Home Notícias Entrevistão Entrevistão com os candidatos à prefeitura de Balneário Camboriú (Parte 2)

Entrevistão com os candidatos à prefeitura de Balneário Camboriú (Parte 2)

Os eleitores de Balneário Camboriú têm seis opções de escolha para o comando da cidade em 2020. Há os mais conhecidos e com passagens na vida pública, como o candidato à reeleição Fabrício Oliveira (Podemos), o ex-secretário Auri Pavoni (PSDB) e o ex-prefeito Edson Periquito (MDB). E  há os estreantes na política como Giovan Nardelli (Solidariedade), Ney Clivati (Novo) e Pedro Luiz Navarro Giaquinto (PRTB). O DIARINHO sabatinou os seis candidatos esta semana. Eles falaram sobre o alargamento da faixa de areia, mobilidade urbana, aulas presenciais em meio à pandemia, instalação de equipamentos turísticos e a problemática do hospital Municipal Ruth Cardoso. Sexta-feira, os leitores conferiram a sabatina com Auri Pavoni, Edson Periquito e Fabrício Oliveira. Neste sábado é publicada a segunda parte da entrevista com Giovan Nardelli, Pedro Luiz e Marcelo Kozar, – que é candidato a vice e representou o candidato Ney na sabatina. Ney está internado e se tratando de covid. As fotos são de Fabrício Pitella e a entrevista de Franciele Marcon. O conteúdo está disponível, em texto e vídeo (na íntegra), aqui no site www.diarinho.com.br, e nas redes sociais @diarinho. Confira!

Giovan Nardelli (Solidariedade)

Raio X

NOME: Giovan Nardelli (Solidariedade)

NATURAL:  Lages

IDADE: 39 anos

ESTADO CIVIL: casado

FILHOS: uma 

FORMAÇÃO: Direito; especialista em Direito Público e Administrativo

TRAJETÓRIA POLÍTICA: candidato pela primeira vez

Nós somos contra o alargamento da praia. Somos contra o endividamento” – Giovan Nardelli (Solidariedade)

 

Marcelo Kozar (Novo)

Raio X

NOME: Marcelo Kozar  (Novo)

NATURAL:  Curitiba [PR]

IDADE: 44 anos

ESTADO CIVIL: casado

FILHOS: um

FORMAÇÃO:  Administração; pós graduado em Agronegócio e MBA em Gestão e Finanças

TRAJETÓRIA POLÍTICA: candidato pela primeira vez

Hoje Balneário está bancando e mantendo a saúde de todos os municípios à volta” – Marcelo Kozar (Novo)

 

Pedro Luiz (PRTB)

Raio X

NOME: Pedro Luiz Navarro Giaquinto (PRTB)

NATURALIDADE: São Paulo

IDADE: 65 anos

ESTADO CIVIL: divorciado

FILHOS: três

FORMAÇÃO: Administração

TRAJETÓRIA POLÍTICA: candidato pela primeira vez

O transporte público em Balneário é ruim há 30 anos” – Pedro Luiz (PRTB)

 

DIARINHO – O engordamento da faixa de areia da praia Central ainda se arrasta em trâmites burocráticos. Essa obra será prioridade num eventual governo seu?

Giovan Nardelli: A prioridade dessa obra será não fazê-la. Nós somos contra o alargamento da praia, somos contra o endividamento e também pela questão ambiental. Nós temos um parcel lá na nossa praia que ele não foi estudado suficientemente para fazer o alargamento. Não se sabe se o alargamento não vai matar a vida marinha do entorno. Por isso a nossa proposta pro pleito majoritário é de não executar essa obra.

Marcelo Kozar: O partido Novo entendeu que a prioridade é no básico: saúde, educação e segurança. A obra está contemplada, nós vamos seguir, mas nós vamos ter que pegar e fazer novos estudos, principalmente de impacto ambiental. Ver se esse alagamento vai funcionar na questão dos fluxos das marés. Depois que esse estudo tiver concluído, certamente nós vamos implementá-lo. Porque a cidade precisa, ela é turística e faz essa demanda.

