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Cantor Falcão


NOME: Marcondes Falcão Maia
NATURAL: Pereiro,Ceará
IDADE: 60 anos
ESTADO CIVIL: casado
FILHA: uma
FORMAÇÃO: Arquitetura pela Universidade Federal do Ceará
TRAJETÓRIA: humorista, cantor, apresentador e compositor brega notado pelo estilo irreverente e cômico. Tem nove discos gravados e atualmente participa de filmes e séries de TV

“Eu já sou uma espécie de Dercy Gonçalves: pode falar qualquer tipo de esculhambação, que o pessoal não vem reclamar muito”

“Um cara com 1,90 de altura com óculos escuros, cantando uma música que não tinha nada a ver com a história, foi daí que começou tudo”

“Eu sou o Brad Pitt do Ceará. Marlon Brando do brega”

Ele não passa despercebido. Quase um metro e noventa de altura, de óculos escuros, vestindo roupas coloridas e ostentando um girassol no peito. Falcão, que é humorista e músico, passou por Itajaí na semana passada para um show beneficiente. Na ocasião, conversou com a jornalista Franciele Marcon. Falcão é um cara simples, articulado, bem humorado e divertido, que sentiu na pele uma vida de dificuldades no nordeste do Brasil. Até os 12 anos não tinha energia elétrica em casa e os brinquedos eram coisas que inventava no quintal. Se formou em Arquitetura, pela Universidade Federal, mas foi como cantor que viu suas composições, de letras simples mas profundas em mensagens, serem tocadas em rádios e programas de TV do Brasil afora. A conversa foi tão boa que se estendeu até mesmo sobre política. As fotos são de Rafael Boeira.

DIARINHO – Você viveu até os 12 anos em uma casa sem energia elétrica. Seu pai era o único farmacêutico da cidade de Pereiro, no Ceará. Passados tantos anos, o que ficou em você do menino do interior?
Falcão: Ficou muito. Essa história da primeira infância da gente, como dizem os entendidos, é o que fica marcado para o resto da vida. Uma cidade muito pequena, muito tranquila. Ninguém sabia o que era violência. Ninguém conhecia nem Coca-Cola, nem Fanta Uva, esses venenos que tem por aí. Era muito legal. Hoje em dia, a gente pensa que não relembra o passado, mas, por exemplo, faço uma música e vem uma palavra, uma lembrança, uma história da infância, e coloco dentro da música. Eu sou grato por ter sido criado até essa data, 11, 12 anos, na cidade de Pereiro, sem energia, sem conhecer muita coisa, mas pelo menos formou aquele caráter fulerístico de cearense, foi lá na cidade. [Você é saudosista? O que sente mais falta em comparação aos dias de hoje?] Sou muito de saudosismo. Acho que cada tempo tem suas coisas boas e suas coisas ruins. Naquele tempo tinha coisas ruins. O fato de a gente não ter como continuar os estudos porque não tinha escola, só tinha escola primária. O sujeito tinha que sair de lá para continuar estudando. Claro que hoje em dia, eu vejo as crianças, meu filho, por exemplo, não poder brincar na rua, sair de casa, não tem os brinquedos mais lúdicos que a gente teve na infância, é uma coisa que deixa a gente um pouco triste. Mas com certeza, essa juventude tem um bocado de coisas boas pela frente. Eu sempre digo: o nordeste do Brasil era um lugar muito atrasado. Naquele tempo, era atrasadíssimo. Então não tem muito o que a gente queira que volte ao passado, porque as coisas melhoraram de lá para cá.

