PSD/PMDB/PP

A SOPA DE LETRINHAS DO RAIMUNDO

Eles se amam desde pequenininhos, vão correr pelos campos, praias e serras de mãos dadas, cantando alegres, como se estivessem na abertura daquele filme clássico: A Noviça Rebelde.
Daqui a pouco algum deles estará na sua cidade, pedindo seu voto e se você for empresário, também sua graninha. Ontem estava mais ou menos acertado que a campanha de reeleição do João Raimundo terá, como principal base de apoio esse trio: PSD, PMDB e PP.
Pode ser que hoje algo mude. Mas tudo indica que a coisa está definida. Provavelmente o Joares Ponticelli (PP) não conseguirá concorrer ao senado porque, quando era oposição, magoou LHS e o Dr. Moreira. Mas, fora isso, trocam juras de amor tal e qual, PMDB, PSDB e PFL há alguns anos.
O que esse pessoal faz por uns minutinhos de TV e para neutralizar qualquer incômodo no parlamento, é sempre admirável. Fazem, literalmente, qualquer negócio. No bom sentido, espero.
O fato é que o modelo de democracia que está se consolidando no Brasil elimina a figura do “partido de oposição”. O sistema foi montado de tal forma que o partido que não está no governo ou não apoia o governo, tem enormes dificuldades para sobreviver. Perde filiados, perde aliados, perde sentido.
Por isso, o esforço do PP para entrar para o clubinho fechado da “situação”. Ninguém mais dá bola para programa partidário, para ideologia, para princípios. O negócio é o tomalá dacá: quantos cabos eleitorais consigo empregar? Para quantos apoiadores consigo abrir portas? Em que gabinetes consigo entrar e ser ouvido?
E o necessário e útil papel fiscalizador que a oposição deveria exercer? Acabou, a crítica está fora de moda. Apontar erros e malfeitos virou “baixaria”. Então quem pode avisar se o rei estiver nu? Ninguém. Ninguém mesmo.

AS LETRINHAS DE OUTRAS SOPINHAS
Outra característica importante que a política partidária desenvolveu nos últimos anos com especial cuidado, foi o nivelamento (por baixo?) de todos e todas. Dentre os partidos com número expressivo de filiados e votos, não existe mais nenhum que possa dizer que é diferente dos outros. Ou que faz alguma coisa nova, peculiar, especial.
Claro que os políticos se irritam quando a gente diz que são todos farinha do mesmo saco. Eles ainda insistem que vêm de sacos diferentes e que é possível, sem grande esforço, ver o que os distingue. Mas, cá entre nós, essa é uma tarefa praticamente impossível.
Em ano eleitoral os candidatos a candidato ajudam a ampliar essa confusão, ao esconder a sigla do partido a que pertencem no seu material de propaganda. A não ser quando obrigados pela lei, não dizem a que partido pertencem. E o eleitor, claro, vai se habituando com isso. Tipo tanto faz como tanto fez.
Quando um político muda de partido nunca é porque tem diferenças com o programa do partido ou porque encontrou um outro partido melhor posicionado ideologicamente. É sempre para encontrar “mais espaço”. Para se livrar de uma situação incômoda no controle do partido.
E quando não tem partido que queira ser chefiado por ele, o político também pode criar um partido todo seu. Parecem todos inspirados nos exemplos dados pelos cartolas de clubes de futebol e presidentes de federações esportivas.
Bom, dito isto, vamos dar uma olhadinha no quadro que está sendo pintado para as eleições deste ano em Santa Catarina. O PT vive a situação curiosa de ser adversário do governador que dará palanque para a sua candidata a presidente. Para ser governo no estado, o PT precisa derrotar o candidato que é aliado do PT na campanha nacional.
O PSB e o PSDB tiveram que lançar candidaturas próprias a governador, para dar palanque estadual para seus candidatos a presidente, Eduardo Campos e Aécio Neves, respectivamente.
Naturalmente, o fato de um partido ter candidato a presidente, ou a governador, não significa que seus filiados ou mesmo seus candidatos a deputado, sintam-se comprometidos com essa candidatura. Dentro do velho espírito de puxar brasa para a minha tainha, vale tudo. O candidato não se incomoda de dizer numa casa que é fã da Dilma e na outra mostrar foto abraçado ao Aécio. E, numa terceira, conforme o interlocutor, dizer que Campos é seu amigo no facebook. Só que o eleitor tá cansado de ser feito de idiota.

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