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Entrevistão com Carlos Moisés

Carlos Moisés

 

O candidato do Partido Social Liberal (PSL) ao governo de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva, o comandante Moisés, gosta de frisar que passou 30 anos trabalhando no corpo de Bombeiros de Santa Catarina, onde construiu sua vida profisssional servindo à comunidade. Agora, ele pretende governar Santa Catarina. Carlos Moisés encerra a série Entrevistão do DIARINHO Eleição 2018. À jornalista Franciele Marcon, o candidato falou sobre saúde, segurança, educação, moradia e o endividamento do estado. Também respondeu perguntas sobre o projeto de privatizações de companhias.
Os candidatos Décio Lima (PT), Rogério Portanova (Rede), Leonel Camasão (PSOL), Jessé Pereira (Patriota), Mauro Mariani (MBD) e Gelson Merísio (PSD) também passaram pela sabatina durante o mês de setembro. Os candidatos Angelo Castro (PCO) e Ingrid Assis (PSTU) não responderam ao convite do DIARINHO. Todas as entrevistas e vídeos estão disponíveis para acesso no site www.diarinho.com.br.

RAIO X

Nome completo: Carlos Moisés da Silva | Candidato pelo PSL
Idade: 51 anos
Local de nascimento: Florianópolis
Estado civil: casado
Filhos: duas filhas
Formação: curso de Formação de Oficiais (APM – Academia da Polícia Militar – SC); bacharel em Direito, curso de Especialização de Bombeiros para Oficiais; especialização em Gestão de Serviços de Bombeiros e mestrando em Direito – Concentração em Direito.
Experiências profissionais, políticas e de gestão:é coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar, trabalhou em Florianópolis, Criciúma e Tubarão. Atuou como Coordenador Regional de Defesa Civil no sul; trabalhou como corregedor-adjunto dos Bombeiros, na prevenção contra incêndio e pânico nas unidades prisionais do estado. Em março, filiou-se ao Partido Social Liberal (PSL).

 

SAÚDE
Um problema crônico da saúde catarinense é o endividamento dos hospitais filantrópicos que, segundo estimativas, chega a cerca de R$ 300 milhões. Os municípios também têm reclamado do atraso dos repasses à saúde. As cidades que mantêm hospitais municipais se queixam que acabam fazendo um atendimento regional, mas não recebem ajuda financeira do estado e precisam bancar a conta sozinhas. A solução é aumentar o repasse aos municípios ou investir nos hospitais regionais, como é o caso do Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí?
Carlos Moisés: Acreditamos que o investimento em saúde básica da população, de forma preventiva, é extremamente importante para que se diminua a morbidade, as filas, e todas as mazelas que temos na saúde. Temos uma dívida bilionária na saúde pública, que também é de responsabilidade da gestão. O enxugamento do estado, com uma repactuação federativa, no sentido de ter mais dinheiro aos municípios e ao estado. O governo federal não participa como deveria, com a cota necessária e constitucionalmente garantida, para que os estados possam investir em saúde. Temos um projeto nacional de mudança do Brasil. As alternativas que você coloca são tanto potencializar os hospitais regionais, como diminuir o número das atividades para que façam bem feito. Necessário identificar a vocação de cada hospital. (…) Não se faz saúde sem investimento, investimento nas pessoas e valorizando as carreiras.

INFRAESTRUTURA

Entra campanha eleitoral e sai campanha eleitoral e a promessa dos governantes para a nossa região é a construção de uma travessia entre Itajaí e Navegantes. Foi cogitada uma ponte ou um túnel, que beneficiaria o turismo e a mobilidade de toda a Amfri. É viável ou não essa promessa?

