Home Notícias Entrevistão Cauey Carelli, Diretor da Carelli Propriedades

Cauey Carelli, Diretor da Carelli Propriedades

“Não pagamos [propina] a absolutamente ninguém”

“Eu desafio a encontrar um empreendimento sobre o qual fizeram tantos pedidos de estudo”

“Eu não tive nenhuma facilidade. Até agora somente dificuldades”

A construtora Carelli, segundo seus proprietários, foi a primeira do Brasil a utilizar a água da chuva em grandes empreendimentos. Também teria sido a primeira do sul do país a usar o sistema de reuso na água em banheiros e a absorver a mão de obra feminina nos trabalhos de acabamento em obras. Apesar desses méritos, a empresa acabou famosa por outros feitos. Seu nome está envolvido em três grandes investigações do ministério Público e da polícia Federal e ainda é acusada de pagar R$ 1,5 milhão em propina para dirigentes de um órgão ambiental na tentativa de aprovar o licenciamento de um grande empreendimento da Porsche Desgin em Itajaí. São sobre esses assuntos indigestos que o empresário Cauey Carelli, um dos diretores da Carelli Propriedades, conversa como jornalista Sandro Silva neste Entrevistão. Os cliques são de Guilherme Venâncio.

Nome completo: Cauey Carelli.
Idade: 29 anos.
Natural de: Blumenau.
Estado civil: Casado.
Filhos: Não.
Formação: Engenheiro civil.
Experiências profissionais: desenvolvedor de projetos e diretor de Mercado da construtora e incorporadora Carelli Propriedades.

DIARINHO – Você pode nos contar a história do surgimento da Carelli Propriedades? Como nasceu, qual seu primeiro empreendimento, qual o projeto mais importante e como se tornou uma incorporadora conhecida?
Cauey Carelli – Primeiramente quero agradecer a oportunidade de vir aqui, prestar os esclarecimentos e conversar com a comunidade. O início da Carelli foi através do meu pai, Dalmo Carelli, que é engenheiro civil. Ele veio pra Balneário Camboriú, que era uma cidade que estava em constante desenvolvimento, naquela época dos argentinos, que vinham e estavam comprando propriedades. [Seu pai era de onde?] Da cidade de Videira, Santa Catarina. Então veio para Balneário Camboriú, uma terra em desenvolvimento, e ali ele começou seus trabalhos como engenheiro civil e viu a oportunidade de criar sua própria empresa de construção civil. Prestou serviços para vários empreendedores, vários incorporadores da nossa região. E no ano de 1999 ele veio a criar a Carelli Construtora. Ali começou o desenvolvimento dos primeiros empreendimentos. A gente foi pioneiro, naquela época, em desenvolver projetos entre a Brasil e Terceira avenida, que antes tinham o valor do metro quadrado mais desvalorizado e a gente passou a trazer um padrão de qualidade maior e expressivo para aquela região. E foi um sucesso! Ali a gente conseguiu a confiança dos clientes, a confiança da comunidade. Aqueles que queriam tinham um perfil de morar em Balneário Camboriú. Então, queriam morar perto de escola, de igreja, do comércio. Morar com qualidade. Esse foi o início da Carelli. [Qual a ‘menina dos olhos’, o grande empreendimento já efetivado da Carelli?] Hoje a gente tem ali, entre Brasil e Terceira avenida, que é o nosso foco, o empreendimento chamado Merithamon. Ele é um empreendimento fantástico. Tem uma área de lazer muito bacana, com o conceito de home club. Tem um padrão de qualidade excelente e que tem o reconhecimento da comunidade da construção e dos corretores de imóveis.

