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Entrevistão com Gelson Merísio e Mauro Mariani

O Entrevistão desta semana, Especial Eleições 2018, sabatina dois nomes que representam o projeto político que se rompe depois de 16 anos de aliança no comando de Santa Catarina.

Gelson Merísio [PSD] e Mauro Mariani [PMDB] foram entrevistados pelos jornalistas Franciele Marcon e Sandro Silva. Eficiência administrativa e prática de boa gestão fazem parte do discurso dos dois candidatos para melhorar a saúde e o funcionamento da máquina pública catarinense. Na educação, enquanto Merísio alega que falta gestão e tecnologia para melhorar a qualidade de ensino, Mariani quer diminuir a evasão de adolescentes da escola. Uma travessia fixa entre Itajaí e Navegantes também é uma promessa dos candidatos. Merísio se comprometeu em iniciar a obra na primeira metade do governo,  já Mariani diz que é necessário um estudo técnico profundo, mas que um túnel seria o caminho natural. Eles ainda falaram sobre segurança pública, habitação, meio ambiente e o endividamento do estado. As fotos são de Fabrício Pitella.

 

Gelson Luiz Merísio

Nome completo: Gelson Luiz Merísio (PSD)

Coligação Aqui é trabalho PSD/PRB/PDT/PSB/PODE/SOLIDARIEDADE/PROS/PSC/PCdoB/PHS/PP/DEM/PRP/PPL/PV

Idade: 52 anos

Local de nascimento: Xaxim

Estado civil: Casado

Filhos: Dois

Formação: Administrador de empresas

Experiências profissionais, políticas e de gestão: Presidente da Acix, Presidente da Facisc, Presidente do Conselho do Sebrae-SC, deputado estadual, presidente do PSD-SC e presidente da Assembleia Legislativa. 

 

Mauro Mariani 

Nome completo: Mauro Mariani (MDB)

Coligação “Santa Catarina quer mais” MDB/AVANTE/PSDB/PTB/PTC/PRTB/DC/PR/PPS

Idade: 54 anos

Local de nascimento: Bituruna/PR

Estado Civil: Casado

Filhos: Cinco

Formação: Gestão Pública

Experiências profissionais, políticas e de gestão: Pequeno empresário do ramo mobiliário, foi prefeito de Rio Negrinho, secretário de Infraestrutura no governo de Luiz Henrique da Silveira e deputado estadual.

 

SAÚDE 

Um problema crônico da saúde catarinense é o endividamento dos hospitais filantrópicos que, segundo estimativas, chega a cerca de R$ 300 milhões. Os municípios também têm reclamado do atraso dos repasses à saúde. As cidades que mantêm hospitais municipais se queixam que acabam fazendo um atendimento regional, mas não recebem ajuda financeira do estado e precisam bancar a conta sozinhas. A solução é aumentar o repasse aos municípios ou investir nos hospitais regionais, como é o caso do Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí?

Gelson Merísio – Temos que ter um padrão de atendimento único. Primeiro construindo uma administração-espelho para os hospitais, sejam públicos, privados, filantrópicos ou OS. Isso construindo uma referência de gestão, para que se premie a eficiência e não a ineficiência. Com relação aos repasses, eles têm que ser feitos levando em conta os desempenhos dos hospitais. Nós elevamos de 12 para 15%, com uma emenda constitucional, que eu aprovei, o gasto mínimo com saúde. Serão R$ 8 bilhões a mais nos próximos 10 anos. Mais recurso com mais gestão, além de um processo de administração dos hospitais, especialmente dos públicos, com mais eficiência, para permitir uma melhor distribuição dos recursos aos municipais, para os regionais, especialmente para os filantrópicos. Temos hospitais que têm boa gestão, como o de Xanxerê, de Chapecó, de São Miguel – são referências em termos de custo beneficio por leito. É o ideal? Não! Mas é próximo daquilo que nós entendemos como hospital-espelho que ofereça um resultado compatível com a necessidade do serviço e com custo reduzido.

