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Parada gay colore a Beira-rio

Teve discurso contra a proibição da parada em BC e também pelo veto de gays no casamento coletivo da city vizinha

O casal Otavio Zini, 43 anos, e Claudemir Gonçales, 48, vive junto há quatro anos. Eles dividem as despesas de casa, como conta de água, IPTU e energia elétrica. Trabalham, viajam e trocam afeto em público. “Qual o problema?”, diz Otavio. “Somos um casal qualquer. Beijamos, transamos e pagamos nossas contas. Não temos que nos esconder”, emenda Claudemir.
Em julho, os dois foram o centro de uma polêmica em Balneário Camboriú. No dia 20 daquele mês, a prefa organizou a 15ª edição do casamento coletivo, evento aberto a toda comunidade. Pelo menos, na teoria. “Nós não queríamos nos casar no evento, na verdade. A nossa intenção era mostrar que Balneário Camboriú, apesar de cosmopolita, é governada por uma pessoa com preocupações paroquiais”, cutuca Otávio.
O casamento coletivo, apesar de bancado com dinheiro público, não dava espaço para que casais do mesmo sexo tivessem participassem da cerimônia . A justificativa da prefa foi que a bênção era feita por um pastor da igreja Evangélica Bola de Neve. “Fizeram de um evento público um culto evangélico”, critica Claudemir.
Otávio e Claudemir estavam na quarta parada da Diversidade, que rolou sábado à tarde, em Itajaí. A crítica à postura do prefeito de Balneário Camboriú, Edson Periquito (PMDB), foi a tônica do evento. Ricardo Medeiros, presidente do instituto Brasileiro da Diversidade Sexual (Inbradis), organizador da festa junto com a associação Catarinense de Pesquisa e Desenvolvimento, explica que a intenção da parada é combater posturas preconceituosas.
“Em Balneário Camboriú, temos um problema muito sério. A prefeitura para o trânsito na avenida Atlântica para corrida de garçons, marcha para Jesus e cãominhada, mas não permite que a parada gay percorra a via. É um preconceito sem tamanho. Ele [prefeito Periquito] acha que é dono da cidade”, carca Ricardo.
Ney Laurentino, organizador das paradas de BC, tava em polvorosa. “A última parada lá em BC foi na areia da praia, porque fomos proibidos de andar pacificamente pela avenida Atlântica”, recorda. A intenção, adianta, é bombar o evento em Itajaí para servir de exemplo pra Maravilha.
“Nós chegamos com o projeto para o secretário de Turismo [Agnaldo Hilton dos Santos], e ele topou na hora. É uma pessoa sem preconceito, um gestor público de visão. O público GLBT é alegria, união, não tem agressão. Esse evento vai ser firmado em Itajaí e vai fomentar o turismo aqui”, prevê Ney, que avisa que dia 16 de novembro, o prefeito querendo ou não, a parada gay de Balneário Camboriú também vai acontecer.

Trio elétrico
A galera GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) começou a chegar por volta das 15h, na praça da Beira Rio, no bairro Fazenda. Cerca de 15 agentes da Codetran foram escalados pra dar apoio à caminhada do pessoal. O festerê começou com meia hora de atraso, com um ato cívico comandado pelo jornalista Maurício dos Santos, que chamou pra cima do trio elétrico uma pá de abobrões da city e da região. Havia a expectativa de que o prefeito Jandir Bellini (PP) desse o ar da graça, mas quem representou a prefa foi a mana dele, a secretária de Segurança Susi Bellini.
Depois da execução do hino nacional, a tchurma percorreu toda a avenida Ministro Victor Konder, a beira-rio peixeira, até o mercado Público. Lá, a galera animada seguiu curtindo o festerê até as 22h, ao som de DJs convidados. Depois, o pessoal foi dançar no Celiu’s Club, varando madrugada adentro.

Trânsito complicado
Quem precisou passar de carango pelo bairro Fazenda no sábado se ferrou. A reclamação do povão é em relação à falta de orientação pros motoras por parte dos agentes da Codetran. Uma leitora do DIARINHO carcou que o trânsito na rua Expedicionário Marqueti ficou em sentido único em direção à Sete de Setembro.
Segundo ela, o perrengue era que o guardinha no semáforo da avenidona deixava o pessoal passar em direção à rua Jorge Tzachel, causando a confusão, porque os carangos que fugiam da muvuca na Beira-rio ocupavam as duas pistas da rua. “Eu entrei na rua, e os outros motoristas me diziam que eu estava na contramão, mas o guarda na esquina da Sete de Setembro não disse nada. Se tivesse falado, eu teria dado a volta”, conta. As áreas próximas da BRFoods e do mercado Público também ficaram viradas num alho.
Quem mora perto do mercado público reclamou da barulheira. O pessoal carca que a sonzera na noite de sábado tava tão alta que não tinha nem como ouvir a novela. 

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