DIARINHO – Algumas das construtoras e incorporadoras mais conhecidas do país estão em Balneário Camboriú. Mas a Porsche autorizou a Carelli na hora de selar a parceria para a construção do Porsche Design Towers Brava, em Itajaí. Como surgiu essa parceria?
Cauey – Essa parceria surgiu quando nós já tínhamos adquirido a área. Estávamos implementando, estudando um projeto para aquela área e estávamos desenvolvendo um projeto muito bacana. Através do relacionamento com o pessoal de Miami [Estados Unidos], a gente teve acesso à Porsche Design e apresentou aquela ideia de empreender, de de colocar um empreendimento que viesse transformar a vida das pessoas. Um ícone que não fosse somente uma caixa enfeitada, mas que fosse realmente um empreendimento voltado à funcionalidade, um empreendimento que viesse transformar a maneira como as pessoas vivem. [Qual é o diferencial dessas torres da Porsche na Praia Brava]? Diferenciada é a questão da funcionalidade, desde a forma arquitetônica. O foco não é somente a beleza, mas sim que aquilo pode trazer de benefício ao uso humano. Na arquitetura que ele tem, que é bioclimática, nas garagens, nos equipamentos de lazer, nos apartamentos, em cada detalhe do projeto foi pensado a forma funcional de viver. Esse, vamos dizer, é o target, é o foco do nosso projeto.

DIARINHO – O projeto das torres da Porsche na morraria da Praia Brava certamente é o empreendimento mais importante da Carelli. Mas também é o que mais tem trazido dores de cabeça para a direção da empresa. Uma das acusações do ministério Público Estadual é a de que o atual superintendente da Famai e outros dois diretores teriam favorecido a Carelli para reestudar a possibilidade de liberar as licenças ambientais. Ainda segundo a promotoria, a Carelli teria dado R$ 1,5 milhão em propina para os dirigentes da Famai. Isso aconteceu?
Cauey – Isso é uma inverdade. Não pagamos absolutamente ninguém. O que gera um estranhamento também pra gente. Eu desafio a encontrar um empreendimento sobre o qual fizeram tantos pedidos de estudo. Estudos que até fogem da alçada do EAS, que é o ‘estudo ambiental simplificado’, que se encaixaria para aquele empreendimento. Mas, então é assim, como não temos medo nenhum de estudar, de provar para a comunidade que o empreendimento tem viabilidade, e fazer isso através de estudos técnicos e não de um pensamento ideológico, a gente consiga mostrar que a comunidade tem muito a ganhar e que a gente quer o melhor para a cidade de Itajaí. [E por que, nessa sua lógica, o corpo técnico da Famai estaria querendo tantas informações e solicitando mais estudos sobre o empreendimento em especial?] Eu também não sei. Porque o correto seria eles terem pedido estudos da mesma medida que eles pedem para os outros empreendimentos. [O que é que foi pedido a mais além do estudo e do relatório de impacto ambiental, o EIA Rima?] Não, não. É o EAS, que é o estudo ambiental simplificado, e eles fazem vários pedidos, desde, por exemplo, estudos paisagísticos e outros estudos que são técnicos mas que, assim, sinceramente não seriam necessários naquele projeto. Mas a gente se propõe a acatar esses pedidos. E como eu comentei, eu desafio a encontrar um projeto com tantos pedidos. E assim: eu não tive nenhuma facilidade. Até agora somente dificuldades. O ministério Público está fazendo o trabalho dele. É o dever dele. E a gente está aí para colaborar, também, com as questões que forem expostas. [Nesse caso da suposta propina paga aos dirigentes da Famai, o que o ministério Público lhes apresentou como provas ou indícios?] Tentam vincular a um empreendimento lá de Balneário Camboriú. Mas que isso, do nosso ponto de vista, não faz sentido nenhum. A gente tem o dever, agora, através do nosso time jurídico, de provar. A história mesmo vai falar, no futuro, sobre esse caso.

DIARINHO – Qual a relação da Carelli com a consultoria Proteger, apontada pelo ministério Público como envolvida no suposto esquema de propina para aprovação do licenciamento ambiental para as torres da Porsche? E qual o relacionamento da Carelli com Victor Silvestre, superintendente da Famai e que já trabalhou com a Proteger, acusado de receber propina?
Cauey – O Victor, olha, tive pouco contato com ele. Pouquíssimo contato. A Proteger ela foi uma empresa contratada para o empreendimento na [rua 1101, lá em Balneário Camboriú]. Mas, devido às impressões e não aos fatos, estão tentando vincular essas pessoas que basicamente não tenho contato e não recebi nenhum tipo de vantagem. O projeto não avançou nada. Inclusive, um problema como esse, a pior prejudicada é a nossa empresa, né? Não tive nenhum benefício. Infelizmente só recebemos ataques.

