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Entrevistão com Leonel Camasão e Jessé Pereira

Leonel Camasão e Jessé Pereira

Eles estão em lados opostos do espectro ideológico. Jessé Pereira é do Patriotas, partido de extrema direita. Leonel Camasão, do socialista PSOL. O primeiro defende o estado mínimo e gestores técnicos. O outro quer um estado investindo prioritariamente no social e uma gestão que ouça vários setores. Mas nem por isso discordam em tudo. Livrar a máquina administrativa de cargos de indicação política é um discurso em comum de Leonel Camasão e Jessé Pereira. Nesta segunda edição do especial Entrevistão Eleições, os jornalistas Franciele Marcon e Sandro Silva mostram o que pensam e o que propõem os dois candidatos ao governo do estado que, de fato, são novos na política catarinense. As fotos são de Fabrício Pitella.

 

Leonel Camasão

Nome completo: Leonel David Jesus Camasão – candidato a governador de Santa Catarina pelo PSOL

Idade: 32 anos

Local de nascimento: São Paulo/SP

Estado civil: casado

Filhos: Francisco e Bernardo

Formação: Mestre em Jornalismo

Experiências profissionais, políticas e de gestão: repórter dos jornais A Notícia, de Joinville, e do Notícias do Dia; assessor de imprensa da Aprasc e Sintraturb; assessor parlamentar; diretor do Sindicato dos Jornalistas de SC; presidente do PSOL Florianópolis.

 

Jessé Pereira

Nome completo: Jessé Pereira – candidato a governador de Santa Catarina pelo Patriota e PMN

Idade: 38 anos

Local de nascimento: Balneário Camboriú

Estado civil: Casado

Filhos: Duas meninas

Formação: Cursa a faculdade de Gestão Pública

Experiências: Vendedor ambulante, presbítero da Assembleia de Deus

 

SAÚDE

Um problema crônico da saúde catarinense é o endividamento dos hospitais filantrópicos que, segundo estimativas, chega a cerca de R$ 300 milhões. Os municípios também têm reclamado do atraso dos repasses à saúde. As cidades que mantêm hospitais municipais se queixam que acabam fazendo um atendimento regional, mas não recebem ajuda financeira do estado e precisam bancar a conta sozinhas. A solução é aumentar o repasse aos municípios ou investir nos hospitais regionais, como é o caso do Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí?

Leonel Camasão: Nós entendemos que o problema do SUS e da saúde é um problema de financiamento. O SUS vive um problema de subfinanciamento crônico desde a fundação. Aquilo que está na lei, muita vezes, não é cumprido. Ou é cumprido apenas para fazer tabela. A gente entende que é preciso, em primeiro lugar, desatar o nó das finanças do estado, pra gente poder investir em outras áreas como a saúde. A questão das renúncias fiscais do estado, que hoje somam 5,7 milhões de reais, representa seis vezes o que se tem de déficit na saúde. O estado deixa de cobrar impostos e não tem dinheiro pra atender, seja pela rede do SUS, seja na rede filantrópica, ou até mesmo no auxílio aos hospitais municipais. Eu acho que hospital municipal é um exagero. Os municípios não deveriam ser responsáveis por hospitais. Mas assim foi construído na história do estado, em várias regiões, então a gente tem que lidar com essa situação. Entendemos que, desatando esse nó das finanças, vamos poder investir em saúde. São princípios que nós defendemos e trazemos pra nossa campanha.

Jessé Pereira – Pra mim, a solução é que o governo tem que arrecadar, mas também tem que gastar menos. E cortar gastos, cortar na carne, para poder sobrar dinheiro para investir. E sobrando dinheiro para investir na saúde, que é algo tão importante que o cidadão necessita, eu acho… eu acho não, tenho certeza de que a gente tem que investir tanto no hospital regional, no caso estadual, como também ajudar os municípios. É dever do estado ajudar os municípios, ajudar também os hospitais estaduais e aumentar essa renda aos hospitais porque se faz necessário.

 

EDUCAÇÃO

As estruturas mais sucateadas das escolas em nossas cidades são as sob responsabilidade do estado. Na região, novos colégios sofreram com a falta de mobília em Itajaí, Balneário e Navegantes. Se a batalha ainda é por uma estrutura física melhor, como avançar exigindo um ensino com qualidade – lembrando que os colégios estaduais já tiveram o melhor salário para a categoria?