Mauro Mariani – A solução é perseguir eficiência administrativa. E essa pergunta tem tudo a ver com o que a gente tem conversado. Há um problema grave na saúde pública de Santa Catarina. Havia uma dívida no início do ano de um bi e 80 milhões e eu estou convencido que o grande problema é a questão hospitalar. E a dívida e a ineficiência dos hospitais públicos – e está lá no relatório do Tribunal de Contas – custou no ano de 2016 R$ 671 milhões. Então, se nós combatermos a ineficiência, terá dinheiro para financiar e passar para os hospitais como o Marieta aqui, hospitais de características regionais que prestam o serviço à população e que não têm a contrapartida financeira na altura do serviço que prestam. Então, infelizmente, há ineficiência nos 13 hospitais administrados pelo estado. Esses 13 hospitais consomem 70% de todos os recursos do SUS (…). E são 183 hospitais em Santa Catarina. Ao se combater a ineficiência dos hospitais públicos, seguramente sobrará dinheiro para os hospitais que prestam serviço à população.

 

EDUCAÇÃO

Gelson Merísio – Com boa gestão. Nós temos hoje 25% da receita que é destinada à educação, no mínimo. Manter e se possível ampliar é um processo a ser perseguido. Com boa gestão, 25% de uma receita que será crescente com o crescimento econômico, é uma soma de recursos que podem ser bem aplicados, com um resultado melhor. Com relação ao processo de gestão, ele tem que melhorar a partir das escolas, aumentando a autonomia dos diretores, que serão eleitos pela comunidade acadêmica e pelos alunos e pais. Aumentar o envolvimento dos pais na escola é fundamental. A questão da grade curricular e do salário dos professores tem que ser uma meta a ser perseguida. Eu entendo que o professor precisa ganhar mais, eu serei um aliado desse tema. Eu sou filho de professora, irmão de professora e marido de professora, conheço profundamente o dia-a-dia do professor. Nós temos um orçamento, que tem que atender saúde, segurança pública, infraestrutura, por isso tem que ter gestão qualificada. Mais recurso com melhor gestão é a solução. A gestão peca pela falta de tecnologia aplicada. Peca em não termos uma tecnologia melhor até na própria sala de aula […].

Mauro Mariani – (…) O maior problema da educação de Santa Catarina está no ensino médio. Aí, sim, está a grande responsabilidade do governo do estado. Só pra você ter uma ideia, nós temos matriculados na rede estadual de ensino 180 mil adolescentes. Mas temos fora da sala de aula 65 mil jovens. (…) Nós não podemos admitir num estado com a excelência de Santa Catarina em vários indicadores, sermos o 14º no Ideb do ensino médio. (…) Nós temos que trazer de volta essas crianças, oferecer uma escola de qualidade, atrativa. (…) Eu quando vi esses números, me apavorei. E fui ver estados que conseguiram dar a volta por cima.  Fui visitar Pernambuco, que era o 20º no ranking do Ideb e hoje é o primeiro lugar no Brasil. Eles fizeram uma revolução. Sem grandes investimentos em infraestrutura. Trabalhando no pedagógico, trazendo o educador pra dentro de um programa específico de ensino, de escola em tempo integral, pagando uma gratificação para esse professor e ele tendo a responsabilidade de entregar serviço, de se qualificar, de abraçar esse projeto; construir a carreira e o sonho do aluno.

 

INFRAESTRUTURA

Entra campanha eleitoral e sai campanha eleitoral e a promessa dos governantes para a nossa região é a construção de uma travessia entre Itajaí e Navegantes. Foi cogitada uma ponte ou um túnel, que beneficiaria o turismo e a mobilidade de toda a Amfri. É viável ou não essa promessa?

Gelson Merísio: Pode anotar aí: nós vamos fazer a ponte na primeira metade do governo. Por uma questão absolutamente lógica: de desenvolvimento. Não tem nenhum outro equipamento turístico mais apropriado e que integre mais a questão turística de todo o vale, do que essa ponte ligando Itajaí até a Penha. Não é só pra Itajaí e Penha, não é só para Itajaí e o complexo das pessoas que moram no entorno de Itajaí, mas é toda a questão de Balneário Camboriú, do parque do Beto Carrero, que é um patrimônio brasileiro que está em Santa Catarina, que está aqui próximo de Balneário. É um conjunto de um roteiro regional do turismo que deve ser aprimorado. Quem vem a Florianópolis, quer vir a Itajaí, quer vir ao Beto Carrero, quer passar por Balneário Camboriú. Ter uma ponte que tem um custo absolutamente compatível, com o que ela vai render em termos de crescimento econômico, é questão de projeto e determinação. O que faltou até agora foi determinação. Nós teremos e faremos.

