Home Notícias Quentinhas Tirar casebres da beira do Itajaí-Mirim é uma das metas

Tirar casebres da beira do Itajaí-Mirim é uma das metas

Retirando os moradores dessas áreas de risco, as margens poderiam virar parque linear, o que diminuiria os efeitos das enchentes

Quando o pequeno Mateus, de apenas três anos, crescer, ele poderá estar vivendo numa Itajaí melhor que a do pai Erivelton Jacinto, 29, autônomo. Erivelton mora num barraco à beira do rio Itajaí-mirim, no Promorar 2, junto com o filho e a esposa, Daniele Fernandes Borba, 20. A vida desta família, assim como a de muitas outras, tem tudo pra ser influenciada pela conferência da Cidade, que rolou ontem na sede da Amfri.
Desde que Mateus nasceu, a vida foi nas casas precárias da região, erguidas irregularmente. As enchentes é que ditavam as mudanças. A última foi em 2012, quando a água tomou o barraco que tava mais perto do rio. A próxima mudança o pai Erivelton espera que seja pra melhor.
A prefeitura tem um projeto que pretende retirar as mais de 200 famílias ribeirinhas que vivem no trecho ao longo da rua Oto Hoier, no Cidade Nova, a partir do loteamento Promorar 1 até a estação do Semasa. Com isso, espera fazer a recuperação ambiental, fazer redes de esgoto e de drenagem e implantar uma parque com espaço para caminhadas e prática de esportes.
O orçamento é de quase R$ 40 milhões. A grana tava reservada, mas a coisa empacou com a crise econômica que gerou cortes no orçamento do governo federal.
A ideia esteve entre as principais propostas levantadas ontem na 6ª Conferência Municipal da Cidade, que discutiu prioridades para uma cidade mais justa e acessível. “Tudo tem o lado bom e o ruim. Claro que eu gostaria de ter minha casa, mas não dá para simplesmente tirar a gente daqui. Hoje eu penso mais no bem-estar do meu filho no futuro”, comenta Erivelton, otimista com o projeto. Mas, deixa claro, desde que o governo garanta um local mais adequado pra morar. A mudança das famílias seria pelo programa Minha Casa Minha Vida.
O projeto entraria na necessidade de se ampliar as áreas verdes de Itajaí, conforme o falatório de ontem. A proposta é levantar outros locais que passam pelo mesmo tipo de revitalização. A ideia é que os locais ocupados irregularmente às margens do rio sirvam de reserva para as cheias, diminuindo os reflexos das enchentes na vida das famílias que se obrigaram a morar por lá. “Eu fui salvo porque tinha um barco”, lembra o morador, relatando uma das cheias que enfrentou quanto era criança – coisa que ele não quer para o filho.

Nove delegados eleitos vão levar o debate pra todo o estado
Além de mais áreas verdes, as discussões da conferência apontaram que a educação para uma cidade sustentável e participativa deve ser incluída no currículo escolar. A ideia é que as crianças passem a aprender desde cedo a importância de se cuidar da cidade. O terceiro ponto envolve a revisão do Plano Diretor de modo que qualquer pessoa possa entender o documento. Hoje, a montoeira de termos técnicos e palavras complicadas assustam as pessoas, que não se interessam pelo assunto.
As três propostas foram definidas após um dia de debates e palestras. Os temas serão levados por nove delegados (cinco representantes do governo e quatro da comunidade) para discussão na conferência estadual, que acontece em março do ano que vem, em Floripa. Os delegados foram eleitos ontem e vão debater as ideias junto com representantes de outras cidades do Estado.
O advogado Giordano Zaguini Furtado está entre os delegados de Itajaí e defende que as pessoas participem mais das decisões que afetam suas próprias vidas. “É preciso ocupar mais os espaços públicos. A pessoa tem que entender que o futuro do bairro dela só pode ser decido pelo próprio bairro”, destaca. Exemplo da baixa participação do povão foi a própria conferência, que reuniu cerca de 80 pessoas – mais da metade de gente ligada ao próprio governo. Mesmo assim, o secretário de Urbanismo, Amarildo Madeira, que comandou o encontro, observou que as discussões foram boas e proveitosas.
Rossana Scolaro, arquiteta da secretaria de Urbanismo que trampou na organização do encontro, explicou que os três temas principais foram escolhidos a partir de debates em três grupos, cada um se preocupando com coisas diferentes para melhorar a vida na cidade. No final, os temas foram apresentados e escolhidos os delegados. “No geral, o encontro foi bem produtivo”, avaliou.

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