Leonel Camasão: O nosso exemplo para a educação é a rede federal técnica. Se você pegar os índices de avaliação da educação, e separar a rede federal do resto, nós vamos ter índices de primeiro mundo. O problema de educação no nosso estado é que o atual governo fechou 58 escolas estaduais, em oito anos de Colombo/Pinho Moreira, e também entrou na justiça para não pagar o piso dos professores. Você não pode falar de educação ou falar que esse governo priorizou educação se você está fechando escolas e entrando na justiça contra professores. Também temos o problema muito grave dos temporários. Muitas vezes o ACT tem que trabalhar em três, quatro, cinco colégios ao mesmo tempo, depois não se sabe por que os professores estão doentes, têm depressão, lesão de esforço repetitivo. Mais uma vez: desatando o nó das finanças e fazendo que os setores paguem impostos como deveriam pagar, vamos ter recurso para investir naquilo que realmente interessa: saúde, educação, segurança, assistência social e todas as outras áreas.

Jessé Pereira – Primeiramente o governo tem que ter responsabilidade. Não se pode ficar gastando a torto e a direito como o governo faz, contratando gente demais para um cargo público, negociando cargo público através de troca de favores. Com isso o dinheiro vai embora, o estado fica devendo e não há dinheiro para investir na educação como ela merece. Então, o nosso governo vai ser um governo mínimo. A gente vai enxugar o máximo que a gente pode para sobrar dinheiro ao povo de Santa Catarina e para investir na educação, que é um bem maior que o cidadão consiga se formar.

  

INFRAESTRUTURA

Entra campanha eleitoral e sai campanha eleitoral, e a promessa dos governantes da nossa região é a construção de uma travessia entre Itajaí e Navegantes. Foi cogitada uma ponte e também um túnel, que beneficiaria o turismo e a mobilidade de toda a Amfri. É viável ou não essa promessa?

Leonel Camasão: Nós entendemos que, pra fazer esse processo, não só aqui na região de Itajaí, mas em outras regiões, vamos criar uma secretaria: a secretaria Estadual das Cidades. Essa secretaria vai auxiliar os municípios e as associações de municípios microrregionais a planejar os seus planos diretores, planos de resíduos sólidos, saneamento e mobilidade urbana, que são planos que você tem que fazer por conta da lei federal, e muitas vezes o município não consegue fazer, por conta da falta de técnicos, servidores – se são municípios muito pequenos, não conseguem. Esse tipo de obras, como você citou, ela vai estar dentro desse escopo. Vai ter a secretaria Estadual das Cidades que vai auxiliar a Amfri para poder planejar qual a melhor solução, se é uma ponte ou outro mecanismo pra gente poder destravar esse gargalo da mobilidade da região.

Jessé Pereira – Uma das coisas que eu tô enfrentando dificuldade nessa campanha, uma campanha muito curta e que iniciou faz 13 dias por mim, é na questão de as pessoas estarem me perguntando: “Jessé, e o teu projeto?”; “Jessé, o que tu vais fazer?”. Eu tô evitando o máximo possível de promessas. Porque promessas todos os candidatos vêm fazendo há anos. Chega o momento que assume o governo e não consegue cumprir essas promessas, e na realidade elas foram apenas para enganar o povo. Eu não quero enganar o povo, não quero enganar ninguém. O que tiver na nossa disponibilidade, nós vamos fazer. Isso aí, teremos que fazer um estudo, juntamente com a pessoa que tiver à frente da área da infraestrutura. Essa pessoa que vai estar à frente desse trabalho vai ser uma pessoa capacitada. Não vai ser por cargo político. Vai ser uma pessoa que esteja capacitada para isso.

ENDIVIDAMENTO

O próximo governador vai herdar um estado com contas públicas em vermelho. Isso inclui títulos de dívidas do estado e letras do tesouro nunca pagos (mais de 6 bilhões), a dívida de mais de um bilhão da duplicação da rodovia SC-401, no norte da Ilha de Floripa, e a crise na saúde, que acumula dívida de mais de 1 bilhão. Como resolver?