Pedro Luiz: Não, porque eu não vejo hoje, do jeito que estão os recursos públicos de Balneário Camboriú… Hoje seria um desperdício de dinheiro, porque inclusive eles vão ter que pegar empréstimo pra fazer. Porque até agora a LAI, a Licença Ambiental de Implantação, não saiu e eu acho que vai demorar um pouco ainda. E hoje, no meu governo, não seria prioridade. Realmente, não seria, porque eu não vejo, eu acho que os recursos, nós temos coisas muito mais sérias para resolver no município. Como eu fiz outro dia, perguntei pra uma pessoa que defende o alargamento da faixa de areia, e eu falei: “pra que isso?”. Ele disse “pra trazer mais gente”, eu disse “vamos enfiar aonde esse povo todo?”. Nós não temos a infraestrutura necessária para receber mais turistas do que temos hoje. Infelizmente, essa é a realidade da cidade.

DIARINHO – Balneário Camboriú anunciou a volta às aulas pra novembro, sendo o único município da Amfri que voltou atrás no acordo entre prefeitos para só retornar as aulas no ano que vem. Os números de casos e de mortes de covid voltaram a subir. Qual o seu posicionamento sobre a volta às aulas em meio à pandemia?

Giovan Nardelli: Não, esse ano eu não vejo como voltar as aulas presenciais. Não tem como, não vejo condições. Acho que esse discurso é muito proselitista porque o ano está perdido. Como é que nós vamos fazer as crianças voltarem? Não temos uma solução adequada ou até um protocolo pra lidar com a pandemia. O protocolo que se usa hoje é o do Influenza. E não tem, do ponto de vista da classe médica, não surgiu um protocolo específico para a covid. Como é que nós vamos trazer as crianças com segurança pras salas de aulas? Inclusive esse ano, que o ano letivo está perdido. O que se está querendo? Voltar dia 18 para passar todo mundo de ano? Não passar de ano? Qual que é a discussão?! O ano está perdido… A gente tem que tomar uma decisão como sociedade do que vai ser feito, mas acho que não tem porque esse açodamento de no final do ano voltar à aula. A gente tem que esperar o ano que vem, torcer, inclusive, pra que até o começo do ano letivo do ano que vem nós tenhamos uma forma de lidar com essa situação da covid. Um protocolo, ou até uma vacina, que tem uma possibilidade. Mas nós temos que, como sociedade, ter uma solução para lidar com essa doença. Para continuar a vida em sociedade, mas com segurança. Eu sou contra a volta às aulas esse ano.

Marcelo Kozar: Eu acho que demorou pra voltar. Se aumentou, aumentou muito pela imprudência. Você vê as pessoas se aglomerando nas praias, as pessoas se aglomerando nos bares, as pessoas confraternizando de todas as formas possíveis. É inadmissível que o futuro de uma geração inteira fique comprometido por conta de, muitas vezes, pessoas irresponsáveis que estão fazendo isso. As famílias estão se cuidando. As crianças e as escolas estão preparadas. Elas estão com álcool gel, elas estão com produtos de higiene. Elas mantiveram o espaçamento entre os alunos. A escola nunca foi problema. A escola só é problema para aqueles que querem manter a população num curral eleitoral. Por isso que até hoje as escolas, na maioria do país, ainda não voltaram. Eu acho que já devia ter voltado e está certo em voltar a partir do mês que vem.

Pedro Luiz: Esse retorno de aulas não existiu, né. Existiu o retorno de professores às escolas. A aula realmente não teve retorno nenhum. [A previsão é pra dia 18 de novembro.] Tá, mas não vai ter. Você pode ter certeza disso, que não vai ter. É mais um discurso do prefeito que confunde palavras com ações. E não vai ter esse retorno à aula, você pode ter certeza disso. Porque também os professores não querem. Esse retorno não vai ter. [E o seu posicionamento?] Eu acho que nem deveria ter fechado as escolas. Foi um ano perdido, infelizmente, para as crianças. Você vê criança aí dentro de casa tendo problemas psicológicos, porque está todo mundo trancado. Eu acho que a obrigação do governo é cuidar de quem está doente. O governo municipal recebeu do governo federal R$ 30 milhões só pra covid. Eu não vi nenhuma manifestação do poder público com referência a esses R$ 30 milhões e ninguém sabe pra onde foi. Na covid não foi gasto.

DIARINHO – O elevado da Quarta avenida e a avenida Panorâmica foram anunciados como obras para melhorar a mobilidade urbana de Balneário, principalmente na temporada de verão. O elevado ficou pro ano que vem. A Panorâmica foi entregue recentemente, mas já apresenta problemas. Os veículos pesados têm dificuldades para subir a via, trancando o trânsito. Quais serão as suas prioridades em obras de mobilidade num eventual governo?

