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O que fazer para não ter a motoca surrupiada

Veja o que fazer pra não ter a motoca levada pela bandidagem

Sandro Silva
sandro@diarinho.com.br

Há 13 dias, o servidor público Carlos Alberto da Rosa Moraes, 41 anos, deixou de fazer parte de uma estatística. Até então era dono de uma das 41.808 motos e motonetas registradas em Itajaí. Moraes teve a CG Titan 150 cilindradas, ano 2003, furtada do condomínio onde mora, no bairro Cordeiros. Ele não é o único. Afinal, quem não conhece alguém que já teve a cabrita levada pela bandidagem? É possível que até mesmo você já tenha sido vítima de um furto ou roubo.
É por isso que o DIARINHO foi atrás de gente que entende do riscado pra pegar sugestões do que os motoqueiros podem fazer pra tentar se livrar da ladroagem que anda à solta. Um capitão da polícia Militar, um comerciante do ramo de peças e equipamentos de motocicletas e um dono de ponto de mototáxi mostram onde tá o pulo do gato na hora de se prevenir de furtos e roubos.
Ah! Nessa reportagem você também vai conhecer histórias de quem já foi vítima dos bandidos até mesmo parando em estacionamento pago.

Quanto custam os sistemas antifurtos
Juntas, as 11 cidades da região da foz do rio Itajaí-açu tinham em abril deste ano nada menos que 123,5 mil motos e motonetas (que são as do tipo Bizinhas) emplacadas pelo departamento Estadual de Trânsito (Detran). De longe, Itajaí é por onde mais circulam as cabritas. Os mais de 41,8 mil veículos motorizados de duas rodas pelas ruas peixeiras representam 33,8% desse total (Olhaí na tabela ao lado a quantidade de motocas nas citys da região).
Tanto veículo assim é uma tentação pra bandidagem. Para o capitão Ricardo Sartori, subcomandante do batalhão da polícia Militar do Balneário Camboriú, não há só um motivo pros ladrões preferirem as motocas. Os criminosos furtam ou tomam os veículos em assaltos pra cometer outros roubos, pra levar pros desmanches e vender as peças e também para adulterar chassis e placas e andar com as cabritas falsificadas.
Muita moto e muito furto e roubo criou uma demanda que o mercado especializado não deixou passar batido. Dono da loja Trilha Motos, da rua Brusque, em Itajaí, James Ferreira, 49 anos, não para de vender equipamentos de segurança pra donos de motocicletas. E tem produto pra todos os gostos e bolsos.

Escandaloso e eficiente
Um dos mais caros costuma ser o alarme com sensor de presença. O dono leva no bolso ou pendurado no pescoço um aparelhinho que desliga a parte elétrica da motoca e aciona uma escandalosa sirene caso a moto se afaste dele. Esse aparelhinho costuma custar uns R$ 300, fora os cerca de 50 pilas pra instalação.
O alarme com sensor de presença funciona muito bem pra roubos que costumam acontecer em sinaleiras, quando o bandido aparece do nada, manda o proprietário saltar da cabrita e depois foge. A moto vai andar alguns poucos quilômetros e simplesmente parar e apitar. “Os melhores são esses”, aponta James.
No ranking de produtos mais carinhos pra segurança da motoca tão também as travas com alarme. “Elas são colocadas no disco de freio, como as travas comuns, mas soam um alarme caso se mexa na motocicleta”, explica o dono da Trilha Motos. Isso ajuda também aos motoqueiros mais desatentos a não levar um tombo, já que costumam ligar e sair com o veículo sem tirar o equipamento. O preço também é salgadinho: R$ 115. Já as travas de disco comuns, sem alarme, costumam ser vendidas por volta de R$ 50.

Mais em conta
Depois disso, tá a boa e velha corrente com cadeado. O mercado aprimorou um sistema bem eficiente: cabos de aço são envolvidos em metal articulado e cobertos com uma grossa mangueira de plástico. Nenhum ladrão vai perder horas e horas tentando romper o cabo. Além disso, as chaves são as tetras (de quatro lados) ou com desenhos que não permitem o uso de michas (chaves falsas). Dá pra encontrar com preços entre R$ 40 e R$ 60, dependendo do tamanho do equipamento. Pra quem não quer tanta segurança, pode comprar um cabo de aço sem proteção e com chave normal e só vai desembolsar uns 20 contos.

Rastreadores por satélite já são instalados por aqui
Há ainda os bloqueadores via satélite. Um equipamento com chip de celular é instalado na moto, que passa a ser monitorada por empresas especializadas. É a mesma lógica dos aplicativos de GPS que o povo costuma ter nos celulares. “Mas é um celular que não fala”, brinca o empresário Rudnei Mateus, 40, dono da Calraster, de Itajaí.
Caso a motoca seja levada, basta ligar pra empresa que monitora e o veículo pode ser localizado rapidinho. A ligação é sempre de graça. Além disso, o sistema elétrico da moto também é bloqueado e ela para de funcionar. Se o ladrão conseguir localizar o aparelho e cortar os fios, aí é que a moto trava mesmo de vez.
Nesses casos os custos variam. Algumas empresas dão o aparelhinho de graça e a pessoa paga uma mensalidade que costuma ser de aproximadamente R$ 60. Em outros, como na Calraster, o dono da moto compra o equipamento, que custa perto de R$ 700, já colocado. Depois, o único custo é botar os créditos no chip do celular. “R$ 18 por mês já é suficiente e sobra”, garante Rudnei.

