Home Notícias Quentinhas Veja o perfil dos prefeitos que entram e dos que saem no litoral

Veja o perfil dos prefeitos que entram e dos que saem no litoral

VOLNEI MORASTONI
“Eu vou preparar um plano municipal anticorrupção para levar à Câmara”

Mais do que uma mudança de governo, Itajaí tem uma mudança no jeitão de administrar a cidade. Sai o tom conciliador e passivo de Jandir Bellini (PP) para assumir um Volnei Morastoni (PMDB) enérgico, mas em nova fase. Ele explica não ter mudado somente de partido, mas se garante mais contido e maduro para tocar o barco.
Em seu consultório particular, no centro da cidade, Volnei vai além da atuação pediátrica e homeopática. Ali se formou uma espécie de “QG” do novo governo após as eleições, onde tomou decisões, definiu a agenda, marcou reuniões e recebeu a imprensa, inclusive a a reportagem do DIARINHO, que esteve ali em dezembro.
Aos 66 anos, o prefeito que venceu a adversária Anna Carolina (PSDB) na estica, concorda que houve equívocos na sua primeira gestão. “No primeiro mandato, iniciei com toda a equipe definida. Agora não será assim, nomearei aos poucos, pois nossa folha chega hoje a 70% da arrecadação, e só não temos problemas no Tribunal de Contas por causa dos recursos do Semasa”, adianta.
Volnei também promete ter olho aberto ao que acontece em todo o governo. “Temos que orar e vigiar,” diz, sobre a tentação da corrupção. “E vou preparar um plano municipal anticorrupção para levar à Câmara”, observa. Segundo Volnei, o objetivo é monitorar qualquer sinal de ilícitos. O prefeito planeja ainda um código de ética do servidor e pretende implantar a “Coordenadoria da Integridade” para monitorar a prefeitura.
Tido como antipático e autoritário em vários momentos, Volnei nega que esse seja seu perfil, e atesta que quem o acompanha, sabe que ele hoje não é mais o barbudão bravo dos tempos do PT. “Mas sempre fui de opinião. Não compro enlatado não”, se define. Recentemente, concluiu uma pós em Medicina Integrativa com o famoso doutor Lair Ribeiro.
Em comum, tanto Volnei como Jandir enfrentaram denúncias de corrupção em suas gestões. As operações Iceberg e Influenza, na gestão de Volnei, e as edições da Parada Obrigatória e Dupla Face, na era Bellini. “As denúncias da Influenza foram uma farsa, montada contra mim por gente dentro da prefeitura, em conluio com um juiz denunciado no Conselho Nacional de Justiça, hoje afastado”, assegura Morastoni.

“Volnei é pelo povo”
A personalidade do novo prefeito peixeiro é atestada pela professora e assessora Raquel Gastaldi, que o conhece bem e cuja parceria já rola há mais de 14 anos. Ela nega que ele seja turrão. “Construíram essa ideia por conta de momentos específicos do Volnei, mas ele é um ser humano de coração muito grande. No entanto é tímido, e fica chateado quando não consegue atender a todos”, continua
Raquel assegura não conhecer outro político hoje em Itajaí tão focado para tocar a prefeitura. “Ele é sério, mas não quer dizer que seja bravo. E trabalha em tempo integral pela cidade”, elogia a assessora.
Nas ruas, a opinião sobre o novo chefão é dividida. A dona-de-casa Zenaide Regina, moradora do Espinheiros, não achou grande coisa a sua primeira gestão. “Tomara que ele melhore a saúde, que faça mais; tem que ser melhor do que foi, sendo ele um médico”, destacou.
Já o picolezeiro Elcio Cesar Correa, do Promorar, aprovou o governo do Volnei. “Que ele continue como foi, sempre pensando nos pobres,” diz.
Volnei está preocupado com a folha de pagamento do município, hoje nos R$ 42 milhões mensais. “Não podemos subir mais”, diz. “É pé no freio e equilíbrio fiscal, pois sobra pouco para o investimento, e quero voltar a abrir os postos de saúde até às 22 horas”, diz o barbudinho, que antecipa que vai rolar auditoria na folha, recadastramento presencial de servidores, revisão de perícias e adaptações, além de bolar um novo plano de carreira.

