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Alberto Cesar Russi

Jornalista

NOME: Alberto Cesar Russi
NATURALIDADE: Itajaí
IDADE: 67 anos
ESTADO CIVIL: casado
FILHOS: três filhas e dois netos
FORMAÇÃO: graduado em rádio, TV, Cinema e Jornalismo pela Universidade de Brasília; especialista em Marketing e Mestre em Gestão de Políticas Públicas
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL: diretor de jornalismo da radio União AM, passagem pelos jornais O Estado e A Notícia, editor e diretor de jornalismo da RCE/ TV Vale do Itajaí – afiliada a Rede Bandeirantes de Televisão, atualmente RIC/Record, criou a agencia de Comunicação e Marketing, o jornal de bairro Itajaí Zona Sul, foi colunista de esportes do jornal DIARINHO, participou como convidado da comissão de implantação do curso de jornalismo da Univali, coordenador do curso de Jornalismo. Durante 26 anos exerceu os cargos de coordenador do Curso de Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda, foi responsável por toda a implantação e instalação da rádio Univali, foi diretor de Centro de Ciências Humanas e da Comunicação e paralelamente por determinado período, diretor do Sistema Educativo de Rádio e TV Univali. Foi o idealizador da parceria entre TV Univali e canal Futura, atualmente está aposentado. Tem a fotografia como seu principal hobby.

Se alguém perguntar a você: conheces o Alberto César Russi? Talvez, você diga que não. Mas se a pessoa acrescentar o Betinho Russi – sem dúvida você vai lembrar desse senhor baixinho, simpático e de poucas palavras. Betinho foi um dos primeiros jornalistas formados a atuar em Itajaí. Peixeiro nato, só saiu da cidade para se formar em Comunicação Social em Brasília e voltou para contribuir com o crescimento da cidade onde nasceu. Nessa entrevista à jornalista Franciele Marcon, Betinho falou sobre o início na profissão, do famoso Clube da Imprensa e dos veículos que ajudou a desenvolver, como a rádio União, de Blumenau, o jornalismo da TV Vale Itajaí [atual RIC TV Record], a rádio e a TV Univali. Betinho ainda contou casos pitorescos da lida jornalística e das transformações, positivas, pelas quais Itajaí passou. O jornalista também falou do novo hobby: fotografar Itajaí e suas paisagens. As fotos são de Fabrício Pitella.

DIARINHO – O senhor foi um dos primeiros jornalistas formados da região. Havia poucos cursos de graduação em jornalismo e o senhor cursou a Universidade de Brasília. Como foi essa escolha por Brasília?
Betinho: A escolha começou por Curitiba. Eu fiz vestibular inicialmente na Universidade Federal do Paraná. Comecei a frequentar a Universidade Federal do Paraná, mas não estava muito satisfeito com o curso. O curso não estava adequado, já para aquela época, embora fosse a década de 70. Eu gostaria de um curso mais dinâmico, mais prático. Como eu tinha vontade de fazer cinema, eu até tentei a Universidade Federal Fluminense, mas naquela época fechou o curso. Em Brasília ficou jornalismo e outra opção que era Rádio, TV e Cinema. Eu fui para Brasília fazer primeiro Rádio, TV e Cinema, para em seguida, um semestre depois, escolher o Jornalismo.

DIARINHO – No início o senhor ficou dividido entre o jornalismo e o cinema. O que lhe fez aceitar o desafio de chefiar a rádio União, de Blumenau, a maior de Santa Catarina na época? Já tinha experiência na área?
Betinho: O cinema eu já estava trafegando nessa área, mas o cinema era um emprego sazonal, temporário. Assim que eu me formei, eu recebi o convite para dirigir o jornalismo da maior rádio de Santa Catarina em termos de potência, que era a rádio União. Quando eu cheguei aqui em setembro, ainda era a rádio Alvorada, uma rádio de potência baixa, 1 Watts de potência. A rádio União tinha 50 Watts. Esse desafio, por ser um emprego fixo, mais duradouro, fez com que eu aceitasse a proposta. Eu encarei o meu primeiro emprego, após formado, como chefe de jornalismo na maior rádio do estado em termos de potência.

