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Uma homenagem merecida e necessária

Por Émerson Ghislandi

Bateu uma inevitável saudade do velho e saudoso guerreiro Jucílio Fernandes. Era professor do Colégio Salesiano e técnico da equipe de atletismo de Itajaí, da qual participei como velocista nos 100 metros rasos, 200 metros e 4 x 100 revezamento. Meados da década de 70.
Competimos vários anos nos Jogos Abertos de Santa Catarina, os JASC, com o rigoroso Jucílio como técnico. No dia 15 de dezembro de 2015, se permanecesse entre nós, ele estaria completando 95 anos de idade.
Era de linha dura, estilo militar, mas com certeza foi um técnico que deixou ensinamentos para toda a vida. Era severo, mas de uma severidade que no fundo deixava antever uma pessoa que só usava o rigor e a cara feia para mostrar o caminho correto a se seguir.
Nunca me esqueço dos JASC em Criciúma. Resolvemos, alguns de nós, atletas, contrariar as regras e dar uma fugida da concentração para ir a um baile num clube no centro da cidade. Como não tínhamos dinheiro para entrar, um dos nossos resolveu subir na marquise do clube na tentativa de entrar pela janela. Quando ele se pendurou, a marquise caiu, literalmente desmoronou!
– Homem-Aranha! Berrou alguém na pequena multidão que começava a se formar em torno dos escombros. Nossa! Foi um bafafá danado e, antes que tudo se complicasse saímos todos de fininho, como se nada tivéssemos a ver com a história.
Decidimos voltar rapidinho para a concentração. Ficávamos todos juntos num alojamento cedido por uma escola. Entramos sorrateiramente e nos deitamos em nossos colchonetes. Mas o alojamento estava todo às escuras. E não é que o Pedrão, um baita negrão de dois metros de altura, tropeçou logo na cama onde o seo Jucílio dormia!
Pra quê! O velho Jucílio levantou-se irado e foi logo dando bordoadas no Pedrão, que chorava ao mesmo tempo em que pedia perdão. Por favor, seo Jucílio, desculpa seo Jucílio, não vai acontecer mais, eu prometo! Quem diria, o Pedrão, com aquele físico avantajado, chorando e apanhando que nem criança. E nós, os quatro ou cinco fujões, quietinhos como se não tivéssemos qualquer culpa no cartório.
Mas quem disse que enganamos o experiente técnico. No dia seguinte, na fila do rango, seo Jucílio foi tirando um a um dos fujões, eu inclusive, claro, da longa fila do almoço. Almoçamos sim, mas só depois de dar 15 voltas na pista de atletismo do colégio.
Que fiasco!!! E no rosto de cada um dos que presenciavam a cena, brotava um irônico e mal disfarçado sorriso de satisfação!

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