Giovan Nardelli: O que eu quero trazer e imprimir pra Balneário Camboriú é uma gestão respeitando o serviço público e separando o público do privado. As obras que já estão em andamento, eu quero finalizá-las. E temos que fazer um estudo nessa Panorâmica. Inclusive eu moro com visão pra essa avenida e observo que muito carro também para lá. O pessoal vê ou dá muita visibilidade quando para um caminhão, um ônibus, os veículos grandes. Por quê? Porque eles têm muita dificuldade em manobrar. Mas também para muito carro. É uma coisa incrível. Eu não sei como avaliaram mal pra construir aquela obra. Não sei o que vai ser daquela obra. Nós vamos ter que fazer estudos de engenharia pra ver se dá pra manter aquela via aberta ou não. Me parece um grande caso de desperdício de dinheiro público. É uma obra que demorou 17 anos pra fazer e, quando saiu, saiu de uma forma que está sendo bem complicado o seu uso. Até a própria disposição na avenida é horrível. Não resolve o nosso problema da mobilidade. Eu vejo que Balneário Camboriú não precisa de mais acessos. É claro que a gente tem que fazer viadutos, alguns locais ali da cidade têm essa necessidade. Mas, via de regra, Balneário Camboriú tem um problema crônico de mobilidade urbana. Temos uma cidade sazonal e que muitas pessoas vêm fazer o turismo e não tem carro, espaço físico suficiente pra carro. Por exemplo, a avenida Brasil. A avenida Brasil é normal estar parada. O nosso projeto, na verdade, é de organizar essa estrutura. De fazer estacionamentos públicos verticais para poder os carros estacionarem. E nossa ideia é de que os veículos fiquem parados e as pessoas se movimentem com equipamentos públicos.

Marcelo Kozar: O partido Novo leva de forma muito séria a questão, principalmente em obras ou mudanças no Plano Diretor de uma cidade. É inadmissível você fazer uma obra, depois de quatro anos, no final, simplesmente, para você apresentar algo para a população. Nós acreditamos que toda a obra deve começar já no primeiro dia de mandato, não no último período. O que aconteceu ali é notório que foi falta de acompanhamento técnico. Balneário tem condições de ter essa estrutura técnica para fazer essas orientações. Agora o que nos cabe é tentar remediar e corrigir esses erros para que eles não se repitam no futuro.

Pedro Luiz: Com relação a essas obras que estão sendo feitas, nós sabemos que a Panorâmica foi muito corrida e deu no que deu. O elevado foi projetado errado, vai ter que fazer, rebaixar a rua em dois, três metros, qualquer coisa assim. Inclusive com um problema muito sério, que ali passa a tubulação, o gasoduto da SC Gás. E eu conversei inclusive com uma pessoa na SC Gás e eles estavam realmente, vou usar uma palavra, vou ser educado, “chateados” com o ocorrido. Mas, infelizmente, é assim. Eu, pra ser honesto, eu acho que nós temos que repensar a cidade. Porque enquanto todo mundo está abrindo ruas, porque abrir rua é fácil, aí você permite que se construa um prédio de 100 andares. Aumenta o adensamento. Nós estamos sempre correndo atrás da solução. Todos os outros cinco candidatos participam, estão no governo do município há 20 anos. Todos os cinco. Sem exceção! Eles criaram um monte de soluções e hoje estão querendo resolver os problemas que as soluções geraram. E as soluções que eles estão dando vão gerar novos problemas. Nós precisamos sentar, parar e começar a tomar uma atitude simples no município. Objetivando realmente a população. Porque do jeito que tá daqui a pouco a cidade não se sustenta.

DIARINHO – Uma série de equipamentos turísticos está se instalando em Balneário, vocacionando a cidade cada vez mais ao lazer e turismo. Qual a sua opinião sobre essas atrações turísticas como aquário, roda-gigante, museus, atracadouro de navios e o polêmico BC Port?

