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Dona Dulce, funcionária pública e escritora

Sabe aquela conversa gostosa sobre como era a vida das pessoas antigamente? Assim é o Entrevistão com a escritora estreante Dulceclea Marcolino da Silva, a dona Dulce. Aos 66 anos e com apenas o “quarto ano primário”, essa guerreira que representa tantas mulheres brasileiras se desafiou mais uma vez e escreveu um livro. “Memórias do Sertão” conta sua vida desde que saiu do Sertão do Trombudo, hoje pertencente a Itapema, até chegar à comunidade pobre conhecida como Matador, em Itajaí. A criação dos 12 filhos, as dificuldades da vida de empregada doméstica, a convivência com os criminosos da comunidade e o concurso público que a tornou servidora pública estão na obra, lançada esta semana. Um pouco da história recente de Itajaí não sob a ótica acadêmica ou elitista, mas sob o olhar de quem costuma estar à sombra dos holofotes. O Entrevistão foi feito pelo jornalista Sandro Silva e clicado pela jornalista Franciele Marcon.

Nome completo: Dulceclea Marcolino da Silva
Idade: 66 anos
Local de nascimento: Sertão do Trombudo, Porto Belo [hoje pertencente a Itapema]
Estado civil: Casada
Filhos: 12
Formação: Quarto ano do ensino fundamental
Experiências profissionais: Agricultora, babá, doméstica, funcionária de restaurante, operária de empresa de pesca, merendeira de escolas públicas e servidora pública municipal de Itajaí, hoje lotada na recepção do Museu Histórico.

“Pra mim, o escrever era só escrever no papel, ir numa livraria, montar e o livro tava pronto. Eu não esperava que ia dar essa repercussão toda”

“Não tive a oportunidade de estudar, mas se eu tivesse oportunidade, faria história”

“O [bairro] Matador era um lugar bom para se morar. Era pobre, mas bom”

DIARINHO – Perto de completar 70 anos de vida, a senhora vira escritora. O que a motivou a escrever um livro de memórias?
Dona Dulce – Olha, sempre tive o desejo de escrever um livro. Mas, pra mim, o escrever era no papel, ir numa livraria, montar e o livro tava pronto. Eu não esperava que ia dar essa repercussão toda. Eu não imaginava. E aí eu conheci uma amiga, a Fátima, que trabalhava comigo no arquivo histórico, a Fátima Schneider. Ela fez um livro do aeroporto que era na rua Blumenau. Ela lançou esse livro. Então, conversando com ela, ela disse: “Dona Dulce, escreve! Escreve que eu te ajudo”. Nesse momento o Rogério estava junto. O nosso Rogério Pinheiro [jornalista], que é o nosso produtor. Aí ele disse: “eu ajudo, dou uma força pra senhora escrever”. Dali, eu comecei a escrever. Isso aí foi 5 de fevereiro de 2015. [Então o livro levou mais de dois anos para ser escrito?] Isso, isso. E assim, como o meu pai gostava muito de ler e eu já vim naquilo ali. O meu pai gostava de história e eu também sempre gostei muito de história. Não tive a oportunidade de estudar, mas se eu tivesse oportunidade, na época, era fazer história. [A senhora estudou até que ano?] Só até a quarta série. Foi no sítio, né!? E daí depois comecei a escrever e foi indo, foi indo e hoje eu estou com o meu livro pronto. É o primeiro livro. [Vai ter outro?] Ainda vou pensar nisso ainda. Não sei se vou ter cabeça para escrever mais um. Mas quem sabe, né!? Pra Deus tudo é possível!

