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Volta da Festa das Nações foi animada em Balneário Camboriú

Com representantes de oito países, festa das Nações teve culinária, apresentações culturais e muita gente curtindo

Diferentes sotaques, ritmos variados, sabores diversos. A esquina da rua Marrocos com a avenida Martin Luther, em Balneário Camboriú, reuniu representantes de oitos países para a festa das Nações. O fim de semana internacionalizado agradou o público, que compareceu em peso e se lembrou da tradicional Julifest, extinta há pelo menos duas décadas. O evento também permitia a troca de informações culturais. Nesta retomada do festerê, os participantes avaliam que a estrutura precisa ser melhorada e incentivam novas edições.
Argentina, Alemanha, Haiti, Itália, Marrocos, Portugal, Uruguai e Brasil. Num terreno simples, com chão de areia, foram montadas as barracas para cada uma das nações. O sábado à noite foi o auge do evento. O público se aglomerou pra acompanhar apresentações de tango, hip-hop crioulo e as tradicionais musiquinhas alemãs. Chope e vinho foram os principais acompanhamentos para diferentes pratos.
Para manter as tradições, nenhum detalhe é por acaso. Na barraca alemã, a decoração em preto, amarelo e vermelho indica as cores da bandeira. No entanto, o espaço adornado em tons de azul e branco aponta para o sul da Alemanha, a região da Bavária. O chope estava entre os itens mais procurados. Só que, enquanto os germânicos apreciam a bebida em temperatura ambiente, no evento ela foi servida estupidamente gelada. “Brasileiro não sabe apreciar chope como alemão. Mas isso faz parte. É a mistura das tradições,” pondera Reiner Wolff, 57 anos, com sotaque arrastado, há 25 morando em terras brazucas.
Quando se fala em pratos típicos, o kebab estava entre os mais pedidos. De acordo com o chef John Wagner, 32, o prato é tradicional da Turquia. No entanto, há anos um bairro de Berlim foi tomado pelos turcos. Estima-se que eles somem mais de 30 mil. Assim, hoje a capital reúne os melhores espetos de carne de kebab. Outra delícia é a sopa Floresta Negra, preparada com batatas, bacon e croutons, uma espécie de torradinhas temperadas. É claro que o popular salsichão não poderia faltar. Feito com salsicha de porco e temperado com molho de tomate e curry, o lanche faz parte do fast-food alemão.
Diferentemente dos alemães, haitianos e argentinos, os italianos não têm nenhuma associação formada na Maravilha do Atlântico. De acordo com o chefe Lanfranco Argnani, 52, eles acabam sendo atraídos pelo cheiro. “Onde tiver cheiro de comida boa, pode ter certeza que ali tem algum italiano”, brinca. Na barraca dele, o aroma de manjericão e outros temperos também seduziu o público. Macarrão com diferentes molhos e nhoque arrancaram elogios do povão. “Tá tudo muito saboroso, feito com amor”, elogia Ingeborg Reinlein, 74.
Na barraca marroquina, nada de pratos típicos. O pintor de arte positiva, aquela que busca despertar o lado bom das pessoas, Abdelaziz Bahsain, 46, afirma que a cultura é muito mais do que comida. Na tenda o povão podia levar pra casa um quadro com o nome escrito em árabe: da direita pra esquerda e com caneta de bambu. “As palavras têm poder no cosmos. Por isso, valorizamos a escrita”, conta.
Apreciando o festerê, a aposentada argentina Madalena Pereira Barros, 71, conta que faltou interação com o público. Já o italiano Franco Saladino, 43, considera a festa um sucesso, mas acha que ainda é preciso melhorar a infraestrutura.

Retorno da Julifest
Os moradores mais antigos se lembram com saudades da extinta Julifest. O evento acontecia na Santur, durante os anos 80 e 90. Conhecida também como festa das Nações, reunia representantes de várias partes do globo para celebrar as diferentes culturas e as influências de cada uma delas no cotidiano. O evento era animado por bandinhas folclóricas e também por músicos famosos. Até Chitãozinho e Xororó já marcaram presença no festerê.
Pra esteticista Rita Sahd, 40, que teve a adolescência marcada pela Julifest, a atual festa das Nações é uma forma de recriar a história de Balneário Camboriú. Ainda faltam alguns ajustes, mas ela acredita que a iniciativa deve ser mantida. “Foi pouco divulgado. Antes, a Julifest reunia muitas pessoas, era um grande evento. Mas pra uma primeira edição, após tanto tempo, tá muito bom. Toda cultura precisa ser valorizada”, opina.
De origem alemã e casada com um polonês, Arelde Urbainski, 65, foi na festa só pra ver os Fritz e as Fridas. Enquanto ouvia as músicas populares, apreciava a sopa alemã, vendida por R$ 10. “Todo mundo tem na sua origem um pouco de todas essas culturas. É importante a gente conhecer e valorizar as tradições. Acho que esse é um bom retorno da Julifest”, avalia.

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