pensar na nossa população. Quando se fala politicamente que tubo não dá voto, nós não estamos preocupados com isso. Nós estamos preocupados em deixar um legado pra cidade, deixar qualidade, deixar alguma coisa para 20, 30 anos. O binário do aeroporto é um exemplo de obra de mobilidade urbana que vai ser um diferencial em todo o entorno do aeroporto de Navegantes.

DIARINHO – Por que a prefeitura não autoriza a construção da nova rampa de acesso ao ferry boat?
Johnny – Na verdade, não é bem assim “a prefeitura não autoriza”. Nós precisamos de projetos que não vão influenciar diretamente no trânsito de Navegantes. Simplesmente construir a terceira rampa sem um projeto, sem um planejamento, sem um estudo?! A empresa não apresentou esse estudo. E outra coisa, antes da prefeitura de Navegantes autorizar ou não, nós precisamos da autorização da Marinha do Brasil, nós precisamos da autorização do porto de Itajaí, que é o detentor dessa bacia de evolução, nós precisamos de autorizações ambientais. A empresa tem que trazer tudo isso. Então não adianta o município dizer “vamos lá, autorizo”. E a prefeitura de Itajaí já autorizou? A pergunta que eu faço. O porto de Itajaí não vê com bons olhos. Nós já tivemos conversações com eles, inclusive das duas rampas. Por exemplo, cada vez que está se fazendo uma manobra das embarcações, estão entrando de ré ou saindo de ré, o ferry boat está parando por duas ou três horas. Estão sendo paradas as duas rampas. Nós temos projetos futuros que as rampas sejam construídas após o porto. E isso vai beneficiar a empresa, vai beneficiar o trânsito da cidade, pensando no futuro da cidade. Nós não queremos o mal da empresa, nós não temos nada contra a empresa. Nossa intenção é fazer com que o centro da cidade não se torne um gargalo. Simplesmente autorizando a terceira rampa por autorizar, sem saídas estratégicas, nós vamos tornar o trânsito caótico. Nós queremos soluções. Estamos estudando esta semana, estamos finalizando um estudo, para contribuir também. Porque é muito fácil dizer não ou sim. O importante é o município também ajudar a estudar.

DIARINHO – O discurso da prefeitura é que a empresa NGI Sul tem que se virar para resolver os problemas de filas e engarrafamentos para a travessia do ferry. Mas quem sofre com esses problemas são os moradores também. O que de fato a prefeitura tem feito para resolver este problema?
Johnny – Nós começamos a colocar mais agentes, melhorar a sinalização, fazer alguns desvios, mudar o trânsito. Por exemplo, a Manoel Moreira Meyer, a antiga rua do HSBC, virou só saída pra João Sacavém. Nós desafogamos aquele gargalo ali, que afunilava na esquina da João Emílio com a Moreira Meyer. Agora, do bairro São Pedro só sai, não entra mais. E uma outra que saía nós fizemos mais uma via pra sair e desafogar a João Sacavém. Nós estamos melhorando para contribuir, para evitar as discussões no trânsito. E também a gente está estudando a questão da terceira rampa de uma maneira que ela não venha a comprometer o trânsito da cidade. Ela tem que ser uma ajuda pro trânsito, ela não pode ser um comprometimento. Nós não podemos pensar na empresa somente, nós temos que pensar no povo da cidade. O povo da cidade vem sofrendo há muito tempo. Eu vejo que a melhor solução seriam as rampas pra carros, pra caminhões feitas depois do porto de Navegantes, próximo ao quartel do corpo de Bombeiros Militar com acesso à via portuária. Nós não traríamos esse trânsito pesado do ferry boat para o centro da cidade. Essa é nossa pretensão. Estamos estudando outras soluções para poder contribuir com projetos futuros.

