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Gabriel Gollnick

Arquiteto

“Nós temos, em Itajaí, 60% dos deslocamentos sendo realizados por veículos automotores individuais”
Arquiteto
“Nós já temos a possibilidade de poder pensar todo o sistema de transporte Coletivo aqui da região de uma maneira integrada”
A paralisação no sistema de transporte público urbano de Itajaí, que durou quase uma semana, por conta da greve dos motoristas e cobradores da empresa de Transportes Coletivo, trouxe à tona um tema que costuma aparecer somente nos períodos eleitorais: a mobilidade urbana. E ninguém melhor para falar sobre isso do que o arquiteto e urbanista Gabriel Gollnick, que coordenou a formulação do plano de mobilidade urbana de Itajaí e ajudou a montar o de várias cidades vizinhas. Ao DIARINHO, o especialista revela dados de uma pesquisa que aponta os principais problemas do ir e vir da cidade e diz onde podem estar as soluções para que a mobilidade urbana seja mais eficiente. Os cliques são da jornalista Franciele Marcon.

DIARINHO – Mobilidade urbana é uma expressão cada vez mais comum nos discursos de gestores públicos. Mas o que significa esse conceito? É apenas a capacidade de uma cidade de prover o ir e vir com facilidade ou tem outras interferências na vida das pessoas?
Gabriel Gollnick – Primeiramente gostaria de agradecer ao DIARINHO por trazer à tona esse tema, que está cada vez mais sendo assunto e pauta no Brasil inteiro. Sobre a mobilidade urbana, como você falou, muito tem se comentado, ultimamente. Principalmente nas promessas de gestão política. Porque é algo que tem sufocado as nossas cidades. E a mobilidade urbana é uma função inerente a todos os tipos de deslocamentos dentro da cidade. Sejam eles através de meios motorizados ou não. Um deslocamento de pedestre, de um cadeirante, alguém de bicicleta ou uma carroça, o transporte coletivo, todo o transporte de carga, que é algo relevante aqui na região, tudo isso, que faz a cidade se movimentar, são atividades relacionadas à mobilidade urbana. E afeta, diretamente, a vida de todas as pessoas. Por que, quanto mais facilidade você tiver para se deslocar, para se locomover dentro de uma cidade, melhor a qualidade de vida, melhor a economia dessa cidade, melhor o potencial de crescimento econômico dessa cidade e, principalmente, a gente diminui as segregações sociais, que são relativas aos espaços e à falta de deslocamento que a gente tem dentro dos territórios urbanos e metropolitanos, como é a região aqui da foz do rio Itajaí.

DIARINHO – As cidades estão conurbadas. Mal se distingue as divisas entre elas. Um projeto de mobilidade urbana eficiente pode ser pensado individualmente, por cidade, ou seria mais eficaz fazer um planejamento consorciado entre os municípios?
Gabriel – Dentro do plano de mobilidade urbana, nós trabalhamos individualmente os planos para cada um dos municípios. Isso foi uma lei federal, a ‘Política de Mobilidade Urbana’, que obrigava todas as cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes ou pertencentes a regiões metropolitanas a terem seus planos de mobilidade até o ano de 2015. Depois esse prazo foi prorrogado até 2018, 2019, se não estou enganado. E nós pensamos também a integração entre todas as cidades. Porque hoje a gente não enxerga mais as fronteiras e a BR 101 acaba recebendo todo esse fluxo que as cidades não dão conta. Existe uma ferramenta muito importante, que é uma lei federal que foi aprovada em 2015, que se chama ‘Estatuto da Metrópole’. Ele, hoje em dia, proporciona às regiões metropolitanas brasileiras a gestão unificada de políticas que sejam de interesse em comum. E o transporte é uma questão em comum. Então, hoje, nós já temos a possibilidade de poder pensar todo o sistema de transporte Coletivo aqui da região, ou pelo menos em algumas cidades maiores, de uma maneira integrada. Ou seja, um sistema metropolitano integrado, com uma política tarifária integrada e com uma operação integrada. Não necessariamente com a mesma empresa operando. Pode ser mais de uma. Mas com toda uma política tarifária, operacional, integrada para todos os municípios. Isso, a gente envolve ferry boat, transporte coletivo, a rede cicloviária. A gente também pode incluir, nessa linha de projeto, uma rede cicloviária integrada para toda a região. Porque temos algumas características que são geográficas. Nossas cidades são muito planas. Tirando o deslocamento entre Itajaí e Balneário Camboriú, onde temos uma barreira geográfica para transpor. O mesmo vale para Balneário e Itapema. Mas nós temos a possibilidade de explorar muito ainda os transportes não motorizados, além do coletivo. [Seria só a bike ou teria outro transporte não motorizado?] Não motorizado, a pé também, né? Mas nós devemos cuidar muito mais dos nossos pedestres. Porque a situação das calçadas hoje reflete a nossa prioridade política. Ou seja, nós fizemos ruas para os carros, exclusivamente. A nossa cidade é um exemplo disso. Como nós temos passeios muito estreitos, muitas vezes tomados com equipamentos públicos como postes e lixeiras, e pro carro nós garantimos a faixa de rolamento tranquila. É uma reivindicação mesmo que nós, como população, como sociedade civil, temos que fazer. A gente tem que começar a enxergar as pessoas, em primeiro lugar, quando a gente fala em deslocamentos.