DIARINHO – A senhora se criou no Sertão do Trombudo, uma região rural de Itapema. Por lá havia, inclusive, uma área chamada de Sertão da Miséria. Como era a vida no sítio? Hoje, olhando para o seu passado e como vivia aquela comunidade, o que havia de dificuldade e o que tinha de vantagem em morar por lá?
Dona Dulce– A maior dificuldade era médico, tá!? Não tínhamos médicos. As vendas eram longe. Então compras pra casa, pras crianças, remédios, tinha que ser em Tijucas. Os meus pais iam às vezes. Levavam a gente. E Santa Luzia, por aí tudo, a gente passava. Era mais estrada de chão. Muita lama. A gente ia de carroça. E no caso a mercadoria, o condutor pra casa tinha que ser animal. Porcos, gado, frangos. Era a comida. E no caso o arroz. Tinha plantação porque o meu pai plantava. O meu pai plantava arroz, café, banana, palmito. A gente sobrevivia daquilo. Ele vendia. E a gente sobrevivia.[Mas era uma vida tranquila?] Pra nós era tranquilo. A gente era pequeno, né!? Tinha escolinha lá perto. Tudo com roupinha simplesinha. A roupa era minha mãe que fazia. Os uniformes, as bolsinhas de pano. Então era muito gostoso. Eu de vez em quando volto lá. A gente ainda tem terra lá. Ficou a herança da minha mãe. De vez em quando a gente tá indo. A gente não abandonou aquilo.

DIARINHO – A senhora saiu com quantos anos do sertão?
Dulce – 17 anos.

DIARINHO – E saiu por quê?
Dulce– Em busca de algo melhor! De um emprego. [E conseguiu?] Não foi muita coisa. Mas depois que conheci o marido, casei. Aí fui para Florianópolis, de lá para Blumenau e aí voltei para Itajaí. É que os meus pais já estavam morando em Itajaí, né? Foram para Itajaí em busca de recursos para o meu irmão que era doente. E dali logo já conheci meu marido, a gente começou a namorar. Depois vim embora pra Itajaí, já casamos. Nosso namoro foi de seis meses. [A senhora foi para Florianópolis e Blumenau trabalhar com o quê?] Em casa particular. [A senhora foi doméstica, então?] Comecei lá em Florianópolis como babá. Depois fui pra Blumenau também trabalhava na casa, cuidava da casa.

DIARINHO – Hoje há leis que igualam os trabalhadores domésticos ao trabalhador comum e os patrões são obrigados a fazer o registro em carteira de trabalho. A senhora, que trabalhou desde novinha, pegou uma época em que isso não existia. Como é que enfrentou essa época trabalhando em casas de famílias estranhas?
Dona Dulce– Para nós era tudo normal. Eu hoje poderia estar aposentada mais cedo, ganhando um melhor salário. Mas, por causa disso aí, como não registravam a gente, então a gente foi ficando…

DIARINHO – Tem alguma história no seu livro dessa época, em que a senhora trabalhava ou de babá ou de doméstica que seja curiosa?
Dona Dulce– Alguma coisinha, sim. Em Florianópolis eu fui trabalhar na casa de um médico. O neném deles tinha recém-nascido. Então era muito gostoso trabalhar na casa. Eles moravam num apartamento. Depois foram morar na casa dos pais dela, até a casa deles ficar pronta. Moravam na rua Emílio Blum [Centro] e depois fomos para a Mauro Ramos [também centro]. Aí fiquei uns anos com eles. Depois é que saí porque pra mim, ali, o serviço já tava ficando muito pesado. Era cuidar de um, depois nasceu mais outro e cuidar de tudo. Era roupa, comida, tudo. Como ele era médico, tinha que ser tudo muito bem organizado, ajeitado. Principalmente as roupas né!? Tinham que ser bem cuidadas. Aí depois não deu mais. Comecei a ficar cansada. Vai ficando mais mocinha, já vai vendo que aquilo ali tá te cansando, aí procurei outra casa, mas também não fiquei. Depois vim pro sítio. Fiquei uns meses no sítio e depois fui para Blumenau, trabalhei numa casa. Aquela lá não fiquei. Aí depois peguei uma outra, trabalhei e aí fiquei mais um ano e pouco. Depois então comecei a vir pra Itajaí.