Leonel Camasão: Esse é um grande gargalo do nosso estado e representa a falência desse modelo que governou até hoje. Nós precisamos arrumar a casa. No dia 1º de janeiro de 2019, no governo do PSOL, vamos fazer um grande ajuste. Não é o ajuste que a gente está acostumado a ver. Porque, quando se fala em ajuste, se fala em cortar professor, cortar médico, cortar serviço público, não é isso que a gente quer cortar. A gente quer cortar privilégio e a gente quer combater a corrupção dentro da estrutura do governo do estado. Vamos extinguir as agências regionais, vamos reduzir os cargos comissionados, vamos mexer na questão do duodécimo para que sobre mais dinheiro para investir em outras áreas. O resultado desses 20 anos de governos passados é isso que você está falando: nove bilhões de dívidas. O MDB participou de todos esses governos, quebrou o Rio de Janeiro, quebrou o Rio Grande do Sul, quebrou o Brasil e vai entregar Santa Catarina prestes a quebrar também. Precisamos combater isso com muita responsabilidade, mas não podemos jogar essa conta para a população. Temos que cortar privilégios e benefícios. Não é razoável que um juiz receba mais de auxílio-moradia do que um professor recebe na rede pública.

 Jessé Pereira – Primeiramente cortando a carne. Cortando na carne, cortando todas as regalias do governo, e também uma das coisas que a gente quer fazer é auditar essa dívida. Nós vamos auditar essa dívida, saber o porquê dessa dívida. Porque nós temos uma lei de responsabilidade fiscal e ela então não está sendo cumprida. E se ela não está sendo cumprida, os órgãos competentes já eram para terem tomado atitude. Os governantes fazem esse tipo de coisa: saem do governo, largam essa bomba para o próximo governo e ninguém, ninguém sofre as penas que tem que sofrer. Então nós vamos auditar essa dívida e vamos saber a real dívida e vamos enxugar. Nós vamos fazer a nossa parte. Vamos fazer a parte do governo do estado, que é enxugar a máquina pública, e, fazendo a nossa parte, também vamos chamar pra conversar, fazer um pacto com a assembleia Legislativa, Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça, e vamos convidar eles também a fazerem a parte deles. Porque é necessário enxugar a máquina geral. E toda essa estrutura de assembleia Legislativa e Tribunal de Contas, tudo é pago com dinheiro do contribuinte. Quem paga somos nós, o povo.

MEIO AMBIENTE

Proporcionalmente, Santa Catarina é o estado com maior área preservada de floresta de Mata Atlântica: 23%, segundo a fundação SOS Mata Atlântica. No entanto, até pela vocação turística no litoral e agrária no oeste, se veem a todo o momento denúncias de grandes áreas de desmatamento e ações do ministério Público Federal contra empreendimentos em áreas de preservação.  Como conciliar desenvolvimento com sustentabilidade?

Leonel Camasão: Nós entendemos que é importante preservar o meio ambiente e garantir o futuro das próximas gerações. Se destruirmos tudo, não vamos ter próximas gerações. Como nós encarávamos isso no passado, muitos desses setores interessados no desmatamento, pra fazer indústria, pra fazer plantio, pra fazer o gado etc., muito desses setores financiavam as campanhas eleitorais dos candidatos. Na hora da fiscalização e de exercer o poder, seja do Executivo ou do Legislativo, vamos dizer que “fraquejava”. Não se fazia o trabalho de fiscalização, porque esses setores financiavam as campanhas. Nós esperamos que isso mude, por conta do fim do financiamento privado das campanhas. Não é novidade para ninguém que muitos desses setores acusados ou investigados por crimes ambientais estão no parlamento, seja no federal ou no estadual, ou estão nas secretarias, às vezes até na secretaria do Meio Ambiente eles colocam esses caras. Precisamos eleger um governo diferente, que vai combater esse problema, sem deixar de investir naquilo que é importante para o estado, seja o turismo, a cultura ou outras áreas que provocam o desenvolvimento econômico do nosso estado.

Jessé Pereira – Nós temos que ter uma pessoa também nessa pasta do meio ambiente. Uma pessoa capacitada. E eu tenho um nome hoje, que está me auxiliando na coordenação de campanha, que é o deputado Sérgio Godinho, que já foi secretário do Meio Ambiente do estado de Santa Catarina. Ele tem uma visão ampla sobre esse assunto. Já conversamos e ele vai ser a parte técnica desse assunto. A gente vai dar poderes a ele para ele resolver essa situação e, juntamente conosco e com a comunidade, vamos resolver essa situação.

