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No verão de 1979, nascia o primeiro diário da região

Para comemorar o 34º aniversário, voltamos no tempo e fomos até o ano da fundação do jornal para bizolhar como o povão curtia a alta temporada naquela época

No dia 12 de janeiro de 1979, Itajaí e as citys da região ganhavam um presente pra esquentar ainda mais o litoral: nascia o DIARINHO, que foi batizado inicialmente de Diário. Depois disso, nenhum verão seria mais o mesmo no litoral do norte de Santa Catarina. Para comemorar as 34 primaveras, voltamos no tempo e fomos até o ano da fundação do jornal para bizolhar como o povão curtia a alta temporada naquela época.
 Biquíni largo e mostrando o cofrinho, a casa de shows Baturité embalando as noites de sábado do Balneário, nada de prédios gigantescos fazendo sombra na praia. Esse era o cenário do verão em 1979, quando o advogado Dalmo Vieira resolveu colocar nas ruas a primeira edição do jornal mais lido do sul do mundo.
“Era uma época muito familiar. A praia já lotava, mas a maioria das pessoas se conhecia. Lembro que os pontos de encontro ficavam em Balneário Camboriú. Um na rua 301, esquina com a avenida Central, e outro no Rancho do Baturité, na Barra Sul. Além disso, a praia era muito limpa”, lembra o colunista social Túlio Cordeiro.
Mas nem tudo eram flores nos idos de 1979. Durante a alta temporada, o trânsito já era um baita problema. “O trânsito era tranquilo na maior parte do ano, mas na temporada ficava bem ruim. Nada como a loucura que é hoje. Mas isso é algo natural de uma região que cresceu bastante, como a nossa”, afirma Túlio.
 Já em Itajaí, onde foi a primeira sede do DIARINHO, o prefeito era o hoje entusiasta de eventos náuticos Amílcar Gazaniga. Ele conta os principais desafios que tinha à frente do poder executivo municipal. “Em 1979, nós não tínhamos identidade. Nesses 34 anos, Itajaí soube se descobrir e crescer. O único problema foi o sistema viário urbano não ter se desenvolvido na mesma medida”, lamenta.
 Mas o bagrão se orgulha de ter protegido a praia de Cabeçudas da construção civil. “Foi neste ano que fizemos a lei que proibia a construção de edifícios em Cabeçudas. Se hoje nós temos apenas residências na região, com exceção de dois prédios que já existiam, é por causa dessa medida. A região poderia ter se tornado numa Balneário Camboriú, onde a orla está tomada por prédios”, se orgulha o ex-prefeito.
Amílcar ainda lembra de ter ajudado o fundador Dalmo Vieira a fazer a primeira edição do jornal. “Era muito amigo do Dalmo e ajudei a fazer os desenhinhos que saíam no jornal. A primeira edição tem colaboração minha”, revela.

História
A população de Itajaí não passava de 90 mil habitantes e o porto peixeiro era administrado pela União através da Portobrás. “Só na década de 90 que houve a municipalização do porto. E também foi esse o período de maior crescimento econômico da cidade. Mas em 1979 Itajaí já era uma das principais economias do estado”, informa o professor de geografia Flavio André da Silva, que é educador do museu Etno-Arqueológico de Itajaí.
O sabichão está fazendo um livro sobre a história e geografia dos bairros da cidade. Ele também explica as mudanças do povo peixeiro nos últimos 34 anos. “A cidade dobrou o número de habitantes. A diferença é que na década de 1970 a migração vinha de outras regiões do estado apenas, hoje vem de todo o país”, diz.
Ele ainda afirma que, na área econômica, Itajaí soube se desenvolver. “De lá pra cá, houve uma diversificação das fontes de renda da cidade. Se antes a cidade se limitava a ser exportadora de madeira e açúcar através do porto, hoje pode contar com uma indústria náutica, além da extração do petróleo e o investimento em turismo, com a realização de grandes eventos”, cita o professor.

