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da Silva, Militante feminista

Alessandra 
da Silva, Militante feminista

“A gente não tem políticas públicas voltadas para a prevenção [violência contra a mulher]. E quando tem são mínimas, insignificantes, que não atingem a população”

“A gente não tem políticas públicas voltadas para a prevenção [violência contra a mulher]. E quando tem são mínimas, insignificantes, que não atingem a população”

“O feminicídio é o crime contra a mulher, onde o agressor vai ferir essa vítima pelo simples fato de ser mulher”

Um embate diário ao preconceito, à violência, ao assédio, à injustiça, até que seja reconhecida a igualdade plena de direitos entre homens a mulheres. No dia 8 de Março foi comemorado o Dia Internacional da Mulher que teve uma marca diferente este ano. No mundo inteiro, milhões de mulheres saíram às ruas para brigar contra o machismo e a violência. Na Espanha, uma greve geral paralisou completamente algumas cidades. Lá, as mulheres ganham 14,9% a menos que os homens e querem um basta a essa injustiça. No Brasil, onde as mulheres têm o salário até 26,5% menor do que um homem que exerce a mesma atividade, os protestos foram isolados a grandes cidades. Para falar um pouco sobre o movimento que tem mobilizado mulheres em todo o mundo, a jornalista Franciele Marcon entrevistou uma das fundadoras do Movimento Mulheres do Litoral, Alessandra da Silva. Os temas da entrevista passaram por mercado de trabalho, violência, direitos sociais, machismo e até mesmo o impeachment de Dilma Roussef. Um bate-papo esclarecedor. As fotos são de Sandro Silva e Rafael Boeira.
NOME: Alessandra da Silva
NATURAL: Florianópolis
IDADE: 37 anos
ESTADO CIVIL: união estável
FILHOS: dois filhos
FORMAÇÃO: Pedagogia; especialização em Supervisão, Orientação Educacional e Inclusão Social
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: professora da educação infantil há 15 anos; militante do Movimento Educação Democrática SC e uma das fundadoras do Movimento Mulheres do Litoral

“A gente pensa estar protegida diante das pessoas que deveriam cuidar da nossa segurança. Não foi o que aconteceu com ela [policial Karla, assassinada pelo companheiro, que é policial Militar]”
DIARINHO – O que é o Movimento Mulheres pelo Litoral? Quem são as participantes e como ele surgiu?
Alessandra: O Movimento Mulheres do Litoral surgiu no final de 2017. Antes já havia uma história, que é o Movimento Mulheres de Itapema, onde um grupo de mulheres passa a se reunir justamente para a gente conseguir trazer para Itapema uma delegacia especializada. Hoje não é mais delegacia da Mulher e sim da Criança, do Adolescente e do Idoso. O Movimento Mulheres do Litoral soma com mulheres dos municípios vizinhos, Balneário Camboriú, Porto Belo, Camboriú, Itajaí. Quando a gente fala em movimento dá a sensação que tem muita gente por trás, mas somos em torno de 20 mulheres. Nem sempre todas estão reunidas para definir ações. Em dezembro de 2017, surge o feminicídio da policial Karla, de Itapema, que teve o corpo ocultado na praia de Taquaras, e nós conseguimos reunir mulheres da região para tentar mostrar o quanto aquele deminicídio, e tantos outros… Aquele marcou muito por ter, além do componente do machismo, uma força policial por trás. Afinal de contas, o companheiro dela era policial. Isso fortalece essa questão da insegurança, pelo fato de que a gente espera o contrário. A gente pensa estar protegida diante das pessoas que deveriam cuidar da nossa segurança. Mas não foi o que aconteceu com ela. Diante disso, surge o Movimento Mulheres do Litoral.