DIARINHO – Há dois anos, na operação chamada Dupla Face, o empresário Ênio Cassemiro, o cunhado do então prefeito Jandir Bellini (PP), foi acusado pelo Gaeco de usar influência para abrir uma rua para o empreendimento de vocês na morraria da Praia Brava, o da Porsche. Que tipo de contrato havia entre a Carelli a Enio Cassemiro?
Cauey – Ele [Ênio Cassemiro] fez uma proposta através de uma minuta, que é um modus operandi nosso. Quando a gente vai negociar, a gente pede para ver a minuta. Para nós não interessa somente o valor, mas o tipo de trabalho. Eu, pessoalmente, tive pouquíssimo contato com ele. Quando compramos a área ali, ele foi apresentado à empresa. Mas esse negócio, essa minuta de contrato não prosperou. [E qual seria o serviço que Ênio Cassemiro prestaria?] O Ênio prestaria serviço porque a gente nunca tinha empreendido em Itajaí. Ele, no caso, apresentaria profissionais locais para a gente contratar. [Mas chegaram a selar algum contrato?] Não. Não chegou a ser selado. Então, o seguinte: é muito complicado quando acusações são feitas à base de impressões e não em fatos. Mais uma vez, reitero, que nós vamos trabalhar com nossa equipe jurídica e a história lá na frente vai mostrar a luz da verdade.

DIARINHO – Esta semana a justiça determinou à prefeitura a suspenção da aprovação do projeto Arquitetônico das torres da Porsche. Apesar de todos esses problemas e da não aprovação pela Famai do projeto das torres na morraria da Praia Brava, a Porsche ainda mantém a parceria com a Carelli e a intenção de levar o projeto adiante?
Cauey – O que é importante deixar para a comunidade, é que é somente um projeto. Por enquanto é somente uma ideia. Então a gente continua trabalhando na ideia para que, dentro da lei, se for possível, a gente possa implementar esse projeto. [Não tem investimentos físicos ainda no local?] Obviamente todos os estudos exigem investimentos. No entanto, a gente tá trabalhando somente na fase de projetos. No local lá, para quem conhece, a gente não mexeu nem num vaso de flor. Por enquanto, tudo está no âmbito das ideias. O projeto não é imutável. A gente tá trabalhando para avançar e para ter a melhor conclusão e o melhor desfecho desse projeto.

DIARINHO – Ainda relacionado à parceria com a Porsche, na operação conexão Miami, vocês são acusados de fazer o pagamento para o uso da marca alemã através dos EUA, para supostamente burlar o sistema e evitar pagamento de impostos ao governo. A escolha pela sonegação, caso tenha sido essa a intenção, não acabou ficando mais cara para a Carelli?
Cauey – A Carelli fez o pagamento através do parceiro, em Miami, porque ele é o master licenciado [representante oficial da Porsche Design para os EUA]. Essa era a condição do negócio. Mas lá na frente isso vai ser elucidado. A Carelli declarou os valores enviados e isso não vai onerar os cofres públicos. A gente declarou isso e vai ser recolhido imposto. A Porsche Design tem um master licenciado que fica em Miami. Eu remeto as informações para esse parceiro. Por isso existe um mal entendido e que lá na frente a gente vai elucidar.