Mauro Mariani – É uma questão de que tem que ter um estudo técnico profundo. Nós temos hoje, além do porto de Itajaí e do terminal de Navegantes, os terminais privados, que seguramente ainda não estão operando a pleno. Mas seguramente quando for dragada a parte ‘superior’ do rio Itajaí, vai ser um indutor importante para a economia dos dois municípios e da região como um todo. Então, na minha avaliação, se houver uma solução, a princípio olhando de primeiro ponto, tem que ser um túnel. Ponte, ali, se tornaria um obstáculo. Mais um obstáculo, além dos que nós já temos naturais. Mas é muito técnico, isso. Não dá para responder assim no achômetro. Até porque eu não gosto de falar de assunto que eu não conheço. Agora, penso que de repente nós temos outras obras tão importantes quanto.

 

SEGURANÇA

Os números apontam que, em nível nacional,  SC  tem problemas de violência menores que outras regiões do Brasil. De toda forma, segurança aparece sempre como uma das prioridades para os catarinenses. Os municípios têm investido em Guardas Armadas, mas isso significa mais gastos nos orçamentos municipais e também um conflito de competência com a polícia Militar. Qual o seu plano para a segurança pública?

 Gelson Merísio: Os nossos números são bons se comparados com outros estados, mas são ruins se comparados com os nossos números de 20 anos atrás. A grande prioridade do meu governo será a segurança pública. Nos próximos três anos vamos contratar mais de cinco mil policiais. Trazer da reserva para ganharmos tempo na formação e nas academias. Investiremos dois bilhões em tecnologia. Vamos construir em Balneário Camboriú, Itajaí e Florianópolis, o maior sistema de segurança pública do Brasil, com o fechamento de fronteiras, com o controle da população carcerária e com a gestão dos presídios. Segurança pública é a grande prioridade que temos que ter porque ela é turismo, educação, saúde e acima de tudo o seguro de que não seremos o Rio de Janeiro do futuro ou a Porto Alegre do futuro. Hoje, Porto Alegrejá tem mais homicídios, proporcionalmente, que o Rio de Janeiro. Não podemos permitir que isso chegue as nossas cidades, especialmente a Itajaí e Balneário Camboriú, que são cidades turísticas. […].

Mauro Mariani – Primeiro ponto é repor os 600 policiais militares que todo ano passam para a reserva. O estado não tem conseguido fazer essa reposição. E aí deixa três, quatro anos sem fazer e contrata 2000 num ano. Aí você cria bolhas que lá na frente vão te dar problema. Quando aqueles 2000 forem para a reserva, você cria um buraco. Então não dá. Tem que ter 500, 600 todo ano. (…) Segundo, a polícia Civil. Se fala muito em polícia Militar e se esquece da polícia Civil. (…) É ela que faz a investigação, é ela que cuida da montagem de todo o processo, instrui os processos para o julgamento e a condenação dos presos. E, na polícia Civil, principalmente, criar uma estrutura para cuidar do crime organizado, com técnicos especializados. Inclusive da Fazenda. Porque o crime organizado você vai pegar pelo  rastro do dinheiro, asfixia ao dinheiro. Outro ponto que tenho defendido é que Santa Catarina não produz drogas, não produz armas, mas entra droga e arma. Santa Catarina tem 336 pontos de entrada no estado. Nós vamos lacrar o estado. Como lacrar? Vigilância 24 horas nesses 336 pontos, com câmeras de monitoramento, vigilância absoluta. (…)

  

MEIO AMBIENTE

Proporcionalmente, Santa Catarina é o estado com maior área preservada de floresta de Mata Atlântica: 23%, segundo a fundação SOS Mata Atlântica. No entanto, até pela vocação turística no litoral e agrária no oeste, se veem a todo o momento denúncias de grandes áreas de desmatamento e ações do ministério Público Federal contra empreendimentos em áreas de preservação.  Como conciliar desenvolvimento com sustentabilidade?