  • NOVIDADES

O que vem por aí…

Enquanto tinha a idade de Cristo, o DIARINHO ganhou um guia de ética e autorregulamentação jornalística: o “Caminho das Pedras”. Além disso, a equipe de jornalismo fez um curso de formação para se atualizar sobre a profissão. E as mudanças não vão parar por aí. Ainda no primeiro semestre de 2013, o jornal vai ganhar uma garibada no projeto gráfico e no seu site. 
Para a diretora de Redação, Samara Toth Vieira, as mudanças servem para atualizar o DIARINHO nos novos processos de produção jornalística, mas sem a perda da identidade. “O que sempre estamos buscando é a profissionalização da nossa forma de trabalhar, não apenas na área jornalística, mas também na gestão administrativa. Isso é para garantir a qualidade e independência do jornal. O DIARINHO tem uma identidade, que é a alma do jornal, mas tem melhorado muito a qualidade editorial a cada ano”, diz a chefona. 
À frente do processo de elaboração do novo projeto gráfico, o experiente jornalista Cesar Valente, 59, dá uma prévia do que deve mudar nos próximos meses. “A mudança é natural. Mas essa mudança deve ser de dentro para fora. Então vamos conversar com os colaboradores do jornal para saber como podemos agilizar o processo de produção jornalística. Um jornal é uma engrenagem que precisa de tempos em tempos de óleo, limpeza e tirar a ferrugem”, conta. O novo projeto gráfico deve ser apresentado até abril. 
O jornal mais lido do sul do mundo também preparou uma novidade pro verão. Desde a última quinta-feira, conta com uma Estação de Verão na praia Brava. O jornalista Deivid Couto vai abastecer as mídias sociais do jornal sobre as novidades diretamente da areia da praia. A estação é uma parceria do DIARINHO com a agência de comunicação @Energy e fica em frente ao restaurante Siri da Brava na praia dos Amores, em Itajaí. Hoje haverá distribuição de brindes no local. Já quem for às sucursais do DIARINHO neste sábado, vai ser convidado a comer um docinho com nossa galera.

  • MUDANÇAS NO TURISMO

Turistas passam menos tempo em hotéis

Em 34 anos, o turismo também mudou bastante. Se antes a Maravilha do Atlântico se limitava a receber pessoas em dezembro e janeiro, hoje o movimento de turistas já consegue preencher todo o calendário. Os hotéis Marambaia e Fischer, localizados na barras Norte e Sul da praia Central da city, respectivamente, eram os únicos grandes hotéis da região em 1979 e passaram por toda essa transformação.
Osmar Nunes Filho, 61, mais conhecido como Mazoca, trabalhou mais de 30 anos como diretor do hotel Marambaia, construído nos anos 60 pelo seu pai. Pela beleza arquitetônica, o hotel é um dos símbolos turísticos da cidade e soube se adaptar aos novos tempos. “Antes, o hóspede vinha com a família e passava vários dias no hotel. E a maior parte do tempo era dentro do próprio hotel, que tinha várias atrações para crianças. Hoje o turista fica poucos dias e a maior parte do tempo passa na rua. Mas esse hóspede se tornou mais exigente, pois já sabe o que quer”, conta Osmar. 
O empresário também lembra que em 1979 muitos argentinos já vinham pegar um sol na região. “A Argentina vivia um período próspero na economia e muitos argentinos vinham na alta temporada. Como o dólar era valorizado, eles tinham bastante dinheiro. Outros turistas também vinham e faziam compras em Blumenau de roupas de cama, mesa e banho”, comenta.
A mudança no comércio que atrai o turista também foi ressaltada por Osmar, que hoje é também proprietário de uma concessionária de veículos. “O comércio da nossa região já consegue atender o turista e ele não precisa ir até Blumenau ou outras cidades. Além disso, temos muitas atrações na baixa temporada para atrair turistas. O acesso a outras praias também foi facilitado. Antes ninguém ia pra praia Brava, e só dava pra chegar em Laranjeiras de barco”, lembra o empresário, que também tem uma boa história pra contar sobre o DIARINHO. “A estátua em frente ao hotel, do pescador Marambaia, foi feita pelo artista Paulo Siqueira e colocada em 1979. Saiu até na capa do DIARINHO”, frisa.

