Chico Preto

“Eu tava indo dar aula e o telefone tocou. Parei o carro e “o Chico Preto, tudo bom? Tu vais tocar com a Elza Soares”. Eu “ãh?”
Músico e compositor
“Brinco com a galera que se na sexta-feira de Carnaval pegar lata e vier batendo pela Beira Rio, vai juntar umas cinco mil pessoas atrás”
Itajaiense da gema, nascido, criado e ainda morando no bairro São Judas, Chico Preto é hoje um dos artistas com maior personalidade musical do cenário catarinense. Influenciado pelo movimento manguebeat, trouxe a percussão para a frente do palco e vive a experimentar ritmos e conceitos em seus trabalhos. Em sua última empreitada, o “Caçador de Poesias”, garimpou letras de poetas contemporâneos de Santa Catarina e as transformou em música. Ou melhor, num DVD. Mas não só isso. Presidente do conselho Municipal de Políticas Culturais de Itajaí, junta arte com ativismo político. Ah! E ainda tem o Siri na Lata, o bloco criado por Chico Preto, que recuperou as clássicas e tradicionais marchinhas carnavalescas e fez o Carnaval de rua de Itajaí ressurgir das cinzas. A entrevista foi feita pelo jornalista Sandro Silva. Os cliques são de Fabrício Pitella.

DIARINHO – Você é um dos poucos representantes no sul do Brasil do movimento musical conhecido como Manguebeat, que nasceu em Recife com o já falecido Chico Science, entre outros. Um de seus CDs, com a banda Dita Cuja, você mostra essa influência. O que é o mangbeat e como se aproximou desse movimento que parece misturar regionalismo, a modernidade da música eletrônica e crítica social?
Chico Preto – Sempre ouvi muito Chico Science e outros, sempre gostei muito do trabalho. E através delesfui conhecendo outros trabalhos de lá também, que é o caso do Otto, o Mundo Livre SA, o Cordel. Todos da mesma patota. A galera que criou o movimento, na verdade. Quem deu o nome foi o Zero Quatro, que é da banda Mundo Livre, que batizou o gênero como manguebeat. Isso aí sempre me influenciou. Até porque sou percussionista, né? Tu vê aquela batucada toda. O Toca Ogan, que é o percussionista do Chico Science, da banda Nação Zumbi. Enfim, via o percussionista, ficava fissurado, aquele cara tocando muito legal. E os caras fizeram uma coisa que me impressionou muito, que foi a mistura. Eles pegaram a cultura e se apropriaram de outras culturas, no caso da guitarra, DJs, que vieram de outras coisas, a bateria e misturaram tudo, com as alfaias, com o maracatu, com o frevo, com a ciranda e criaram uma coisa muito louca que todo mundo que ouviu pela primeira vez ficou de queixo caído. Os caras bombaram, mudaram a história toda. Fui pesquisar um pouco mais e acabou que não foi nem intencional levar para o meu álbum, com a Dita Cuja [Banda itajaiense]. Não foi intencional, mas isso já tava comigo. Não tem como, né? E como eu trabalho vários ritmos, ali eu acabei me apropriando de algumas coisas deles também. (…). Em 2000 fui trabalhar no Galpão das Artes [Bar] como garçom e ali eu comecei a conhecer toda a galera da música, o Arismar [Arismar do Espírito Santo, multi instrumentista brasileira, referência no jazz internacional], Dorival Caymmi, Nana Caymmi, Naná Vasconcelos. Todo mundo passando e eu servindo os caras. E aquilo ali, daí, mudou a minha vida. “Pá! É isso aqui mesmo!”. (…) Aí, quando comecei a trabalhar com a Tribuzana [Banda itajaiense], que comecei a trabalhar a música autoral. Era uma banda com o Vê Domingos, a turma toda, Mário Júnior, que depois foi tocar comigo também, Fernando. Eles me chamaram pra trabalhar na banda, o Venâncio [Vê Domingos]. Ali comecei a trabalhar com composição. Daí aquilo ali, putz, virou meu olho: “Escrevi uma música e alguém cantou a minha música. Que legal!”. E a galera também ia nesse pique, de curtir os tambores, a pegada do Nação Zumbi, que foi referência pra Tribuzana também, com certeza. Gravamos três álbuns e depois nos separamos. Eu continuei com essa pegada. Não desapeguei dessa pegada dos tambores. A percussão na frente, que é difícil de ver. A galera tirava onda da percussão: “O percussionista é o amigo do batera, fica lá atrás” [risos]. É o amigo do batera. Não é nada [risos]. Eu disse “Não!”. Na minha banda a percussão foi pra frente. E dizia pra galera, bota a guitarra pra trás, todo mundo pra trás e a percussão pra frente. (…).