DIARINHO – Geograficamente, Itajaí está no centro da Amfri. Com a parte sul a rodovia Osvaldo Reis forma um corredor que afunila e trava o trânsito. Pelo lado norte, há o rio Itajaí-açu como limitador natural de acesso. Fora isso, sobra o tráfego sobre a BR 101 como alternativa de ligações entre as cidades? Como resolver esses problemas?
Gabriel – Nós temos que pensar toda essa nossa região como sendo uma grande cidade e que as nossas cidades sejam como se fossem bairros de uma cidade muito grande e que têm deslocamentos interligados e diários muito grandes. Por exemplo, Itajaí tem, aproximadamente, segundo nossos levantamentos de 2015, a realização de 30 mil viagens municipais para os outros vizinhos da Amfri diariamente. Sendo que 75% delas são realizadas com veículos individuais motorizados. Ou seja, carros e motos. O que é que nós podemos fazer em relação a isso? Intensificar e qualificar o sistema de transporte coletivo, prioritariamente. É claro que, no Brasil, nós temos algumas deficiências regulatórias, que tornam o sistema de transporte coletivo lento, atrasado. Ele não consegue evoluir de acordo com outras tecnologias que a gente consome e utiliza no dia-a-dia. Se nós formos olhar bem, o nosso sistema de transporte coletivo ele é praticamente o mesmo dos anos 2000 e dos anos 90 e assim por diante. Então é fácil a gente identificar esse hiato de evolução tecnológica que nós temos do transporte coletivo em comparação com o sistema motorizado individual e com todas as demais tecnologias que a gente usa. Então, planejar e realizar um sistema de transporte coletivo regional, quem sabe com corredores de transporte, com faixas exclusivas na Osvaldo Reis, na avenida do Estado, interligando essas duas cidades, que são as maiores e as mais importantes. Fazer uma reprogramação no sistema do ferry boat. Quem sabe eliminar o ferry boat para veículos e motos no centro das duas cidades. Porque isso gera um ônus muito grande para a região central. Fazer até uma revitalização para essas duas regiões e utilizar o ferry boat apenas para pedestres e bicicletas também é uma alternativa. Nós concentraríamos, assim, o transporte de veículos na balsa, certo? Na balsa que já existe hoje na Barra do Rio. E, no centro da cidade, apenas o ferry boat voltado para pedestres e ciclistas. Favorecer o transporte coletivo é fundamental. Isso me lembra muito uma discussão que teve em Florianópolis, no mesmo plano, que é o plano regional de mobilidade urbana daquela região metropolitana, em que discutiam sobre a possibilidade de fazer mais pontes. De fazer um túnel. Assim por diante. E a conclusão que eles chegaram foi a de que deveriam fortalecer o sistema de transporte coletivo. Porque se eles criassem mais pontes, eles teriam mais carros. E a nossa solução é muito parecida. Se nós duplicarmos, se nós triplicarmos a nossa ligação com Balneário Camboriú, nós vamos ter mais carros. E a nossa divisão modal, em toda a região da Amfri, é muito superior a do Brasil. Enquanto que no Brasil, cidades com população muito parecidas com Itajaí, aí entre 150 mil e 250 mil habitantes, 30% dos deslocamentos são realizados com veículos individuais motorizados, nós estamos numa faixa de 60%. A média da região é um pouquinho mais baixa. Fica na faixa de 55%. Mas nós temos, aí, 60% das viagens sendo realizadas por veículo automotores. [E nos outros modais, como fica essa relação?] Na mesma faixa de população, de acordo com estudos da ANTP (Agência Nacional de Transportes Públicos) de 2011, as cidades com uma faixa de população parecida, semelhante com Itajaí, tinham uma participação no transporte coletivo em 18%. Enquanto a nossa, de acordo com os nossos estudos de 2015, são apenas 8%. E essa é a taxa mais alta da Amfri. [E o não motorizado, com bicicleta e a pé?] O não motorizado nós temos um percentual de aproximadamente 30%, 35% aqui na região. E ele pode ser muito maior. Nós mapeamos os deslocamentos, em nossa pesquisa domiciliar, onde entrevistamos 1117 pessoas em dezembro de 2014, e identificamos que os deslocamentos médios em Itajaí têm a faixa de 3,5 quilômetros. Pequeno, né? É algo que com veículos não motorizados, como a bicicleta ou apenas o deslocamento a pé, a gente conseguiria suprir. Temos algumas características da cidade que são muito simples e a gente ainda não conseguiu perceber. Por exemplo, as pontes que cruzam o ribeirão da Murta, o canal retificado do Itajaí-mirim ou o canal original do Itajaí-mirim, são direcionadas exclusivamente para automóveis. Ou seja, nós temos comunidades que vivem vizinhas, muito próximas umas às outras, mas que não conseguem se interligar. Ou seja, nós canalizamos esse fluxo apenas para carros, em cima dessas pontes e ainda fizemos que a população tenha que se deslocar a grandes distâncias para fazer esses deslocamentos. São soluções muito simples que a gente pode propor para começar a criar conectividade na malha urbana da cidade. [Pontes exclusivamente para pedestres seriam uma solução?] Seriam. E para ciclistas também, que é muito importante.

