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Morre um dos haitianos feridos na explosão

Jonas Duveaud faleceu ontem de manhã. O sepultamento seria às 8h, mas foi transferido pras 11h, no cemitério da Fazenda. O outro sobrevivente continua na UTI, em estado grave

O imigrante haitiano Jonas Duveaud, 30 anos, não resistiu aos ferimentos provocados pelas queimaduras que sofreu na semana passada, durante um acidente de trabalho, e morreu ontem às 8h da manhã num leito da unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital Marieta Konder Bornhausen, de Itajaí.
A Pastoral do Migrante, que tá prestando assistência aos familiares, tinha informado que Jonas seria sepultado às 8h da manhã desta terça-feira, no Cemitério da Fazenda, mas o velório foi transferido pras 11h. A empresa onde o haitiano trabalhava tá hoje correndo atrás de documentação pra fazer o sepultamento.
A liberação do corpo para família só foi feita no final da noite de ontem, no Instituto Médico Legal (IML) em Balneário Camboriú.
O hospital Marieta divulgou uma nota sobre o falecimento. “Embora tenham sido empregados todos os meios cabíveis no tratamento, um dos dois haitianos internados na Unidade Intensiva desta instituição não resistiu aos graves ferimentos ocasionados por queimaduras”, diz o texto.
Jonas morava com a esposa Gessie Jean Baptiste, 28, e uma filha de três meses, no São Vicente. Segundo a Pastoral do Migrante, a família tava bem perdida sobre o que deveria fazer. Por isso tava contando com a ajuda de entidades e dos outros haitianos que moram nas quitinetes alugadas num terreno no bairro São Vicente.
Por volta das 20h de ontem, a Pastoral do Migrante e um primo de Jonas ainda tavam correndo atrás de roupas para o sepultamento antes de ir pro IML fazer os procedimentos de liberação.
O haitiano era um dos dois funcionários envolvidos em acidente de trabalho na Rode Removedora de Resíduos, no bairro Salseiros, que aconteceu na quarta-feira. Eles sofreram queimaduras de primeiro e segundo graus em quase todo o corpo.
Amos Fértil, 26, o outro acidentado, continuava internado até ontem. A situação era gravíssima.

OAB acompanha
Os integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Subseção de Itajaí da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também tão acompanhando a situação e prestando orientações aos familiares. Conforme Jamile Samantha Jakubowsky Garcia, presidenta da comissão, o advogado da empresa teria sugerido a cremação de Jonas para a família, mas a ideia não teria sido aceita.
A comissão também entrou em contato com representantes da Rode para que a empresa custeie as despesas funerárias e para um possível repatriamento da família para o Haiti. “A gente tá em cima, porque eles precisam tomar alguma providência, mas também é preciso esperar um tempo, até porque sabemos que é uma situação bem delicada”, afirmou a advogada.
Jamile disse que precisa aguardar uma decisão das famílias sobre o que vão fazer. No caso da mulher de Jonas, por exemplo, ela ainda não decidiu se volta para o Haiti ou permanece na cidade.
Ontem, a possibilidade de repatriar o corpo também chegou a ser discutida. “Nem ela [Gessie, esposa de Jonas] sabe ainda o que quer”, comentou Jamile.
A empresa está prestando a assistência para a família, informou a representante da OAB.
Amigos de trabalho de Jonas confirmaram que pessoas ligadas à empresa estiveram na casa dele ontem para orientar a esposa quanto às questões do velório e sepultamento. Para a comissão da OAB, a empresa tem essa responsabilidade de atendimento. Se houver alguma negligência, caberão medidas judiciais, afirma Jamile.
O DIARINHO não conseguiu contato com ninguém da empresa ontem para comentar o caso.

Caso chegou ao ministério Público do Trabalho
As condições de trabalho na empresa onde os dois imigrantes haitianos sofreram o acidente devem ser apuradas pelo Ministério Público do Trabalho. Depois de ser recebido pelo procurador substituto Luciano Arlindo Carlesso na semana passada, o caso chegou ontem às mãos do procurador Keilor Heverton Mignoni, titular da Procuradoria Regional do Trabalho em Florianópolis. Ele retornou ontem à função após as férias e ainda vai avaliar a situação antes de determinar a abertura de um inquérito para investigar o que aconteceu.
Foi um equipamento usado pra perfuração e limpeza, chamado de martelete, que explodiu e incendiou os trabalhadores. Quando os bombeiros chegaram ao local, os dois trabalhadores correram em direção aos socorristas praticamente nus e completamente desesperados.
Uma perícia foi feita pelos bombeiros na semana passada no local do acidente e vai ajudar a explicar o que causou a explosão. A comissão de Direitos Humanos da OAB espera a finalização do laudo pericial em duas semanas, antes mesmo do prazo legal de 30 dias para conclusão. Na avaliação dos representantes da OAB, o caso pede urgência. 

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