DIARINHO – Como surgiu o personagem Falcão?
Falcão: Não sei nem se é um personagem. Na verdade, só muda a roupa. Assim como Roberto Carlos veste aquele terno azul desbotado. Eu visto essa indumentária para ficar mais bonito. Nem precisava, porque eu já sou um cara bonito de nascença. A brincadeira começou porque eu era compositor. Tinha um bocado de música, mas as músicas eram um tanto quanto fora da linha do que se fazia naquele tempo. Eu mandei música para Fagner, para o próprio Roberto Carlos… Eu cheguei a mandar música até para o Milton Nascimento, que não tem nada a ver comigo. Realmente, foi uma doidice. Milton não ia gravar essas coisas que eu canto. Por isso mesmo, porque não tinha ninguém que quisesse gravar, eu comecei a formar a ideia que eu tinha que cantar minha própria música. Foi daí que apareceu um festival, destes festivais que tinha na época, festival pra rico, foi nos anos 80, não existiam mais festivais, mas apareceu um festival em Fortaleza. Eu já estava inclusive na faculdade. Terminando a faculdade de Arquitetura. Eu me inscrevi com a música chamada Canto Bregoriano – como era brega, chamava bregoriano. E alguém deu a ideia que eu devia vestir uma roupa de brega. Eu vesti, mas não era assim psicodélico como hoje. Não era tão lindo assim. Era uma coisa mais sombria. Era uma coisa em cima da figura do Waldick Soriano, que usava ternos pretos, chapelão na cabeça, óculos escuros. Os óculos escuros foram um achado. Eu nunca tinha cantado em público. Os óculos escuros são um esconderijo, uma máscara. Só de você saber que não tem ninguém olhando no seu olho, já é muito bom. Foi um sucesso grande por causa da figura. Uma coisa inusitada. Um cara com 1,90 de altura com óculos escuros, cantando uma música que não tinha nada a ver com a história; foi aí que começou tudo. Se é que existe um personagem, foi ali, naquele dia, que ele surgiu. [Tem pessoas que acordam e tomam um café. Você acorda e coloca os óculos?] Sabe que os óculos escuros me deram essa coragem de enfrentar o público… Porque eu era tímido, agora não sou mais não. Mas eu era muito tímido. Depois começou “a vista a encurtar”, como diz a história, tem que ter grau. Daí eu mandei colocar um grau nos óculos escuros e é uma desculpa pra ficar com eles o dia todo.

DIARINHO – O que você guarda do arquiteto que exerceu a profissão por três anos? Chegou a fazer alguma obra?
Falcão: Ah, cheguei. Foi muito interessante, porque eu sempre fui um cara que gosta muito de desenhar e se expressar no desenho, em cartum, na poesia, na música. Quando cheguei na faculdade de Arquitetura, você se expressa com todas essas coisas. Tem que estudar tudo. Passa pela escultura, jardinagem, paisagismo e não sei quê. Foi muito bom. Pra mim, a arquitetura abriu os caminhos mesmo. Depois eu vi que não era pra eu ser arquiteto, era para estudar arquitetura para usar aquilo que eu estudei lá. Trabalhei ainda como arquiteto. Tinha um escritório em Fortaleza, eu e mais dois colegas. Fiz coisa pouca, porque era recém-formado e arquiteto não tinha esse mercado que tem hoje em dia. Pessoal achava muito mais interessante contratar mestre-de-obra, engenheiro, comprava umas revistas, olhava umas casas e fazia. Eu até brinco que eu fiz mais foi gaiola, casa pra sogra, foi reforma em casa de cunhado. [risos]

DIARINHO – Quem escolhe os seus modelitos? Sua mãe ainda lhe ajuda?
Falcão: Minha mãe agora está mais aposentada. Minha mãe era costureira mesmo, profissional. Ela costurava. A alta moda pereirense, minha mãe que fazia [risos]. Agora, ela está com Alzheimer e não tem condições de fazer, mas ainda dá uns pitacos. Hoje em dia quem produz, além de mim, é a minha mulher. A gente fica, às vezes, indignado, porque lançou umas roupas, todo mundo achou que era brega, e daí aparece um cara usando e todo mundo gosta. [risos].

DIARINHO – Você compõe a maioria das suas músicas. Como surge a inspiração?
Falcão: Isso na maioria das vezes é mais transpiração do que inspiração. É de ir andando por aí, pelo Brasil todo. Tem umas coisas que, às vezes, a gente vê uma frase ou uma situação. Uma frase de para-choque de caminhão, eu já fiz uma música. Tem que ter não só a coisa bem humorada, mas uma mensagem, principalmente nas coisas sociais, políticas e pedagógicas. Eu acho que os artistas têm que passar essas coisas. Não é só a fuleragem em si, tem que ter alguma coisa. Eu fico meio indignado com a música que está se fazendo, principalmente na música dita pop, funk carioca, o forró, axé, que é só dançante, não tem mensagem. O sujeito não tira nada de proveito. Eu sempre procurei… Mesmo que seja uma coisa bem ruim, tinha que ter uma mensagem. Aí, qualquer coisa serve pra fazer música. Para você ter uma ideia, às vezes, faço música até dentro do banheiro. Para você ter uma ideia, tem música que leva até dois minutos para fazer, de tanto trabalho que dá [risos].