SEGURANÇA

Os números apontam que, em nível nacional,  SC  tem problemas de violência menores que outras regiões do Brasil. De toda forma, segurança aparece sempre como uma das prioridades para os catarinenses. Os municípios têm investido em Guardas Armadas, mas isso significa mais gastos nos orçamentos municipais e também um conflito de competência com a polícia Militar. Qual o seu plano para a segurança pública?

Leonel Camasão: Precisamos integrar a polícia Civil com a Militar e investir em inteligência.  É importante ter equipamento pra fazer a repressão, efetivo, mais armas, mais viaturas, mas só isso não resolve. Só isso é enxugar gelo. Precisamos ter políticas transversais que previnam as pessoas de cair na criminalidade. Quem vai para a criminalidade, qual o perfil? Quem não tem oportunidade, quem não tem emprego, quem não tem perspectiva de vida, quem não teve acesso à educação. Nós entendemos que, se trabalharmos bem nas áreas sociais, vamos prevenir que as pessoas caiam na criminalidade. Pra coibir o que já existe, temos que investir mais em inteligência. Não adianta você ter muito aparelho de repressão, se você não soluciona os crimes. É o que tem hoje em Santa Catarina. A polícia Civil tem um índice muito baixo de solução, mas por quê? Porque não tem perito, não tem corpo técnico, não tem equipamento, não tem como trabalhar dessa maneira. A questão da segurança, ela é a longo prazo. Tem um monte de candidato falando grosso, batendo na mesa “que eu vou resolver, eu vou fazer, eu vou acontecer”. Vai nada! Isso é uma questão de longo prazo que precisa de investimento na área social para impedir as pessoas de cair na criminalidade. Criminalidade a gente combate a partir do combate à desigualdade social.

Jessé Pereira – Primeiramente queremos colocar um secretário de Segurança Pública que seja alguém da área. Não vamos colocar qualquer pessoa porque teve cargo político indicado. Não! Nós vamos colocar um profissional da área, inclusive a gente já tem alguns nomes. Já estamos conversando. E com isso a gente vai trabalhar sobre uma política também técnica na área da segurança. Vamos investir em tecnologia. Temos o desejo de fazer uma parceria com Israel, trazendo tecnologia israelense para Santa Catarina, e vamos também combater as drogas. Porque um dos principais fatores, hoje, da falta de segurança é devido às drogas. Nós vamos combater veemente a droga.

PROBLEMA SOCIAL

Camboriú e Navegantes, duas cidades da região, sofrem com um problema crônico de ocupações irregulares que acabam se tornando bolsões de violência. Programas habitacionais já foram bancados em  parceria com o governo federal, no passado, mas a demanda por moradias populares é cada vez maior. Como resolver essa questão?

 

Leonel Camasão: Precisamos fazer um grande plano habitacional para Santa Catarina, porque hoje essa área está abandonada.  Temos exemplos no Brasil e no mundo de bons programas habitacionais, mas precisamos avançar para além do que foi o “Minha casa, minha vida”. O “Minha casa, minha vida” era um programa de aquecimento da economia transvertido de programa habitacional. Quem realmente mais precisava, a faixa 1, os mais, mais pobres, esses tiveram pouco ou nenhum acesso ao “Minha casa, minha vida”. Quem teve acesso ao “Minha casa, minha vida” foi mais a classe média baixa, o trabalhador formalizado, aquele que tinha condições de naquele momento se endividar para pagar. Vamos criar um programa habitacional para atender todas as regiões do estado, para combater o problema do déficit habitacional, que é muito grande no Brasil e em Santa Catarina, e traz esse tipo de problema. Não podemos criminalizar quem ocupa uma área. Quem está nesta situação está desesperado. A pessoa não tem nada, e se a gente a considera uma criminosa, aí não vai resolver o problema, vai aumentar o problema.

Jessé Pereira – Primeiro passo é tendo dinheiro em caixa para resolver essa situação. Abrir linhas de crédito para ajudar essa comunidade mais carente, porque é dever do estado dar moradia. É dever do estado dar saúde, segurança para o seu povo. Então, o primeiro passo, a gente tem que reduzir essa máquina. Sobrando dinheiro, a gente vai poder investir e ajudar o cidadão catarinense.