DIARINHO – A senhora chegou em Itajaí na década de 70 e foi morar no loteamento Nossa Senhora das Graças, o popular Matadouro. Hoje, muita gente tem preconceito contra a comunidade pelo medo da violência. Conta pra gente como era a vida no Matadouro na década de 70…
Dona Dulce– Ali era muita dificuldade, muita pobreza, muita necessidade. Eu morava ali no lado da escolinha, então não morava lá dentro, no “foco”. Mas a gente sabia como era. O pessoal passava muita dificuldade. Muitos caminhões de peixe foram descarregados para doar lá. Despejavam ali, entre a rótula ali, pro povo. [A rótula, perto do posto Universitário, era onde passava o trilho do trem?] Isso, aquele pedaço que dá para o cadeião. Despejavam aqueles caminhões de peixe e o povo, sempre com as suas sacolinhas pegando, com bacia, alguma coisa. E uma época tinha a Festa de São Cristóvão. O povo ia lá doar aquelas coisas para as crianças. Então para era uma festa. Final de ano, com presente para as crianças.

DIARINHO – O Matador tem um personagem clássico que hoje está sendo esquecido, o seu Minela, um leigo Salesiano que morava nos fundos da comunidade, criava porcos, tinha lagoas e fazia um trabalho social com os vizinhos. A senhora lembra? Cita seu Minela em seu livro de memórias?
Dona Dulce– O seu Minela, também, foi um homem que ajudou muita gente. Ele dava aqueles pães para as crianças. Matava a fome e a sede de muitas crianças. E certo pais já deixavam os filhos com ele, ali, para ele dar uma olhada, e iam trabalhar tranquilos. Porque sabiam que eles tavam sendo alimentados. Ele tinha lagoa lá atrás, né!? Daí lá, ele levava eles [os meninos do bairro] para trabalhar. Ali dava as coisinhas para as crianças. Aí depois começou já a fazer o parque [Parque Dom Bosco, instituição filantrópica mantida pela congregação católica Salesiana]. Criou algo maior ali, onde tinha também sala de artesanato para as mães fazerem as roupas para os bebês, as mães necessitadas. E tinha também a marcenaria, que fazia aqueles carrinhos de madeira e botava eles para trabalharem por ali. Então eles tavam sempre trabalhando com seu Minela. Andavam de Kombi com o seu Minela pra baixo pra cima, as crianças. As crianças do Matador, da rua Indaial. O Matador era um lugar bom para se morar. Era pobre, mas era um bom lugar de morar. E tinha também as pessoas que eram mais… os violentos, né!? Como assaltantes, assassinos, bandidos. Então, na época, os mais levados eram o Teco, o Nego Teco, o Dezoito, o Vilmar. Eram essas pessoas mais levadas, né? Eram aquelas pessoas que não aceitavam que fizessem algo com a comunidade, com o povo da comunidade. [Eles eram do crime mas protegiam a comunidade?] Isso. Eles eram respeitados e respeitavam as pessoas. Eram umas pessoas muito educadas. No tempo que eu morei ali eles nunca mexeram com a minha família. Meu pai tinha uma cantinazinha ao lado da escola, ali onde meu pai morava, e eles chegavam de madrugada, batiam na janela. O meu pai levantava, atendia. Eles comiam o que queriam. Sentavam no murinho da escola, pagavam o meu pai e depois iam embora. Eles chamavam o meu pai de “parente”. “Parente, pode ficar tranquilo que aqui ninguém vai mexer com ninguém da família”, falavam ao meu pai. Então eles eram assim, umas pessoas muito respeitadas. A fama era pior porque os “de fora” iam se esconder lá.