Gelson Merísio: No nosso governo, caso ele seja escolhido pela população, o único órgão administrativo que vai crescer exponencialmente será o Instituto de Meio Ambiente, com engenheiros, com técnicos, com pessoas preparadas para destravarmos o licenciamento ambiental, não diminuindo a rigidez e o critério no licenciamento. Ao contrário, aprofundando esse critério, mas tendo prazos definidos. Hoje temos R$ 70 bilhões represados nas gavetas dos órgãos ambientais, destes podem ser que R$ 30, R$ 40 bilhões sejam negados, mas isso tem que ser feito rapidamente para que esse capital se desloque para outras áreas. O que não pode ter é postergação, burocracia e insegurança jurídica. Isso é ruim para o meio ambiente, para o empreendedor e para o crescimento da economia. Qualificação dos técnicos, aumentar o número de profissionais e dar agilidade aos processos é uma necessidade e uma obrigação que temos com o meio ambiente e com o desenvolvimento econômico.

 Mauro Mariani – (…) Santa Catarina tá bem protegida. Não vejo grandes desmatamentos. Pontualmente um caso ou outro. (…) Santa Catarina tem muita área preservada. Ninguém quer destruir nada em Santa Catarina. Eu converso muito com o pessoal da agricultura. Ninguém quer destruir nada… Eles querem preservar. Lógico que precisam trabalhar também. A natureza é um diferencial competitivo de Santa Catarina. Nós temos que proteger a nossa natureza. Usar isso como um grande potencial. E é! No turismo, com todo o respeito, em Santa Catarina representa 13º do PIB, apesar do governo. O governo não ajuda em quase nada, vamos falar sério. Nós trazemos aqui, dois milhões, três milhões de turistas, mas falta água, falta luz, não tem acesso de qualidade em muitas das praias e ainda colocamos os turistas pra nadar num mar sem tratamento de esgoto. Você veja uma atividade tão importante e relevante para o estado. Mas o estado não tem feito a sua parte. Eu tenho defendido trazer o turismo para questão central do desenvolvimento econômico de Santa Catarina. Duas áreas tenho defendido: o turismo e a tecnologia. (…) Acho que esses dois vetores vão impulsionar a economia do estado.

 

ENDIVIDAMENTO

O próximo governador vai herdar um estado com contas públicas em vermelho. Isso inclui títulos de dívidas do estado e letras do tesouro nunca pagos, a dívida de mais de um bilhão da duplicação da rodovia SC-401, no norte da Ilha de Floripa, e a crise na saúde, que acumula dívida de mais de 1 bilhão. Como resolver?

Gelson Merísio: São 37 bilhões. R$ 19 bilhões é a dívida com os bancos, o restante é de passivos a serem executados. Temos que retornar a 95, 96, 97, 98, nas administrações do PMDB, todos esses esqueletos remontam à administração do Paulo Afonso que, além disso, entregou o estado com quatro folhas de pagamento atrasadas. Quem era professor, enfermeiro, médico, naquela época, tinha que ir ao BESC parcelar o rancho do final do mês, ou fazer um financiamento para pagar a farmácia, esse não deve esquecer. Agora mesmo, em seis meses de mandato do PMDB, já apresentaram o seu cartão de visita: atrasaram a parcela do 13º salário. Esse é o perfil que temos que evitar. Com relação ao endividamento, os últimos 15 anos é o menor comprometimento na receita líquida com o serviço da dívida. Portanto, não há que se dizer que o estado está quebrado. O estado não está quebrado! O estado tem dificuldade na geração de caixa para fazer o fluxo normal de caixa. Agora temos uma grande capacidade para endividamento futuro e, assim como uma empresa, que busca alavancagem com bons projetos e a nova receita paga o financiamento, assim temos que fazer no estado. A ponte que você citou aqui é um exemplo. Uma ponte ligando Penha e Itajaí, vai gerar um crescimento da economia que, por si só, vai ter mais geração de impostos e vai pagar o investimento em longo prazo. Não tenho dúvida que bons projetos, com a alavancagem de longo prazo, resolvem.