DIARINHO – Na terça-feira, 8 de agosto, os agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) bateram em três endereços de vocês atrás de documentos. A Carelli é uma das investigadas na operação Terra Prometida. Vocês pagaram propinas a vereadores e outros políticos para terem projetos aprovados em Camboriú? Quais projetos vocês têm em Camboriú?
Cauey – Até a gente ficou surpreso com isso, porque a investigação é em relação a áreas de zonas rurais que se tornaram urbanas. Não temos nenhum terreno para fazer grandes loteamentos em áreas rurais. A gente hoje tem um empreendimento que se chama Alameda Provence, na cidade de Camboriú, e outros terrenos que ficam em zona urbana, para empreender edifícios. [Mas não naquela zona que recentemente virou urbana?] Não, não. Isso nos surpreende e a gente quer esclarecer, a gente quer colaborar. [Nesse caso é sobre qual empreendimento da Carelli que o ministério Público levanta alguma suspeita?] Isso não foi levantado, não foi dito.

DIARINHO – A Carelli aparece em três operações policiais: Dupla Face, conexão Miami e Terra Prometida. Além da acusação do MP de terem pago propina a dirigentes da Famai de Itajaí. Como a empresa pretende lidar com isso para recuperar a credibilidade no mercado, não perder negócios e não ser afetada financeiramente?
Cauey -É da nossa cultura a cultura do trabalho, a cultura da amizade, e dentro da cidade quem conhece a gente sabe que somos uma família muito trabalhadora e que quer o desenvolvimento sustentável da região. Nós temos muito amigos que nós apoiam, pessoas que estão do nosso lado, a comunidade de corretores, que é muito parceira. A gente vai elucidar, colocar luz em todos esses fatos. Eu tenho certeza de que lá na frente isso vai ser parte da nossa história. O que eu vejo é que a Carelli, com esse empreendimento, chamou muito a atenção. As pessoas agora querem saber mais sobre a Carelli. É isso que eu enxergo. E lá na frente a gente vai conseguir mostrar a verdade, que somos uma família de muito trabalho e que a gente vai fazer acontecer.

DIARINHO – Empresas do porte da Carelli e que são de Balneário Camboriú têm ido para cidades vizinhas como Camboriú e Itajaí. A construção civil já está esgotada em Balneário Camboriú?
Cauey – A gente enxerga o seguinte. Balneário tem muito potencial. Mas existem alguns flancos do mercado os quais estamos enxergando e estamos voltando também investimentos para essas áreas que têm potencial. [Itajaí e Camboriú?] Sim. [E a área central de Balneário, ainda é mercado para a construção civil?] Com certeza. Até temos projetos que estão em desenvolvimento no centro de Balneário Camboriú.

DIARINHO – A construção civil tem crescido ou há um recuo no setor?
Cauey – Posso falar baseado no nosso sentimento, no nosso feeling empresarial. A gente sentiu, obviamente, que o mercado sofreu com essa crise, mas Balneário é uma cidade especial. Balneário tem a capacidade de ser o sonho das pessoas. Então elas moram lá no Oeste, moram no Paraná, em São Paulo, Rio Grande do Sul, e elas têm o sonho de comprar apartamento aqui. Vejo que Balneário Camboriú, a Brava, esses lugares que são sonhos, sofreram menos com essa crise econômica que veio assolar não só a construção civil, mas todo o país. Todos os projetos da Carelli visam transformar a vida das pessoas de forma positiva. Então, lá, desde o passado, quando o meu pai começou a construir, nós fomos a primeira construtora do sul do país que implementou o reuso das águas. Nós fomos a primeira construtora do Brasil que começou a utilizar águas pluviais para dar descarga em vasos sanitários. Temos equipes de acabamento femininas. Então, há a valorização das mulheres. Nós somos também pioneiros nisso. E a gente, mais uma vez, quis apresentar para a comunidade esse empreendimento [Ele fala das torres da Porsche na morraria da Praia Brava]. Ele vem beneficiar toda a comunidade. É um empreendimento inovador e que vem trazer não só emprego, mas vem trazer oportunidade para a nossa gente. Hoje Itajaí tem um cinturão de pobreza, que precisa de emprego. Hoje Itajaí, principalmente ali a Brava, é um local que não tem teatro. Existem vários equipamentos de lazer, como museu, que não existem naquele lugar e que esse empreendimento teria uma área aberta ao público para oferecer isso à comunidade e trazer cultura e educação.

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