DIARINHO – Você coordenou os trabalhos de formulação do plano de mobilidade urbana das cidades da Amfri. Em Itajaí, que é a maior cidade da região, o que foi detectado no diagnóstico?
Gabriel – A questão da acessibilidade se destacou muito negativamente, infelizmente, em todas as cidades. Nós temos uma característica de passeios e calçadas muito deficientes. A realidade é que nós não possibilitamos que pessoas com um mínimo de deficiência, seja uma deficiência temporária, como usar uma muleta, por exemplo, ou com uma cadeira de rodas, que é a mais simbólica de todas as deficiências físicas, transitem livremente pela cidade como uma pessoa com as condições físicas plenas. Isso a gente tá limitando as pessoas de exercerem a sua cidadania. Sempre que um cidadão precisa da ajuda de um outro cidadão para sair na rua, para pegar um sistema de transporte coletivo, para ir na padaria que está na esquina, a gente tá constrangendo esse cidadão. Então, é algo muito, muito importante. Um outro ponto que veio bastante à tona é a questão das interligações dentro da cidade. O nosso sistema viário é muito truncado. As nossas cidades, aqui do litoral, elas nasceram de grandes loteamentos, em que as ruas são perpendiculares à faixa do mar. Temos grandes vias, com até 400 metros de comprimento, em que o seu vizinho tá a 40 metros atrás de você e você tem que dar uma volta de 600 metros para chegar nele. É preciso ampliar essas condições da malha viária e, principalmente, do transporte coletivo. A maior deficiência que nós conseguimos identificar, quando as pessoas respondiam o por que de não utilizar o sistema de transporte coletivo, era a falta de horários, a falta de itinerários e a falta de confiabilidade no sistema. Ou seja, eu poder confiar que o meu ônibus vai passar na frente da minha casa ou no ponto em que eu embarco no horário que ele tá programado. Falta muita informação do sistema. O sistema muda muito. Hoje existe um itinerário, amanhã ele mudou e assim por diante. Essa foi a crítica, a principal demanda que nós identificamos através das pesquisas.

DIARINHO – Itajaí passa por uma crise no sistema de transporte público, que esteve parado por conta de uma greve de cobradores e motoristas. O plano de mobilidade urbana, em sua fase de levantamentos e diagnóstico, o que ele detectou?
Gabriel – A questão da confiabilidade, da pontualidade do sistema. A população não utiliza o sistema de transporte coletivo porque não confia. Nós fomos levados, nos últimos 10, 15 anos, a consumir muito o automóvel e a moto. Isso se apresentou, para a população brasileira em geral, como a solução. Nós vivemos um momento de crescimento virtuoso econômico, antes do período que nós vivemos agora, nos últimos três quatro anos. Em que a frota de veículos motorizados no Brasil cresceu 122%, enquanto que a população cresceu 12%. Ou seja, ela cresceu 10 vezes mais. Em Itajaí, esse crescimento foi de 130% no mesmo período. Em contrapartida, não tivemos nada em nível nacional de investimento ou renovação de uma política que regulamenta o sistema de transporte coletivo. Uma coisa que nós percebemos são críticas recorrentes aos operadores. É claro que existem falhas muito graves em todos os sistemas de transporte coletivo. Mas nós temos algo que limita até um pouco a qualificação do sistema que é o formato de regulamentação disso no Brasil. A gente tem poucas ferramentas. Ou seja, o operador tem que arcar com todos os custos do sistema. Então a gente tem que mudar um pouquinho a forma de regulamentação, mudar os contratos, fazer novas modalidades de regulamentação, para que isso venha a ser mais viável, um sistema de transporte coletivo melhor, mais qualificado, mais confortável. [Que exemplos temos no mundo de outros tipos de regulamentação do transporte público?] Um case muito bom de transporte coletivo é a Europa, né? O que o Brasil seguiu nos últimos anos foi um modelo americano, de carros e tal, só que sem as autopistas que os americanos têm. Na Europa é muito comum que existam subsídios públicos sob o sistema de transporte coletivo. Não só público, como outras fontes de receita que venham a integrar, aí, o modelo operacional do operador. [Como publicidade nos ônibus?] Como publicidade, por exemplo. A concessão de terminais, para que o recurso venha de outras maneiras e aí venha a ajudar a qualificação do sistema mesmo, né? E aí a utilização de novas tecnologias e assim por diante.

