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Senhorinha faz 100 anos; bebê tá chegando ao mundo

Confira, também, a programação especial do Dia da Mulher na região

Fernanda Vieira e Sandro Silva

Dona Ana completa neste domingo 100 anos. Kauane estará no terceiro dia de vida. A simpática velhinha de Navegantes viu a roda da vida girar muitas e muitas vezes e contribuiu com quase 130 descendentes seus para formar a população de mais de 6,2 milhões de catarinenses. A fofa Kauane ainda vai construir sua história, mas já é responsável por ajudar a reforçar três estatísticas: a de que mulheres são maioria no Brasil (51%), em Santa Catarina (50,38%) e em Itapema (51%), onde passará a morar.
Neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, o DIARINHO foi buscar duas histórias distintas: uma de quem já lutou muito nesta vida e outra de que ainda batalhará por um futuro. Uma homenagem para as mulheres numa época em que traços de machismo e avanços no respeito aos direitos femininos ainda convivem lado a lado, como se o passado fosse, aos poucos, dando passagem para o futuro.

Kauane, filha dos novos tempos
Só em 2016 é que Carla Gabriela Gonçalves vai completar a maioridade civil. Mas aos 17 anos já é mãe, como tantas outras adolescentes. Na sexta-feira, ela e o marido, o técnico em eletrônica e pedreiro Josué Jacques Jaques, 21, começaram uma nova etapa em sua recente união. Era 7h55 da manhã quando nasceu Kauane, com 3,4 quilos e um tamanho que eles não sabiam precisar. “Mas é grande”, conta o pai, sem esconder o orgulho. Moreninha, cabeludinha e sem nenhuma ruga, Kauane é desses bebês que a gente se apaixona logo no primeiro olhar.
Até ontem, a menina ainda não tinha definido o sobrenome. Poderá ser Jaques ou Gonçalves. “Ainda não decidimos”, diz Carla, já deixando claro que quer uma igualdade entre sexos no casamento. Igualdade que fica explícita, inclusive, na divisão das responsabilidades cotidianas, como trocar fraldas, fazer mamadeiras e embalar a criança durante as longas madrugadas que ainda virão pela frente. “Nós dois vamos nos ajudar”, diz a mãe. “Um ajuda o outro”, reforça o pai.
Carla garante que fez todo o pré-natal da filhota. Mas somente em 10 dezembro do ano passado é que descobriu o sexo da criança. “Quando eu fiz pela primeira vez tava com 10 semanas e ainda não deu pra saber”, explica. Como não aguentava mais de curiosidade, aos sete meses de gravidez arranjou dinheiro e fez uma ultrassonagrafia. “Eu sempre quis ter uma menina e antes mesmo de ficar grávida queria colocar o nome de kauane”, conta.
Para Josué, saber que o bebê seria uma menina não era novidade. Num raro sexto sentido de pai, ele sempre teve a certeza de que seria uma mulher. “Até no berço eu mandei botar coisas rosas”, revela o trabalhador, que também torcia por uma garota. “Todo mundo dizia que seria um piá, mas desde o começo ele já botava coisas de meninas”, reforça Carla. Josué tem um menino de quatro anos de um outro relacionamento.
O casal é simples, mora no bairro Casa Branca, em Itapema, e Josué precisa se virar em duas atividades para garantir o sustento da família. Carla não trabalha e, por um bom tempo, vai se dedicar à filhinha. Parte do enxoval o casal ganhou. Também estima que já tenha pelo menos umas 80 fraldas, um dos itens que mais pesa no orçamento de quem tem neném.
De tenra idade e mãe de primeira viagem, a mãe ainda não tem ideia de quais preocupações terá com o futuro da filha. “Não sei explicar”, admite. Mais maduro, Josué sabe. “Minha preocupação é com a educação”, afirma, com ênfase. O trabalhador também se preocupa com o risco das drogas e com as futuras amizades.
Mas, pra ele, há uma vantagem em se criar a filha atualmente se comparar com o tempo em que ele era criança. “Hoje a gente consegue dar uma vida melhor pros filhos. Antigamente era mais difícil pra sobreviver”, discursa, referindo-se às condições econômicas atuais dos trabalhadores.
Josué frequenta a igreja evangélica Deus é Amor. Carla não tem religião. Por isso, madrinha e padrinho é algo que nem passou pela cabeça deles. Até porque, na sexta e neste final de semana, o que eles queriam mesmo era curtir ao máximo a pequena Kauane.
Pelas contas do pessoal do hospital Ruth Cardoso, onde Carla fez a cesariana, nascem cerca de 200 crianças por mês na maternidade.

