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Carlos Oliveira

Diretor naútico da Marina Itajaí
“A gente pretende, nos próximos anos, chegar a ter vagas para 900 embarcações”
Itajaí vem ganhando destaque no setor náutico. Mostrando o bom momento do setor, a cidade recebe pela terceira vez o Salão Náutico Marina Itajaí. Para falar sobre a feira e os desafios do evento, a jornalista Franciele Marcon entrevistou o diretor náutico da Marina, Carlos Oliveira. Ele explica que mais do que uma feira náutica, o salão se transformou numa opção de lazer, entretenimento e lifestyle para o público. Carlos também falou sobre os planos de ampliação da Marina, das contrapartidas da empresa para a concessão pública e das regatas de volta ao mundo que têm feito a diferença para a região. As fotos são de Elaine Mafra.

“O Brasil ainda precisa melhorar a cultura náutica”
“Itajaí cada vez mais está se virando para o mar”

DIARINHO – Itajaí chega na terceira edição do Salão Náutico. Este ano, há uma gama mais variada de expositores, que não estão restritos apenas a fabricantes ou fornecedores de produtos para barcos. Mudou o foco?
Carlos: O foco não. Acho que o evento em si cresceu. A gente está pegando tudo que tem a ver com a cultura náutica. Não só as embarcações ou insumos diretos ligados à embarcação. Mas tudo que tem relação à moda, utilidades, hábitos da vida náutica. O cara quer comprar um caiaque, pois está começando… Tudo que envolve esse primeiro passo à cultura náutica. [Essa ampliação acontece pela experiência com os dois anos anteriores?] Pela consolidação do mercado. A marina e a feira, o mercado em geral, o apoio político e econômico da cidade. O setor náutico é bem forte em Itajaí. Temos o exemplo da Volvo Ocean Race, foi um grande incentivo a esse setor. Isso tudo faz com que Itajaí fique centralizada como um polo náutico.

DIARINHO – Quais serão os outros serviços oferecidos no salão?
Carlos: Vamos estar com despachantes náuticos divulgando um aplicativo, uma espécie de Uber para localização e fretamento de embarcações. Essa será uma grande novidade. Vamos estar com uma pousada, ligada ao setor de pesca esportiva. Fora todos os lançamentos de barcos que diversos estaleiros estão trazendo. Vamos ter o lançamento de flutuantes. São flutuantes moldados, como se fossem “Legos” , encaixáveis. Vale destacar o forte crescimento dos estaleiros da cidade. Isso a gente vem mostrando e nesse evento vai ficar bem evidente. Em Itajaí e Santa Catarina o setor de estaleiros vem só crescendo.

DIARINHO – O público que frequenta o salão é estritamente ligado ao mundo náutico? Qual o perfil dos visitantes?
Carlos: Tem o cara ligado diretamente ao setor, que já tem embarcação, que quer trocar e quer comprar outra, por exemplo. Ou quem está ali de curioso. Mas também tem aquela pessoa que quer começar. Itajaí tem marina, ele mora em Itajaí, ainda não teve a oportunidade de conhecer, mas quer ter essa oportunidade de conhecer os modelos de barcos. É um evento muito dinâmico, que envolve todos os setores. Às vezes, a pessoa quer começar com um caiaque, um stand up paddle, ou pescando. Para tudo isso vale a pena ir lá no Salão e conhecer, pois vai ter o primeiro contato. Amanhã pode ser que evolua para a compra de uma embarcação. O leque é amplo.

DIARINHO – Tem evento de moda concomitante ao salão náutico. Vão haver desfiles durante o evento. Essa é uma tendência local ou eventos náuticos também se destacam pelo lifestyle?
Carlos: A gente fez, ano passado, uma primeira experiência e viu que o público tem interesse. É um evento que envolve a família inteira. O desfile de moda entra na parte de lifestyle, de entretenimento e lazer. Entretenimento para você não passar uma hora na feira e ir embora. A gente quer que você fique das 11 horas da manhã, chegando e tendo um bom almoço no restaurante ou na praça de alimentação, e acabe ficando o dia inteiro conosco. Várias atrações durante o dia. Este é o foco! E, surpreendentemente, o evento de moda vem crescendo junto com a feira. Este ano a novidade é que o desfile vai ser todo em cima de flutuantes. O primeiro, pelo menos que eu conheço, evento com desfile de moda sobre flutuantes, em cima da água mesmo. Tanto a parte da arquibancada como a parte do desfile. São pequenos detalhes que a gente vem juntando: o desfile, opções do mundo náutico, enfim, toda a cultura náutica.

DIARINHO – A Marina Itajaí se destaca pela localização e facilidade de acesso. Há projetos de ampliação do espaço ou da estrutura oferecida a quem atraca os barcos no local?
Carlos: A gente tem um projeto ainda para este ano de uma primeira ampliação. Hoje temos 320 vagas possíveis, e a gente pretende ampliar mais 50 vagas na área molhada este ano. O primeiro passo dessa primeira ampliação que a Marina vai fazer ao longo dos anos. A gente pretende, nos próximos anos, chegar a ter vagas para até 900 embarcações, com essa demanda que vem crescendo cada vez mais para a região.

DIARINHO – Qual a média de ocupação da Marina durante alta e baixa temporada?
Carlos: A alta temporada, como foi o caso da Volvo Ocean Racen, a Marina esteve totalmente ocupada. Agora para o Salão Náutico, a gente acredita que esteja nas mesmas condições de ocupação, principalmente nas vagas molhadas. Como temos muitas parcerias com clubes, com o Joinville Iate Clube, com o Caiobá, o ICC, que é o iate clube de lá, o Veleiros da Ilha, o Veleiros do Sul, que é em Florianópolis, e também com Porto Alegre. Aumentando essa demanda por vagas inclusive na baixa temporada. Sempre tem dois ou três clientes de fora, na alta temporada, e agora pretendemos ter até 10 clientes dessas outras marinas na alta temporada vindo nos visitar. [Qual o custo mínimo para manter um barco atracado com vocês numa vaga seca e na molhada?] O custo mínimo, muita gente acha que é caro, mas não é. A gente trabalha com valores iniciais de R$ 400 a R$ 500. É a tabela de início, tanto no seco como na água.

