Home Notícias Entrevistão André Barreto

André Barreto

Biólogo marinho

NOME: André Barreto
NATURAL: Rio de Janeiro
IDADE: 49 anos
ESTADO CIVIL: Casado
FILHOS: um
FORMAÇÃO: Biólogo Marinho
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: Graduação em Biologia Marinha pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestrado e doutorado em Oceanografia Biológica pela Fundação Universidade Federal do Rio Grande. Desde 2000 é professor da Universidade do Vale do Itajaí, lecionando disciplinas para os cursos de graduação de Oceanografia e Ciências Biológicas e no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental.

André Barreto, biólogo marinho, professor da Univali e coordenador do projeto de Monitoramento de Praia da Bacia de Santos, é o entrevistado da semana. À jornalista Franciele Marcon, André falou sobre os quatro anos de monitoramento da costa de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. O projeto, que é uma condicionante do licenciamento do Pré-sal pela Petrobras, na bacia de Santos, busca identificar se a extração de petróleo está afetando os animais marinhos. Esse e mais quatro projetos, que terão seus respectivos dados cruzados pelo Ibama, buscam identificar os impactos da atividade petroleira. Na nossa região, segundo o professor, o que chama a atenção é o número de tartarugas mortas e, também, a redução no número de golfinhos ao longo dos anos. O professor explica que os animais marinhos estão chegando doentes à costa, a maioria com plástico no estômago. O difícil é identificar o que está causando as doenças, se é a atividade petroleira, a poluição dos mares, a pesca desenfreada, ou outros fatores. O professor ainda falou sobre a proibição do uso de canudinhos plásticos, o que pode motivar uma nova forma de o homem se relacionar com materiais descartáveis, especialmente o plástico. As fotos são de Fabrício Pitella.

DIARINHO – O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos, coordenado pela Univali, completa quatro anos atuando no resgate de animais marinhos nas regiões litorâneas dos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Qual o principal objetivo do projeto?
André Barreto: Até ontem a gente estava com 62 mil animais cadastrados. Isso entre aves, mamíferos marinhos e tartarugas marinhas. O projeto faz parte do licenciamento ambiental da Petrobras para explorar óleo e gás no pré-sal. O objetivo geral é avaliar se essas atividades da Petrobras estão gerando algum impacto sobre a fauna marinha. Se optou, dentro do licenciamento, trabalhar com os animais que a gente chama de tetrápodes, os animais que tem quatro patas. São as aves, os mamíferos e as tartarugas. O golfinho já perdeu as patas traseiras, mas estão no mesmo grupo, são mamíferos. Vale lembrar que o PMP é um dos projetos de monitoramento que a Petrobras está executando. São cinco projetos que atuam simultaneamente. Tem também um específico pra monitorar a ocorrência de baleias e golfinhos, que é o Projeto de Monitoramento de Cetáceos, que trabalha com embarques e sobrevoos com avião. Tem um outro que é de Monitoramento do Tráfego de Embarcações; tem um monitoramento que é de ruído ambiental, que tem uma série de microfones embaixo da água pra monitorar o ruído gerado, e tem o monitoramento da atividade pesqueira. Esses cinco projetos, em conjunto, é que vão permitir ao Ibama avaliar qual o impacto que as atividades estão exercendo.

