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Presos fazem motim e líderes são transferidos

Presos bateram grade e gritaram a torto e direito. PM foi chamada para evitar o pior

O protesto de presos do complexo penitenciário da Canhanduba começou pacífico na segunda-feira e ontem se transformou em motim. Os detentos da penitenciária bateram grade e gritaram muito durante a tarde. A muvuca fez a direção do complexo pedir reforço da polícia Militar de Itajaí e transferir os líderes do movimento. Cerca de 15 mulheres de presos, preocupadas com seus parentes, procuraram o juiz corregedor do cadeião para ter certeza que nenhum detento seria machucado na confusão.
Na segunda-feira, os presos se negaram a receber a visita das famílias, fecharam a boca para a comida, não foram para as audiências, não saíram para trabalhar e ainda não quiseram sair das celas. Vários parentes de presos passaram o dia em frente ao complexo esperando notícias e na esperança de conseguir visitar os parentes.
Só que eles escolheram uma visitante para entregar a pauta de 10 reivindicações, que iam desde a retirada dos presos condenados do presídio, passando pela transferência de quem não é da comarca, aumento do tempo de visita, fim da necessidade de renovar a carteirinha de visitantes todos os anos e uma melhoria na alimentação, com a liberação da entrada de comidinhas como Nescau, mortadela fatiada, doce de leite e Sazon.
Só que ontem no meio da tarde o bagulho endoidou. Os presos fizeram muita bateção de grades e berraram pra chuchu. “A PM teve que ser chamada na penitenciária para conter o motim e entrou na unidade para acalmar. A força necessária foi usada na operação”, explicou o juiz, sem informar se houve feridos.
Enquanto a PM estava dentro do cadeião, 15 mulheres parentes de detentos foram até o fórum para conversar com o juiz da Vara de Execuções Penais de Itajaí, Pedro Walicoski Carvalho, e garantir que seus familiares não seriam agredidos.
O juiz atendeu cinco representantes do grupo e mostrou as câmeras internas da penitenciária, que ele tem acesso em seu gabinete. “Acessei o sistema e mostrei as celas, estava tudo tranquilo. Elas também ficaram tranquilas”, informou.

Presos foram transferidos
O magistrado também conversou com o diretor da unidade, Juliano Stoberl, que informou que houve transferência de cerca de 10 presos que seriam as lideranças do movimento. “Algumas lideranças foram transferidas para ser avaliada a situação e para dar tranquilidade aos demais”, explicou.
Por volta das 20h de ontem, o diretor conversa com um grupo de presos e a situação na penitenciária já estava tranquila.

Reivindicações
Sobre as reivindicações feitas pelos presos, o juiz Pedro voltou a informar que alguns pedidos já tinham as soluções em andamento e outros serão analisados e podem ser atendidos. “Podemos analisar e podem ser atendidas as reivindicações em relação as carteirinhas de visita, a questão da visita social, novas vagas de trabalho, e já está em andamento a construção de casas para abrigar os detentos do regime semiaberto e devem ficar prontos em 40 dias”, informou.
O presidente da comissão de Assuntos Prisionais da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de Itajaí, Leonardo Costella, acompanhou o motim durante todo o dia e participou da reunião com o juiz e as parentes de presos. “Vamos continuar acompanhando e aguardando informações da direção do complexo”, explicou Leonardo.

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