 

ELEIÇÃO

Por que o senhor acha que merece o voto dos catarinenses?

Leonel Camasão: Porque nós não participamos desses governos até esse momento e porque entendo que a sociedade está muito insatisfeita com a classe política. Eu não tenho sobrenome tradicional, não sou um multimilionário, não sou um megaempresário, eu sou um cidadão comum. Sou um jornalista como você e que decidi em um momento da vida, há quase 10 anos, que eu deveria fazer alguma coisa. A minha trajetória política tem 10 anos, hoje o meu partido entendeu que eu deveria ser o candidato, e recebi a tarefa com muita honra e tranquilidade. Eu entendo que nós precisamos colocar pessoas comuns no governo e no parlamento, porque se o governo não é para nós, é para uma pequena minoria, é porque é essa pequena minoria que governa. O governo é para os ricos, porque são os ricos que são eleitos. Nós precisamos inverter essa lógica, virar essa mesa para que a gente possa ter um governo para a grande maioria do nosso povo.

Jessé Pereira – Eu vou dizer que a solução no momento é uma renovação. Eu peço para o catarinense que agora tenha consciência. Não sou só eu. Tem mais candidatos da renovação. Não sou o único. Não sou o melhor. Temos candidatos bons como renovação. Eu peço voto pra mim porque eu sou o candidato do Patriotas. Eu tenho uma visão hoje, dentro da política, de que nós precisamos mudar tudo o que está aí. Eu só peço ao cidadão catarinense que reflita. Esse grupo que está no poder – e quando falo um grupo, quero dizer que hoje estão divididos em duas ou três classes, duas ou três candidaturas – são pessoas que já estão muito tempo no poder, prometendo as mesmas coisas e fazendo as mesmas coisas de sempre. Usando cargo público como benefício próprio. Então chegou o momento. É necessária uma renovação. Eu peço um voto de confiança à minha pessoa. Sou uma pessoa de bem, uma pessoa que está entrando nova na política. Meu número é 51, Patriotas.

 

FALA, LEONEL CAMASÃO!

“O governo é para os ricos, porque são os ricos que são eleitos. Nós precisamos inverter essa lógica, virar essa mesa para que a gente possa ter um governo para a grande maioria do nosso povo.”

 

DIARINHO – Você teve algumas passagens pelo sindicato dos Jornalistas e sempre foi característica a dificuldade de negociação com a classe patronal. O que lhe leva a crer que, se eleito, terá mais êxito nas negociações políticas e decisões administrativas?

Leonel Camasão: Eu acredito que são estruturas diferentes. O sindicato dos Jornalistas é um pequeno sindicato, que tem poucos recursos financeiros e, por tanto, pouca capacidade de intervir em uma negociação ou na questão salarial da categoria. No governo do estado, nós temos todo o aparato, a máquina, um corpo de funcionários, técnicos, especialistas… As condições materiais são muito diferentes. Nós entendemos que temos a melhor política para o governo do estado e o governo do estado oferece a estrutura que vai ser necessária para a gente aplicar o nosso programa. Nós também entendemos que não devemos ficar refém apenas da relação governo-assembleia legislativa. Nós queremos democracia participativa, queremos fazer plebiscitos, referendos, para também ultrapassar algumas barreiras que, às vezes, no legislativo são mais difíceis. Entendemos que dessa forma vamos conseguir governar e vamos governar bem porque vamos trazer para as secretarias de primeiro escalão pessoas do próprio corpo técnico do governo do estado. Vamos colocar pessoas da área em cada secretaria, para que possamos pegar alguém que não só tenha o conhecimento de como funciona o governo, como funciona a máquina, mas também caminhar na gestão dessa forma, para ter um governo que atenda à necessidade da maioria dos catarinenses.

DIARINHO – O PSOL, entre outras pautas humanistas, defende a bandeira LGBTI. Quais políticas públicas podem ser implantadas para incluir mais as pautas do movimento na agenda política de SC?