DIARINHO – Com a concessão para a implantação da Marina quais foram as contrapartidas exigidas pelo poder público à Marina Itajaí? Elas foram todas cumpridas?
Carlos: São várias contrapartidas, muitas delas serão cumpridas ao longo dos anos. As mais importantes e mais significativas vem sendo cumpridas e inclusive tendo bons resultados, como as exigências ambientais. A Marina, quando começou, o Saco da Fazenda, para quem é daqui da região, sabe que era uma área assoreada, que dificilmente tinha navegabilidade. Com a implantação da Marina, com a dragagem e essa movimentação das águas, isso se mostrou muito favorável, inclusive pra criação de peixes. Quem for à Marina às seis horas da manhã, que é a hora do pescador, vê que tem muito peixe. Isso é uma tendência porque todos os nossos flutuadores são feitos para grudar microrganismos, onde os peixes se alimentam. A própria estrutura da Marina vem ajudando. Nossa obrigação é cuidar e manter a bacia. O que vem se desenvolvendo nesse trabalho… A água ficou mais limpa, há mais peixes, os sedimentos poluentes diminuíram… Tudo que a Marina vem trabalhando nos últimos três anos vem ajudando todo o Saco da Fazenda.

DIARINHO – Itajaí sediou, pela quarta vez, uma competição náutica mundial. Já foram três Volvo Ocean Race e uma Jacques Vabre. Como você avalia a importância desses eventos para a cidade?
Carlos: Eu acho que eventos desse porte e também a feira fecham com o que chamamos de polo náutico. Itajaí é o maior polo pesqueiro do Brasil, isso é muito forte. É uma das maiores indústrias navais. Tanto de estaleiros para embarcações de esporte e recreio, como embarcações offshore, que são navios e rebocadores. Temos o porto que é uma grande indústria de exportação. Focando nisso, o que faltaria? A parte de lazer e cultura, que está muito relacionada a Volvo, que não é só um evento de esporte. A regata traz cultura e lazer para a cidade. A Marina proporciona lazer com os eventos também. Tudo isso acaba complementando e marca Itajaí ainda mais como um polo náutico. Tudo o que você precisa de náutica, hoje, Itajaí tem.

DIARINHO – Se Itajaí não se manter na rota das grandes regatas náuticas, corre o risco de prejudicar o setor náutico ? Ou você acha que ele já está estabelecido em definitivo na cidade?
Carlos: Prejudicar pode sim, porque são eventos que chamam muito a atenção. O Brasil ainda precisa melhorar a sua cultura náutica. A gente está muito atrasado em relação aos países desenvolvidos no setor náutico. Somos crianças nesse mercado náutico. A Volvo Ocean Race é um evento mundial. Itajaí é um dos principais pontos, senão o mais desejado pelos velejadores. Isso não é o papo de quem é daqui, mas de quem realmente conversa com os velejadores e vê que eles gostam de Itajaí. O povo abraça! A cidade inteira se volta para o evento. Eu acredito que é um evento que deve ficar por muitos anos na cidade, não só por interesse da Volvo Ocean Race, mas pela vocação da cidade. Itajaí cada vez mais está se virando para o mar. Com isso, está estimulando o setor náutico. Ainda podemos trabalhar para ter outros eventos, outras regatas mundiais ou regatas a serem criadas aqui, como Ilhabela tem a semana de vela. Amanhã, com o desenvolvimento, a marina é muito nova, tem três anos, mas amanhã poderíamos ter um circuito catarinense de vela que seja mais forte e tenha mais peso. Existem circuitos menores, mas não tão grandes quanto a Refeno [Regata Internacional Recife], que é um circuito famoso. E poderia ter aqui também. Isso tudo vem sendo estimulado pela própria política e agora com a marina só vem a ajudar. Esses eventos são muito importantes.

DIARINHO – Você diz que o país engatinha no setor náutico, embora tenhamos uma imensa costa. O que faltou para se voltar para o mar antes?
Carlos: O Brasil tinha uma economia ligada às rodovias. Há cinco anos se transportava apenas por caminhões. Itajaí conseguiu mudae e hoje consideramos Itajaí uma cidade virada para o mar. Ela tem um bom desenvolvimento próximo do rio. Se tu for comparar Joinville, que é a maior cidade do estado, ela tem uma costa belíssima para a baía, mas a cidade não é virada para a baía. Eu sou natural de Joinville e eu não vou até a baía; é difícil. As cidades foram desenvolvidas ao largo das rodovias e isso influenciou o Brasil a não ser tão voltado para o mar. Mas isso vem mudando, Joinville vem crescendo também no sentido da baía. Itajaí é o maior exemplo de cidade voltada para o mar. Florianópolis, apesar de ser uma ilha, tem pouquíssimas marinas, mas já existem projetos. O Brasil, em pouco tempo, deve se virar completamente para o mar.

“Tudo que você precisa em náutica, hoje, Itajaí tem”

NOME: Carlos Felipe Gayoso Neves Maia de Oliveira
NATURAL: Joinville
IDADE: 25 anos
ESTADO CIVIL: Solteiro
FORMAÇÃO: Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Engenharia de Segurança
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: Trabalhou no projeto e construção da Marina Itajaí e atualmente é o Diretor Náutico.

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