Autorizando a terceira rampa [ferry boat] por autorizar, sem saídas estratégicas, nós vamos tornar o trânsito caótico”

DIARINHO – Você está sendo processado pelo condomínio Terras de Navegantes por conta da derrubada do muro que virou uma disputa judicial. Você não tinha conhecimento da ordem judicial quando autorizou a derrubada, antes das oito horas da manhã?
Johnny – Muito pelo contrário. Eu cumpri uma medida judicial. Nós fomos informados de uma medida judicial, na noite anterior. Nós fomos lá às 7h da manhã, como tem as fotografias comprovando, e o município foi intimado por volta das 8h30, quando já tinha executado a primeira parte. Eram duas partes para serem derrubadas, foi derrubada a primeira parte. E quando a gente soube – fomos notificados pelos advogados da prefeitura e pela notificação eletrônica do Tribunal de Justiça – já era em torno de 8h30 da manhã. Os serviços começaram 7h, nós temos fotografias com data, hora e local. E agora o condomínio vai ter que provar o contrário. Porque nós simplesmente executamos uma ordem judicial. E agora cabe ao condomínio provar isso aí.

DIARINHO – Faltam agentes para controlar e organizar o trânsito em Navegantes. Qual a previsão de aumento do efetivo? Por que a demora na contratação de novos funcionários?
Johnny – Nós provavelmente vamos fazer agora em fevereiro, no máximo em março, o concurso para novos agentes de trânsito e também pra vigilantes. Houve uma demora porque nós precisávamos ter condições financeiras de fazer. Não adianta simplesmente fazer um concurso e não poder chamar, como acontece em muitos municípios. Fazer o concurso pra dizer que fez e ficar ali guardado, isso provoca uma ansiedade nas pessoas que foram classificadas e não é isso que queremos
Em ano de eleições municipais não se pode contratar nem demitir servidores nos três meses que antecedem a eleição. Se fizerem o concurso em março, por exemplo, até rolar o prazo do edital chamando, fazerem o concurso, prazo de recurso etc, vai dar junho e não contratarão ninguém este ano, só em 2021, após a posse.

DIARINHO – Os índices de violência ainda assustam. Qual o principal crime cometido em Navegantes?
Johnny – Vale a pena ressaltar que depois que nós investimos muito no sistema de inteligência, de monitoramento, um dos melhores que tem no estado é o de Navegantes. Por um custo muito baixo conseguimos reduzir nos últimos dois anos 65% da criminalidade na cidade. Quando eu assumi a secretaria, Navegantes era a segunda no índice de criminalidade. Agora, passou a pequenos roubos. Quando entrei era o homicídio, chegamos a ter 40 homicídios em um ano, 2017 se não me engano. E em 2019 tivemos pouco mais do que cinco homicídios, não tenho o número de cabeça aqui. Então, roubos, furtos, pequenos furtos. Só que muitos estão sendo desvendados. A polícia Militar tem trabalhado muito, a polícia Civil tem trabalhado muito. E o sistema de câmeras de inteligência, o nosso hoje é compartilhado com a DEIC, com a DIC, com a polícia Civil e com a polícia Miliar. Esse sistema vem ajudando muito na resolução dos crimes. O que acontece em Navegantes grande parte está sendo resolvido em menos de 48h.

DIARINHO – A gente vê em Navegantes uma grande disputa nos bastidores políticos. Inclusive com racha no PSDB que é o partido que faz parte do governo. Há boatos de que tu seria candidato a prefeito. Você vai ser candidato a prefeito?
Johnny – Primeiro eu digo que estou apoiando, continuo apoiando, a reeleição do prefeito Emílio Vieira. Não sou candidato a prefeito, não tenho essa pretensão. Não vou dizer que não estou preparado, com certeza eu me considero preparado. Mas não é isso que eu quero para minha vida nesse momento. Quero contribuir com a cidade, ajudando de outras formas. Volto a dizer, a gente está preparado para ajudar e eu quero ajudar muito a nossa cidade. Porque a gente é nativo, tem vínculo familiar tanto por parte do meu pai, parte da minha mãe, as duas famílias são tradicionais da cidade. Eu não posso dizer que eu não quero ajudar a minha cidade. Estou sempre preparado e o que o partido achar melhor para nós caminharmos juntos, nós vamos, com certeza, ajudar a cidade.

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