DIARINHO – Nos últimos meses tivemos vários casos de violência brutal contra mulheres na região. Assassinatos, agressões, vítimas incendiadas, estupros. Qual a explicação para tantos crimes contra as mulheres num Estado que se diz exemplo na área de Segurança Pública?
Alessandra: Depende do “exemplo”. Porque se nós formos pensar em segurança da mulher…. Temos dados que mostram que 2017 foi um dos anos mais violentos no estado. Pra mulher não muda muito, porque essa preocupação com a Segurança nós temos a todo instante. A partir do momento que a gente sai de casa, a gente fica preocupada com quem vai encontrar na rua. Não deveria ser uma preocupação andar num local escuro ou não, mas a gente se preocupa. Nós não temos mecanismos que funcionem para enfrentar e combater a violência contra a mulher no estado. A Lei Maria a Penha não foi implementada como deveria. Nós temos poucas delegacias e aqui a gente já está pensando depois do fato consumado, dos crimes. Não há políticas públicas voltadas à prevenção. E quando tem são mínimas, insignificantes que não atingem a população. É cultural sim, porque há quem defenda os direitos individuais e não pense nos grupos oprimidos.

DIARINHO- Dificilmente a polícia classifica os crimes contra as mulheres como feminicídios. Geralmente, a polícia Militar e a Civil classificam esses crimes que envolvem violência doméstica como “passionais”. O que caracteriza o feminicídio?
Alessandra: Alguns documentos oficiais trazem como homicídio doloso e a gente vem lutando justamente por uma cultura de como denominar o crime corretamente. O feminicídio é o crime contra a mulher, crime de gênero, onde o agressor vai ferir essa vítima pelo simples fato de ela ser mulher. Aqueles crimes passionais onde há violência doméstica contra a mulher, ou atos de estupros, assédios e que levam a morte dessa mulher são sim feminicídio – é crime de gênero.

DIARINHO – Qual a importância das autoridades policiais usarem o termo correto na classificação desses crimes de ódio contra a mulher?
Alessandra: A gente sempre fala sobre a questão cultural. A gente precisa mudar nossa cultura. A partir do momento que as autoridades mudam a maneira de falar sobre “crimes contra a mulher”, passamos a admitir que esses crimes acontecem e que existe uma violência de gênero e que precisa de atenção. A nível nacional e internacional, a ação de mulheres de diversas áreas pedindo que seja usado o termo, para que seja olhado, dada importância à lei do Feminicídio. A partir do momento que se admite que existe a necessidade de políticas públicas, se fortalece a prevenção.

DIARINHO – Por ocasião da morte da policial Civil Karla, assassinada pelo companheiro que é policial Militar, o grupo Movimento Mulheres pelo Litoral fez uma performance de protesto com a seguinte mensagem: “Machismo mata!”. Pode explicar melhor essa afirmação?
Alessandra: Machismo mata! Tudo o que a gente falou até agora está relacionado ao machismo. A maneira como os homens crescem, são educados, dentro da sociedade, não falo só dentro da família. Ensina-se que os homens têm direitos sobre as mulheres. A partir do momento que ele tem ciúmes, ele pode matar por ciúmes. Ele pode matar porque não recebeu o tratamento “devido”. Em qualquer desentendimento, ele tem o poder de isolar essa mulher do mundo, castigá-la fisicamente e psicologicamente. Quando a gente coloca “o machismo mata!”, é que quando eu e você andamos na rua, e eu gosto de dar esse exemplo porque eu ando muito, a gente se sente insegura. Quando a gente está na rua e tem uma mulher andando na frente, é um alívio. Quando é um homem, tu não sabe o que faz. Se tu ultrapassa, se espera. A gente congela, porque nunca sabe qual vai ser a reação. Foi nos ensinado que nós temos que nos proteger, porque eles são homens. É cultural porque as mulheres também reproduzem isso na educação dos filhos. Dentro das escolas as professoras acabam também falando dessa mesma forma do senso comum a respeito do machismo, então a gente precisa rever a educação. [Algumas mulheres são machistas?] Sim, a gente percebe. Todas nós, a gente vive se descontruindo, se construindo… Quando a gente se percebe feminista? Quando começa a perceber a opressão vivida. Quando você vê que tem mais pessoas reclamando, você se depara com frases que te despertam. É de repente. A gente ouve e reproduz isso o tempo inteiro: “fecha a perna, você está de saia”; “imagina, parece um machinho”; “te comporta”; “isso não é coisa de mulher”; “não é coisa de menina”.