DIARINHO – A senhora viu o tráfico de drogas chegar no Matador?
Dona Dulce – Não. Quando eu cheguei já tinha. [A senhora chegou em que ano?] Cheguei lá em 72, por aí, e já tinha o tráfico. [Era maconha?] De certo era coisa mais forte, né? Naquele tempo não se falava muito. Se falava mais era na maconha e no roubo. E era polícia direto. Eles sabiam que a polícia ia atrás deles. Era muito roubo, muita coisa e então era tudo escondido. [E a polícia quando chegava lá? Tratava a comunidade como?] Eles já sabiam onde iam. Já sabiam quem iam buscar, quem iam atrás. Não era assim de botar uma família toda no chão ou na parede. Não. Eles sabiam quem eles queriam. (…) Era assim, era bom de morar ali. A gente não era perturbado. Eu trabalhava no Forno à Lenha [Pizzaria], voltava tarde da noite e eles tavam tudo na capelinha, sentados ali, os rapazes da rua. Até um dia eu lembro que o Nego Teco falou assim: “Olha, vocês não me mexem com essa senhora!”. Eu escutei muito bem. Eu tava passando ali tarde da noite e ele falando pros rapazes. Aquilo ali nunca saiu da minha cabeça. Eles respeitavam a gente.

DIARINHO – A senhora teve 12 filhos. Como é para uma mulher que precisava trabalhar o dia inteiro cuidar de tantas crianças? Como conseguiu isso?
Dona Dulce– Eu tinha um jeito e eles me respeitavam. Eu tinha domínio sobre eles. E eles acatavam o que eu falava. Não era como hoje que tu botas ali e eles não ficam e querem falar o que querem e o que não querem. Não! Os meus não eram assim. Como o meu marido era um homem que sempre trabalhou em peixe, de pedreiro, viajava de caminhão, então tinha que ser eu. Mesmo que eu trabalhasse, eu tinha que dar conta de tudo em casa. Porque se um dia eu chegasse em casa e alguém tivesse feito algo de errado, ia sobrar pra mim. Ele ia em cima de mim. Eu tava mais em casa com os filhos. Então eu tinha aquele cuidado. Meus filhos não eram de brigar um com o outro, de discutir. Não que fossem melhor que os dos outros, mas meus filhos eram muito obedientes. [A senhora conta essa história da sua família e dos seus filhos no livro?] Alguma coisa é pra ter. Até hoje, minha sogra mora lá no Matador, tem 95 anos. Ela foi morar um ano conosco, mas não aguentou. Queria voltar pro Matador. Então tá lá em cima do morro. Tá na casa de uma neta. [Como é o nome da sogra?] Neli Carvalho. O meu marido é o Bá [José Nivaldo Marcolino da Silva], o nego Bá. Trabalhou bastante no peixe, na construção. Trabalhou na prefeitura, no caminhão do lixo, na época do Arnaldo Schimidt. [Quando a senhora saiu do Matador?] Ah! E agora? 70 e… 80? 88. Aí saí dali e fui pra Cordeiros. Moro em Cordeiros. Só que o Matador ali, gente, na época tinha os gados, o abatedouro lá dentro. Não morava ninguém, bem dizer. Até conversando com o João Rosa Júnior [morador antigo], ele me disse “quando eu vim pra li, dona Dulce, com três, quatro aninhos, por aí, só tinha um ou dois vizinhos”. Ele disse “com mais idade um pouquinho, eu saía a vender sapólio que a mãe fazia para lavar panelas”. Ele ia no Zizão [antigo moinho de arroz e depois supermercado que havia na rua Brusque, no bairro Dom Bosco]. E tem também a senhora Suraia, ela também conta muita história. Ela foi pra lá com um ano e pouco. E falando dos carretões de boi. Uma vez eles se perderam, saiu boi pra tudo quanto era lado. E quando os bois fugiam, quando eles tavam brincando, tinham que ficar paradinhos pros bois não irem pra cima. Aí passava os bois tudo por ali e iam-se embora. Teve uma época que o carroção virou e os bois saíram correndo e tiveram que matar os bois para não atingir o povo. Eles vinham tudo lá de cima, do Avelino Werner [próximo onde hoje fica o Itamirim Clube de Campo, no bairro Dom Bosco] pra passar por ali pra ir lá pra dentro, no abatedouro.