DIARINHO – O senhor foi freelancer no jornal Estado – que fez história no jornalismo catarinense. Como foi trabalhar para este veículo como correspondente em Itajaí? Itajaí emplacava no cenário estadual naquela época ?
Betinho: Sim. As matérias eram interessantes e interessavam também à editoria do jornal em Florianópolis. Eu comecei a trabalhar como freelancer, eu tinha saído da rádio em Blumenau, e foi a ponte para eu conseguir um emprego fixo no A Notícia – onde eu fiquei cinco anos. A Notícia foi o jornal em que mais tempo trabalhei. Na época, eu fui convidado para ser o editor de Polícia em Joinville, mas eu abdiquei. Não quis e ofereci para um colega nosso, o João Carlos, que trabalhava aqui em Itajaí. Ele aceitou.

O que os veículos de comunicação de massa, na sua grande totalidade, acrescentam? Nada! O supérfluo”

DIARINHO – O que tinha de magia nesses dois veículos tão tradicionais?
Betinho: Quando eu estava na rádio União, a gente usava muito o jornal para se basear nas pautas, nas notícias e dar sequência ao trabalho radiofônico. Eu sempre tive A Notícia como um jornal bom, eu gostava da linha editorial da A Notícia. Isso me fez optar por trabalhar lá, embora o Estado fosse legal. O Estado era mais conhecido, de maior circulação. Mas eu gostava do jornal menor, do desafio de chegar perto, de fazer frente…. Esse desafio sempre foi interessante na minha carreira profissional.

DIARINHO – Como foi ser um dos primeiros jornalistas formados da região? Havia várias pessoas trabalhando na imprensa, mas com formação em outra área….
Betinho: Devido a dificuldade, né?! Porque tinha o curso em Florianópolis, mas era um curso recente, e daí em Curitiba. As pessoas não tinham condições de se mudar e morar nessas cidades para estudar. Iam principalmente para trabalhar. Eu tive essa felicidade de ir para Curitiba, depois ir para Brasília, acabei chegando aqui e ouvia isso: “é o único jornalista formado…”. Eu sempre falava, não precisa disso, a gente trabalha igual aos outros. A única coisa foi que, eu estava aqui como o único formado, mas eu poderia ter ficado lá. Eu nunca trabalhei profissionalmente em Brasília para não ter que ficar morando lá. Se eu começasse a trabalhar, ia ficar. Só fiz o estágio que era necessário na época. Fiz o estágio na TV Brasília. Era preciso fazer o estágio senão não se formava. Mas trabalhar não. Teve até um episódio interessante. Eu jogava um pouco de futebol de salão e o pessoal do Correio Braziliense, a gente era amigo, se encontrava à noite, e ia ter um torneio do Clube de Imprensa, que seriam os times dos órgãos que iam disputar. Eles me ofereceram uma vaga pra jogar, desde que eu trabalhasse no jornal. Daí eu disse não. Eu tinha certeza que se trabalhasse, eu ia ficar… E eu não queria ficar em Brasília.

DIARINHO – O senhor escolheu voltar para Itajaí. Passados tantos anos, se arrepende de alguma escolha?
Betinho: Não. De nenhuma! A melhor coisa que fiz foi ter voltado para Itajaí. Eu gosto muito da cidade. Sou daqui. Eu sempre gostei. Só fui mesmo porque precisava pegar uma faculdade que não tinha aqui na cidade. Estou contente com o que eu fiz. Eu tive uma boa carreira profissional, tive reconhecimento. A minha carreira profissional foi permeada pela minha passagem pela universidade, pela academia. Foi muito interessante. Fiz especialização, e hoje eu estou usufruindo dessa condição. Hoje eu estou aposentado e estou usufruindo dessa condição de ter vivido aqui, de conhecer a cidade e estou retratando a cidade da maneira como eu gosto.