Giovan Nardelli: Eu acho importante nós, como Balneário Camboriú, como cidade, trazermos investimento privado. Só que eu quero fazer esse contraponto de que Balneário Camboriú não usa o seu orçamento para equipamentos públicos. Nós não temos equipamentos públicos de turismo na cidade. É tudo privado, tudo privado… Inclusive se traz muito benefício público para as empresas privadas. Todas as construções  tiveram algum, como eu posso dizer, algum “arrego” do município. É nisso que eu quero fazer a diferença. Eu quero separar o público do privado. Eu sempre digo, o setor privado tem que dar lucro. Mas ele não tem que ficar ganhando do estado. A gente tem que separar aquela vocação clássica de estado. De direito público e de direito privado. O que eu quero trazer é equipamentos públicos. No lugar do porto, eu quero fazer uma marina pública. Com dinheiro nosso, a gente tem condições de fazer. Eu não consigo compreender essa ideia do porto, porque depende de uma concessão da União. Não tem uma empresa que já ganhou isso, eu não consigo entender, já está destinada para uma empresa? Eu não consigo compreender. O que eu pretendo fazer é uma marina nossa, pro município, para equipamentos de transporte. E também fazer um centro de recuperação da vida selvagem, que a gente tem histórico de animais que acabam perdendo sua rota no oceano ou até aves que acabam se machucando e a gente não tem um tratamento adequado. A gente precisa de um equipamento próprio pra isso. Está aberta a porta para o oceano. Eu quero realmente começar a construir equipamentos públicos, como o parque de Taquarinhas.

Marcelo Kozar: Balneário é uma cidade turística por natureza, se não fossem os atrativos turísticos, certamente ela não seria a cidade que é hoje. O investimento no turismo deve se manter. Um dado estatístico, apesar de uma cidade onde 80% da receita de Balneário vem do turismo, dos agentes que comportam a classe do turismo, apenas R$ 5 milhões são destinados para essa área. Onde R$ 1,5 milhão vai pra fogos de artificio, R$ 1 milhão é pra propaganda e o restante fica pra custear a secretaria de Turismo. Eu acredito que o turismo tem que ser tratado por quem é do turismo. Balneário Camboriú é uma cidade que tem que ser administrada, na questão do turismo, pelos agentes do turismo. A prefeitura não tem que se envolver nesse assunto. Ela tem que, sim, organizar onde vai ter um a convenção dos agentes do turismo. Eles vão fazer a pauta do turismo e eles vão administrar. Cabe à prefeitura fazer simplesmente a checagem e auditoria, vamos dizer assim, dos resultados que eles vão estar promovendo.

Pedro Luiz: O BC Port é um projeto lindíssimo, bonito, acho a coisa mais linda do mundo. Eu não acredito no projeto. Porque eu penso o seguinte: existe uma guerra dentro da cidade por causa desse porto. Se eu tenho, se o projeto é meu, e eu tenho toda a documentação necessária para construir o projeto, para tirar do papel. O que que se ia fazer? Eu ia fazer. Então eu entendo que esse projeto não tem a documentação necessária ainda para virar uma realidade. Então não adianta eu brigar, trabalhar, tira todas as licenças, e não é fácil, eu sei que não é fácil. E depois vai montar teu projeto. Não adianta ficar guerreando, xingando todo mundo e fazendo guerra psicológica com todo mundo e contando, inclusive, um monte de inverdades. Como se o porto fosse faturar dois bilhões no ano. Dois bilhões, salvo engano, fatura o porto de Santos. Não sei se você conhece o porto de Santos. Eu já me perdi dentro do porto de Santos. Então ali fatura dois bilhões de reais, aqui não vai faturar isso.

DIARINHO – Os moradores e comerciantes cobram a organização e fiscalização do calçadão da avenida Central, além da revitalização do espaço. Se for eleito, qual a sua proposta para o calçadão e para as avenidas com vocação comercial da cidade?

Giovan Nardelli: O nosso principal foco no momento é o calçadão e a avenida Brasil. Nós temos um projeto antigo, que nunca sai do papel, que é a instalação subterrânea da fiação, da estrutura, da energia elétrica. Nós queremos dar andamento a esse projeto. E padronizar, eu entendo que em Balneário Camboriú o que mais funcionou para construir as calçadas padronizadas foi quando o próprio município executou o serviço, como foi na 3ª avenida, na 4ª avenida. Quero fazer da mesma forma, trazer isso para avenida Brasil e pro calçadão. Pra colocar de uma vez essa fiação subterrânea, porque é uma área muito movimentada, que traz muito fluxo comercial. Também temos a proposta de trazer tecnologias verdes. Por exemplo, temos uma forma que é fazer calçadas que a água possa penetrar. Tem também a captação de energia dos passos das pessoas. Isso é possível, tem países que já adotam isso. Nós queríamos trazer para a cidade de Balneário Camboriú tecnologias verdes para o uso em ambientes de uso público, como as calçadas. Esse projeto que nós queríamos trazer pro calçadão e pra avenida Brasil.

