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Sem pacientes e sem dinheiro, hospital fecha de vez

Cerca de 40 funcionários serão demitidos esta semana

Depois de reabrir e ficar quase dois anos atendendo pacientes particulares, o hospital Santa Inês, de Balneário Camboriú, fechou as portas de vez. Pelo que informa um representante do hospital, entre os motivos do fechamento estão o não apoio das prefeituras e do governo do estado, a falta de dinheiro para manter a unidade, que não possui convênio com o SUS, além da concorrência com outros hospitais particulares próximos, como o da Unimed e o do Coração.
No domingo, a reportagem do DIARINHO esteve na unidade e constatou que o hospital estava com as portas fechadas. Um cartaz informava que o motivo era “manutenção e reparos na rede elétrica”. O mesmo cartaz dizia, ainda, que a unidade abriria na segunda-feira. Ontem, no entanto, o hospital continuou desativado.
O hospital Santa Inês é administrado pelo instituto de Saúde e Educação Vida (Isev), do Rio Grande do Sul. A mesma entidade que toca o hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Navega.
Olimpierri Mallmann, advogado do Isev, disse ontem ao DIARINHO que a unidade não tem mais condições de manter o atendimento, pois sofre com problemas financeiros. “Quando o Isev assumiu o hospital, o mercado era outro, pois antes o Santa Inês tinha o apoio do estado. Houve uma tentativa de que o hospital pudesse trabalhar, mas não teve auxílio nenhum do município e do estado e como tem outros hospitais particulares ele não conseguiu se manter”, disse o advogado, listando os problemas que levaram à decisão do fechamento.
Além disso, segundo Olimpierri, a unidade também estava sendo pouco procurada por pacientes. A concorrência, instalada bem próximo onde fica o Santa Inês, teria contribuído para isso.
Pelas contas do pessoal do Isev, para o atendimento básico de um hospital do tamanho do Santa Inês seria preciso, no mínimo, de R$ 400 mil por mês. “A arrecadação do hospital não chegava nem próximo a isso”, comenta o advogado da instituição. Sem dinheiro, o jeito foi fazer um acordo com o proprietário do imóvel e entregar o hospital.
O Isev possuía um contrato de funcionamento por 10 anos. O advogado não quis informar o valor pago pelo aluguel do imóvel, mas garante que era um valor muito alto.
A direção da entidade chegou a negociar a diminuição deste valor com o dono. Como não teve acordo, o jeito foi realizar o um desacordo comercial, que seria o desmanche do contrato.
A conversa, realizada na sexta-feira, definiu que o Isev entrega ainda esta semana a estrutura do hospital com todos os equipamentos dentro. Boa parte dos equipamentos já era da própria unidade.
O hospital Santa Inês pertence à família Gaya e existe desde a década de 70. Ficou fechado de 2011 até comecinho do ano passado. De 2008 até 2011, quando atendia pelo SUS, chegou a sofrer uma intervenção da prefeitura.
Por conta de dívidas trabalhistas, em 2013 a Justiça mandou que o hospital fosse leiloado para saldar as dívidas. Mas o antigo dono pagou o cerca de R$ 1 milhão das dívidas e o leilão foi suspenso.

“Parto humanizado” se transferiu pra Camboriú
Por conta do fechamento do hospital Santa Inês- ISEV, desde este final de semana uma equipe médicos, enfermeiras e doulas que atua com o chamado parto humanizado migrou para a fundação Hospitalar de Camboriú. “Quando soubemos da situação crítica do Isev de Balneário Camboriú procuramos uma alternativa para continuar o projeto”, diz o obstetra e anestesista Antônio Clarindo.
O grupo, que se chama ‘Nascendo em Família’, chegou a fazer 23 partos no Santa Inês-Isev nos últimos nove meses. Para não encerrar o programa, os quatro médicos, duas enfermeiras, duas psicólogas e uma doula (que faz a acompanhamento da gestante durante a gravidez) fecharam uma parceria com a fundação Hospitalar de Camboriú. “Fomos muito bem recebidos lá e já está tudo preparado para os próximos partos”, afirma Antônio Clarindo.
Segundo o obstetra, há duas suítes para a recepção das gestantes. “São suítes espaçosas, com banheiros espaçosos que viabilizou que colocássemos uma piscina pequena, o suficiente para a cliente parir na água caso queira”, explica. O médico acredita que nos próximos dias deverão ocorrer pelo menos dois partos humanizados por lá.
A proposta do parto humanizado é deixar que a mulher – e não necessariamente os profissionais de saúde – decida a forma como quer ter o bebê. Além disso, propõe diminuir ao máximo as intervenções médicas durante o parto. “A assistência humanizada ao parto deseja devolver o protagonismo às mulheres e o respeito à família em momento tão importante que é ó nascimento de mais um membro da família”, discursa o médico Antônio Clarindo.
Por isso, para ele, a hora do nascimento precisa ser considerada como um evento familiar. “E não um procedimento médico frio e técnico”, emenda. Ainda segundo o obstetra, os partos naturais oferecem menos riscos às mães e aos bebês.
O grupo ‘Nascendo em Família’ ainda costuma promover encontros gratuitos entre famílias e profissionais da saúde, ministra cursos para casais, para gestantes e para profissionais, e faz o acompanhamento psicológico durante a gravidez. O site do grupo é o www.nascendoemfamilia.com.br.

Prefeitura queria parceria com SUS
Até ontem, ninguém da secretaria de Saúde da prefeitura de Balneário tinha sido comunicado sobre o fechamento do Santa Inês. Sabrina dos Santos Soares, gestora do Fundo Municipal de Saúde, ressalta que se realmente a unidade fechar as portas, a direção do instituto de Saúde e Educação Vida (Isev) deve dar baixa no cadastro na secretaria de Saúde.
Sabrina conta que a prefeitura encaminhou ao Ministério da Saúde, no início deste ano, uma solicitação para usar 10 leitos de psiquiatria e 10 leitos de UTI adulto do hospital Santa Inês para atendimento através do SUS. Porém, até hoje o município não recebeu resposta dos administradores da unidade.
O Santa Inês possui, no total, 102 leitos comuns, 10 leitos de UTI adulto e mais 10 leitos psiquiátricos. A UTI e os leitos psiquiátricos não estavam em funcionamento, afirma Sabrina.

Cerca de 40 serão demitidos
Cerca de 40 funcionários, entre enfermeiros, técnicos em enfermagem, profissionais de farmácia, nutricionistas e do setor administrativo serão demitidos esta semana. A comunicação será feita pelo setor de Recursos Humanos do hospital, que fará as rescisões dos contratados.
Alguns funcionários já tinham sido dispensados dos serviços no início do mês, mas não sabiam do fechamento da unidade.
Olimpierri Mallmann, advogado do Isev, garante que tudo será pago. Ele diz, ainda, que em alguns casos, se o funcionário quiser, poderá ser transferido para o hospital de Navegantes.
O hospital Santa Inês já não possuía médicos em seu quadro de funcionários. Havia uma equipe médica de uma empresa terceirizada contratada, porém, nos últimos meses, esta equipe já tinha sido dispensada.
Alguns grupos, formados por profissionais de saúde, alugavam espaços no Santa Inês. Era o caso de uma equipe que trampava com o chamado parto humanizado.

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