DIARINHO – Você é daquela estirpe de músicos que tem se engajado em lutas sociais. Inclusive é comum vê-lo nas passeatas em Itajaí e hoje preside o conselho Municipal de Políticas Culturais. Chico Preto, em tempos como os atuais, que a censura à cultura tem crescido, qual é o papel do artista?
Chico Preto – O artista sempre teve um papel muito importante, pois forma opinião. O artista forma opinião, então a gente não pode se esconder. Não pode ficar em cima do muro. Tem que botar a cara mesmo e lutar por aquilo que se acredita que vai ser melhor. Não consigo ficar quieto vendo muita coisa que tem acontecido. Não fui sempre de ir pra rua. Agora fui mais porque me senti desesperado. Acho que demorei pra ir mais pra rua, na verdade. Demorei. Se eu tivesse ido mais cedo, eu com mais um monte de gente, claro, se tivéssemos ido pra rua mais cedo acho que a gente não teria chegado nesse ponto. A gente se acomodou… Tava tudo bom, mas foi indo, foi indo, foi indo e quando a gente viu a lama já tinha nos pego de surpresa. Mas assim, é importante o artista estar participando, falando, colocando sua opinião sobre as coisas políticas, sobre o que está acontecendo, porque senão vão passar por cima da gente. Como querem, como vem acontecendo com alguns artistas, alguns professores. Gente que se manifesta contra o que tá acontecendo, tendo que ir embora. Coisa que a gente nunca imaginava. Putz. Coisas que eu lia, coisas que eu via em livro, isso voltou muito forte. Questão do preconceito, né, de todas as formas, o racial, de gênero, de tudo. Isso voltou com uma força que me deixou bem angustiado.

DIARINHO – A brasileira Elza Soares foi considerada pela rede BBC, de Londres, a voz do milênio. E você tocou com Elza, que mantém inclusive um ativismo social em favor das mulheres negras e faveladas, vítimas de violência doméstica. Como foi estar com essa diva?
Chico Preto – Cara, foi demais! Demais! O contato que eu tive foi através de uma amiga minha, a Rita. Eu tava indo dar aula e o telefone tocou. Parei o carro e “o Chico Preto, tudo bom? Tu vais tocar com a Elza Soares”. Eu “ãh?” [Risos]. Eu disse “quando, guria? Tu tás louca?”. Ela tava num hotel na Praia Brava. Ela ia chegar no hotel às oito e ia tocar um evento no shopping. Ela veio para essa apresentação e essa colega ligou e disse: “tu vais tocar com ela, ela vai tá aqui no hotel e tu vens aqui agora”. Aí liguei, cancelei aula, cancelei tudo e mandei lá [risos]. Eu cheguei lá, ela tava lá mesmo. “Tu que vais tocar comigo?”. “Não sei. Vou?”, eu disse. “Sim, vais sim. Já tá tudo certo”, disse a Elza. Pega o pandeiro ali. Ali no dia, era um jantar e aí a gente foi jantando, ela conversando. Ela contou a história toda da vida dela. Muitas coisas que eu já tinha ouvido em entrevistas e tal. [Inclusive da violência que ela sofreu com o marido, o jogador Mané Garrincha?] Da violência… Por isso que ela defende as causas das mulheres, porque sofreu muito né? Imagina, mulher, negra, naquela época, e cantora. Cara, tem que ter peito, tem que ser forte, senão provavelmente não estaria aqui. E ela, pô, foi de uma humildade especial pra caramba. Aí marcamos. Não ensaiamos. A gente só conversou. A conversa foi ficando boa. Daqui a pouco ela pediu pro Guinha Ramires, que é músico de Floripa ele tava acompanhando ela, fez turnê por vários lugares. Daí a conversa foi ficando boa, ela gostou e aí disse “vou cantar uma música, pega o pandeiro lá”. Peguei o pandeiro. Ela gostou e disse “vai tocar”. Aí no dia seguinte a gente se encontrou. Ficamos no camarim, eu e o Guinha, esperando. E a gente encontrou ela no palco. Linda e maravilhosa. Na época tava bem de saúde. Foi em 2008, 10 anos atrás. E ela tava muito legal de saúde. Foi impressionante, cara. Daí toquei. Foi inesquecível. Contei pra todo mundo. Foi demais. Ela, no final, não esqueço, agradeceu muito, me abraçou e disse: “Muito obrigado! Muito obrigado pelo teu trabalho. E meu filho, assim, cabeça no céu e pé no chão”. Fiquei com essa frase. Anotei lá junto com os poemas, na minha pastinha. Aí gravei essa frase. Demorou um tempão e agora, quando fui gravar com a Dita Cuja e aí fiz a música “Cabeça no céu”. Fui influenciado pela frase que ela disse.