Mauro Mariani – Mais do que isso. A dívida vai para R$ 20 bilhões. Tem que renegociar grande parte dessas dívidas. Torniquete no gasto público. Não tem outra saída. É apertar o gasto, o custeio da máquina e crescimento econômico. (…) Então tem que aproveitar esse momento pra segurar o custeio, diminuir o peso da máquina e com esse excesso de arrecadação, essa arrecadação nova a partir de um crescimento econômico, não tenho dúvidas de que dá pra fazer frente a tudo isso. (…) Depois, precisamos de mais transparência, reprogramar alguns contratos. Isso que tem que fazer em todo o setor público. [Haverá cortes nas secretarias regionais?] As secretarias regionais cumpriram um papel. Elas nasceram há 16 anos. Era outra Santa Catarina há 16 anos. Eu mesmo fui secretário de Obras do estado e há 16 anos tinha 54 municípios que não tinham asfalto, acesso pavimentado. Era essa Santa Catarina lá de trás. Agora é outra história. Agora é a época da eficiência. As regionais em bem menor número e com um poder de fogo, com estrutura, com orçamento pra resolver o problema. Regional para não resolver nada, é melhor fechar.

 

PROBLEMA SOCIAL

Camboriú e Navegantes, duas cidades da região, sofrem com um problema crônico de ocupações irregulares que acabam se tornando bolsões de violência. Programas habitacionais já foram bancados em parceria com o governo federal, no passado, mas a demanda por moradias populares é cada vez maior. Como resolver essa questão?

Gelson Merísio: Investindo em moradia popular. Essa tem que ser uma prioridade. O governo existe para duas coisas: ser um gerador de oportunidades, um regulador de oportunidade, com competitividade, e um protetor do desamparado. Quem não tem uma casa para morar, quem não está abrigado, é uma pessoa desamparada. O estado tem que ter isso como prioridade. Os programas do governo federal são extremamente importantes na questão habitacional. Por isso mesmo o time formado leva em conta o Esperidião Amin, que é ex-governador, candidato ao Senado. O Raimundo Colombo, ex-governador, candidato ao Senado, para que tenhamos peso político em Brasília para trazer os recursos. Associado a um esforço que vamos fazer na redução de despesas, na extinção das regionais, na demissão de 1200 dos 1400 cargos comissionados… Com esses recursos vamos fazer as ações e as obras que são fundamentais para consolidarmos os números do melhor estado do Brasil, que é o nosso. [Quantas habitações o estado precisa?] 150 mil unidades de largada é a demanda necessária. Claro que não se faz de um ano para o outro, mas ter um horizonte para ser perseguido é o caminho. [Quantas casas foram criadas no governo Colombo?] Não tenho esse número. Pra mim não é relevante. Eu olho para frente, não olho para trás. […]

Mauro Mariani – Moradia, quem tem se incumbido disso é o governo federal, com os grandes programas do Minha Casa Minha Vida, programas de financiamento através da Caixa Econômica Federal. O próprio ministério das Cidades tem uma secretaria especial que faz parcerias com os municípios. O estado saiu desse assunto. Lembro que antigamente todos os estados tinham as Cohabs. Isso acabou, não tendo mais um papel relevante por conta do governo federal entrar pesado junto com a Caixa Econômica em parceria direta com os municípios. Então é um assunto que ficou mais na esfera federal e municipal. O estado pode, eventualmente, em alguma área mais crítica, alguma área de mais vulnerabilidade social, o estado pode e deve ser parceiro dos municípios. Aliás, o estado sempre que puder ele tem que passar a execução das obras e dos serviços para o município. O município é muito mais competente, mais ágil e faz mais barato. Repassar o recurso e o município executar. Isso tá comprovado. Eu fui prefeito duas vezes e sei o que é isso.

 

ELEIÇÃO

Por que o senhor acha que merece o voto dos catarinenses?