Leonel Camasão: Primeira coisa que precisamos fazer é ter informação. Hoje se você é vítima de homofobia, de uma agressão, e você vai à polícia, esse dado se perde. Não tem registro disso. Se você precisa de um atendimento de saúde especializado, você não tem registro disso. Os órgãos de saúde, educação, segurança, assistência social precisam criar protocolos para registrar os fatos, para que tenhamos estatísticas, e com informação a gente consegue pensar melhor as políticas públicas. O que nós sabemos no olho é que os LGBTs são vítimas de violência, têm dificuldades de conseguir tratamento de saúde em casos específicos, como, por exemplo, a população transgênero, são vítimas de violência e discriminação nas escolas. Mas se não aferirmos esses dados, a gente tem mais dificuldade de fazer uma política pública efetiva. Além disso, precisamos criar centros de referências. Para que quem for vítima em casa, na família, possa se abrigar se não puder mais ficar em casa, ao invés de sair de casa para ir pra rua. Ter política específica de emprego e educação para a população trans. Não é mais possível que a gente jogue essa população na rua, na prostituição, com todo respeito para quem vive dessa profissão, mas a gente precisa dar mais oportunidades para essas pessoas serem inseridas na sociedade.

 FALA, JESSÉ PEREIRA

“Esse grupo que está no poder  são pessoas que já estão muito tempo no poder, prometendo as mesmas coisas e fazendo as mesmas coisas de sempre””

DIARINHO – O Patriotas decidiu na convenção que iria apoiar o PSL ao governo do estado. De última hora, mudou a decisão. Qual é o motivo de não cumprir o que foi decidido na convenção?

Jessé Pereira – A nossa convenção aconteceu no dia 4, num sábado. A nossa convenção já tava decidida que nós iríamos lançar apenas candidato a Senado, que era o Roberto Salum, pelo PMN, e o Patriotas ia ficar com a segunda suplência do Roberto Salum. Nós iríamos lançar os candidatos a deputado estadual e federal e íamos deixar aberto para governo do estado. No domingo, recebemos uma ligação. Quem recebeu, na realidade, foi o presidente do meu partido. Recebeu uma ligação do PSL, chamando para uma conversa. Foram até ele – isso foi o que me passaram – e lá conversaram. Foram tentar um acerto e o que foi solicitado ao PSL, primeiro passo, foi uma vaga de vice-governador. Como o PSL já estava fechado com a advogada, que seria a vice, a gente então partiu para segunda proposta, que foi para nós pegarmos uma vaga na suplência de Senado. Nem pedimos a primeira suplência. Podia até ser a segunda suplência. Nós íamos entrar junto. Mas eles fecharam o grupo deles em primeira e segunda suplência e não abriram nada para nós e também não quiseram o PMN na proporcional. Com isso, não deu acerto e tivemos que partir no caminho solo, a princípio só Senado e deputados estadual e federal. [Aí o Patriotas e o PMN saem nessa coligação] PMN e Patriotas saem nessa fase agora, junto.

DIARINHO – O senhor concorre pela primeira vez a um cargo eletivo e já começa como candidato a governador. Por que não começar pelas eleições municipais ou pelo menos como deputado estadual?

Jessé Pereira – Eu não planejei isso. A princípio, era para eu ser candidato ao Senado. Mas, após toda essa negociação que acabei de falar, a vaga do Senado ficou ocupada pelo Roberto Salum. Eles iam lançar apenas um candidato ao Senado. E surgiu essa oportunidade para eu ser candidato a vice-governador, de um médico lá de Criciúma. Fomos para essa reunião, chegou lá o médico decidiu que ele seria candidato a deputado federal. Abriu vaga para o candidato ao governo. Precisava lançar um candidato ao governo. O presidente falou comigo: “Jessé, você é a pessoa certa, você é um nome leve, você tá cursando gestão pública, não tem nada que desabone sua vida, é um cara guerreiro, um cara de bem, e sabemos que sozinho ninguém administra nada. Um governo é formado por pessoas e tem que ser pessoas capacitadas. E se nós conseguirmos chegar, vamos formar um governo com pessoas capacitadas. Então tu vais ser o nosso candidato”. Prontamente eu recebi aquilo como uma missão, e eu não poderia fugir dessa missão. Afinal de contas, se a gente for analisar quem está preparado para governar um estado, eu vou dizer que ninguém tá preparado. Sozinho ninguém tá preparado. Eles podem até vir aqui, falar bonito, falar coisas gravadas que marqueteiros deles vão dizer para eles falarem. Não sei se vai convencer, porque o povo hoje tá bem desacreditado com a classe política.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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