DIARINHO – Já há um cruzamento de dados desses projetos? É possível afirmar se a atividade de extração dos poços da bacia de Santos tem afetado as espécies marinhas?
André: Toda atividade humana gera impacto. Se eu pego um barquinho, a remo, e vou remando na água, o meu remo vai bater em cima de um bichinho e vai matá-lo. O que a gente tem que tentar entender é se esse impacto gera um problema pra manutenção de uma espécie no ambiente. Eu tô, sei lá, matando todas as fêmeas de uma espécie? Ninguém consegue desovar? Daqui um ano aquela espécie não vai existir. Ou os impactos são absorvidos pelas espécies. O que a gente quer ver é assim: a nossa atividade, quer seja na produção de óleo e gás, quer seja pesca, ou no tráfego de embarcações, se ela está gerando algum problema que impede a permanência a longo prazo de uma espécie. No momento, a gente não está vendo, pelo monitoramento de praias, um impacto direto das atividades de extração de óleo e gás. Qual é o problema? É muito difícil separar os efeitos de cada atividade humana. O pré-sal ocorre a uns duzentos e poucos quilômetros da costa de São Paulo, aqui pra Santa Catarina está mais longe ainda. Mas tem embarcações da Petrobras que atuam nas plataformas que vão pros portos na costa. O tráfego das embarcações pode estar gerando impacto. Assim como tem a embarcação da Petrobras, o navio de contêiner, a atividade de pesca. A saúde dos animais, quer seja ave, tartaruga ou mamífero, está um problema. Isso está claro! A gente vê bichos doentes, magros. O difícil é dizer: “olha, 10%, 15%, 70% da culpa disso é da atividade um, dois ou três”. No primeiro ano do projeto tínhamos uma preocupação muito grande em ver qual era a causa de morte dos animais. A gente viu que isso não era suficiente, porque, às vezes, os animais estavam doentes e isso pode ter sido uma causa. Porque de repente eles tiveram que sair de um local porque tinha muito tráfego de embarcação e agora não conseguem mais se alimentar. Mudamos o foco ao longo desses quatro anos de projeto pra uma avaliação da saúde, fazer uma coisa mais ampla. A gente está vendo sim, que existem problemas de saúde, existem locais diferentes que tem problemas diferentes. Em alguns locais se encontra uma determinada espécie. A toninha, que é um golfinho bem costeiro, tem locais que a gente vê muita mortalidade na costa, em vários casos com enredamento em redes de pesca. Tartaruga também é um bicho que a gente encontra muito, se nota que morrem afogadas. Às vezes você pega um animal que estava saudável, com comida no estômago, e que morreu afogado, então não é nada crônico, foi alguma coisa que aconteceu naquela hora. Em outros locais a gente vê os animais sempre magros, sempre com problemas de saúde, com doenças. Como estamos falando de uma área muito grande, de São Paulo até Santa Catarina, os problemas não são os mesmos.

Infelizmente, 90% dos animais que a gente encontra estão mortos”

DIARINHO – Já se sabe quais as principais causas das mortes dos animais marinhos em nosso litoral?
André: Aqui em Santa Catarina, a gente tem épocas, por exemplo, ano passado, que teve muito pinguim. Nessas épocas os animais estão morrendo não é por nenhuma atividade humana. São animais que estão ao longo da migração, estão muito debilitados, muitos doentes. Nesse caso, eu não colocaria uma culpa humana nessa mortalidade, apesar de serem muitos animais. Mas para algumas espécies, como por exemplo, a toninha, que eu acabei de citar, a gente vê que pra ela a mortalidade acidental em rede de pesca é muito grande. É bom deixar claro: a gente não acha que o pescador está indo lá pra matar golfinho, pra matar toninha, temos certeza que eles não querem isso, assim como não querem matar tartarugas. O problema é que a atividade de pesca tem uma interação grande e a gente vê uma mortalidade de golfinhos e de tartarugas por causa de atividade de pesca.

DIARINHO – Quais são as principais espécies do nosso litoral que foram identificadas e catalogadas?
André: A mais abundante é a tartaruga verde. Não vou ter de cabeça o percentual, mas ela é a espécie mais frequente. A tartaruga corresponde a 95% de todas as tartarugas que se encontra. Das aves, muito gaivotão, que aqui na nossa área é muito frequente. E entre os mamíferos tem a toninha. Mas a gente já tem mais de 40 espécies de aves, cinco de tartarugas, todas do Brasil, que aparecem aqui em Santa Catarina. Entre os mamíferos marinhos há em torno de 20 ou 30 espécies. [Alguma em extinção?] Várias. A toninha já está considerada como criticamente ameaçada, justamente por conta de toda distribuição dela, do Espírito Santo ao norte da Argentina, em toda essa área ela tem o problema de captura acidental. Ela está criticamente ameaçada. Há várias espécies de albatrozes, que não são os mais frequentes, mas que também são espécies ameaçadas. As tartarugas, tem a tartaruga de couro, aquela tartaruga gigante, uma preta, muito grande. Essa também está criticamente ameaça e, infelizmente, tem-se encontrado também algumas mortas no litoral.