DIARINHO – Essa indignação que você tem com a falta de mensagens das músicas suscitou a briga que você teve com o Pabllo Vittar na internet?
Falcão: Não. Na verdade não foi nem briga, porque eu não sei se teve motivo para isso. Eu fiz apenas um comentário e antes de falar mal dele, falei mal de mim. Eu disse: “nunca vi um cabra para cantar mais ruim do que eu, esse que apareceu agora” [risos]. É apenas uma coisa que eu faço muito nas minhas músicas e no meu show. Isso, inclusive, é uma piada recorrente no meu show. Quando tem um cara muito feio no meio do show, eu digo: graças a Deus, tem um cara mais feio que eu. O próprio Pabllo Vittar, aliás, a própria, como ele gosta de ser chamada, não sei nem se achou ruim ou achou bom. Não se manifestou. O problema é o mimimi que corre hoje em dia, principalmente por conta da internet, que você não pode mais falar nada. Não pode nem dizer que o papa é bonito, que já tem um cara para dizer que não é, que você está querendo avacalhar com o papa e essas coisas. [Você é muito ativo nas redes sociais?] Sempre fui. Eu tenho umas fases. Tive uma fase que era muito mais Twitter, eu achava que o Twitter era uma coisa exatamente para rebater besteiras. Como o Twitter aguentava só 140 caracteres, então não tinha espaço para ninguém estar sendo besta lá. Era mais para dar o recado. Depois migrei para o Instagram e Facebook, e gosto muito de frequentar. Inclusive para quem faz música, é o canal atualmente. Morreu gravadora, na rádio não toca mais, não existe mais audiência em si, ninguém compra, ninguém vende mais CDs. O artista de música e de audiovisual também tem que se reinventar na internet. É a única maneira de se mostrar. Tem esse mal grande que é a história das pessoas, que não são educadas suficientemente para usar rede social, aliás, não deu nem tempo para aprender… Eu não sei como o povo fazia para ser besta antes do Facebook. [risos]. [As pessoas, principalmente no Facebook, não fazem comentários construtivos, é só detonando…] E quando alguém faz um comentário construtivo, ninguém dá o menor valor. Tem uma curtida só. Eu faço experiência. Coloco uma coisa bem ruim, daí todo mundo estoura. Daí, quando eu faço uma coisa interessante, inteligente, algumas pessoas que sacam é que vão curtir, o resto não está nem aí. Acho que o pior do Facebook é a história do anonimato. O cara que ninguém está vendo, ninguém conhece, ele tem o direito de falar mal, de esculhambar todo mundo. Inclusive, destratar as pessoas. Acusar! Inclusive como acontece nos debates políticos na internet.

DIARINHO – As músicas adaptadas para o inglês alavancaram sua carreira. De onde surgiu essa sacada?
Falcão: Naquele tempo eu ainda estava chegando em Fortaleza, Waldrick Soriano lançou “Eu não sou cachorro não”. Veio aquele estalo: “por que uma música dessa não pode ser em inglês?”. Ao mesmo tempo estava começando a entrar no Brasil, talvez no sudeste até já tivesse, mas no nordeste estava começando a história da rádio FM. As FMs que apareceram lá só tocavam música em inglês – o dia todo. Eu pensei: a gente tem que passar “eu não sou cachorro não” para o inglês para as rádios tocarem. Foi daí a ideia de fazer: “I’m not dog no”. Eu chamei o Tarcísio Matos, que era meu parceiro desde esse tempo, e a gente sentou em um bar, pegou um dicionário daquele da época, edição de ouro. Na época não tinha Google, não tinha nada, e saímos fazendo a montagem, palavra por palavra. Aí está o engraçado, porque palavra por palavra perde o nexo da história. Depois fiz Fuscão Preto e outras coisas. Fiz Pink Floyd, ao contrário. [risos]. Fiz agora a música do Bob Dylan, Like Rolling Stones, que ficou “Lasque a rola em Tonha”.

