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Tonho da Cruz consegue provar que tá vivo

Profeta peixeiro conseguiu decisão na Justiça pra anular certidão de óbito que tava em seu nome

Foi uma luta de sete anos, mas enfim o itajaiense Antonio Agostinho dos Santos, o profeta Tonho da Cruz, 66 anos, conseguiu provar na Justiça que está mais vivo do que nunca. Tonho sofreu um assalto no Rio de Janeiro, em 2009, e alguém usou seus documentos falsamente para conseguir uma aposentadoria. Os documentos foram encontrados com um mendigo que morreu em 2010. Pronto. Oficialmente, Tonho tava morto pro governo e só agora conseguiu “ressuscitar”.
Meses depois da morte do tal mendigo, Tonho da Cruz foi ao INSS requerer um auxílio-doença. Foi aí que descobriu que estava “morto”. Ele já havia desconfiado da confusão quando passou por uma cirurgia na coluna e buscou uma ajuda do governo para bancar o tratamento.
Nos registros da Previdência Social, o nome de Tonho já aparecia como aposentado. Tempo depois, em julho de 2010, ele foi fazer perícia para tentar se encostar e daí, para sua surpresa, já estava morto pelo INSS.
Para desfazer o mal-entendido, o profeta resolveu apelar pra ‘justiça dos homens’, explicando todo o caso do assalto e o rolo com os documentos. Mas o processo demorou pra ser julgado e, durante os últimos anos, Tonho ainda continuava como morto-vivo.
A situação trouxe uma série de dificuldades para o itajaiense, principalmente no tratamento de saúde. Tonho passou por duas cirurgias no coração e quatro operações na coluna. A maior parte dos procedimentos teve que pagar, porque não conseguiu nada de graça pelo governo. “Tive que tirar do meu bolso. Calculo um prejuízo de R$ 7 mil, R$ 8 mil, fora os remédios”, reclama.
Tonho da Cruz também já poderia estar aposentado. Devido às complicações de saúde, teria chance de ser encostado por invalidez. Mas, por enquanto, ainda terá de esperar que a Previdência Social altere os dados no cadastro para que o pedido de aposentadoria seja aceito. “Continuo morto ainda, apesar de ressuscitado pela carta do juiz”, brinca.
Ainda assim, o reconhecimento judicial é visto por ele como uma grande vitória. “Agradeço muitíssimo ao juiz”, disse. A esperança de Tonho da Cruz, agora, é que possa ao menos fazer os tratamentos de saúde sem ter que provar que não está mais morto e sem precisar gastar seu dinheirinho.

Certidão de óbito
A ação da Justiça serviu para cancelar o registro de óbito feito para Antonio Agostinho dos Santos em junho de 2010 pelo cartório de Petropólis, no Rio de Janeiro. A anulação foi confirmada em 17 de março pelo cartório carioca e torna sem efeito o atestado anterior, provando que Tonho da Cruz não é o morto que consta na certidão.
“Ressuscitado” pela Justiça, Tonho da Cruz segue a vida. Ele trabalha como assessor na secretaria de Obras de Itajaí.

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