DIARINHO – Ano passado foi expressiva a quantidade de tartarugas mortas em nossas praias. Cogitou-se que as causas seriam a poluição, as redes de pesca e a ingestão de plásticos. Já se confirmou o que matou tantas tartarugas?
André: Eu gosto de fazer a analogia de que o momento que está se vendo os animais morrendo é parecido com alguém que dá entrada no pronto socorro. Ele dá entrada com ataque do coração e vai tratar aquele problema. Só que quando você vai olhar, ele também está com um problema no fígado, também está com uma doença crônica. Então qual o problema de agora? O primeiro problema que a gente vê pras tartarugas, hoje em dia, pras tartarugas verdes, que é um animal costeiro, é pesca nessas redes de emalhe que ficam próximas a costão, porque é ali que elas se alimentam. Mas todas essas que gente pega, que morreram na pesca, também vão estar com lixo no estômago. Se não fosse a rede, ia morrer daqui a três, seis meses, um ano, por outro problema. O problema agudo que mais acomete as tartarugas verdes é o emalhamento em redes costeiras. Muitas vezes, redes ilegais. Esse é um problema real. Mas a médio prazo, tem o problema com a poluição. Agora, ave não tem problema com pesca, essas costeiras, a gaivota. O que a gente vê a com a gaivota? Problema no sistema digestivo. Porque ela está na praia, o pessoal joga muito lixo, ela come aquilo e vai ter esse problema.

O problema é que a pesca tem uma interação grande e a gente vê uma mortalidade de golfinhos e tartarugas por causa de atividade de pesca”

DIARINHO – Quais ações de preservação estão sendo tomadas a partir do levantamento e mapeamento do projeto?
André: O objetivo do PMP é o monitoramento de praias. O nosso objetivo é avaliar se existe algum impacto. A decisão, tomada de uma medida pra evitar algum problema, não é algo que parte da gente. A nossa função no momento é apresentar um diagnóstico. Dizendo: “olha, está acontecendo isso, nesse local está havendo esse problema”. A decisão do que fazer é da sociedade com os órgãos legislativos. Damos apoio a diversas iniciativas de elaboração de medidas de prevenção, mas não é uma coisa que sai do projeto.

DIARINHO – Como tem funcionado as unidades de estabilização dos animais? Temos uma em Penha. Qual o tipo de trabalho desenvolvido ali?
André: Dentro do projeto tem várias bases de uma rede de atendimento veterinário. Mais ao sul, em Laguna, tem outra em Florianópolis, tem a nossa aqui em Penha e outra mais ao norte, em São Francisco do Sul. A base de Penha foi totalmente reformada para poder atender, dar atendimento veterinário para os animais. E, claro, se tinha a ideia antes de começar, quando o projeto estava sendo projetado lá em 2014, e não se imaginava que ia encontrar tanto animal. [Hoje aparecem mais animais mortos ou os que dão para estabilizar?] Infelizmente, 90% dos animais que a gente encontra está morto. Essa média vale pra São Paulo, Paraná, Santa Catarina: 90% mortos e só 10% vivos. Desses 10% vivos para estabilizar e reabilitar depende da espécie. Há espécies que são oceânicas, mas quando chegam à costa, já estão muito mal. É difícil conseguir reabilitar e devolver. Espécies mais costeiras, como a gaivota, tem uma recuperação muito boa, se dá bem com a reabilitação, consegue devolver. Mamíferos marinhos, os golfinhos, são pouquíssimos que a gente consegue reabilitar, porque pra ele encalhar, já tem que estar muito mal. Os lobos e os leões marinhos também respondem bem, temos conseguido devolver bastante ao ambiente.