DIARINHO – O feminicídio pode começar num histórico de violência. Na maioria das vezes o que o antecede é um relacionamento afetivo. Quais são os indícios de que uma mulher está vivendo um relacionamento não saudável? Há alguma rede de apoio em SC para as mulheres que vivem relacionamentos abusivos?
Alesssandra: Sobre a rede de apoio, a gente volta para a Lei Maria da Penha. A lei foi muito bem feita, bem construída, referência mundial. A Lei Maria da Penha diz que os estados, os entes federados, deveriam ter uma integração, uma rede de apoio, com informações integradas, onde se daria todo o processo de acolhimento. Se não estou enganada, nós temos sete ou oito casas de acolhimento em Santa Catarina. Um delas, que nós recebemos notícia essa semana, precisa de um boletim de ocorrência pra então se dispor a ajudar essas mulheres. A gente entra em um dilema. As mulheres geralmente não denunciam, por mil coisas. Primeiro porque ainda sente algum afeto pelo companheiro que cometeu o crime; ou por medo, por se sentir coagida, pensando futuramente na relação, como vai ser, e acaba não denunciando. [Quando a mulher registra o BO, nem sempre serve como medida protetiva para que se evite a agressão… Vocês acompanham essa falta de efetividade do registrar queixa à polícia?] Como a gente está empenhado em trazer uma delegacia para Itapema, que tem os mesmos índices de violência de Balneário Camboriú, tendo uma população muito menor, nós ficamos muito próximos do cartório de violência doméstica da delegacia de Itapema. No início do ano passado, havia dados de que quase 90% dos inquéritos policiais eram desse cartório. O que acontece: algumas mulheres vão lá, fazem a denúncia e muitas desistem de dar continuidade, porque não têm para onde ir. Elas se sentem em cárcere. Estão presas ao algoz, não têm como sair daquele espaço. E elas acham que não conseguem. Não há políticas públicas no estado para apoiar essas mulheres. Política pública é fundamental, e essa rede de integração que a própria Lei Maria da Penha prevê e precisa ser implementada com urgência.

DIARINHO – Os casos acontecem, principalmente, motivados por separações, ciúme e machismo ou durante discussões. A mulher nunca é responsável pela violência, mas a sociedade geralmente tenta justificar o crime julgando o comportamento da mulher, falando da roupa que usava ou de alguma atitude. Como refutar essas afirmações?
Alessandra: É um combate diário, rotineiro, em todos os ambientes. A gente tem que quebrar esse estereótipo de que existe um padrão que a mulher deve seguir de comportamento. A mulher tem que ser comportada, delicada, não pode falar palavrão, não pode mostrar o corpo. O corpo da mulher é demonizado. A partir do momento que essa mulher frequenta um bar é assediada, por consequência, é estuprada. Vem a frase: “o que é que ela estava fazendo? Aquele não é lugar de mulher…”. Mas por que aquele não é um lugar de mulher? Eu acho que, diariamente, você tem que quebrar esse discurso. Perguntar às pessoas: por que eu não posso? Por que eu não posso usar shorts curto? Ao mesmo tempo em que a imagem na mídia a coloca como um produto do mercado, que tem um modelo padronizado e desejável – que também levanta outra questão que oprime muito a mulher. A maneira de refutar é quebrar esses discursos. Não deixar de frequentar espaços, não deixar de ser quem você é, nem deixar de fazer o que tem vontade de fazer. Só assim se consegue combater, enfrentando!

