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Navegadoras revelam sonhos e emoções

Elas encaram ondas, tempestades, climas extremos e saudade com a coragem de guerreiras

Gaúcha, 39 anos, filha de pescadores em Rio Grande/RS, formou-se em odontologia, casou-se com Cláudio Copello e há sete anos mudou-se para o litoral norte da Santa & Bela. O marido é presidente da associação Náutica de Itajaí (ANI) e ela, até 2012, era voluntária nessa entidade que pretende despertar na garotada o gosto pelas artes náuticas e marinharia, paralelamente ao despertar da consciência de preservação ambiental.
Em 2013, no entanto, Mônica deu uma guinada na vida. Decidiu realizar um ‘ano sabático’. Largou a profissão, doou todo o equipamento odontológico para uma igreja e aceitou a proposta de ser coordenadora da ANI. Porém, dar mais atenção à família foi o motivo primordial da mudança de rota.
Mãe de João Pedro, 11, e Carolina, 16, tem o mar no sangue. Desde que moravam no Rio Grande, já passavam as horas de lazer a bordo de um veleiro vaqueiro de 23 pés. Em Itajaí, trocaram por um velamar de 33 pés. Acostumados a navegar pelo litoral brasileiro desde pequenos, João Pedro já se inicia na classe optimist, enquanto Carolina participa de competições laser.
Como coordenadora, sua tarefa é cuidar de todo o espaço da associação, dos funcionários e dos projetos. “Hoje o meu maior sonho é conseguir aprovar um projeto que realmente alavanque uma equipe de vela aqui, na associação náutica, porque o que temos, hoje, não dá pra dizer que a gente tá fomentando a vela; ainda falta muito feijão com arroz”, revela Mônica.
Uma viagem longa, no barco da família, está nos planos, ainda sem data definida. Por enquanto, a animação está voltada pra associação. “Este propósito de trabalhar por crianças e pelo esporte é uma coisa que é desafiadora e me anima muito, mas a partir do momento em que a gente estiver com os planos prontos de viagem, aí outras pessoas assumem aqui e teremos o nosso ano sabático no mar”.

LORENA KREUGER
“Sou resultado de uma atípica combinação de genes suecos e brasileiros, criada num ambiente onde estas duas culturas misturaram-se de forma interessante. Nasci e cresci na cidade de Itajaí, SC, onde vivo até hoje.
Não tenho dúvidas de que a vida é muito mais legal quando movida a paixões e desafios. Felizmente, sou apaixonada pela minha formação em design industrial e pela minha profissão.
Desde 2008 estou no comando do estaleiro Kalmar, empresa criada pelo meu falecido pai e eterno herói, Lars Kreuger. Herdei dele e do meu avô, o comandante Erik Kreuger, a minha forte ligação com o mar. Desde minha infância nos aventuramos em família pelos mares da costa sul e sudeste do Brasil, e mais tarde me envolvi com a vela de competição nas classes optimist, laser e 420. No mar também pratico outros esportes, que para mim são vitais, como o surfe e o kitesurfe.
Gosto de falar (e muito!), de viajar para lugares desconhecidos com um mapa na mão e uma mochila nas costas, conhecer pessoas diferentes, ouvir e principalmente contar histórias. Por isso resolvi criar esse blog [https://lorenakreuger.com.br/].

IZABEL PIMENTEL

Ainda descansando em São Chico do Sul, a velejadora solitária Izabel Pimentel bem merece esta pausa antes de continuar a jornada até o Rio de Janeiro e de lá fechar o ciclo de navegação até a França, de onde partiu em agosto de 2012.
Sua intenção era dar uma volta ao mundo sem escalas, o que não foi possível, porque houve um problema com o barco. Mesmo assim, tendo por companhia apenas a gatinha chamada Ellen, esta matogrossense de 47 anos fez a rota de circum-navegação que até agora só dois brazucas tinham completado, sozinhos, em um veleiro: Amyr Klink e André Homem de Mello.
Entre as façanhas que a colocam entre as pioneiras do mar, está a travessia do Atlântico em navegação solitária, em 2006. Depois, repetiu a dose mais seis vezes. Agora, ostenta mais um título: Izabel é a primeira cape hornier (navegadora a cruzar o cabo Horn, no extremo sul da América) em solitário do Brasil. “Ele (o Horn) me deixou passar”, contou, com humildade. Recebida com festa e homenagens em São Chico, Izabel se despede nesta segunda-feira das terras catarinas com as palavras que sempre usa: “Que o mar seja sempre a nossa estrada”.

HELOISA SCHÜRMANN

A professora de inglês e navegadora Heloisa Schürmann faz de tudo um pouco na vida, sempre de forma sistemática e racional. Emoção mesmo vem à tona quando lembra da pequena Kat, que inspirou o livro “Pequeno segredo – a lição de vida de Kat para a família Schürmann”. A caçulinha entrou para a família em 1997, quando os Schürman deram início a uma nova expedição ao redor do mundo, inspirados na rota percorrida pelo navegador português Fernão de Magalhães.
Desde 1984, alternando longos períodos no mar com outros em terra, desenvolvendo novos projetos, Heloisa tem um segredinho para manter o controle: “Sou super organizada, tenho um calendário para as atividades da família e profissionais, e faço listas para tudo”, revela. “Ser a única mulher em uma família como a minha me fez desenvolver várias habilidades, que vão desde saber navegar, organizar a parte de dona de casa e barco em uma expedição até ser uma socorrista em uma emergência médica”, conta.
Heloisa, o marido Vilfredo, os filhos e um neto se preparam para a Expedição Oriente, que procura evidências da teoria de que os chineses haviam sido os primeiros a descobrir o continente americano.

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