Um século de vida e 130 descendentes
No horário marcado ela esperava, sentada, numa das cadeiras de uma mesa para seis pessoas. Os braços apoiados e os olhos, castanhos, traziam um ar de cansaço. Usava um vestido branco com riscos pretos. O cabelo grisalho, cuidadosamente penteado, enfeitado com um arco e uma presilha lilás, destacados entre os fios brancos. “O meu nome completo é Ana da Silva Claudino. Eu morei a vida toda aqui, em Navegantes”, assim começou a contar sua história. No dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, dona Ana terá mais um motivo para comemorar: completará 100 anos. Numa conversa gostosa com o DIARINHO, a senhorinha cheia de simpatia revelou seus segredos de longevidade e deixou lições de como viver a vida.
Dona Ana nasceu em 1915, no bairro Machados, em Navegantes. É filha do casal Bernardina e Bernardino Manuel da Silva, família antiga da cidade. Quando jovem, dona Ana dividia os afazeres da casa com a mãe e os irmãos. Ganhavam alguns cruzeiros com o trabalho suado. Além da casa, dona Ana tinha o compromisso de atravessar o rio Itajaí-açu, em um bote, para colher folhas de uma planta chamada taboa, ou “piri”, como ela diz. Depois da colheita, as folhas viravam esteiras e eram vendidas. Um jeito da família reforçar a renda.
A memória falha e ela não lembra de datas com precisão. Mas se recorda que aos cerca dos 20 anos casou com João Claudino. Foi então que se mudou para o bairro Saco Grande, agora chamado São Domingos. Dona Ana e seu João são pais de Matilde Claudino, 80 anos, Onadir Mendes, 78, Maria Benta Claudino Rosa, 79, Darci Claudino Rodrigues, 72, Orita Claudino Freitas, 67 e do caçula, José João Claudino, 63. “Esse é o galo da casa”, brinca uma das irmãs.
Os filhos a presentearam com 31 netos, 67 bisnetos e 26 tataranetos. Em 1994, ano da Copa do Mundo, dona Ana perdeu o marido, vítima de um câncer. As lágrimas chegam aos olhos quando ela lembra da mãe, Bernardina. “Eu sinto saudades”.

Festa pra comemorar o centenário
Os 100 anos da dona Ana serão comemorados neste 8 de março com um baita festerê, organizado pelos filhos. Serão 127 convidados para homenagear o centenário de dona Ana recepcionados num salão de festas.
A idade não tira o ânimo da senhora. Quando soube da comemoração, dona Ana pediu às filhas para comprarem um vestido bonito. “Ela queria usar uma roupa nova”, conta uma das filhas. Com um sorriso no rosto e toda prosa, ela segura o vestido rosa em frente ao corpo para testá-lo. “Assim você vai arranjar um namorado, vó”, brinca a neta.
A vida dura, os trabalhos pesados na roça, cortando lenha ou colhendo capim-de-esteira, a morte dos pais, do marido e dos genros, a fraqueza visível nos ossos do corpo. Dona Ana não deixa se abater. Quando algum filho, neto, bisneto ou tataraneto está chateado, é a gargalhada da “centenária” que faz lembrar a todos que a vida é pra ser temperada com alegria e esperança.