DIARINHO – Em 2012 você excursionou em Portugal com uma outra grande cantora, Giana Cervi. É mais fácil mostrar no estrangeiro a música autoral brasileira, que foge dos padrões comerciais das grandes gravadoras, ou você acha que o público brasileiro tem dado uma boa resposta à arte musical nativa?
Chico Preto – Tem um pessoal que respeita. Inclusive aqui em Santa Catarina, que todo mundo fala que “Santa Catarina nunca decola”. Mas na verdade tem muita gente trabalhando e muita gente viajando, fazendo coisas. Mas assim, acho que falta criar um movimento. De repente um manguebeat aqui, entendeu? [risos]. A galera criar e fazer uma coisa junto. Fazer uma parceria com o Vê Domingos, com a Giana, com o Ricardo Pauletti [violonista], pegar uma poesia tua e gravar e com isso se vai tentando criar um movimento. E aí tu já vai fazendo um trabalho com outro colega do mesmo círculo. Acho que isso iria fortalecer bastante a nossa música. A galera tá consumindo. Agora, com esse lance de ter a internet, se divulga todo o trabalho rapidinho. Tudo soltou a música e mais de 200 pessoas já ouvem em menos de um minuto. As pessoas tão consumindo mais. Mas a parte de ir ao espetáculo. “Ah! Fiz um show lá e a galera compareceu”, aquela coisa física, com cinco mil pessoas, 10 mil pessoas de um show de um artista local, isso ainda a gente tem que conquistar. Mas acho que tem espaço. Acho que o pessoal tá querendo consumir novidade. Tem as coisas que já vem e que às vezes tu não queres ouvir, mas tu és obrigado a ouvir porque o teu vizinho tá com o som lá no talo no final de semana inteiro te obrigando a ouvir aquilo ali [risos]. Uma coisa que já vem embaladinha e pronto. Não precisa muito esforço pra entender o que se está falando, da cultura, falando de um personagem. É mais fácil mandar a galera sair do chão e botar a bunda pra cima, tal, tal e tal. A compreensão é mais rápida. Tem certa preguiça de querer conhecer o novo. Mas o público tá indo. Tá querendo saber das novidades.

DIARINHO – Como presidente do conselho Municipal de Políticas Culturais de Itajaí que lutas foram feitas nos últimos anos para que a arte tivesse mais espaço e mais prioridade nas ações da prefeitura e fundações? Podes citar algum exemplo?
Chico Preto – Sim. A função do conselho é planejar, fiscalizar também, orientar, além de outras funções. Orientar todo o processo artístico e cultural da cidade. A gente tem conseguido. Tô como presidente desde 2016. E a gente conseguiu várias conquistas. Por exemplo, a gente hoje consegue ter acesso a todos os editais. Pode modificar os editais todos os anos. O conselho interfere. Nós temos os nossos fóruns e a gente consegue. “Ah! O que é que não deu certo na lei de incentivo desse ano? Então vamos corrigir, vamos debater”. Leva pra cada setorial. Cada setorial dá sua sugestão. A gente tem acesso a todos eles. A gente também conseguiu que todos eles fossem lançados no final do ano. A maioria dos editais se encerram nesta sexta-feira [8 de fevereiro]. A gente conseguiu lançar todos entre final e início do ano para que o artista tenha o ano inteiro para poder realizar o seu projeto. Isso é uma grande conquista. O acesso a todos editais, nuns tempos atrás, era muito difícil. (…) O conselho não é formado só pelos artistas. São 18 cadeiras, nove não-governamentais e nove do governo. Então as pessoas têm que estar conversando. O conselho não é aquela oposição por ser oposição pra ver o circo pegar fogo. Pelo menos comigo, quero ver a coisa funcionando. Vamos conversar. Opa, não tá legal, vamos conversar. O conselho é de todo mundo. E tem funcionado. (…)