DIARINHO – E como foi a participação no Clube da Imprensa? Como foi a atuação do clube na década de 80?
Betinho: O clube era interessante. O clube tinha uma proposta, além de festiva, de defesa da categoria. Embora não fosse a atuação como um sindicato, por exemplo, mas era um clube que agregava. A gente se reunia frequentemente para confraternizar, a base do clube era a confraternização. Era bom, porque no dia a dia tinha aquela disputa de quem dá a notícia antes, quem não dá, quem sai na frente. O clube propiciava que a gente relaxasse e chegasse no sábado e fôssemos confraternizar em volta de uma churrasqueira, com uma cerveja. O clube nunca teve muito problema em ter que sair em defesa de jornalista A ou B, mas se precisasse sairia e isso era uma segurança. No geral, era uma atuação bem tranquila. O [José – do jornal O Estado] Pereira teve essa ideia de fazer o clube e foi presidente do clube por muitos anos. Depois foi tendo revezamento, teve uma época que teve duas chapas e acirrou um pouco os ânimos. Havia os que defendiam que só deveria pertencer ao clube quem trabalhasse em jornal, e outra turma defendia que o pessoal de rádio também pudesse. Houve umas divergências ali, mas nada que fizesse com que o clube balançasse. O clube permaneceu. Até que o Pereira, que era um dos grandes líderes, parou. O Hernani Fabeni, que era um dos incentivadores e reunia a galera em torno da confraternização, acabou parando. O clube foi esvaziando.

DIARINHO – Na fala anterior, você lembrou que “havia a disputa para quem desse a notícia primeiro”. Você acha que perdeu um pouco isso com a chegada da internet?
Betinho: Hoje todo mundo tem acesso a tudo. A internet, o zap [WhatsApp], um informa de um lado, outro informa do outro. O único perigo que há e é necessário ter muita atenção é o que pode surgir como inverdade. Mesmo naquela época, na ânsia de ser o primeiro a dar as informações, corriam-se muitos riscos, se não se checassem as fontes. Era preciso checar a fonte. Para evitar as chamadas “barrigadas”. Uma coisa que me chamou muito a atenção e foi gratificante na minha carreira, foi a cobertura do sequestro dos filhos dos Brandalise. Eu cobria para o A Notícia, todos os dias. Fui na casa de um dos policiais que o dinheiro foi resgatado. Eram malas de dinheiro! Em uma cobertura dessa, a coisa caminhando para o final, o delegado que comandava a operação era de Florianópolis, o delegado Elói. Eu estava na delegacia, no final de tarde, fazendo o levantamento, porque tinham prendido um dos sequestradores em uma boate em Balneário, mas não tinham prendido os outros. A informação que o delegado passava era que tinham prendido esse suspeito. Fui chamado por comissários que me falaram: “o delegado não sabe, mas nós prendemos os outros dois”. O delegado foi saber no outro dia, pelo jornal A Notícia, que os outros dois tinham sido presos. Por quê? Eles não gostavam da atuação do delegado. Eles achavam que o delegado trazia tudo pra si. “Eu que fiz, eu que sou.” Eles faziam o trabalho, iam a campo e não recebiam o reconhecimento. Sentidos com isso, deram o troco da maneira deles.

Uma rádio universitária, uma rádio educativa, como é o caso da Univali, ela é uma ilha. Ela tem que ser um diferencial”