Carlos Moisés: Com certeza é viável. Tem muita gente querendo investir em Santa Catarina. Entendemos que nesse tipo de obra o governo caminha muito mal, quando ele constrói, pavimenta, faz portos, aeroportos… Nós entendemos que as parcerias público-privadas podem ser a solução, com tarifas módicas, obviamente, mas para atrair o turismo, o receptivo turístico da nossa região. Há muita gente querendo investir no Brasil e em Santa Catarina. Sabemos que tanto aqui na região de Itajaí, como em Florianópolis, temos os mesmos problemas: um único acesso. Se vai fazer uma terceira pista na rodovia 282, que é a rodovia de acesso à capital, mas com a mesma ponte, com a mesma capacidade de fluxo. (…) Se você pegar o orçamento dessa obra, deve custar R$ 36 milhões, e comparar com os orçamentos das ADRs, que eram da ordem de R$ 700 milhões, hoje me parece que R$ 350 milhões anuais – você faria 10 obras dessa por ano. Existe dinheiro no poder público, mas precisamos ter coragem de romper com a estrutura de grandes blocos partidários, acomodações de pessoas na máquina pública e investir em saúde, segurança e educação.

 

MEIO AMBIENTE

Proporcionalmente, Santa Catarina é o estado com maior área preservada de floresta de Mata Atlântica: 23%, segundo a fundação SOS Mata Atlântica. No entanto, até pela vocação turística no litoral e agrária no oeste, se veem a todo o momento denúncias de grandes áreas de desmatamento e ações do ministério Público Federal contra empreendimentos em áreas de preservação.  Como conciliar desenvolvimento com sustentabilidade?

Carlos Moisés: Nós não somos favoráveis à degradação ambiental. Todo o investimento que gera emprego e renda, que atrai o turista, deve ser feito com muita consciência e dentro das normas técnicas. O que entendemos no Brasil é que precisa-se resgatar a competência do municípios em dizer o Direito Ambiental. Hoje tem as três esferas do governo falando acerca do Direito Ambiental com pareceres diversos, gerando muitas vezes ações civis públicas para o particular que investe e também para os órgãos do estado e do município que respondem ações por terem emitido laudos e em dissonância com outros órgãos que defendem outras posições, como você bem citou o Ministério Público Federal. É importante resgatar a competência do município para aplicar o Direito Ambiental, para dar segurança jurídica a quem vai investir.

 

SEGURANÇA

Os números apontam que, em nível nacional,  SC  tem problemas de violência menores que outras regiões do Brasil. De toda forma, segurança aparece sempre como uma das prioridades para os catarinenses. Os municípios têm investido em Guardas Armadas, mas isso significa mais gastos nos orçamentos municipais e também um conflito de competência com a polícia Militar. Qual o seu plano para a segurança pública?

Carlos Moisés: Na segurança pública vamos recompor os efetivos. Eu entrei na polícia Militar em 1987, há mais de 30 anos, tinha 13 mil homens. Hoje tem 10 mil homens. Significa que essa conta não fecha. A criminalidade cresceu. Na época era a mesma instituição a polícia Militar e  o corpo de bombeiros militar. A separação foi em 2003, através de uma emenda constitucional. Os nossos efetivos eram na casa de 13 mil homens. O efetivo diminuiu, e não é possível. Não se faz segurança pública sem investimentos reais. Portanto, enxugamento da máquina pública, combate à corrupção dentro do estado. A questão das guardas municipais, eu entendo que hoje elas exercem um papel de polícia. Elas foram criadas para cuidar dos municípios, patrimônios do município, mas hoje elas estão nas ruas cuidando do trânsito, fazendo muitas vezes a segurança, já que o estado não se faz presente. São parceiros do estado. Tanto a polícia Civil, como a Militar têm que se integrar e falar a mesma língua. Vamos investir em segurança pública, no sistema prisional, no Instituto Geral de Perícias, Corpo de Bombeiros. Todos os setores serão prioridade em nosso projeto de governo.

 

ENDIVIDAMENTO

O próximo governador vai herdar um estado com contas públicas em vermelho. Isso inclui títulos de dívidas do estado e letras do tesouro nunca pagos, a dívida de mais de um bilhão da duplicação da rodovia SC-401, no norte da Ilha de Floripa, e a crise na saúde, que acumula dívida de mais de 1 bilhão. Como resolver?