DIARINHO – Você é um dos idealizadores e cabeças do bloco Siri na Lata, que nos últimos anos têm sido a principal referência do Carnaval em Itajaí. Foi graças ao bloco que o Carnaval começou a voltar pras ruas, mas ainda sem desfile. O que falta para o Carnaval de Itajaí deslanchar?
Chico Preto – O povo itajaiense gosta muito de Carnaval. Brinco com a galera que se sexta-feira de Carnaval pegar lata e vier batendo pela Beira Rio, vai juntar umas cinco mil pessoas vindo atrás [risos]. Mesma coisa com o futebol, né? Quando o Marcílio ou o Barroso ou algum clube daqui tá bem, a galera vai. O Carnaval tava morrendo e tal. O Carnaval nos clubes se acabando. Começou a acontecer essas festas na praia. Esses shows em palcos na rua e automaticamente os clubes foram perdendo o Carnaval. E aí aconteceu o quê? Eu fazia o Carnaval com outras bandas, era sempre contratado pra tocar e as marchinhas de Carnaval, os sambas, quando comecei eram quase 100% do repertório. Quando eu parei, sei lá que ano, eram 30%. “Poxa, não querem mais marchinhas? Então vou pegar pra mim” [risos]. Aí montei esse esquema com os repertórios de carnavais antigos e o negócio foi muito legal. Começamos a fazer no Mercado Público. O primeiro foi através de uma lei e incentivo. A gente montou o palco ali na rua também. E foi impressionante. A galera curtiu. No ano seguinte, passou réveillon, a galera já começou: “Chico, e o Siri na Lata? Vai ter o Siri na Lata?”. Agora estamos esperando o resultado do edital aí, pra quem sabe, fazer de novo.

DIARINHO – Artistas como Elis Regina e Gonzaguinha, por exemplo, romperam como as grandes gravadoras e passaram a fazer trabalhos independentes. Mas fizeram isso depois que já eram conhecidos do público. A verdade é que quem não se queda a obedecer o formato exigido pela indústria cultural, raramente consegue espaço nas grandes gravadoras. Como ter jogo de cintura para poder produzir CDs e DVDs atualmente? Quais são os caminhos da independência de um artista?
Chico Preto – Os álbuns que eu gravei, foram através de editais do município. Esses editais têm sido muito criticados. É um castigo o que fizeram com a Lei Rouanet [A lei federal do mecenato que serviu de exemplo para leis estaduais e municipais de incentivo à cultura]. Todo mundo, de repente, passou a “entender” de Lei Rouanet de um dia para o outro [risos], mesmo sem entender nada [risos]. Mas esses editais são muito importantes, cara. Para eu poder conseguir gravar o meu primeiro álbum, foi através deles. E é assim, é lei do mecenato. Tu vai, tu ganhou, tu aprovou lá… aí a empresa deu R$ 15 mil. A empresa, na verdade, ela tá apoiando um projeto e nós vamos divulgar a marca deles. Ia ser um dinheiro que iam pagar para o governo de qualquer forma, de imposto. As empresas só podem transferir 40% para projetos culturais. Da mesmo forma funciona a Lei Rouanet. Eles dão um pontapé gigante na carreira. É um incentivo. Ele não vai bancar a tua vida, a tua aposentadoria. Tá dando um empurrão. Às vezes com um tropeção junto [risos]. (…). Eu gravei um álbum agora todo e tô lançando as músicas aos poucos. Até vou prensar o CD, não vai mais ser DVD, mas vou prensar o áudio. Mas é assim, esses editais são importantíssimos. E correr atrás, fazer os teus eventos. Eu faço outros eventos. Vai ter dia 9 de março um lançamento. Eu e a produtora, que é a Schibian [Schibian Philemmon Costa], que trabalha comigo, a gente tá organizando todo o evento sem verba do município. Esse vai ser o lançamento do CD, do áudio. Não vou prensar o DVD do “Caçador de Poesias”.

