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Parada gay liberada pela justiça é só alegria

Povo saiu às ruas de Balneário Camboriú pra lutar contra o preconceito

Adelaine Zandonai
adelaine@diarinho.com.br

Gays, travestis, transexuais, bissexuais, drag queens e heterossexuais de todas as idades foram às ruas de Balneário Camboriú no final da tarde de domingo pra lembrar ao povão e, principalmente, aos governantes do município o que prega o artigo 5º da Constituição Federal. Além de pedir mais respeito e igualdade de direitos, os organizadores do evento também entregaram à vereadora Marisa Zanoni Fernandes (PT) um pedido pra que o dia 16 de novembro se torne o dia municipal de combate à homofobia.
A ministra dos Direito Humanos, Ideli Salvatti, e o do Turismo, Vinicius Lages, que confirmaram presença através das assessorias, não deram o ar da graça. Cerca de 200 participantes se concentraram na praça Almirante Tamandaré, no centro de Balneário Camboriú. Atrás de um carro de som, o grupo percorreu a rua 51 até chegar na avenida Brasil, e depois retornou pra avenida Atlântica pela rua 2000. O festerê acabou no pontal Norte.
Do microfone do carro de som, os organizadores da parada fizeram questão de começar o oba-oba lendo em alto e bom som o artigo 5º da Constituição Federal, que diz basicamente o seguinte: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Graças à interferência do Ministério Público, que conseguiu uma liminar na justiça, pela primeira vez em três anos os manifestantes puderam percorrer as principais ruas da city num protesto colorido e divertido.
“O [prefeito] Periquito, de última hora, sempre nos brecou pra fazer a nossa caminhada pela avenida. A primeira ele nos colocou na areia da praia, nem permitindo que a gente viesse até à praça. Dessa vez a gente conseguiu com o Ministério Público”, comemora o presidente da Parada da Diversidade, Ney Laurentino.
Pra ele, o aval da dona justa foi uma vitória contra o preconceito, que mostrou o quanto os políticos locais ainda precisam evoluir. “Os direitos existem, só que não acontecem por causa dos homofóbicos. Temos um prefeito homofóbico, que acha que é o dono da cidade, mas ele não é o dono, é simplesmente administrador. Temos direito, somos iguais e temos que ter respeito”, lasca.
Ele faz questão de dizer que os únicos apoiadores da iniciativa foram os vereadores Mariza Zanoni Fernandes (PT), Fábio Flor (PP) e Roberto Souza Junior (PMDB).
O presidente da parada lamentou que a organização do evento não ganhou qualquer ajuda do sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Balneário (Sindisol), apesar de a parada ter atraído muita gente pra rede hoteleira da city.
Ney também lembrou que a Maravilha do Atlântico tem, atualmente, pelo menos 10 casas noturnas com foco no público LGBT e, ainda assim, por pouco o evento não foi por água abaixo por sabotagem do administrador da cidade. Pra Ney, isso demonstra que ainda há uma árdua batalha pela frente até que o brasileiro se convença de que pessoas com orientação sexual diferente da maioria são tão cidadãos quanto os outros.

Luta contra o preconceito reúne gente de tudo que é tipo
Engana-se quem pensa que a parada só reúne gente que gosta da mesma fruta. Neste domingo, diversidade foi o que não faltou na praça Almirante Tamandaré. Um exemplo é o aposentado Flávio Becker, 74 anos. Ele já havia assistido ao primeiro evento e quando soube que a parada voltaria a acontecer neste finde, fez questão de acompanhar tudo de perto, pela segunda vez.
“É um povo divertido o povo gay, eu gosto de vê-los, esse é um evento no mundo inteiro que está em expansão, eles têm o direito deles também”, diz o tiozinho, que gosta de mulher.
Outro que foi com a esposa assistir a parada foi o aposentado Evilásio Costa, 63. Pra ele, o Brasil ainda precisa evoluir muito pra que todas as pessoas tenham os mesmos direitos. “Acho que eles não têm todos os direitos, são discriminados, mas acho que deveriam ter, já que cumprem as leis e as normas da sociedade; sou a favor que tenham os mesmo direitos”, afirma o aposentado.

Conchita manda recado pro prefeito
Outra que tava tiririca com o homem-pássaro era a drag queen Conchita, que fez questão de mandar um recado pro prefeito. “Você é prefeito, foi escolhido pelas pessoas. Quem votou em você também é LGBT. Nós pagamos os nossos impostos, temos direito de nos manifestar. Afinal de contas, isso aqui é uma manifestação cultural também. Então, prefeito, vem conhecer um pouquinho mais sobre diversidade”, falou no microfone.
Ela diz que a parada serve justamente pra levar informação e diminuir o preconceito. “Porque o preconceito só existe quando não há informação. Numa festa como esta mostramos que ser diferente é normal, mostramos que a sociedade é composta por todas as pessoas: gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros, heterossexuais. Que chato que seria se fosse tudo preto e branco. Então vamos celebrar as cores, vamos celebrar o respeito e a cidadania a todas as pessoas”, discursa.
De cima do carro de som, a vereadora Marisa pediu desculpas em nome do governo municipal pela atitude do prefeito. “Peço desculpas pelo prefeito, que permite caminhada de cachorro e não de gente pelas ruas da cidade”, provocou no microfone, antes de receber uma salva de palmas dos participantes.

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