DIARINHO- O estudo de gênero nas escolas serve para ensinar a importância do respeito às mulheres e a outras minorias, como homossexuais, mas têm sido combatido com um cunho moralista e preconceituoso. Essa reação conservadora contra o estudo de gênero também é um ato de machismo? Como vencer essa barreira?
Alessandra: A gente diz que tudo que vem do feminino é demonizado. Os homens homossexuais se tiverem um comportamento mais delicado, serão remetidos ao feminino, porque feminino significa delicado, segundo a cultura machista. O estudo de gênero nas escolas nada mais é do que reafirmar que existem homens e que existem mulheres. Fazem uma confusão enorme. Porque dizem que quando se fala de gênero na escola, está se querendo fazer uma bagunça na cabeça da criança ou do jovem, querendo que transforme sua identidade ou sua orientação sexual. Parem de discursar dessa forma, porque isso não existe. Você tem uma orientação sexual X ou você tem uma Y. Não tem como mudar. Criança tem que brincar. E do que a criança brinca? Criança brinca com brinquedo e lá tem meninos e meninas, mas a criança brinca com brinquedo. Todas elas são crianças e vão brincar com todos os brinquedos disponíveis. A falta de discussão sobre gênero, além desse moralismo, tem uma questão fundamentalista. Quando se fala, principalmente em algumas vertentes religiosas neo pentecostais, elas têm essa questão do gênero biológico: é homem, é mulher! Eles ficam muitos preocupados com essa questão. Achando que a criança que está se desenvolvendo pode se influenciar porque pode se confundir pelo simples fato de que a professora montou uma casinha, para brincar de faz de conta. Aí aquele menino vai lá brincar de lavar a louça, ou vai brincar de boneca e temem que aquilo possa estimular essa criança a pensar como mulher. É difícil entender isso…. A gente entra no Movimento Democrática SC, onde muitas representantes do Movimento Mulheres do Litoral estiveram presentes, porque existiu uma frente onde o Escola Sem Partido, o Miguel Nagib, criador desse projeto de lei, espalhou para o Brasil todo e chegou em Balneário Camboriú através de um vereador, que tentou aprovar essa lei. É uma lei horrível, que engessa a educação, pune professores se você falar sobre gênero, faz com que as famílias se tornem fiscalizadoras, no pior dessa palavra.

DIARINHO – O Mapa da Violência 2015 mostra que o Brasil ocupa a quinta posição em um ranking de 83 nações com maior taxa de assassinatos de mulheres. São 4,8 mortes violentas para cada grupo de 100 mil mulheres. A maioria dos crimes são cometidos por pessoas próximas, via de regra, ex parceiros, e os crimes geralmente acontecem em casa. O que esses números refletem?
Alessandra: Quando falam pra gente: “é melhor você ficar em casa que você está segura”, duvide. Sabe aquele espaço seguro, “ele me ama e não vai fazer isso comigo” ou “ele fez uma vez, mas não vai fazer mais”. Esses números mostram, mais uma vez, que faltam políticas públicas de combate ao machismo. Eu sempre falo que a mídia e os veículos de comunicação têm uma responsabilidade imensa. Eu cobro isso com todo mundo que eu falo, porque tem mesmo uma responsabilidade imensa. A gente não pode esperar que esses números cheguem nas páginas policiais para virar notícia. A gente tem que transformar isso em ações preventivas. Nós estamos tentando encontrar parceiros e parceiras para uma campanha de prevenção para que a gente diminua esses dados até conseguir zerar. Primeiro é muito difícil a gente saber exatamente os números, porque eles são são muitos superficiais, não se tem acesso a tudo. A violência contra a mulher é muito ocultada dentro das casas.

DIARINHO – O salário de uma mulher negra no Brasil é, em média, 26,5% menor do que o de uma mulher branca. E tem uma redução de 56,4% se comparado a um homem branco. Como corrigir essa desigualdade?
Alessandra: Quando a gente fala especificamente de um grupo e, principalmente, das mulheres negras. Se a gente for fazer uma pirâmide social, está lá: o homem branco, a mulher branca, o homem negro e a mulher negra. A mulher negra é a mais explorada em todos os sentidos. Ela é a pessoa que mais sofre violência racial, é a pessoa que, geralmente, não tem a aparência que o mercado de trabalho pede. Essas mulheres que na grande maioria são periféricas e pobres, provavelmente têm um grau de escolaridade muito inferior. Elas trabalham muito mais e recebem muito menos. Hoje eu encontrei uma médica negra, no consultório, e eu achei maravilhoso. É muito difícil encontrar professoras negras. Mais uma vez: política pública de prevenção. A gente precisa sanar os números que estão aí, as pessoas que já estão sofrendo, mas a gente precisa atuar preventivamente.