DIARINHO – Como foi o desafio de dirigir a TV Vale, hoje RIC Record, e de montar o curso de jornalismo da Univali?
Betinho: A TV, a minha direção se restringiu à parte jornalística. Eu entrei como editor, eu trabalhava no A Notícia, trabalhei paralelamente por um período no jornal e na TV. Foi o desafio de começar a dar uma incorporada no jornalismo da emissora. Precisava ser um jornalismo atuante, factual, ágil… Em seguida fui convidado para ser o diretor de jornalismo. Fiquei por um bom tempo como diretor de jornalismo e foi gratificante. Era uma experiência boa. A gente era cobrado para estar junto com a RBS. A estrutura de cobertura da RBS era bem mais ampla, tinha mais equipes trabalhando na região. A gente, com o pouco que tinha, tinha que estar junto. O diretor de Jornalismo em Florianópolis não aceitava que a RBS desse qualquer coisa antes – aquela velha história. Aqui tem um episódio interessante. Um avião de um empresário japonês caiu aqui na região de Navegantes, mas ninguém sabia onde ele tinha caído. Tinham desaparecido os tripulantes e o avião. Começou aquela fase de buscar pistas de onde poderia estar o avião. Daí saiu a informação de que viram parte da fuselagem na área da Penha. Eu chamei a minha equipe e naquela época acho que foi a Vânia [Campos] que foi. Ela me ligou de lá: “aqui saiu um helicóptero, o pessoal da RBS pode ir e a gente não pode. O pessoal da RBS foi de helicóptero”. Eu disse: “olha aqui, Vânia, faz o seguinte: conversa com alguém que tenha lancha e vamos pelo mar. Eles vão pelo ar e nós vamos pelo mar”. A Vânia e o cinegrafista, eu não lembro qual deles, eles localizaram um pedaço da asa no mar. O helicóptero não localizou nada… Final da tarde, lá pelas 19h, na hora de fechar o jornal, a RBS de Blumenau liga pedindo, senão era um baque naquela época, que cedêssemos a imagem desse pedaço de asa. Para ver como era. Como se fosse uma guerra, tu vais pelo ar e eu vou pelo mar. A gente deu sorte. Só para fazer um comparativo do que era essa coisa da informação, da disputa da RBS à época, que era forte, e a gente tinha que estar mais ou menos no pé de igualdade na cobertura. Era emocionante. [Além da Vânia Campos, qual repórter passou pela época que você foi diretor de jornalismo?] O Sandro [Sandro Silva], a Marta [Vizotto], a Deise Somariva, a Roberta Dietrich, o Pedro Paulo, que estava na RBS em Florianópolis. Muitos acabaram tendo ali o primeiro emprego na televisão. O primeiro trabalho como repórter de TV. Acho que é o caso da Vânia, do Sandro, da Marta, da Roberta, da Deise – muitos foram pra RBS. Ali nós éramos a escola, nos dávamos o start. Era igual formar a base no esporte, nós formamos a base e depois eles seguiam. [E o curso de jornalismo?] O curso de jornalismo também foi um desafio interessante. Coube-me montar todos os laboratórios do curso. Deixar os laboratórios dentro de uma concepção que agradasse aos alunos, porque no começo os alunos não estavam satisfeitos com a montagem das coisas. A universidade demorava muito. Claro, tudo é caro, o curso de Jornalismo não é quatro paredes, exigia muito. A fotografia era analógica, mas exigia um bom laboratório. O rádio era analógico, a TV era analógica. Na TV, por exemplo, nós de cara montamos um circuito interno de TV com um noticiário interno. Nos intervalos das aulas colocamos um dos circuitos do campus e colocávamos a nossa programação para as pessoas verem nos pontos estratégicos, na cantina, sala dos professores. Na época tínhamos financiamento da Petrobras. A Petrobras era forte aqui e dava esse subsídio para que os alunos pudessem exercitar. A gente começou com esse jornal interno, até que chegássemos na TV. Paralelamente ao curso, na minha gestão de coordenação de Jornalismo, montamos os cursos de Relações Públicas e Publicidade e Propaganda também. Paralelamente fomos montando a rádio.

DIARINHO – O senhor trabalhou mais de 20 anos na Univali. O perfil dos estudantes, principalmente de jornalismo, mudou nesse período?
Betinho: De um tempo para cá, eu não acompanhei mais o dia o dia do curso. Mas pelo que a gente observava e conseguia ver, porque os alunos também iam na rádio e TV para fazer estágio, exercícios, o perfil mudou muito. Parece que agora é tudo sem profundidade. Não tem profundidade. Isso que percebo. Não tem aquela profundidade necessária, aquela gana jornalística que há em um jornal como esse [mostra o DIARINHO], e que há nos outros jornais. Essa gana que permanece e tem que continuar. A concepção do jornalista, da figura mesmo saudosa do jornalismo, com embasamento, com conhecimento, com leitura, e eu vejo que hoje o conhecimento vem muito eletrônico, muito superficial. Ele vem de todos os lados, mas não vejo profundidade. Claro que há as exceções e há alunos que se mantêm buscando conhecimento, lendo e etc. Mas no geral me parece que não há aquela vontade de ter uma formação pessoal, inclusive, boa. Uma formação qualquer, eu sou mais um, depois lá na frente eu toco o barco.