Marcelo Kozar: Dos últimos anos para cá, não vamos nem falar dos últimos quatro, mas um pouco mais além disso, Balneário entrou com um projeto muito forte de binários. Muitas ruas, que eram de duplos sentidos, se tornaram binários. Só que binários para que servem? Para aumentar a velocidade, aí se cria o binário, se enche de lombadas ou de radares. Para que fazer binários? Pra que criar uma situação que você tem que aumentar a velocidade do carro, só que você coloca um radar logo na frente. Nós acreditamos no contrário. Balneário não precisa ter vias expressas. É uma cidade de turismo, uma cidade que as pessoas vêm para relaxar, para desfrutar a cidade. Não é uma cidade como São Paulo que você precisa de rodoanéis onde a pessoa roda 30, 40km pra poder sair de um ponto no outro. A nossa orla é de seis quilômetros, não há necessidade de tudo isso. O que tem que ser feito é um replanejamento urbano onde a gente valorize ciclofaixas, calçadas. Porque as pessoas têm que caminhar na cidade. A partir do momento que elas estão caminhando na cidade, elas vão poder conhecer mais comércios, consumir nos comércios, do que dentro dos carros numa via rápida onde a cada uma quadra e meia, ela tem que ou passar por uma lombada ou passar num radar. [E especificamente no caso da avenida Central, a reclamação da falta de organização e da falta de uma revitalização, tem alguma proposta especifica?] Nós vamos ter que sentar com esses comerciantes entender qual é a pauta deles, porque realmente, pra mim, o que tem que fazer é delimitar aonde é calçada e onde é via de trafego automóveis. E, na medida do possível, fazer tudo que é possível para que eles possam exercer a atividade deles com maior segurança e rentabilidade.

Pedro Luiz: Eu tenho um projeto. Eu tenho realmente um amparo do governo tanto estadual quanto federal, com o General Mourão que faz parte do meu partido e realmente ele está abrindo muitas portas para nós. Quando eu digo “nós”, pra todos os candidatos do PRTB no estado. E eu tenho um projeto que vai ser feito, que vai enterrar, colocar no subsolo a fiação elétrica. E colocar postes com células fotovoltaicas. Existe isso, as lâmpadas quando escurecem elas se acendem automaticamente, dura até 13 horas. Vai diminuir inclusive o custo do município com energia elétrica. E no caso do calçadão que você está se referindo, outro dia eu passei lá a pé, fazia tempo que eu não passava a pé, às três horas da tarde e eu fiquei com medo. Nós precisamos realmente arrumar aquilo, chamar os comerciantes à responsabilidade e colocar um guarda, pelo menos um guarda municipal, que fica andando de um lado pro outro, para pelo menos o pessoal ter a sensação de segurança. Para começar a melhorar as coisas.

DIARINHO – Balneário Camboriú enfrentava problemas no transporte público antes mesmo da pandemia. A Expressul pediu rescisão do contrato, que tinha validade até 2027, por alegar que é impossível manter o serviço sem subsídio da prefeitura. O município não repassou o subsídio e houve o rompimento. A Praiana ampliou o transporte intermunicipal pra atender os bairros da cidade, enquanto a prefeitura estuda um chamamento emergencial. Há muitas queixas de usuários sobre o serviço. Qual a sua proposta pro transporte público da cidade?

Giovan Nardelli: O transporte público em Balneário Camboriú é uma competência do município. E, historicamente, ele não funciona em Balneário Camboriú. Ele não era bom pra empresa, como a gente viu e a empresa acabou desistindo do contrato, e também não era bom pros usuários, pros cidadãos. Nunca foi bom em Balneário Camboriú o transporte. O que nós queremos fazer, usando modelos de outras cidades do Brasil, é a execução direta do serviço com o município executando esse serviço diretamente. Nós queremos adotar o uso de tecnologias verdes também nos ônibus, que não usem combustível fóssil. E criar também a tarifa única diária, subsidiadoa, ou seja, nós queremos que o transporte seja barato para o usuário. Porque nós queremos que os trabalhadores, os turistas e todos os cidadãos de Balneário Camboriú possam se locomover mais por meios coletivos e menos por meios privados como veículos. Esse é nosso projeto pro transporte coletivo de Balneário Camboriú [Você acha que é possível manter o transporte coletivo na cidade?] Eu acho que é necessário, essencial. Inclusive subsidiado, ou seja, ele tem que ser barato. Os grandes centros do mundo, que têm uma cidade muito adensada, como Balneário Camboriú, eu até cito um exemplo que eu conheço, que é o metrô na Argentina. Ele é muito barato. O transporte público coletivo ele tem que ser barato. As pessoas têm que se movimentar em meios que sejam menos poluentes e também que permitam à mobilidade urbana. Em Balneário Camboriú o trânsito é caótico. Se nós não nos movimentarmos por meio de equipamentos coletivos, nós não vamos conseguir resolver o problema da mobilidade urbana.