DIARINHO – Quando se fala em enchente em Itajaí, todo mundo lembra a de 2008. Mas a cidade enfrentou, em 1983 e 84, enchentes ainda maiores. A senhora fala dessas duas enchentes em seu livro. Chegou a ser afetada pela enchente?
Dona Dulce– Nós não fomos muito afetados. Meu marido sempre foi aquele homem que sempre teve bastante alimento dentro de casa pra não deixar faltar pros filhos. Os meus filhos nunca foram de sair em casa de vizinho para pedir algo pra comer. Ele nunca aceitou isso. Então, como a gente tava com a casa abastecida, não precisava andar atrás. Ele dava as voltas, mas ele não vinha assim com roupas, com comida, com nada. A gente ficou ilhado. Porque o parque Dom Bosco, até ali a rua Brusque, não dava pra passar. E quem tava no Parque Dom Bosco, tava. Quem não tava, tinha que ir pela rua Brusque, passar pelo trilho, pra vir pra Univali buscar algumas coisas, né? Até a minha cunhada que morava no Costa foi pra lá, por causa da minha sogra, que morava no lado da minha casa. Aí secou tudo, mas quando chegou no outro ano, teve que voltar novamente. E eu estava vindo do sítio com as crianças. Era época de férias de julho. Era muita chuva, muita chuva. Quando chegamos aqui na Igreja Nova [Matriz do centro], já tava a rua Brusque toda alagada. Aí o que o meu marido fez? Arrumou uma caçamba e foi levar nós em casa até uma certa distância por causa da água. Fomos todos na caçamba. […]

DIARINHO – A antiga estrada de ferro usava o trajeto onde hoje é a avenida Contorno Sul. Cortava o Matadouro pelo meio, passava na antiga Esplanada e emendava com a estação da Fazenda. Essa relação de trem com Itajaí está no seu livro. O que é que mais lhe traz à memória quando pensa na estrada de ferro?
DIARINHO– […] Lá da casa dos meus pais eu escutava a litorina [vagão de passageiros com mais luxo que os demais] berrar e eu nunca consegui chegar perto dela ou entrar. Eu lembro disso tudo. E depois, quando eu passava aqui na Fazenda, que tinha a estação ali, a gente se admirava daquilo. […] Blumenau também existia. Mas eu nunca andei de trem em Blumenau. A gente andava de ônibus. E aqui não precisava, porque as minhas viagens eram curtinhas, só aqui no centro, não ia pra Gaspar, pra Blumenau, nada de trem. […] Agora assim, se tivesse hoje, pro povo seria uma coisa muito boa. [Por que a senhora acha isso?] Por causa da proteção, do cuidado e da segurança. Acho que seria mais seguro do que ônibus.

DIARINHO – Para uma mulher que veio da zona rural, negra, com pouco estudo e pobre, como foi enfrentar preconceitos e superar as dificuldades? Qual é o segredo para se enfrentar a vida?
Dona Dulce– Olha, acho que tu tens que deixar um pouquinho de lado as coisas que tu escutas ou vês. Seguir em frente. Cuidar mais de ti e da tua vida. E deixar quem quiser falar ou debochar. Eu também sofri muito preconceito por causa dos filhos. “Ah! Mas por que tanto filho?”. Aquilo me entristecia, tá? Me entristecia. Uma pessoa pobre com tanto filho… Era o nosso cuidado, tanto meu quanto o dele, de não deixar nossos filhos sair pra pedir um pão pra ninguém. [E nunca pediram?] Não! Ele dava a camisa, ele chegou a hipotecar o relógio uma vez, numa farmácia, pra comprar remédio pros filhos, pra não pedir. Já que nós fizemos os filhos, era nossa obrigação. A responsabilidade era nossa. Hoje eu tenho eles lá em casa. Eles vão lá em casa, comem, tomam café, dormem. A minha casa sempre cheia com meus filhos e meus netos.

DIARINHO – Como é que se pode adquirir o livro “Memórias do Sertão” e quanto custa?
Dona Dulce– Vou deixar no museu Histórico, da Hercílio Luz, e se precisar encomendar, fazer pedido, ligue no 3348-1335 ou 9-8471-6447. [Quanto custa?] R$ 20.

DIARINHO – Obrigado, dona Dulce.
Dona Dulce– Eu quem agradeço. Desculpa alguma coisa. Não tô acostumada, né? [risadas].

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