O negócio da comunicação é audiência. Precisa ter audiência, mas tu não podes fazer o que todos fazem”

DIARINHO – Outro projeto seu foi a implantação da rádio Univali. Ela iniciou com uma pegada de música de qualidade, sem se preocupar com o que tocava nas rádios comerciais. Como o senhor analisa a trajetória da rádio desde então?
Betinho: Uma rádio universitária, uma rádio educativa, como é o caso da Univali, ela é uma “ilha”. Ela tem que ser um diferencial. Ela não veio para ser uma rádio como outra qualquer. Embora, em algumas situações, seja esse o pensamento na academia. O negócio da comunicação é audiência. Precisa ter audiência, mas tu não podes fazer o que todos fazem. Não deves! Porque tu és mais um para acrescentar nada?! O que os veículos de comunicação de massa, na sua grande totalidade, acrescentam? Nada! O supérfluo. A vantagem de uma rádio como essa é que ela pode dar à população algo que ela não vê em outro lugar. Se for para fazer a mesma coisa, abre uma rádio comercial e vai à luta atrás de apoio comercial e sustentação econômica. Mas é fundamental essa independência. Para ter essa independência a própria universidade tem um ônus, porque é dela. Mas ela também pode divulgar muito mais do que ela divulga as suas ações da pesquisa, de ensino e extensão na rádio. Isso, no geral, não é feito, porque tem custos. Todos os professores de todas as áreas deveriam ter inserções permanentes na rádio e na TV da universidade. Muitos dos quais vão lá fazer voluntariamente. Mas o voluntariamente chega uma hora que cansa, ele tem que preparar aula, é o trabalho dele, ele depende disso pra sobreviver.

DIARINHO – Hoje o senhor está aposentado e tem se dedicado com paixão à fotografia. Vai até fazer uma exposição. É hobby ou um novo trabalho?
Betinho: Por enquanto é hobby. Eu quero que seja assim. É hobby e trabalho. Eu estou fazendo isso porque gosto. Realmente é o que eu quero, gosto, acho um barato. Fotografei para o jornal A Notícia há muito tempo e sempre tive envolvimento com a foto. Ainda quando estudante em Brasília, eu fiz um ensaio fotográfico no Barra do Graça e Aragraça e fiz um ensaio fotográfico sobre a simetria de Brasília, arquitetura, as coisas que são diferentes. Também fotografei muitos shows […]. O que eu faço é sair com o meu celular no bolso e fotografar. Fotografar com o celular. Um hobby! O fato de fazer uma exposição, é uma ideia, é um projeto, não tem nada definido […].

DIARINHO – Qual a diferença da Itajaí da sua juventude para a Itajaí de agora?
Betinho: Muito diferente. Eu morei um tempo no bairro da fábrica de Cimento no fim da infância e início da adolescência. Pra chegar lá, parecia que eu ia para outra cidade. Tinha um ônibus que saía de manhã, voltava ao meio-dia, saía no começo da tarde e voltava final da tarde. E tinha outro que saía depois do cinema. Quando terminava o cinema tinha que sair correndo pro meio da praça com medo que o ônibus fosse embora e teria que dormir na rua. Na Murta não tinha nada. Agora tu vais na Murta está lotado de casas. No centro, o prédio maior, se não me engano, foi na esquina do Guarani, o Bamerindus. Depois, o do Rio do Ouro. O do Rio do Ouro foi a fábrica de cimento que construiu. Como a gente morava na fábrica de cimento, a gente vinha de lá com uma Kombi. Uma Kombi nos trazia e nos levava pra casa. Quando saía do Salesiano, que atrasava a Kombi ou alguma coisa, a gente ia brincar na obra. Subia o elevador “panorâmico” [risos] de obra, de madeira e tal, e brincava lá. Descia a escada correndo, pra fazer hora. Era um dos maiores prédios da cidade. O colégio Salesiano era um andar térreo. Atrás do Correio era uma feira. Mudanças fenomenais, a Beira Rio não existia… Eu ficava muito na rua João Bauer, no centro, praticamente em frente ao hospital, onde tem aquela pracinha da avenida Marcos Konder, tinha um matagal e a gente naquela infantilidade de aventura: “olha apareceu um macaco lá no meio do mato”. Ali no centro da cidade. Tinha uma areia que a gente jogava bola. E jogar corrida com o trem, de vez quando a gente fazia isso. Vamos jogar corrida com o trem, sai da João Bauer, ia até a esquina do Liberty, atrás do fórum antigo. Quando o trem apitava, que ele saía da Fazenda, onde é o supermercado Bistek, vamos correr pra ver se chegava no final da Uruguai antes do trem. Quando chegava no caminho, era um tal de um se jogar por um lado, se jogar para o outro, porque tinha um trilhozinho do lado, onde o trem passava [risos]. Olha só a mudança nisso.

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