Demolição
Se o Marambaia continua atendendo clientes, o mesmo não vale pro também tradicional hotel Fischer, que fechou as portas em 2009, após 52 anos de funcionamento. Reduto de veraneio de políticos como Tancredo Neves, Leonel Brizola e Ulysses Guimarães, o hotel foi vendido para uma construtora. O empresário Cláudio Fischer conta as mudanças no setor e por que a família resolveu vender o negócio. “Lembro que muitos políticos vinham passar férias na região. Ex-presidentes, senadores etc. Nessa época, as famílias ficavam até 30 dias seguidos no hotel. Quando fechamos, em 2009, isso tinha mudado. Hoje ninguém fica muito tempo em hotel. Mas a família decidiu vender o hotel por causa da alta valorização do terreno”, explica.

  • MODA PRAIA

Diferenças nos trajes dos banhistas de ontem e de hoje

Sunga com lacinho e biquíni grande e comportado, mas que faz a gatinha pagar cofrinho. Acredite, isso era a moda praia em 1979. Fora da areia, a novela Dancin’ Days, da Rede Globo, fazia mó sucesso e influenciava a roupa que os jovens usavam nas discotecas da região, principalmente na famosa casa de shows Baturité, na Barra Sul, no Balneário Camboriú. Sem saber dos perigos do Sol, o povo também não usava protetor solar. O difícil acesso às praias fazia com que se concentrassem na praia Central da Maravilha do Atlântico.
Produtora de moda e jornalista, Jackie Rosa comenta os trajes típicos dos banhistas dos anos 70. “Lembro que usávamos os biquínis de sutiã cortininha, com calças bem baixinhas, onde o hoje chamado ‘cofrinho’ aparecendo era fato. Não usávamos protetor solar, e os meninos descoloriam os cabelos com parafina. Eu morava em Floripa, mas vinha muito para Itajaí, Cabeçudas, na verdade, onde as festas já eram famosas e boas. Também lembro que a praia do Atalaia sofria um localismo, mas tinha as melhores ondas para a prática do surfe na região”, comenta.
Mas a jornalista garante que as roupas não mudaram tanto assim em 34 anos. “A moda em 1979 não era muito diferente do que reinventamos e usamos hoje. Nossos ícones eram a melissinha, as sandálias de plástico, os tamancos “Shoullita”, calça boca de sino, hoje conhecidas como flare, tye-die (roupas manchadas em degradé). O brilho também comandava a cena, pois o verão de 79 foi o de encerramento da novela Dancin’ Days que popularizou um estilo e marcou uma geração”, diz Jackie, que ainda lembra do que tocava nas discotecas. “No comando do som tínhamos Rita Lee, Frenéticas e Village People”, completa.

Povão prefere roupas de hoje

A moda de 1979 não agradou muito os banhistas das areias de 2013. As turistas gaúchas Isadora Cioccari Gomes, 19 anos, e Camila Scremin, 18, se espantaram ao ver o biquíni que fazia as meninas pagarem cofrinho. “Biquíni muito baixo fica esquisito. Prefiro o que a gente usa hoje, mais alto e com babadinhos. E a parte de trás é muito grande. Hoje usamos biquínis bem menores”, palpita a gatinha Camila. “Deus me livre ir pra praia com um biquíni desses”, lasca Isadora.
O casal Bruno do Carmo, 22, e Mirian Caetano, 19, de Altônia (PR) também se espantou com a moda de sunga com lacinho e biquíni baixo. “É melhor usar a sunga atual ou então uma bermuda do que essa sunga com laço”, diz João. E a namorada ainda completa. “Acho que estamos melhor hoje”, brinca.

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