DIARINHO – Então já vamos emendar aqui: seu último grande trabalho é a produção desse DVD “Caçador de Poesias”. Você caçou poetas do cenário contemporâneo de Santa Catarina e musicou diversos poemas. Como surgiu essa ideia e como driblou o desafio de colocar letras de poesia na métrica musical?
Chico Preto – Naquele período da Tribuzana, aprendi muito com o Venâncio, o Vê Domingos. O Venâncio é um grande parceiro. Um cara que me ensinou muito sobre essa parte de composição. No CD da Dita Cuja, a última música é “Vida de Rei”, que é uma letra do Mauro Caelum [artista plástico e poeta itajaiense, já falecido]. Grande poeta, artista plástico e meu vizinho. Morava no São Judas também. E fui na casa dele porque peguei uma obra dele, a “rainha rezadeira”, que a minha esposa, minha parceira comprou. Na época eu tava procurando como iria fazer a arte do CD e aí olhei “Ah! É essa aqui”. Dizia: “Viver por viver, é oco, é pouco”. “Cara, isso aqui vai ser a arte do CD”, pensei. Daí fui na casa dele, pedir autorização e tal. Aí cheguei na casa dele e tava cheio de frases. [Ele já tinha falecido?] Não. Tava vivo. Daí cheguei na casa dele, tava lá cheio de frases nas paredes. Escrito. “Posso roubar umas frases dessas aí e fazer uma música”, eu perguntei. “Pô, vai ser uma honra e tal”. (…) O que me instigou a fazer o “Caçador de Poesias” foi a reação dele quando eu mostrei a música pronta. Meu, o cara parecia uma criança. Ele chamando a Sandra [esposa de Mauro]: “O mãe! O mãe! Vem aqui ver o que ele fez!”. “Cara, quero proporcionar isso para outras pessoas. Não sei se vou conseguir, mas vou tentar”, pensei. E foi um barato. Outro dia fui numa escola, convidado para ir numa escola, e chegou lá a professora trabalhou essa música “Viver por viver é oco, é pouco”. Pô, tinha 80 crianças cantando essa música. Já sabiam cantar. (…) Quando vi a criançada cantando, eu disse: “Esse é o objetivo, esse é o que quero”. E peguei poesias. Peguei uma tua. (…) Daí gravei tua, gravei Floriano [Antônio Carlos Floriano, escritor e poeta itajaiense], gravei Vê Domingos, claro. Gravei do Toni Edson, que é um cara de Sergipe. […]. E teve o Moriel, do Dazaranha, que sempre tive vontade de gravar. Pedi uma música pra ele e ele cedeu. Tô preparando um show pro dia 9 de março, no PG, que é um bar aqui muito legal na cidade, no bairro Dom Bosco. Pertinho de casa. E as músicas tão disponíveis no Spotfy, deezer, esses canais. Pode procurar o “Caçador de Poesias” ou “Chico Preto”.

DIARINHO – Se fosse cantar uma mensagem aos leitores do DIARINHO, o que cantaria?
Chico Preto – A música do Mauro: “Viver por viver é oco, é pouco. A minha vida segue na velocidade da minha bicicleta. O sonho era pequeno, mas comi e fiquei satisfeito. O que faltar não me faz falta. Quando partir não vou deixar comida no prato, não. Quando partir não vou deixar palavras para dizer. Nada é tão nosso, quantos os nossos ossos. Viver por viver é oco, é pouco”. [risos].

Nome completo: Francisco Luiz da Silva Cardoso.
Idade: 41 anos
Nascido em: Itajaí
Estado civil: Casado
Formação: Superior incompleto em Licenciatura de Música
Experiências profissionais e artísticas: Já foi garçom e protético e hoje atua profissionalmente como compositor, percussionista e professor de música. Turnê em Portugal, participação num show de Elza Soares, cinco discos gravados e participação em outros quatro discos de músicos da região fazem parte de seu currículo artístico. É titular da Câmara Setorial de Música, presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Itajaí

“Fui trabalhar no Galpão das Artes [Bar] como garçom e ali eu comecei a conhecer toda a galera da música, o Arismar do Espírito Sandro, Dorival Caymmi, Nana Caymmi, Naná Vasconcelos. Todo mundo passando e eu servindo os caras. Mudou a minha vida”

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