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Motoras de carros-fortes entram em greve e dindim já começa a faltar

Classe quer aumento de 10% nos salários. Enquanto não houver acordo, dinheiro não deverá chegar mais nas agências bancárias

Os transportadores de valores resolveram cruzar os braços em toda a Santa & Bela. Os caras querem um reajuste de 10% no salário, mas as empresas estão oferecendo apenas 4%. A paralisação começou ontem e nenhum carro-forte está transportando dinheiro pra abastecer bancos e caixas eletrônicos. A greve, sem data pra acabar, também tá afetando o povão. Ontem, muita gente não conseguiu sacar dindim nas agências peixeiras e, enquanto não houver acordo, a situação só deve piorar.
Desde maio, o sindicato dos Trabalhadores em Transportes de Valores de Santa Catarina (Sintravasc) vem tentando negociar o reajuste salarial com as empresas Brinks e Prosegur, responsáveis por transportar a grana de um lado pro outro nos carros-fortes. Mas nenhum acordo foi firmado até agora, e ontem os motoras resolveram cruzar os braços e decretar greve estadual. De acordo com o presidente do sindicato, Vilson Soares dos Santos, 100% dos empregados na Santa & Bela aderiram ao beicinho. “Cerca de 1500 trabalhadores no estado inteiro pararam hoje [ontem] às 6h. Nenhum carro-forte estará nas ruas até que tenhamos um acordo”, jura.
Com o mês começando e as empresas se programando pra pagar os empregados, a falta de dinheiro nos caixas eletrônicos e nos bancos será um Deus nos acuda. Ainda mais sem a previsão pra acabar com a paralisação. “Nós estamos abertos a negociações. Esse é o propósito da greve e não atrapalhar a vida das pessoas”, garante Vilson, que não tem uma previsão otimista pro término do beicinho. “Hoje [ontem] de noite vamos até Florianópolis ter uma reunião de comando de greve pra decidir o que faremos. Mas tenho certeza de que a greve não acaba tão cedo”.
O pessoal da Brinks não quis se manifestar sobre o assunto. Na Prosegur, nenhum responsável foi encontrado pra comentar sobre a paralisação dos transportadores de valores.

Querem aumento de 10%
Os motoras de dindim da Santa & Bela recebem hoje R$ 1.089 por mês e reivindicam um reajuste de 10% nos salários. Mas, de acordo com o presidente do Sintravasc, as empresas estão oferecendo aumento de apenas 4%, porcentagem abaixo inclusive do índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que apontou reajuste de 4,88% na grana gasta pelo povão pra manter o padrão de vida.
Jailson Alves, 31 anos, é um dos motoristas em greve e não gostou nada da proposta patronal. O cara conta que, desde o ano passado, tem rolado sacanagem pra cima dos motoristas. “Ano passado também fizemos greve e nos deram aumento. Em compensação, tiraram o nosso tíquete-férias. Pra piorar, se o motorista bater o carro-forte, tem que tirar mil reais do próprio bolso. Se a culpa não for do motorista, a empresa devolve o dinheiro, mas, mesmo assim, o cara vai ter que desembolsar mil reais até descobrirem se o motorista é culpado ou não”, lasca.

Peixeiros ficam sem dindim
O mês tá no começo e o povão que precisa receber a grana do salário suado, pra pagar as contas, tá preocupado. Sem dinheiro nos caixas eletrônicos, a situação pode ficar caótica. E ontem mesmo já teve gente que foi nas agências bancárias e saiu de lá sem dinheiro na carteira. Foi o caso do jornalista Adriano Assis, 23 anos, que tentou pegar uma graninha na agência do Bradesco da rua Heitor Liberato, no bairro São Judas. A surpresa rolou na hora que o jovem chegou na máquina cospe-dindim. “Uma daquelas moças que ajudam o pessoal disse que nenhum caixa eletrônico estava com dinheiro. Fiquei sem a grana e tive que voltar pra casa”, lamenta. Outras cinco pessoas estavam na agência com Adriano e todas reclamaram em vão, saindo de mãos vazias.
O presidente do sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Itajaí e Região, Sergio Roberto Pio, diz que não há o que fazer no momento. “A greve tá iniciando hoje [ontem], então tudo o que podemos fazer é um levantamento pra analisar a situação e ver como os bancos vão conseguir administrar. Somente depois saberemos o que é possível fazer pra não prejudicar o cliente”, explica.

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