Marcelo Kozar: Balneário Camboriú é uma cidade de 150 mil habitantes. Em alguns momentos do ano ela pode passar de um milhão por conta do turismo. Mas, com certeza, não são os turistas que usam o transporte público, são esses 150 mil habitantes da cidade. É uma cidade pequena. Não comporta ter uma garagem, um serviço de transporte público como o caso de Itajaí. E mesmo Itajaí ainda tem que haver o subsídio para manter. Nós não concordamos com essa política onde a prefeitura banca para poder prestar um serviço, muitas vezes  de qualidade duvidosa, e a um valor elevado. Se nós formos considerar hoje, uma pessoa compra uma moto, uma Biz, por exemplo. Paga as parcelas entre R$ 150 e R$ 250 numa moto. E ela vai gastar em torno de R$ 60 por mês em combustível. Como é que eu vou convencer essa pessoa a pegar um transporte público, onde ela vai gastar em torno de R$ R$ 7,5 por trecho? Ou seja, R$ 15 por dia, explicando pra ela que em quatro dias, ela vai gastar o equivalente ao que ela gasta em um mês em combustível na moto dela? Eu acredito que a prefeitura, ela não tem que pegar e criar impeditivos. Nós temos o Uber, nós temos a 99, nós temos aplicativos de transporte. Nós temos os nossos táxis que são muitos bons, que tem que ser valorizados. E já existe no mercado empresas interessadas. Temos a Uber for Bus que também poderia ser aplicada. Basta a prefeitura não atrapalhar a iniciativa privada, porque daí o próprio mercado se adequa. Aonde tem demanda, vai ter oferta. Aonde não tiver demanda, naturalmente essa oferta não vai existir. É uma situação  que se corrige simplesmente você não se metendo nesse assunto. Agora, pensando na Balneário e na região metropolitana, a Praiana já faz excelente trabalho, onde ela interliga todos os municípios.

Pedro Luiz: Primeiro nós temos que entender sobre mobilidade urbana. O nosso prefeito foi pra Washington dar uma palestra sobre mobilidade urbana e nós não temos ônibus na cidade! Eu passo a entender que eu não sei nada de mobilidade urbana. Porque se ele foi fazer isso e nós não temos transporte público… Mas, tirando a piada, é fundamental chamar alguém que entender de transporte público realmente. Prefeito não entende de tudo, prefeito não é Deus. O transporte público em Balneário é ruim há 30 anos. Já deveria ter sido feito e ele não poderia ter deixado a empresa ir embora. Eu não entendo o transporte público de qualidade sem subsídio, não existe. No mundo inteiro não existe isso. Não adianta querer. Se não vai ficar a passagem muito cara, a população é pobre, inclusive a de Balneário Camboriú é pobre, e tem que ter um transporte de qualidade. E tem que contratar alguém que entenda disso. É simples, não tem muito o que falar.

DIARINHO – O STF manteve a obrigação de o estado prestar suporte mensal de R$ 2 milhões para manutenção dos serviços do hospital municipal Ruth Cardoso, que atende aos habitantes das cidades da região. Com isso, o Ruth Cardoso precisa manter atendimento de urgência e emergência regional.  No início da pandemia houve queixa de falta de atendimento, que motivou uma ação do MP. O hospital foi denunciado por denúncias no seletivo de contratação de funcionários pra unidade. Qual a sua proposta para a saúde de BC e especialmente para o Ruth Cardoso?