JANDIR BELLINI
“Eu estava desgastado; só minha família e o Marcelo Sales sabiam da minha intenção de renunciar”

Oito anos depois de um mandato que ostentou dois extremos – alçar Itajaí à maior economia do Estado e servir de palco para o maior escândalo político da história peixeira – Jandir Bellini (PP) mantém a serenidade diante dos revezes sofridos, coleciona alguns críticos e muitos admiradores naturais após administrar a cidade por quatro vezes e faz uma revelação ao DIARINHO: a turbulência política que se instalou na prefeitura e que parecia prenunciar os problemas levantados pelas Operações Parada Obrigatória e Dupla Face, o levou a escrever uma desconhecida carta de renúncia horas antes de as prisões de secretários começarem a acontecer.
No gabinete, ainda em dezembro, o prefeito recebeu o DIARINHO para uma conversa marcada pela sua tradicional cordialidade. Tranquilo, revelou que os desacertos do segundo mandato, marcado pela disputa interna de poder dentro da prefeitura, crise financeira, pelos choques entre partidos e dificuldades burocráticas que engessaram o Executivo o levaram não só a cogitar a renúncia, mas a redigir uma carta de despedida.
“Eu estava desgastado; só minha família e o Marcelo Sales sabiam da minha intenção de renunciar”, frisa, citando o amigo e novo superintendente do porto de Itajaí na gestão de Volnei Morastoni (PMDB). “A máquina não andava, e era um final de semana da Festa de São Cristóvão. Eu fui na procissão com a Dalva [Rehnius, vice-prefeita pelo PSB], e lá nos encontramos com o Zé da Codetran”, revela, citando o ex-vereador José Alvercino Ferreira (ex-PP), preso e uma das figuras centrais dos escândalos.
Jandir diz que pediu a Deus em oração uma inspiração ou sinal se deveria renunciar nas próximas horas. “E na terça-feira estourou a Parada Obrigatória; o Zé foi preso. Imaginem se eu renunciasse naquele final de semana: seria considerado uma confissão de culpa, eu seria apontado como o chefe dessa situação toda”, aponta, referindo-se ao dia 14 de julho de 2015.
Bellini disse que o choque das sucessivas denúncias o fez não só desistir da renúncia, mas buscar forças para provar, segundo ele, sua não-ligação com a corrupção, e garantir a administração da prefeitura até o dia 31 de dezembro de 2015. “O maior prejuízo foi a imagem do prefeito. Foi um inferno,” admite.
O prefeito diz que esse foi o mais difícil de seus quatro mandatos. “Mesmo assim, agradeço ao povo. Consegui pegar uma prefeitura com orçamento de R$ 42 milhões, e entrego com quase R$ 1 bilhão”, enumera.
Macrodrenagem, recuperação da cidade após a enchente de 2008, investimentos em megaeventos esportivos e turísticos como a Regatona são apontados pelo prefeito como marcas da gestão. “Aumentou nossa qualidade de vida; o aumento do número de hotéis; somos a 11ª cidade brasileira para visitação turística”, lista.
A sucessão de escândalos, reconhece, dificultou o reconhecimento desses avanços. Jandir credita a eleição passada como “a mais difícil” que ele enfrentou, e mesmo assim, na sua visão, deu visibilidade ao nome de João Paulo, seu candidato a prefeito. Ele afirma que abriu as portas necessárias para Volnei, mas evita fazer sugestões, quando questionado o que Morastoni deveria fazer para evitar novos estouros de corrupção.

“Ele é simples e honesto”
O encerramento da “era Jandir” gera saudade entre os amigos próximos, que atestam o perfil moderado do ex-prefeito. O contabilista João Abrahão Francisco Neto, amigo pessoal, ressalta a amizade e a personalidade de JB. “O que ele fez pelo município foi o melhor. É simples e honesto. Ajuda as pessoas sem pedir nada em troca. E aí acaba acreditando demais nas pessoas. Tem quem se aproveita,” analisa.
O trabalho e o perfil de Jandir são avaliados diferentemente pelo morador Vilmar Rosa, da Vila. “A minha avaliação do Jandir é satisfatória. A cidade melhorou com ele, mas poderia ter sido mais atuante com o porto,” explica.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com