“Eu sou nova ainda”, diz, numa teimosia saudável
E qual o segredo de dona Ana para viver até os 100 anos? É uma receita simples, nada complicada e de custo baixo: banana com farinha. Nada de remédios para emagrecer ou de cremes para rugas. Comer pirão de água ou de feijão é outra dica.
Hoje, dona Ana mora nos fundos de uma lojinha na rua Itajaí, com a filha Darci. Ela conta que, quando nova, gostava de ir à igreja para rezar e conversar com os colegas. “Eu gostava da cidade como era antes”, observa. Navegantes era mais tranquila, não tinha tantos caminhões e carros. Hoje, o vai-e-vem de veículos pesados incomodam a senhora que não gosta da barulheira do trânsito.
A saúde fragilizada insiste em lembrá-la a idade avançada. Mas ela bate o pé e afirma: “Eu sou nova ainda”. Uma teimosia saudável. Nem os ossos frágeis a impedem de ariar uma panela ou de qualquer afazer doméstico. “Eu fujo das minhas filhas e limpo a casa”, conta, como quem confessa uma arte de criança. Cada filha conta uma história diferente sobre dona Ana, mas todas riem ao comentar que a mãe gosta de ficar sozinha para limpar a casa ou a gaiola do papagaio, o Loro.
Mesmo com doenças cardíacas, diabetes e colesterol alto, a “centenária” [como brincam os netos] não se abate e, em geral, gosta de estar rodeada de gente. Apesar disso, faz questão de dizer, preserva os momentos em que quer ficar sozinha. “Mas à noite alguém tem que ficar comigo”, brinca.
Os irmãos se revezam para cuidar da senhorinha durante à noite. Na geladeira da casa de Darci tem até uma escala de turnos. É tudo organizado ou dona Ana mete bronca nos filhos. É simpática e boa praça, mas nem por isso deixa de ser durona.
Aos 100 anos, dona Ana ainda cruza as mãos para rezar antes de dormir. Nas orações, ela só pede uma coisa: saúde. Ganhou longevidade e uma família amorosa.

Dia Internacional da Mulher terá programação na região
No dia 8 de Março, na grande maioria dos países se comemora o Dia Internacional da Mulher. Pra fazer bonito e não deixar a data passar despercebida, Itajaí, Navegantes e Camboriú montaram uma programação especial no fim de semana.
Em Itajaí a festança será no sábado, com início às 8h. A praça da igreja Matriz terá inúmeros serviços voltados à beleza, educação, saúde da família e da mulher. Também vai rolar um palco cultural com aulas de dança, show com o grupo Cantando Por aí e apresentação do grupo de Dança Eduxi. As atividades terminam ao meio-dia.
Outra atividade prevista pra rolar na manhã de sábado é a caminhada pelas ruas centrais da city peixeira. A concentração acontece na praça Vital Ramos, de onde o povão vai partir em direção à Matriz. A atividade começa às 9h. No percurso, a organização vai distribuir broches para as mulheres que estiveram na rua.
A ideia é fazer uma manhã de confraternização. “É importante valorizar e também resgatar a luta da mulher na sociedade,”discursa Sônia Alves, da organização do evento.
Em Navegantes haverá ações nos postinhos de saúde do São Domingos 1 e São Pedro, no sábado. Na segunda-feira a festa continua no clube da Melhor Idade Nascer do Sol, no Gravatá, a partir das 9h. Vão rolar atrações culturais, além de cortes de cabelo, exames de saúde, entre outras atividades.
Camboriú vai celebrar o Dia Internacional da Mulher no sabadão. O evento ocorre na praça das Figueiras, com início às 14h. Tem orientações de saúde bucal e de como fazer o auto-exame do câncer de mama. Haverá também serviços de beleza, maquiagem, corte de cabelo, entre outras atividades.

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