DIARINHO – Quem opinou e apontou essas situações críticas da mobilidade urbana? Quem vive a cidade também foi ouvido ou a formulação desse diagnóstico foi apenas sob um olhar técnico?
Gabriel – Não, graças a Deus isso foi sob um olhar bem popular. Nós tentamos atrair o máximo possível da participação popular. Lembrando que a responsabilidade sobre os convites de todos esses eventos de participação popular eles eram da prefeitura de cada uma das cidades. Nós tivemos cidades dentro da Amfri com participações muito grande. [Quais, por exemplo?] Porto Belo [administrada na época pelo prefeito Evaldo Guerreiro, do PT] , por exemplo, em 2015, quando realizou suas consultas públicas teve o maior número de participantes de toda a região. Em comparação a Itajaí [administrada então pelo prefeito Jandir Bellini, do PP], aqui nós tivemos 220 participantes, aproximadamente, em sete reuniões realizadas no ano de 2015, na fase de consultas públicas. Em Porto Belo foram, aproximadamente, 500 participações. O dobro e com uma população muito menor. Isso vai muito da capacidade de comunicação de cada gestão municipal. Essas duas são as que mais marcam a equipe, porque ela é desproporcional na participação em relação à população das cidades. Uma outra forma que nós tivemos de participação popular foram as pesquisas domiciliares, em que nós conseguimos mapear para onde vão os deslocamentos de Itajaí, como as pessoas se deslocam. Nós fizemos 1117 entrevistas em dezembro de 2014. Isso foi muito importante. Isso é algo que a Constituição brasileira preconiza: participação popular em todos os projetos de plano de interesse popular. Nós somos cidadãos e entendemos todo o ceticismo que gera sempre quando a gente escuta as palavras “plano”, “projeto”, porque a gente vê muito pouca coisa sair. Mas é muito recente, até na história democrática do Brasil, esse tipo de planejamento, onde a população pode participar, onde tem um papel importante. Mesmo quando as gestões públicas não abram a oportunidade disso acontecer, é importante que a população cobre. Porque é um direito constitucional a participação popular.

DIARINHO – Quais foram as soluções propostas pelo plano de mobilidade urbana de Itajaí?
Gabriel – O primeiro deles, a nossa primeira estratégia foi pensar numa pirâmide invertida, onde a maior parte dos deslocamentos seria composta pelos não motorizados. Devemos melhorar as calçadas, logicamente. Devemos fazer uma rede cicloviária interligada. Depois disso nós passamos para o transporte coletivo, depois para o transporte comercial, que seriam o táxi e as novas tecnologias que vêm aí, tipo compartilhamento… [O Uber, por exemplo?] O Uber, por exemplo. […] Não deixamos de lado a questão do carro. O carro existe, não vai deixar de existir. É importante que exista, é importante que receba um outro tratamento. A cidade merece outro tratamento viário. Questão de sinalização, abertura de áreas prioritárias. E, aqui na região, nós temos a questão do transporte de mercadorias. Então nós devemos ter um equilíbrio, uma gestão sobre o tamanho e o peso ideal dos veículos de transporte de mercadoria dentro da cidade.

DIARINHO – Quais seriam outros modais, que pudessem ser alternativas para o transporte público? As vans de lotação seriam uma alternativa?
Gabriel – Se regularizadas, sim. Mas o ideal é que a gente sempre dê prioridade ao sistema de transporte coletivo de maior volume. Claro que o sistema de maior volume não vai atingir alguns lugares em que as vans chegam. Então, se elas forem complementares, perfeitamente. O que a gente não pode gerar é uma concorrência desleal de sistemas irregulares com sistemas regularizados. (…)

Nome completo: Gabriel Guilherme Gollnick
Idade: 30 anos
Local de nascimento: Joinville.
Estado Civil: Solteiro
Filhos: Não os tem
Formação: Arquitetura e Urbanismo e mestrando na área
Experiência profissionais e de projetos: Coordenador do Plano Municipal de Mobilidade Urbana da associação dos Municípios da foz do Rio Itajaí-açu e dos planos de Itajaí e Navegantes e integrante das equipes que produziram os mesmos planos em Itapema, Porto Belo e Balneário Piçarras.

“A gente tem que começar a enxergar as pessoas [pedestres], em primeiro lugar, quando a gente fala em deslocamentos”

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