Giovan Nardelli: Eu acho que o grande foco na saúde de Balneário Camboriú é o Ruth Cardoso. Mas o que eu vejo ali, acima de tudo, é um problema de gestão. Nós temos um hospital que foi criado a toque de caixa. Ele foi criado sem uma estrutura própria e o serviço foi sendo efetuado, foi sendo executado. A grande verdade é que o Ruth Cardoso é um hospital totalmente terceirizado. As pessoas criticam muito o serviço público, e eu quero fazer essa avaliação de que o serviço público  funciona. Mas ele tem que ser fiscalizado. E no caso do Ruth Cardoso, hoje ele não tem uma gestão própria como a Emasa, por exemplo. A Emasa lá de Balneário Camboriú, que é autarquia de tratamento de esgoto e de água, que tem um orçamento separado. O nosso hospital ele não tem um orçamento separado da secretaria de Saúde. Por mais que o SUS tenha um regime de dotação orçamentária bem definido, no caso do Ruth Cardoso ele acaba usando toda a estrutura da secretaria de saúde, da saúde básica. Ou seja, as pessoas deixam, às vezes, de serem atendidas no posto de saúde pra serem atendidas no hospital. Isso acaba criando uma demanda muito grande pro hospital e a gente tem um problema de caixa. Enquanto nós não separarmos a gestão do hospital, nós não vamos conseguir saber o tamanho do problema. A ideia é criar o hospital como uma fundação, uma autarquia, com execução do serviço de forma pública. Acabar com essa forma de contratação terceirizada, por contratos. E fazer exatamente aquela execução que a Constituição da República manda, que é através de concurso público com servidores efetivos.

Marcelo Kozar: O problema não é falta de dinheiro, Balneário gasta mais de R$ 100 milhões por ano com saúde. O que acontece é que os outros municípios não estão contribuindo. Eles têm as cotas de saúde, só que o Ruth Cardoso está em Balneário, então existe uma, vamos dizer assim, resistência deles de repassarem partes desses recursos para Balneário para ampliar o serviço. Hoje Balneário está bancando e mantendo a saúde de todos os municípios à volta. Tirando Itajaí que é autossuficiente na questão de saúde, muitos municípios não têm uma UPA, não têm um posto de saúde, não têm um hospital. O que eles gastam, gastam em vans e ambulâncias e congestionam o Ruth Cardoso. O Ruth Cardoso é um excelente hospital, mas ele não é preparado para atender a população de todos os municípios nos arredores de Balneário. Ele é preparado para atender a população de Balneário. A nossa proposta vai ser sentar com os prefeitos dos municípios à volta de Balneário, na grande região metropolitana, e tentar chegar num acordo onde esses municípios passem a contribuir com o Ruth Cardoso e com a saúde. Porque daí nós vamos ter condições de ampliar e melhorar o atendimento para toda região. Caso isso não aconteça, realmente, não sei se vale a pena continuarmos com esses dois milhões de reais, sendo que a gente gasta mais de R$ 100 milhões e não estamos dando conta.

Pedro Luiz: Pena que eu não tenho tempo para falar tudo, mas no meu plano de governo isso está escrito, inclusive com datas, com prazos. Em 18 meses eu consigo ter um outro hospital sendo gerenciado por uma OS, no sistema 70/30. É 70% SUS e 30% privado. Porque toda empresa tem que ter lucro, não tem como. E é uma maneira de equalizar o custo de um outro hospital. O hospital Ruth Cardoso ficaria para pequena, baixa complexidade. Procedimentos de baixa complexidade. Esse outro para médias complexidades e até o final do mandato, no final de 48 meses, eu levantaria um hospital vertical, através de uma PPP [parceria público-privada]. Isso é possível. Ali naquele terreno enorme do Ruth Cardoso. E todo mundo tem que entender o seguinte: SUS é pra todo mundo. Não tem como falar “eu não vou atender”. O projeto começou errado. O prefeito anterior disse que ia fazer todo SUS. Aí nós temos a obrigação realmente de atender o cara de Nova Iorque até o cara de Balneário…

 

 

DIARINHO – O senhor é advogado na cidade. Agora decidiu estrear na política. Tinha pretensão de ser vice do Piruka, mas acabou saindo chapa pura, após o vereador escolher ser vice do empresário Auri Pavoni. O senhor tem uma inclinação mais à esquerda. Como pretende conquistar o eleitorado de uma cidade tão conservadora, sem ter experiência na política?