DIARINHO – O senhor é um dos pesquisadores que é referência no Brasil em casos de mamíferos marinhos, principalmente golfinhos. Este ano, depois de muito tempo, houve o reaparecimento de golfinhos em algumas praias da região. Isso significa que está havendo aumento dessa população?
André: Infelizmente, não está havendo aumento. Eu trabalho aqui desde 2000, a gente tem um trabalho de monitoramento no molhe, com os golfinhos ali, e o que se gente tem de histórico é uma redução ao longo do tempo. Por diversos motivos, modificação do ambiente, tráfego de embarcações, menor disponibilidade de peixes pra comerem. Está havendo uma redução nesse nosso golfinho, que é o mesmo boto que ocorre em Laguna, lá tem toda aquela pesca cooperativa, e a gente vê que essa espécie está diminuindo… Não está aumentando! O que acontece é que, ocasionalmente, eles ficam numa praia que tem mais gente por um tempinho maior, e as pessoas veem mais, começam a tirar foto, e parece que eles estão voltando, mas não é verdade. Se você conversar com qualquer pessoa de Itajaí de 50, 60 anos, vai dizer: “os botos entravam, iam até o ferry-boat” e isso não acontece mais. Quando eu cheguei aqui em 2000, a gente ia lá pra ponta do molhe, pra cada 10 vezes que a gente ia, sete a gente via boto. Agora, a cada 10 vezes que a gente vai, uma a gente vê boto. Tem certas épocas, a época da tainha agora, que eles costumam aparecer em grupos maiores. No verão a gente vê vários chegando, mas na média estão desaparecendo. Isso é uma coisa que tem preocupado, se nós não fizermos nada é uma espécie que vai se extinguir. Porque essa espécie do boto costeiro é diferente dos golfinhos que vivem lá fora no mar. É uma população que vive em estuários, regiões mais protegidas, populações pequenas que estão desaparecendo. [E o que é possível fazer para preservar a espécie?] Tem que pensar em áreas protegidas. No mundo inteiro se vê isso. Quando você remove o impacto de determinados locais, não precisa ser em tudo, em áreas específicas, que a gente sabe que tem concentração do animal, ela tende a conseguir se recuperar. Porque sabe que ali é um santuário, é um local onde você não vai ter nenhum impacto. De repente, do lado de fora está tendo problema, tem mortalidade, mas ali é um local onde você consegue que a população fique bem e possa produzir mais indivíduos, que podem recuperar as áreas adjacentes. Isso vale pra pesca, pros golfinhos, pra qualquer coisa. [E quanto aos golfinhos, quais seriam essas áreas?] Aqui em Santa Catarina, esse golfinho ocorre aqui no estuário do rio Itajaí, na baía Norte e em Laguna. Aqui em Itajaí é um lugar difícil de a gente conseguir proteger, porque tem o porto que é uma atividade econômica importante. Não vamos parar de ter o porto porque tem um golfinho. A gente tem que ter consciência de que existem locais em que vale a pena brigar e outros que não vale. Mas talvez ali na baía Norte, a gente sabe onde eles acontecem. Em certas épocas não ter trânsito de embarcações, de lanchas, principalmente, é a embarcação que dá muito problema. Lá em Laguna é um lugar único. Essa associação entre pescadores e golfinhos só tem em dois lugares do mundo, e um deles é aqui em Santa Catarina. Tem que proteger! Esse ano morreu um bocado de botos lá por causa de rede ilegal. Então tem que ter fiscalização. São locais que se você protege, às vezes uma área pequena, você resolve 50%, 60% do problema. Ali é um local que a gente tem que tomar cuidado e falar: “não, aqui vamos proteger, é uma coisa única, merece ser protegida”. Isso gera turismo, gera toda uma identidade cultural dos pescadores locais e que precisa ser protegida. “Ah, mas eu vou ter que parar de pegar peixe.” Sim, vamos ter três, quatro pessoas lá que não vão poder pegar o peixe e talvez tenham que conseguir outra atividade, mas a maior parte daqueles pescadores artesanais, que tem aquele vínculo, vão continuar trabalhando. Não é a tarrafa que mata o boto, mas sim aquela rede que a pessoa estende no meio do canal.