Carlos Moisés: Houve uma irresponsabilidade em alguns setores, no sentido até de não escolher os melhores parceiros, a melhor condição de juros. Tem que mudar o modelo de governança, esse é o primeiro passo, para termos responsabilidade do gestor para o estado não chegar a esse ponto que chegamos. Ainda assim, Santa Catarina não é um dos piores estados da federação. Nós entendemos que é possível sim retransferir a dívida. Nem sempre ter dívida é um mau sinal. Essa é um mau sinal. Mas nem sempre ter um projeto que vai gerar alguma dívida é ruim. Você pode transferir para as futuras gerações aquilo que você quer investir hoje e esse financiamento ser pago ao longo de gerações. Quem constrói não verá o término do pagamento. Você pode investir também com parcerias público-privadas, você evita o endividamento do estado. A nossa opção sempre será por parcerias público-privadas, você entrega para um particular a execução da obra, cobra um resultado e, por tarifas módicas, não endivida nem o estado e nem o cidadão. (…)

 

EDUCAÇÃO

As estruturas mais sucateadas de escolas em nossas cidades são as sob responsabilidade do estado. Na região, novos colégios sofreram até com a falta de mobília em Itajaí, Balneário e Navegantes. Se a batalha ainda é por uma estrutura física melhor, como avançar exigindo um ensino com qualidade – lembrando que os colégios estaduais já tiveram o melhor salário para a categoria de professores?

Carlos Moisés: Nós não vamos fechar colégios, como o governo tem feito. Vamos investir em educação em tempo integral. A diferença das crianças do ensino privado para o ensino público, como elas chegam muitas vezes mal alimentadas, sem que tenham feito o reforço escolar ou a tarefa. Há muita evasão do ensino médio pela falta de ensino técnico capaz de adequar o aluno do ensino médio ao mercado. Vamos investir em educação em tempo integral, potencializando as escolas, investindo em infraestrutura, tornando o ensino médio mais atrativo aos nossos jovens e adolescentes. Enxugando a máquina do estado eu terei condições de fazer os investimentos que a educação tanto anseia. Em todo lugar que o cidadão procura, tem várias escolas que começaram a ser construídas e não foram conclusas. É um problema grave quando você tem licitações que não são bem encaminhadas, valores que foram entregues sem a obra estar conclusa; falta fiscalização.

FALA, CARLOS MOISÉS

“Essa é uma característica que todo governante deve ter: fazer o governo para as pessoas.”

DIARINHO – O senhor é um defensor das privatizações. Já citou em entrevista que deveriam ser privatizadas Celesc, Casan e até os presídios. Quais as vantagens que o estado teria com as privatizações de serviços essenciais como água e esgoto, por exemplo, se esse modelo de concessão está sendo revisto até mesmo em grandes capitais europeias?

Carlos Moisés: Cada caso tem que ser avaliado. Hoje eu ainda falei: empresas como Epagri, Cidasc que investem no produtor rural, que criam negócios em Santa Catarina, têm que ser preservadas. (…) Muitas dessas empresas, comprometem a capacidade de endividamento do estado, há desvio de verbas públicas em muitos casos, como no âmbito federal a gente acompanhou a Petrobras. Portanto, eu penso que se a gestão for justa, tanto faz ela estar no poder público. Eu não defendo, eu não prego necessariamente a privatização de todas. Porém, penso que tanto no poder público como no privado, as duas poderiam atuar, desde que as condições de privatizações sejam favoráveis ao estado. Ou seja,  o estado vai regular e receber através dos tributos. O estado tem que entregar  educação, saúde e segurança. O estado tem sido reprovado quando ele quer ser construtor, agente financeiro, quando ele quer atuar em todas as frentes. Portanto, eu penso que para o caso brasileiro, nós estamos lidando com corrupção, com desvios de finalidade, e temos que olhar todas as empresas e avaliar caso a caso. O governador pode interferir mesmo no modelo público de empresa, pode intervir, para que evite desvios de verbas públicas. Isso nós faremos em nosso governo.

