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Suplente investigado reassume e vereadores se mandam

Colegas se mandaram do plenário por não aceitar posse de suplente preso por corrupção; peemedebista lançou nota

Juvan Neto
geral@diarinho.com.br

Um protesto inédito juntou oposição e situação e marcou a câmara de vere­adores de Itajaí ontem à noite: pelo menos 10 par­lamentares abandonaram a sessão manifestando-se contra a posse do suplen­te de vereador Sadi Pires (PMDB), enrolado até a cabeça nas denúncias das operações Parada Obrigató­ria e Dupla Face, que apon­tam cabeludos esquemas de corrupção em Itajaí.
Sadi chegou de surpre­sa – ele tava desde o final de agosto fazendo suspen­se se iria ou não assumir a cadeirinha da câmara, desde que foi libertado do cadeião da Canhanduba, acusado de corrupção na secretaria de Habitação da prefeitura.
A prisão dele rolou em 24 de agosto, na operação Dupla Face, mas antes dela, as investigações da Parada Obrigatória também revela­ram a participação do pee­medebista nos esquemas do vereador José Alvercino Ferreira, o Zé da Codetran (PP), também preso.
Ontem à noite, Venício Amorim, Vanderlei Dal­molin (PP), Osvaldo Mafra (SD), Giovani Félix (PT), Rafael da Padaria (PRP), Dulce Pereira (PSD), Lau­delino Lamim (PMDB), Dedé da Murta (PSDB), Thiago Morastoni (PT), Acácio da Rocha (PSDB), Calinho Mecânico (PP), Maurílio Moraes (PSD) e até o Tonho da Grade (PP), que também enfrenta um parecer pela sua cassação, saíram do plenário, deixan­do a sessão sem quórum.
A presidente da sessão, Anna Carolina (PRB), ao ver os colegas indo embora do plenário, fez intervalo regimental de cinco minu­tinhos, e depois declarou a sessão encerrada. Só ela, a segunda secretária Neusa Giraldi (PMDB) e Sadi es­tavam em plenário.
O peemedebista chegou a levar correligionários em seu apoio, vestidos com ca­misetas “Amigos do Sadi”, e autorizou a troca da pla­ca do gabinete de Afonso Arruda (PMDB) para seu nome. Arruda também está preso pela mesma opera­ção.
A presidente protoco­lou uma denúncia contra o parlamentar junto à comis­são de ética, presidida por Fabrício Marinho (PPS). “Assumir é um direito le­gal do vereador Sadi, mas ele trouxe um grande cons­trangimento a todos os par­lamentares”, acusou Anna.
“Um vereador, envolvi­do em duas operações do ministério Público, acusa­do de corrupção, não po­deria assumir. Ele ocupa a vaga de um outro vereador, do mesmo partido, tam­bém preso. É muito difícil para a imagem dos políti­cos da cidade,” disse Ana, que ontem tava ocupan­do o lugar de Luiz Carlos Pisseti, que não presidiu a sessão. A presidente de­nunciou Sadi ao conselho de ética pois, segundo ela, o histórico o desabona.
A comissão terá 90 dias para elaborar um parecer, que pode pedir desde a suspensão temporária até a cassação do peemedebista.

“Tudo será esclarecido”
Em nota encaminhada à imprensa, Sadi alegou que há “muitas especulações,” mas que não foi indicia­do e não responde judicial­mente por qualquer ato. “Os fatos serão trazidos à tona e tudo será esclare­cido”. O parlamentar ain­da destacou que não dará mais detalhes “justamente para não prejudicar o an­damento da investigação”.
Ele ainda disse que as­sumiria o cargo “em res­peito à população de Itajaí e principalmente aos seus 1386 eleitores”. 

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