DIARINHO – Suas músicas são todas sobre amor, sofrimento, traição. É o “famoso complexo de corno”?
Falcão: Eu pensei que não era corno não. Depois pensei: não existe cidadão e cidadã que não tenha levado um chifre. Que não tenha ganhado uma “gaia” na cabeça, como diz os pernambucanos. Não foi só porque eu tenha sido chifrado uma vez, que isso nem me tocou. Eu achei que foi bom. Tava querendo me livrar da criatura e quando cheguei lá, ela tinha casado com outro cara. O legal dessa brincadeira é exatamente isso: tirar a coisa pejorativa. O pessoal matava, tinha assassinato e muito crime por causa de traição. Pegar a mulher ou o marido com outra, tinha essa confusão toda. A partir de determinado momento, e nem fui que comecei, foi o Waldrick Soriano, foi Reginaldo Rossi, esse pessoal começou a brincar. Daí, se estendeu um pouco e hoje em dia o pessoal nem reclama muito. Claro que é chato, mas não tem mais aquela coisa de querer se vingar com a morte. [Havia casos que acabavam perdoados pela justiça por causa da “moral e dos bons costumes…”] Era a defesa da honra, tinha essa jurisprudência dentro da Justiça. Era uma coisa muito ruim, porque se a mulher matasse o marido, não era liberada não. Era mais se o homem matasse a mulher – era muito desigual. Eu acho que por esse lado nossa música ajudou, foi pedagógica. [Você acha que a sociedade está menos machista?] Eu acho que sim. Essa história de estar menos preconceituosa com a homossexualidade está muito mais legal, muito mais aberta. Eu estava conversando com um amigo e falávamos que há cento e poucos anos tinha escravidão no Brasil e todo mundo achava normal. Hoje em dia é uma loucura falar em escravidão. A mesma coisa vai acontecer com o machismo, preconceito, com o racismo, as coisas vão ficar muito melhores.

DIARINHO – Hoje em dia já não é possível fazer piada com tudo e todos. Você sofre com a era do politicamente correto?
Falcão: Eu até que não sofro muito não, porque o pessoal já me conhece. Eu já sou uma espécie de Dercy Gonçalves: pode falar qualquer tipo de esculhambação, que o pessoal não vem reclamar muito. Por exemplo: uma música como “Homem é homem, menino é menino, macaco é macaco e viado é viado”, alguns garotos que não conheceram na época já torcem o nariz para essa música. Eu até acho interessante eles torcerem o nariz, porque causa a discussão – discutindo a gente chega a algum ponto. Eu vejo os humoristas como Danilo Gentili, Rafinha Bastos, entrando em enrascada porque o pessoal acha que eles estão sendo preconceituosos. Ao mesmo tempo tem uma corrente que acha que o humor pode tudo. Outra acha que não pode. Outro dia estava conversando com a atriz e humorista Grace Gianoukas, ela acha que quando você começa a ferir as pessoas, não é mais humor. Humor tem que usar as situações humanas e não as pessoas. Aí fica a discussão.

DIARINHO – Você é conhecido em todas as regiões do Brasil ou tem alguma região que a sua música “não pegou”?
Falcão: Não tem não. Impressionante isso, porque tem quase 30 anos que estou nessa estrada e inclusive passei uma temporada sem gravar nada, mas onde eu chego todo mundo sabe quem sou. Se não sabe o nome, sabe que eu “sou o cantor do girassol”. O girassol tem muito a ver com a história. Interessante porque vai ao encontro daquilo que eu estava falando: como eu sempre tento passar uma coisa para que fique na cabeça do cara, para depois da risada. O cara escuta a música uma vez, duas vezes e ri; depois ele vai imaginar: “o que esse cabra está querendo dizer com isso”. É por aí a história de ter ficado esse tempo e ter ficado tão conhecido. A roupa ajudou muito também. As pessoas quando me veem com essa indumentária, atualmente estou até ficando mais sóbrio, mas o pessoal reclama muito, falando que tem que ter essa roupa. As crianças e a terceira idade adoram esse colorido e de ser uma coisa brincalhona. O público mais jovem vai para o lado mais cabeça da história: o cara está falando um negócio aqui que é interessante. Tem o pessoal da classe C e D que acha que eu sou um Fábio Junior, mas isso é muito legal. Eu pego todos os públicos.