DIARINHO – A candidatura do senhor é motivada pela liderança do candidato Jair Bolsonaro à presidência. Bolsonaro já fez várias declarações homofóbicas, misóginas, preconceituosas, contra homossexuais, negros, mulheres e índios. O senhor corrobora esse tipo de postura?

Carlos Moisés: A minha candidatura veio quando o PSL de Santa Catarina decidiu ter chapa pura. Não ter grandes blocos de coligações partidárias para acomodar pessoas. Portanto, a partir daí e não unicamente incentivada pela candidatura de Jair. (…) Claro que estamos pedindo votos para Jair, para elegê-lo. Não entendo que Jair tenha feito declarações homofóbicas, preconceituosas. Nós entendemos que o nosso candidato à presidência tem o jeito dele e, muitas vezes, a imprensa extrai, recorta  e publica as falas dos piores momentos (…). Jair é o único candidato que traz honestidade ao poder público, confiabilidade. A história de vida dele, dentro dos 28 anos de homem público, em cargo eletivo, faz o brasileiro fazer a escolha. Essa escolha não é só minha. É a escolha da maioria dos brasileiros. Eu estou na rua. Ele não está mais porque sofreu um ato violento.

 

PROBLEMA SOCIAL

Camboriú e Navegantes, duas cidades da região, sofrem com um problema crônico de ocupações irregulares que acabam se tornando bolsões de violência. Programas habitacionais já foram bancados em parceria com o governo federal, no passado, mas a demanda por moradias populares é cada vez maior. Como resolver essa questão?

Carlos Moisés: Nós temos projetos para investir no social de Santa Catarina. Inclusive, repactuando com o governo federal, para continuar investindo em projetos habitacionais de grande porte. Nós sabemos que há cerca de 20, 30 anos, nós tínhamos áreas com inacessibilidade de veículos públicos para prestar o socorro, para prestar serviço de saúde, para fazer um atendimento de combate a incêndio e até mesmo para viaturas policiais, na época não existia Samu. Essas condições foram agravando e, muitas vezes, se criando bolsões de pobreza, condições que não deixam que as pessoas participem da sociedade como um todo, porque elas não dispõem de serviço público. Isso também gera violência. O nosso governo pretende investir na área social, retirando as pessoas das ruas, utilizando organizações até mesmo religiosas, para tocar o coração das pessoas, para que elas sejam tiradas das ruas. Precisamos também investir naas condições de habitação. Não só em bolsões de pobreza, mas em localidades que a gente observa na área rural, que são locais turísticos de Santa Catarina, e que as casas não são receptivos turísticos.

 

ELEIÇÃO

Por que o senhor acha que merece o voto dos catarinenses?

Carlos Moisés: Eu acredito que depois de 30 anos de serviço público, com uma vida ilibada, prestando serviços à comunidade… Eu sempre cuidei de pessoas que cuidam de pessoas. Sempre comandei as tropas dos bombeiros militares aqui em Santa Catarina. Cuidei diretamente das pessoas e comandei pessoas que cuidam dessas pessoas. Acredito que essa é uma característica que todo governante deve ter: fazer um governo para as pessoas.  Não para os partidos, não para as coligações, não para os blocos partidários, muito menos para atos poucos republicanos dentro do serviço público. Penso que o serviço público e o governo do estado devem ser transparentes. Nós iniciamos os primeiros passos em Tubarão, onde maior parte da minha carreira como bombeiro militar, eu servi. Iniciamos os primeiros passos no Observatório Social do município. Eu observei a importância do papel desses organismos dentro da transparência do estado. Nós vamos trazer todos para o poder público estadual, para que as pessoas possam nos aconselhar, fazer as críticas e com humildade podermos mudar o rumo do governo de Santa Catarina. Cortar as gorduras, cortar os excessos, os cargos em duplicidade, eliminar os cargos comissionados, o número de secretarias reduzir também, para que a gente possa entregar ao cidadão catarinense aquilo que ele merece. Para que as pessoas não fiquem sonhando em deixar o Brasil, deixar Santa Catarina e viver em outro país. Aqui é o nosso lugar. Portanto, Jair Messias Bolsonaro, comandante Moisés.

 

 

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