As cabritas nas citys da região
Itajaí – 41.808
Baln Camboriú – 21.729
Camboriú – 19.109
Navegantes – 14.588
Itapema – 8436
Penha – 4469
Baln. Piçarras – 2936
Porto Belo – 2786
Luis Alves – 2753
Bombinhas – 2665
Ilhota – 2289

Histórias de quem já teve motos furtadas
Dá pra dizer que a agente de logística Dalpérsia Wenck, a Dal, 36 anos, foi premiada ao contrário. “Tive a mesma moto furtada duas vezes e no mesmo lugar”, conta. Hoje ela mora no bairro São Vicente, em Itajaí, mas em 2011 quando vivia no Balneário Camboriú, parou um sábado à tarde a Titanzinha 125 cc na frente de casa, na rua 600, centro. Quando foi sair de volta, cadê a cabrita?
Da primeira vez, Dal teve sorte. “Consegui recuperar”, diz. Mas a alegria não durou muito. “Dois meses depois roubaram a moto de novo e do mesmo lugar”, emenda. Dessa segunda vez, não viu mais nem a cor do veículo.
Hoje, ela ri da situação e diz que aprendeu a lição. “Eu comprei outra moto depois e, quando saía, só parava em estacionamento pago”, afirma.
Estacionamento privado não foi o suficiente pra evitiar que a Bizinha do jornalista itajaiense Danilo Duarte, 32, desaparecesse. “Foi um furto. Levaram de dentro do estacionamento da Univali, à noite”, lembra o rapaz, que na época ainda era estudante universitário.
Danilo penou pra ser ressarcido. “Recebi a grana (o valor da moto furtada) dois anos depois, processando a Univali e a Estapar. Menos mal”, comenta.

Empreendedor viu oportunidade
Outro que já foi vítima da bandidagem – e mais de uma vez – foi o empresário Rudinei Mateus. Foram três motos levadas. Além de ter uma firma que opera aparelhos de rastreamento de veículos, ele também é dono de uma borracharia e de um ponto de mototáxi na rua Indaial, bem pertinho do Comprefort. E foram justamente os veículos que usa pra levar os passageiros pra cima e pra baixo que foram furtados.
Uma das motos foi recuperada cerca de seis meses depois pela polícia Militar. Foi por isso que ele acabou procurando soluções pra tentar evitar a ação dos ladrões e conheceu a tecnologia de rastreamento por satélite.
Rudnei não só instalou o equipamento em oito das suas 12 motocas, como também montou sua própria empresa de instalação e monitoramento dos aparelhinhos de localização de veículos.
As outras duas motocas furtadas e que o empresário conseguiu ter de volta tinham rastreadores por satélite. Numa delas, um então funcionário sumiu com a CG do ponto de mototáxi. Como sabia onde o aparelhinho tava instalado, arrancou o equipamento fora e jogou num mato. O que ele não contava é que a antena do rastreador continuava mandando o sinal. A moto foi encontrada no Paraná.

Não dar bobeira é a primeira dica
O comerciante James Ferreira é motociclista há 32 anos. “Nunca tive uma moto furtada ou roubada. Mas, também, não dou muita bobeira não”, comenta. Pra ele, é preciso manter sempre a moto com algum sistema de segurança visível, que é para desanimar o gatuno. “Quando eu vou no centro eu sempre boto a trava de disco”, exemplifica, logo emendando: “Se a moto tem alguma coisa, como trava, por exemplo, o ladrão vai partir pra outra que não tem”, avalia.
Outra dica de James é onde botar o veículo. “Não pode deixar a moto na garagem, à vista, e nem parada muito no mesmo local”, ensina. Também é de bom juízo não andar em locais e horários que podem ajudar a ação dos ladrões. “Eu já não saio muito de moto à noite por causa disso”, conclui.
Preocupar-se onde e como deixar a moto é também uma observação do capitão Ricardo Sartori. “Não deixar o veículo em lugares ermos e desertos e adquirir mecanismos de segurança, como travas”, sugere.
Além disso, diz o policial, jamais deixar os documentos dentro da moto. É fácil de entender o por quê: se o ladrão for pego numa blitz, pelo menos a cabrita fica apreendida e poderá ser devolvida pro dono verdadeiro depois. E se a motoca for furtada ou roubada, não perca tempo: ligue imediatamente para o 190, que é o número de emergência da PM.
O DIARINHO tentou ontem, com as polícias Militar de Itajaí e Balneário Camboriú, os números de furtos e roubos de motocas nas duas cidades. Em BC, a assessora de imprensa informou que o sistema da PM tava sendo atualizado e não seria possível produzir os mapas estatísticos. Em Itajaí, apesar do pedido ter sido feito pouco antes das 14h30, ao final da tarde uma oficial afirmou que ainda não havia solicitado permissão ao comando da corporação para liberar a informação e que, mesmo com a permissão, somente iria conseguir apurar o total de veículos furtados (incluindo caminhões e carros). O DIARINHO ligou novamente às 19h para o setor de comunicação do quartel, mas ninguém atendeu.

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