Giovan Nardelli: Eu sou advogado e já trabalhei em vários cargos públicos. Eu fui procurador da Emasa em 2009/2010, já trabalhei no mandato do sargento Amauri Soares, na Assembleia Legislativa, durante quatro anos, já fui delegado do trabalho por um breve período. E já fui diretor administrativo na secretaria de Saúde de 2015 a 2016. Também já atuei no Observatório Social, na OAB, já fui concursado na secretaria de saúde, de 2003 a 2005. Eu saí do concurso público para ir para a vida privada na advocacia. Eu sempre participei muito da vida ativa da cidade. E é por isso que eu decidi me candidatar. Eu queria trazer uma candidatura diferente das demais. Eu digo que em Balneário Camboriú tem duas candidaturas: a minha e a dos outros. Porque os outros são todos iguais. E eu quero trazer realmente essa vocação do serviço público. Eu quero trazer isso tudo que eu aprendi através dos anos e o que eu defendo, que é o setor público promover o bem-estar social e organizar a sociedade. E o setor privado lucrar, mas não lucrar do serviço público. Separar as coisas. É isso que eu queria trazer, por isso a pretensão de ser candidato a prefeito. Pra trazer realmente de volta esse discurso de que o estado funciona, que ele pode funcionar, que ele tem que ter regras, mas ele tem a sua eficiência. E que o setor privado deve lucrar separadamente. Essa é a ideia que me norteou e que me trouxe a ser candidato pelo 77 em Balneário Camboriú.

DIARINHO – O Ney está internado lutando contra a covid e o senhor assumiu a agenda dele. O senhor é empresário, pouco conhecido, e já tem essa grande responsabilidade, que é levar a campanha sozinho adiante. O Novo se anuncia como “nova política” mas muitas vezes defende agendas conservadoras nos costumes. Balneário é uma cidade complexa do ponto de vista administrativo, e cosmopolita e diversa no ponto de vista social. Porque os eleitores devem confiar que o Novo tem as melhores propostas?

Marcelo Kozar: Realmente, eu não sou conhecido na cidade. Foi sempre uma pretensão minha passar despercebido. Se for entrar no agronegócio, provavelmente, se conversar com produtores rurais, eles me conhecem ou conhecem minha empresa. A questão de eu ter assumido essa responsabilidade enquanto o Ney está se recuperando era uma coisa natural, porque quando se faz a seleção no Novo, não é indicação política. Todos passamos por um processo seletivo. E, no caso da majoritária, ambos os candidatos estão fazendo o processo seletivo para prefeito. Tanto eu quanto o Ney, temos plena capacidade de exercer a prefeitura. O Novo ele não é um partido nem de direita nem de esquerda. O Novo é um partido para fazer a coisa certa. Nós acreditamos que o liberalismo, as pessoas têm que ter a liberdade de empreender e de investir. Elas têm que ter a liberdade de assumir as suas posições. Elas têm que ter a liberdade de assumir inclusive a sua sexualidade ou tudo mais. Nós não acreditamos em cotas ou em grupos específicos. A gente acredita que todos somos seres humanos e todos devemos ser respeitados pela condição que somos. O Novo nunca fecha portas para o partido A, B ou C. O gabinete do Novo vai estar sempre aberto, independente de qual vai ser o partido. Agora, se a proposta for de acordo com as nossas intenções e o que a gente acredita, nós vamos dar apoio, independente de quem seja.

 

DIARINHO – Sua campanha tem bastante incidência nas redes sociais. O senhor é paulista, mora há anos em Balneário, sua campanha e seus apoiadores colaram na imagem do vice-presidente Mourão. O senhor tenta capitalizar os votos do governo Bolsonaro?

Pedro Luiz: Não tá baseada no apoio do Mourão. Ele é do meu partido. Mas eu posso colar a imagem dele com autorização dele inclusive. O meu partido é um partido de direita, não vou te falar extrema direita que não é, mas é um partido de direita e conservador. E eu sou assim também. Eu sou um cara conservador, eu tenho uma filha, apesar de ter 65 anos, eu tenho uma filha hoje com 12 anos. A mãe também é conservadora, ela frequenta igreja, nós queremos saber onde ela é vai, com quem vai, saber como é que funciona. E não tem moleza, tem disciplina. Eu sou realmente conservador e quero resgatar certos princípios, inclusive no ensino municipal. [Quais?] Religiosidade eu acho fundamental. Quando eu digo religiosidade, se você pegar qualquer religião, do muçulmano ao católico, todas têm centenas de pontos em comum. Passando pelo judaísmo, inclusive. Todas têm centenas de pontos em comum. Porque não começar a dar aulas das coisas boas que existem em todas as religiões? Independente se o cara é muçulmano, se é católico, se é… pra todos começarem a ter uma linha reta na vida.

 
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