DIARINHO – Como o senhor avaliou a proposta para a liberação comercial da caça às baleias, discutida em Floripa, no final do ano passado?
André: A caça da baleia é uma atividade que do jeito que ela foi feita no passado é insustentável. Baleias são animais que vivem muito tempo e que vão ter um filhote em três ou a cada cinco anos. O crescimento desse filhote não é garantido, não pode tirar muitos indivíduos disso. Em termos de princípios, eu não sou contra a caça de nenhum animal. Eu gosto de comer carne e acho que uma vaca tem tanto direito à vida quanto qualquer animal silvestre. O que eu acho que a gente não pode ter é uma atividade de captura que não seja bem manejada. E o manejo significa conseguir retirar o que a população consegue repor. Do jeito que a pesca vinha sendo feita e do jeito que ela vinha sendo manejada, não funcionou. E o que se propôs, no ano passado, também não ia funcionar. É possível de ser feito? É possível! Mas você tem que ter um controle muito grande, tem que garantir que só em determinados locais, e que determinadas espécies sejam capturadas. Essa proposta da retomada da caça era apresentada pelo Japão em todas as reuniões nos últimos 10 anos. Então não é uma novidade, eles sempre pedem isso. E, em geral, se reconhece que para 90% das espécies de baleias ainda não dá. Sobraram 5% de baleias. Algumas espécies estão se recuperando melhor, outras não. Então não dá pra retomar a captura comercial pra maior parte das espécies. Por exemplo, baleia minke é uma que ainda tem populações relativamente grandes, que talvez em certos locais fosse sustentável, mas tem que ter um controle muito grande. No passado, quando a captura era permitida, cada país recebia uma cota de captura. No caso da União Soviética, quando a URSS acabou, se descobriu que eles rotineiramente capturavam o dobro do que reportavam pra comissão baleeira. Como é que eu vou fazer um manejo direito se eu digo: “oh, você pode pescar 100”. Você fala: “ah, pesquei 100”. Quando for ver, se pescou 200. Não tem como funcionar. Há modos muito mais interessantes de se gerar renda com as baleias do que as caçando e comendo. Existem lugares que ganham muito dinheiro com turismo de observação. E de novo, no turismo de observação, aquela mesma baleia vai voltar várias vezes, você vai ganhar dinheiro com ela várias vezes. Quando você pesca a baleia, caça à baleia, é uma vez só e acabou.

Isso é uma coisa que tem preocupado, se não fizermos nada, o golfinho é uma espécie que vai se extinguir”

DIARINHO – Virou moda a aprovação de leis municipais, em todo o Brasil, que proíbem o uso de canudo plástico. Essa medida traz resultado significativo no salvamento de animais marinhos? Os canudos plásticos são mesmo os grandes vilões?
André: Não, não são os grandes vilões. Mas eu acho que ele tem um papel pedagógico muito bom. Porque no momento que você nota que certa atividade sua, que pode parecer boba, que é usar um canudinho, tem efeito no ambiente… “Pô, será que eu não tenho que repensar o modo como eu consumo plástico pra melhorar a saúde do ambiente?”. É o que eu comentei lá no início, a gente vê os animais doentes, ingestão de plástico é comum. Isso não faz bem. Não é o canudinho que vai dar o problema, mas o canudinho pode ser um modo de a gente repensar o nosso uso de materiais descartáveis. Mais do que proibir o canudinho, eu achava mais louca a ideia de um canudinho que vem dentro de um outro plástico que você tem que abrir e jogar fora. Essa cultura do descartável é uma coisa muito ruim. E isso está gerando um monte de resíduos no ambiente. Então é a gente pensar: “eu preciso usar um canudinho? Eu posso usar um copo de papel em vez de usar um copo plástico?” O plástico é um problema real. O plástico tem uma permanência no ambiente muito grande. No ambiente marinho ele é muito sério porque costuma flutuar, e ao flutuar ele se dispersa muito. Eu já fiz cruzeiro de pesquisa no meio do oceano Atlântico e a gente vê pedaço de plástico boiando. O vidro pode ser um problema, pode, mas afunda. E na hora que está lá no fundo ele se torna menos disponível aos animais. Então, qualquer resíduo que a gente gera está impactando o ambiente. O plástico tem chamado mais a atenção porque se espalha muito fácil. O canudinho não é o vilão, mas ele pode ser o alerta pra gente mudar outras coisas.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com