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Brasil continua refém das commodities – e da China

Muitos estudos no Brasil apontam – e criticam – o processo de “desindustrialização” que ocorreu no país ao longo das décadas de 1980 e 1990. Nesse período, o setor industrial perdeu importância como fonte de empregos e de valor adicionado à economia nacional.

 Enquanto a indústria se tornou cada vez menos relevante para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, as commodities continuaram crescendo em importância, tornando o Brasil ainda mais refém da exportação de matérias-primas. Há anos, economistas e jornalistas vêm criticando o fato da economia brasileira ser tão dependente da negociação de commodities.

 Fonte: Pexels.com

 O jornalista norte-americano Matthew Winkler, co-fundador e ex-editor-chefe da Bloomberg News, chegou a dizer em 2018 que o Ibovespa e o real respondem mais às oscilações dos preços das commodities do que às mudanças da política interna brasileira. Para ele, essa tendência permanecerá. 

Festa das commodities

Pesquisadores brasileiros têm mostrado que o processo de desindustrialização do país ocorreu mais fortemente nos anos 80 e 90, mas que a perda de importância da indústria no país manteve-se nos últimos 15 anos – o que pode ter fortes consequências negativas sobre o potencial de crescimento de longo prazo do Brasil. Em parte, essa desindustrialização se deu devido à valorização dos preços das commodities no mercado internacional.

 O crescimento gigantesco, de 113%, dos preços das commodities entre 2002 e 2010 deixou o Brasil em uma posição confortável ao longo dessa década. Porém, tal posição ficou comprometida com a queda de 21% desses preços entre 2010 e 2015. Embora tenham apresentado nova ascensão em 2018, eles voltaram a cair no início de 2019.

 O Brasil não é o único país nessa situação, claro. Em 2017, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) identificou 135 países dependentes de bens primários – classificados assim quando mais de 60% do valor de suas exportações advêm de commodities.

 Nove países entraram para a lista entre 2010 e 2015 e se juntaram às outras nações já anteriormente apontadas. A UNCTAD identificou também um aumento da dependência de commodities na América Latina e no Caribe no período analisado. O Brasil está entre os países dependentes especialmente de produtos agrícolas.

 Um pequeno grupo de apenas sete commodities é hoje responsável por 50% das exportações brasileiras, somando um faturamento de mais de 120 bilhões de dólares para o país. São elas:

  • soja;
  • óleos brutos de petróleo;
  • minério de ferro;
  • carnes;
  • celulose;
  • açúcar;
  • café.

Fonte: Pexels.com

Desaceleração da China

A desaceleração da economia chinesa torna a dependência de commodities um problema ainda maior para o Brasil. Em 2015, a crise na China fez o preço das matérias-primas despencar e atingir o menor nível do século. Por outro lado, a recente guerra comercial entre os Estados Unidos e o país asiático vem favorecendo as exportações brasileiras.

 Em 2018, a China foi responsável por 26,8% das exportações brasileiras, um crescimento significativo em relação a 2017, quando a porcentagem foi de 22,5%. O país asiático comprou principalmente produtos básicos, como grãos, carnes e minério. Por outro lado, cresce assim a dependência do Brasil em relação à economia chinesa.

 

Para alguns críticos, o Brasil precisa investir na indústria e também se diversificar. Não apenas em relação ao que produz, mas também no que diz respeito aos seus parceiros internacionais.

Elaine Mafra
Jornalista formada pela Univali em 2006. elaine@diarinho.com.br
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