DIARINHO – A primeira mulher presidente do Brasil foi impedida num processo questionado pela legalidade e que teve muitas nuances de machismo. Adesivos simulando o estupro de Dilma e frases questionando a sexualidade dela circularam em todas as classes sociais. Houve um componente misógino no impeachment?
Alessandra: Tem! Sempre que tem uma mulher que assume o poder, vai ter. Eu acho que é o primeiro alvo para desestabilizar. Vamos atacar a mulher no seu gênero para fragilizar. Não tem muito o que dizer em relação a isso, porque a olhos nus se vê. Os adesivos que foram colocados na entrada do tanque de gasolina, essas pessoas deveriam ter sido processadas, deveriam ter respondido legalmente. Você não concorda com a política, com o governo que ela fez? Eu tenho críticas, vocês também devem ter críticas, mas não justifica. O impeachment foi golpe. Eu tenho que dizer que foi golpe. Quando uma maioria escolhe na eleição, essa maioria é soberana e não foi respeitado isso. Foi golpe, sim! Como foi contra uma mulher, eu acho que a questão da justificativa, que a gente falava ainda há pouco dos crimes contra a mulher… Se justificou assim: ela é mulher e não deu conta. Não sei se fosse um homem no lugar dela, se teria sido impedido.

DIARINHO – O candidato que está na frente das pesquisas de voto para presidente, aqui em Santa Catarina, deu declarações afirmando que “as mulheres merecem ganhar menos porque ficam grávidas”. Ele também já fez declarações racistas e homofóbicas. Porque um discurso preconceituoso e agressivo arrebata eleitores em pleno século 21?
Alessandra: O machismo é cultural. Essa pessoa caricata sabe que existem muitos grupos conservadores. Eu poderia até dizer mais, que há uma característica neonazista, principalmente no sul, que embarca no discurso. Pra mim, ele não representa alguém que tenha condições eleitorais. Eleição é uma consequência de muitas outras coisas. Essa pessoa não tem condições de representar uma nação ou um país. Eu não sei o que ele faz dentro do Congresso, não tem condições de estar lá. Mas, infelizmente, ele representa uma parcela da população. Um número importante que prejudica o desenvolvimento intelectual e social desse país, que tem discursos extremamente conservadores. Infelizmente, a gente vê algumas pessoas negras apoiando o discurso dele. Mulheres apoiando o discurso dele, dizendo que Maria do Rosário realmente “não merecia nem ser estuprada”. São coisas tão absurdas, que tem que ser combatidas diariamente.

DIARINHO – Dia 8 de março é o Dia Internacional da Mulher. Há mais avanços ou retrocessos para a mulher brasileira? Há o que ser comemorado em 2018?
Alessandra: O Dia 8 de Março, como a maioria acha, não é uma data comemorativa. Ela é uma marca, uma luta, uma data que traz à tona o que as mulheres do passado fizeram e o que nós ainda precisamos fazer. Dizer que está pior, talvez por conta de todas as reformas que o governo Michel Temer tem implementado e que a gente tem combatido diariamente… Reformas em relação ao trabalho, onde gestante não tem mais direito a insalubridade. A gente tem que comemorar, talvez, que mais mulheres estão entendendo o que é feminismo e que muitos homens se percebem enquanto pessoas em formação e pessoas que precisam entender do que nós estamos falando. Ele passam a querer entender e apoiam. Apoiam nos seus espaços de convivência com outros homens, enfrentando e desmistificando algumas questões. Mulheres que têm buscado fazer alguma militância mesmo que não organizada. Elas passaram a perceber que podem usar saia curta e que ninguém tem o direito de falar ou de pôr a mão no corpo dela. Essas coisas que parecem poucas, demandam um tempo longo e a gente já está conseguindo quebrar. Nesse sentido a gente comemora, mas tem um longo caminho pela frente. Eu espero que o Movimento Mulheres do Litoral cresça e receba apoio. E que os veículos de comunicação nos apoiem; ajudem as mulheres a sair das páginas policiais.

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