Gelson Merísio: Tenho vontade de servir! Gosto de trabalhar, faço isso com prazer. O conhecimento desses 15 anos de Assembleia me dá condições de aprovar as medidas necessárias para mudarmos a legislação que permite enxugarmos o estado, aumentarmos os salários dos professores, trazermos cinco mil policiais da reserva e darmos um atendimento diferenciado às pessoas que precisam. É uma missão que eu acredito poder servir. 

 Mauro Mariani – O Napoleão Bernardes e o Mauro Mariani têm uma história muito parecida. Primeiro, nós não temos sobrenome de político famoso em Santa Catarina. Nós não ganhamos nada de herança, não ganhamos um mandato de herança de ninguém. Nós construímos a nossa própria história, disputando eleição e cumprindo mandato. Napoleão foi prefeito eleito e reeleito. Eu fui prefeito eleito e reeleito. Depois fiz uma trajetória como deputado, como secretário de estado. E ao longo dessa nossa caminhada sempre pudemos prestar bons serviços aos catarinenses. Não tenho nada que me envergonhe na vida pública. Ao contrário. Tenho muito orgulho do que fizemos. E nós dois representamos a verdadeira virada de página na política de Santa Catarina. É uma nova geração assumindo o protagonismo da política catarinense. Nós vamos enfrentar os velhos problemas de outro jeito, de outra forma. É isso que nós queremos. Agora é o tempo da eficiência no serviço público. (…) Se Santa Catarina quer mais, o caminho somos nós, que temos experiência por fazer mais por Santa Catarina.

 

FALA, GELSON MERÍSIO!

“Essa vontade, a experiência com a Assembleia, onde por três vezes fui eleito por unanimidade, sem tangenciar os temas principais, é que me dão a certeza que podemos fazer um bom governo.”

DIARINHO – Na última década, Santa Catarina foi governada pela Tríplice Aliança, que juntou grandes forças políticas em governos coesos politicamente. Nesta eleição, este grupo se dividiu. O atual governador mencionou uma “herança maldita” e também fez críticas pessoais ao senhor. Um eventual governo seu vai representar a continuidade da administração Colombo?

Gelson Merísio: De forma nenhuma. Nós temos um rompimento de um modelo que é necessário, independente de PMDB, Colombo, isso é o passado… Nós temos que olhar o passado e respeitar, porque temos um estado hoje que é o primeiro colocado em 48 de 50 indicadores. Não é uma crítica ao passado e nem às alianças que nós tivemos. Temos que ter uma missão  para o futuro. O modelo que nos trouxe até aqui rompeu e precisa ser mudado profundamente. Por isso quero extinguir todas as regionais, demitir 1200 dos 1400 cargos comissionados, reduzir drasticamente o processo administrativo para que possamos ter mais policiais, professores mais bem pagos e mais médicos nos postos de saúde. Um secretário, um servidor de uma regional tira o lugar de um policial na rua. Até aqui era possível, pra frente não será mais. Os partidos que fazem parte da minha aliança já sabem disso. A geografia das urnas vai acabar. Tanto que não terão mais “cargos para nomear”. Falo isso antes da eleição. Porque seria muito desonesto ter 14, 15 partidos pensando em um processo convencional e depois apenas não nomeá-los e enganá-los. Vou perder muito cabo eleitoral na eleição, mas é um custo que quero pagar, sabendo claramente que quem vai participar da eleição vai ter opinião, participação, ideias, mas jamais participando com cargos no governo. Aliás, na Assembleia, nos anos que eu fui presidente, nenhuma vez, nenhum deputado, indicou uma função administrativa. No governo, nenhum deputado vai indicar cargo comissionado. Partido não vai indicar! Serão indicações técnicas. Vamos fazer um governo enxuto, que permita termos mais médicos, policiais e professores.

DIARINHO – O senhor foi presidente da Alesc e agora quer comandar o executivo de SC. Qual experiência positiva trará do legislativo se ganhar a eleição pra governador?