DIARINHO – Há um público novo já que você está fazendo cinema, gravando filmes e séries?
Falcão: Eu nunca imaginei ser ator. Mas como no Ceará aconteceu um boom de comédia nordestino, a partir do filme Cine Hollywood e depois Chauly do Sertão, no qual eu participei quase sem querer, porque eu fui puxado à força pra fazer. Eu não queria ser ator e nem tinha o traquejo de ator. Em 2017, eu fiz três filmes. Dois dos quais não são de comédia, são filmes românticos, com Leandro Hassum. Eu fiz dois filmes do Leandro Hassum e agora estou terminando uma minissérie na Globo, onde faço um papel, e só vai estrear no segundo semestre. [Parece que essa participação te rendeu até um título?] Eu sou o Brad Pitt do Ceará. O Marlon Brando do brega.

DIARINHO – Falcão, você é próximo de Ciro Gomes, que já foi prefeito de Fortaleza e governador do Ceará… Ele deve ser candidato a presidente da República…
Falcão:É a via. Na atual conjuntura dessa quase guerra civil que nós estamos vivendo no Brasil, acho que Ciro Gomes é uma saída interessante. A não ser que apareça, e é muito difícil que apareça nesse pouco tempo que falta para a eleição, uma pessoa que reúna as qualidades que ele tem. Eu, como amigo e conterrâneo, sei que ele nunca se meteu em falcatrua. É um cara que administrou o Ceará muito bem e a própria cidade de Fortaleza quando prefeito. Eu não estou pedindo voto para Ciro Gomes, mas digo que eu especialmente votarei nele. Acho ele interessante.

DIARINHO – Por que é importante falar sobre política no Brasil?
Falcão: É necessário. A gente sabe que todo mundo esculhamba a política, mas está errado. Não boto nem a culpa na maioria do povo, porque o povo também não tem discernimento para saber quem é ruim e quem é bom, mas digo uma coisa: a gente deveria analisar cada candidato, desde o vereador até o presidente da República. A política é interessante, todos nós temos que discutir. Toda essa confusão que houve com o impeachment da presidente Dilma Roussef até hoje, as pessoas estão muito mais politizadas – isso é um lado positivo da história. Só através dessa politização a gente vai compreender o que já houve, estudar um pouco da história do Brasil e, através disso, não votar mais errado.

DIARINHO: E a condenação do Lula?
Falcão: Lula? Não sei por que tem essa perseguição toda com o Lula. Ao mesmo tempo sei, porque é um cara que sempre tentou diminuir as diferenças sociais no Brasil – acho que é por isso que tem essa perseguição. Não sei se ele é culpado dos crimes. A impressão que se tem é que, se for culpado, é aquele ladrão de galinha que vai e passa 10 anos preso, enquanto o ladrão do banco é solto na outra semana. Se for candidato, é um cara que merece o meu voto também.

DIARINHO – Como surgiu a ideia de ajudar a Adefi? Por que você escolheu a associação dos deficientes para doar parte da renda do show?
Falcão: Por causa do Toni Sagaz [produtor cultural]. Ele é o cara que estava me fazendo crescer aqui na região. Eu estou crescendo na mão dele. Ele convidou, através do nosso escritório, e eu gosto muito de fazer essas coisas, porque a sociedade civil e o artista, principalmente, têm que dar a sua contribuição. Não é só ficar esperando que o governo faça, que alguém faça, porque o mal do brasileiro é, infelizmente, esse: achar que tem que ser feita a coisa, mas não através da gente. Não só em Itajaí, tenho feito em outros lugares, mas também não é coisa que a gente fique se vangloriando ou falando. Eu falo para dar o exemplo para outros artistas e outras personalidades fazerem.

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