Gelson Merísio: Eu reduzi de 828 para 394 o número de servidores efetivos. Eu promovi, através do Portal da Transparência, a dissecação dos termos que eram antigos na Assembleia: super salários, funcionários fantasmas, ponto biométrico. Enxuguei o processo de forma a permitir que devolvêssemos ao executivo R$ 330 milhões. Criamos um fundo de apoio aos hospitais filantrópicos com a nossa sobra, coisa que nunca tinha sido feita antes, mostrando claramente que economia bem direcionada gera cirurgia eletiva, gera medicamento oferecido, gera segurança pública.Essa vontade, essa experiência, essa relação com a Assembleia, onde por três vezes fui eleito por unanimidade, sem tangenciar os temas principais, é que me dão a certeza que podemos fazer um bom governo, claro, com apoio da população.

 

 FALA, MAURO MARIANI!

“Não tenho nada que me envergonhe na vida pública. Tenho muito orgulho do que fizemos. Eu e Napoleão representamos a virada de página na política de SC.”

DIARINHO – Houve um episódio, público, em que o então governador Luiz Henrique da Silveira, hoje falecido, tirou a jaqueta que vestia e disse literalmente: “Mauro, vem cá! Essa jaqueta ganhou as últimas eleições e agora vou passar para o meu sucessor”. Depois entregou a jaqueta para o senhor, que era secretário de estado. Os votos de Luiz Henrique estavam além do MDB. O senhor acredita que vai conseguir potencializar esse patrimônio? A imagem de Luiz Henrique vai estar atrelada em sua campanha?

Mauro Mariani – O Luiz Henrique, nós fomos amigos. […] Aí ele me chamou para ser secretário de Infraestrutura num momento em que ele precisava dar uma alavancada nas obras do estado. Fui lá, o ajudei. Desenvolvemos uma relação de muita amizade, em que pese em alguns momentos nós batermos de frente. Divergências de visões políticas. Por exemplo, eu fui contra a coligação com o Raimundo Colombo. Disputei a convenção. E o Luiz Henrique foi a favor […]. Então nós sempre tivemos uma convivência muito respeitosa. […] Ele muitas vezes demonstrou isso. Esse episódio da jaqueta nada mais foi do que isso, de demonstrar o carinho que ele sentia. […] O respeito que ele tinha por mim, apesar das divergências que a gente teve em muitos momentos. Mas sempre muito respeitosa foi a nossa convivência. O Luiz Henrique foi um grande homem público. Até os adversários são obrigados a reconhecer que o que ele fez, pra época, há 16 anos, foi um governo transformador, um governo diferenciado. O Luiz Henrique foi um grande amigo, ele é um ícone do MDB catarinense. Não tem como não associar a imagem dele.

DIARINHO – O MDB e o PSD estão juntos no governo estadual há muito tempo. Agora, nesta eleição, são adversários. O senhor é a continuação desse governo? Se não é, por que romper com um projeto político que o seu partido ajudou a construir?

Mauro Mariani – O meu partido ajudou a construir e não eu! Eu fui contra, acabei de dizer. Eu disputei a convenção porque eu sabia que ia dar no que deu. Eu tinha certeza! Havia alguns do MDB que acreditavam que o PSD nos daria a reciprocidade nesta eleição. E eu tinha certeza que não. Eu não… Pra mim tá tudo bem, mas eles receberam uma ingratidão. Porque havia um acordo do PSD agora apoiar um candidato do MDB, e taí o resultado. Não nos apoiaram! Muito ao contrário. Então… Mas pra mim tá tudo bem. Eu vou construir a minha trajetória. Eu fui contra aquela coligação!  Não fiz parte do governo. Não quis envolvimento com o governo. Por isso que não é continuidade. Fiz parte do governo Luiz Henrique. Quando se associou ao PSD, eu fiquei fora e não participei. Fiz questão de não participar deste governo. Porque entendia que não era um bom caminho para Santa Catarina. Agora não. Agora nós reeditamos a aliança de 2002, com o PSDB, que foi nosso parceiro em 2002, foi nosso principal parceiro nas eleições municipais no estado, nas 212 que nós disputamos foi o partido que mais teve conosco. E com o PR também. Agora, é uma aliança que nos dá satisfação e alegria de estar juntos. São pessoas que se gostam, além de não ter que dar explicação pra ninguém.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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